Mulungu (Erythrina speciosa Andrews)

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Os mulungus são plantas da flora brasileira muito utilizados na medicina popular, e durante as próximas semanas falaremos sobre algumas delas. Estamos na época de florada dos mulungus, que além do uso medicinal, são também extremamente ornamentais. Esta semana vamos falar do mulungu mais conhecido de todos, o mulungu-vermelho ou também chamado de corticeira, maçaranduba, sananduva ou eritrina-candelabro pela disposição de suas flores que lembram as velas de um candelabro. O nome Erythrina, vem do grego erythros que significa vermelho, pela coloração das flores de várias espécies deste gênero.

Descrição botânica: É uma árvore pequena, medindo entre 2 a 3 metros de altura, muito ramificada e que perde as folhas durante a floração; o caule possui espinhos em toda sua extensão e é recoberto por uma camada de casca que vai se desprendendo lentamente, conferindo uma coloração amarronzada;  as folhas são trifolioladas e as inflorescências se formam na porção terminal dos ramos, após a quedas das folhas, dispostas em cachos; as flores tem coloração vermelha, são alongadas com até 5 cm de comprimento e em seu interior abrigam numerosos estames.
 
Mulungu (Erythrina speciosa Andrews). A) Planta inteira; B) Caule e galhos cobertos de espinhos; C) Detalhe das folhas.
Onde ocorre: É uma planta típica de áreas de brejo e margens de rios, mas também se desenvolve em terra firme. Pode ser encontrada em quase todo Brasil, sendo mais escassa na região Norte, uma vez que é planta mais comum nos biomas Cerrado e Mata Atlântica. No Cerrado floresce durante a época da seca, destacando-se na paisagem cinza própria da estação.

Flores e vagens com sementes.
Usos: Os mulungus são plantas medicinais, além de bastante ornamentais. Preparados à base de folhas, cascas, raízes, flores e frutos são utilizados na medicina popular como sedativo, tranquilizante, antitussígeno e no tratamento de doenças do sistema respiratório. Estudos farmacológicos comprovam sua eficácia medicinal, além de demonstrarem que esta espécie tem potencial medicinal também como analgésica, anti-inflamatória e antimicrobiana. Porém, deve-se alertar que o uso de qualquer planta medicinal deve ser feito sob prescrição e acompanhamento de profissionais da saúde especializados no assunto. O mulungu também possui propriedades tóxicas e poderá causar sérios danos à saúde, se for utilizado de maneira incorreta.
            O mulungu, pela conformação da planta e beleza de suas flores também é ornamental, podendo ser utilizado na ornamentação de praças, parques, jardins e avenidas. Esta espécie não possui um sistema radicular muito agressivo e por isso pode ser cultivado próximo de áreas calçadas. A planta pode ser cultivada isolada, em maciços ou compondo o jardim em conjunto com outras espécies.
 
Flores abertas e estames.
Aspectos agronômicos:  A produção de mudas é feita por sementes. Embora se utilize a propagação por estaquia para muitas espécies de mulungu, para esta não tem sido um método muito utilizado. As sementes apresentam dormência e por isso, recomenda-se efetuar imersão em água durante 24 horas antes do plantio. A germinação pode ser feita em saco plásticos contendo substrato preparado com uma mistura de solo, areia e esterco, na proporção de 3:2:1. O tempo de viveiro pode variar entre cinco e sete meses, quando as mudas podem ser transplantadas para locar definitivo. As mudas também podem ser adquiridas com facilidade em viveiros comerciais. Uma vez estabelecida, a planta não é exigente em tratos culturais, podendo-se eventualmente realizar podas de manutenção.
 
Mulungu-vermelho dos jardins da Universidade de Brasilia.
Referências bibliográficas

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LAINETTI, R.; BRITO, N.R.S. A saúde pelas plantas e ervas do mundo inteiro. Ediouro. Rio de Janeiro, 1980.
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MELLO, F.B.; LANGELOH, A.; MELLO, J.R.B. Toxicidade pré-clínica de fitoterápico contendo Passiflora alata, Erythrina mulungu, Leptolobium elegans e Adonis vernalis. Latin American Journal of Pharmacy, 26(2), 191-200, 2007.
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PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. 19ª edição. São Paulo: Ibrasa. Biblioteca de Saúde; p. 41, 1997.

Imagens: J. Camillo.

Um comentário:

  1. Olá, obrigado pela rica fonte de informação que é seu blog. Pesquisando, encontrei essa arvoreta, e seria ideal para meu jardim (tamanho, estrutura, beleza) se não fosse pela toxicidade. Escrevo por isso, quanto deveria me preocupar à respeito de potencial envenenamento de criança pequena? Parece-me que a maior concentração estaria nas sementes. Quão tóxica? Certo da compreensão, e parabéns pelo belo trabalho.

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