Insulina-vegetal {Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E.Jarvis}

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            Esta semana, vamos falar de uma planta trepadeira muito utilizada na medicina popular para o controle do diabetes: a insulina-vegetal.
            Nunca é demais ressaltar, que assim como precisamos consultar um médico para o uso de qualquer medicamento, o mesmo cuidado deve-se tomar com o uso de plantas medicinais. A correta identificação e orientações de um profissional da área de saúde, é fundamental para evitar intoxicações ou problemas mais graves.
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         Esta planta é conhecida popularmente pelo nome de insulina-vegetal ou parreira-brava. No sul do Brasil, também é chamada de uva-do-mato, anil-trepador, diabetil, cipó-anil, cipó-pucá, cortina-japonesa, insulina, quebra-barreira, tinta-de-gentio, uva-brava e uvinha-do-mato. Em espanhol é chamada de tripa-de-vaca, cortina-del-cielo e uvilla-de-culebra; em inglês seasonvine, princessvine ou possum-grape-vine.

Insulina-vegetal (Cissus verticillata). Foto: J. Camillo.
Características botânicas: Pertencente à família botânica Vitaceae, tem hábito herbáceo, escandente ou trepador, perene, com gavinhas opostas às folhas. Os galhos podem atingir até 10 metros de comprimento e subir a mais de 3 metros de altura. Caule carnoso, laticífero, cilíndrico quando jovem, aplainado quando maduro, com até 5 cm de diâmetro, com nós levemente mais grossos. Folhas alternas, ovaladas com 5-12 x 3,8-6,5 cm, ápice agudo ou arredondado; gavinhas opostas às folhas, simples ou bifurcadas, com até 25 cm comprimento, lisas quando jovens e torcidas em forma de espiral, quando mais velhas. Inflorescências opostas às folhas, de coloração verde-amareladas ou avermelhadas; cálice verde-amarelado ou rosa. Os fruto são globosos, carnosos, medindo entre 0,7 a 1 cm de diâmetro, lustroso, violeta-escuro ou negro, com uma ou duas sementes inclusas.
Ramo jovem com gavinha bifurcada e folha
no lado oposto. Foto: J. Camillo.
           Botanicamente a espécie é também conhecida pelo sinônimo Cissus sicyoides L. e consta na bibliografia, a descrição de uma subespécie que é o Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E.Jarvis subsp. verticillata. Imagens de herbários mostram que a espécie apresenta bastante variabilidade morfológica, de acordo com os locais de ocorrência.

Onde ocorre: Espécie nativa da flora brasileira, ocorrendo em todos os estados da Federação. Não ocorre apenas no Brasil, mas tem uma ampla distribuição neotropical, ocorrendo na América Central e do Norte, desde a Flórida à Argentina e ao Uruguai. Pode ser encontrada preferencialmente em locais alterados, como beira de estradas e terrenos baldios, desde o nível do mar até 1800 metros de altitude.
Gavinha retorcida, para favorecer a fixação da planta
ao fio da espaldeira. Foto: J. Camillo.
Usos: Planta predominantemente de uso medicinal. A infusão das folhas, gavinhas e caule é utilizada na medicina tradicional para o tratamento do diabetes, como antiinflamatório, antrigripal, antiepilético, antihipertensivo, antitérmico, antirreumático, dislipidemia, problemas urinários e males do estômago. É comercializada em bancas de feiras livres nas diversas regiões do Brasil, na forma de mudas ou planta seca.
            Estudos fitoquímicos mostraram que a planta contém em sua composição carotenoides, alcaloides, flavonoides, esteroides, saponinas, mucilagens, compostos fenólicos, antocianinas e vitamina E. Assim como a uva, esta espécie também contém resveratrol, além de outros compostos com ação antioxidante.
            Estudos farmacológicos comprovam que a planta possui atividade hipoglicemiante (provavelmente associada à presença de polissacarídeos), potencial no tratamento de convulsões, doenças cardíacas e ação antibacteriana.
            A planta também pode ser utilizada como ornamental, sobre espaldeira de madeira ou arrame, formando cerca viva. O caule é matéria-prima para a confecção de artesanato em algumas regiões do Brasil e o fruto, pode ser fonte de corante azul para tingimento de tecidos.

