Escrevo pouco sobre as plantas da Caatinga, até porque ainda preciso conhecer muito deste maravilhoso bioma. A flora da Caatinga é um espetáculo à parte, tem cactos, bromélias, orquídeas, árvores e palmeiras de rara beleza paisagística e de múltiplas utilidades, principalmente, na vida do povo sertanejo. Mas uma palmeira, em especial, me encanta por sua beleza e versatilidade: a carnaúba. 

Descrição botânica: Planta da família Arecaceae, com raízes fasciculadas (numerosas e profundas), tronco solitário, ereto, cilíndrico, com 7 a 10 m de altura. O caule apresenta marcas da folhas secas que vão caindo. As folhas concentram-se no topo da planta (capitel), verde-claras, em forma de leque, plissadas (bem característica da espécie) e com a extremidade segmentada em filamentos rígidos; cada folha pode medir até 1,2 m de comprimento. Os cachos podem medir até 2 m de comprimento e conter numerosa flores pequenas e amareladas; o fruto é do tipo baga, com 2 cm de comprimento, arroxeado quando maduro. 

Onde ocorre: A carnaubeira é planta típica da Caatinga, endêmica do Brasil, com distribuição natural nas regiões Nordeste, Norte (estado do Tocantins) e Centro-Oeste (em algumas áreas do Mato Grosso). Prefere climas quentes e secos, solos argilosos e aluviais (beira de rios e lagos), suportando bem períodos de inundação durante a época chuvosa. Na Caatinga e em pontos específicos do Cerrado, forma populações quase puras, denominadas palmeirais. As maiores populações naturais de carnaúbas encontram-se nos estados do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. 

Palmeiral no Maranhão. Foto: Marcelo Cava (link)
Usos: A carnaúba é conhecida como a “árvore da vida”, pois nela tudo se aproveita. Suas utilidades vão desde a produção de cera até o uso alimentício do palmito e dos frutos. A cera é o produto mais explorado comercialmente, extraída das folhas tanto de forma manual quanto mecanizada. A palha, resultante da extração manual da cera, é usada na produção de artesanato e mantas de revestimento para a indústria petrolífera. A fibra, extraída de forma manual do “olho” da planta, é semelhante à juta, tem alta resistência e é usada na confecção de corda, redes de pesca, artesanato para decoração e moda, ou na produção de compósitos para fins industriais. As raízes tem uso medicinal. O tronco se usa como madeira em pequenas construções, que também podem ser cobertas com a palha das folhas. O palmito e os frutos são usados para alimentação humana e animal. Os frutos também fornecem óleo comestível. 

A beleza plástica da planta a torna uma excelente opção ornamental, especialmente para a região Nordeste, cultivada em praças, parques, jardins e na arborização urbana. A boa tolerância à seca e o clima quente regional, não impede o seu cultivo em outros estados do Brasil, a exemplo dos belos projetos de Burle Marx no Rio de Janeiro, onde extensas aleias de carnaúba sobre gramados ornamentam diversas áreas da Cidade Maravilhosa. 

Uso da carnaúba no paisagismo urbano, Rio de Janeiro-RJ.
A planta é inspiração pura! Encantou o romancista José de Alencar, que a menciona por várias vezes no livro Iracema. Logo na primeira linha ele descreve uma paisagem de “Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba”. Depois cita os usos: “O ancião fumava à porta, sentado na esteira de carnaúba”; “Poti cortou esteios dos troncos da carnaúba” e por fim, Iracema se alegra ao reencontra sua jandaia nas folhas da palmeira:

“...uma voz estridente gritou seu nome do alto da carnaúba: 
— Iracema!... Iracema!... 
Ergueu ela os olhos e viu entre as folhas da palmeira sua linda jandaia, que batia as asas e arrufava as penas com o prazer de vê-la.”
 
Carnaúba e em jardim, Recife-PE.
Aspectos agronômicos: Planta típica de clima quente, cresce em vales de rios e terrenos arenosos e mal drenados. Esses locais concentram água por mais tempo durante o período seco e, combinada com uma espessa camada de cera em suas folhas, impede que as plantas desidratem rapidamente. As plantas podem viver por até 200 anos. 

A produção de mudas é feita por sementes, que devem ser embebidas em água até que seja possível amolecer e remover a polpa, a fim de facilitar a germinação. Sementes plantadas logo após a colheita germinam em até 7 dias, porém, frutos recolhidos do chão, podem levar até 5-6 meses para germinar. A semeadura deve ser feita em condição de meia-sombra, com regas regulares. 

Via de regra, uma muda de palmeira pode levar até 2 anos para estar pronta para o plantio definitivo. O cultivo das plantas pode ser puro ou misto, em sistema consorciado com pasto ou com outras lavouras anuais. No caso de sistemas silvipastoris, é preciso que as plantas estejam bem crescidas antes de soltar os animais, que comem as folhas tenras e podem comprometer o crescimento das plantas. 
 
Paisagismo urbano com carnaúba, Porto Seguro-BA.

Bibliografia recomendada 


QUEIROGA, V.P. et al. Copernicia prunifera – carnaúba. In: CORADIN, L.; CAMILLO, J.; PAREYN, F.G.C. Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro – Região Nordeste. Brasília: MMA, 2018. 1314p. Disponível para download gratuito no Link

De acordo com o site da Flora do Brasil, existem 64 espécies nativas do gênero Arachis catalogadas no País hoje, sendo 48 endêmicas, ou seja, só ocorrem no Brasil. Entre elas, duas tem grande destaque pelo uso paisagístico: Arachis pintoi Krapov. & W.C.Greg. e Arachis repens Handro, mais conhecidas como amendoim-rasteiro ou grama-amendoim. 

Estas espécies são parentes próximas do amendoim comum (Arachis hypogaea L.), que usamos na alimentação. Entretanto, o amendoim é uma espécie nativa da região andina da América do Sul, considerada como naturalizada no Brasil. 

Descrição botânica: Da família botânica Fabaceae, são ervas estoloníferas, rasteiras, perenes, que formam um denso tapete verde ao crescerem sobre o solo. As folhas são compostas, com 4 folíolos (2 pares), de formato ovalado, e cor variando entre verde-claro e verde-escuro. As flores são numerosas, pequenas e de cor amarela. Na espécie A. pintoi pode ocorrer plantas com flores brancas, ainda que raramente. São consideradas plantas autógamas. 


Onde ocorrem: Ambas espécies são nativas e endêmicas do Brasil, tendo sua ocorrência associada aos cursos d’água. A. pintoi é encontrada naturalmente nas bacias dos rios Jequitinhonha, São Francisco e Paraná, chegando até o litoral atlântico. A. repens é encontrada naturalmente apenas na região Norte de Minas Gerias, porém, atualmente é cultivada como planta ornamental em todas as regiões do Brasil. 


Usos: Ambas são usadas no paisagismo ou como forrageiras, na alimentação animal. No paisagismo tem sido cada vez mais usadas como forração, para recobrir grandes áreas de solo descoberto, desde que não haja pisoteio. Podem ser empregadas tanto em jardins residenciais quanto em parques, jardins ou canteiros de ruas e avenidas. Devido ao crescimento rápido, boa capacidade de recuperação retenção de solo, a grama-amendoim tem sido muito usada na cobertura funcional do solo, especialmente em encostas resultantes de construções urbanas, rurais e, até mesmo, no paisagismo rodoviário. 


O potencial ornamental da grama-amendoim reside muito mais no crescimento da folhagem do que propriamente na floração. Mas em condições de boa disponibilidade de