Inflorescência muito delicada e na foto em destaque a flor com cálice
amarelado e quatro anteras. Fotos: J. Camillo.
Limitações: Apesar de todo potencial medicinal já demonstrado em estudos farmacológicos, são escassas as informações acerca da produção em escala comercial e normas de padronização do produto. Assim como ocorre com boa parte das plantas medicinais da flora brasileira, são necessários estudos farmacológicos mais aprofundados. 
Um exemplo, é detectar se existe sazonalidade na produção dos princípios ativos, características muito comum em espécies não domesticadas, além do desenvolvimento de testes que permitam identificar adulterações. Outra grande limitação para o uso comercial desta espécie, é que pouco se sabe sobre seus aspectos agronômicos, produção de mudas, plantio, tratos culturais e colheita.
Frutos maduros. Foto: J. Camillo.


Aspectos ecológicos e agronômicos: Floresce e frutifica quase o ano todo. A espécie é bastante rustica e adapta-se com facilidade às modificações do ambiente, característica própria de espécies pioneiras. Pode ser cultivada em condição de sol pleno ou meia-sombra e não é muito exigente em solos. Necessita tutoramento, que pode ser feito com uma base de mourões de cimento ou madeira, semelhante ao que se faz com a parreira.

Ramos em idade reprodutiva emitindo a inflorescência na parte oposta à folha.
Foto: J. Camillo.
Propagação: Pode ser feita por sementes ou mais facilmente por estaquia de galhos. A multiplicação via cultura de tecidos também tem sido testada nesta espécie e pode ser uma técnica interessante. Além de produzir mudas de qualidade isentas de pragas e doenças, é possível produzir tecidos específicos para a extração de princípios ativos. Um estudo realizado em 2009, já identificou-se a presença de heterosideos cardiotônicos em calos de C. sicyoides L. (=C. verticillata), obtidos do seccionamento e cultivo de tecidos foliar.

Referências Bibliográficas

BARBOSA, W.L.R. et al. Characterisation of flavonoid glycosides in pharmacopoeial preparation of Cissus verticillata (L) Nicolson & CE Jarvis) using HPLC-DAD and HPLC-MS. IJPSR, 4(10), 3871-3876, 2013.
COLECIONANDO FRUTAS. Cissus verticillataDisponível em: Link. Acesso em nov/2014.
CONABIO. Cissus verticillata. Disponível em: Link. Acesso em nov/2014.
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OLIVEIRA, A.B. Cissus verticillata (Vitaceae): informações etnofarmacológicas e anatomia de órgãos vegetativos. Dissertação (mestrado). UFLA. Viçosa. 2006.
REBOUÇAS, F.S. Cultivo in vitro de plantas medicinais: Ocimum basilicum L. e Cissus sicyoides L. Dissertação (Mestrado). 2009. UFRC – Cruz das Almas/BA.
ROCHA, J.F. et al. Calogênese em insulina vegetal (Cissus verticillata (L.) Nicolson & Ce jarvis). In: Congresso Brasileiro de Floricultura e Plantas Ornamentais, 19; Congresso Brasileiro de Cultura de Tecidos de Plantas. Anais. Recife: UFRPE, 2013.
SANTOS, M.R.A. et al. Pré-tratamento para estabelecimento in vitro de fragmentos foliares de Cissus verticillata. Saber Científico, 3(1), 91-98, 2011.
SILVA, L.D. et al. Biciclogermacreno, resveratrol e atividade antifúngica em extratos de folhas de Cissus verticillata (L.) Nicolson & Jarvis (Vitaceae). Revista Brasileira de Farmacognosia, 17, 361-367, 2007.
SOUSA-LINO, C. et al. Antioxidant activity of a Cissus verticillata fraction and tyramine, its bioactive constituent, on alloxan-induced diabetic rats. Open Pharmacology Journal, 2, 63-69, 2008.
SOUZA, F.A.; GUARIM-NETO, G. Aspectos botânicos e de usos de Cissus verticillata (L.) Nicholson & CE Jarvis (Vitaceae): insulina-vegetal. FLOVET-Boletim do Grupo de Pesquisa da Flora, Vegetação e Etnobotânica, 1(1), 21-39, 2009.



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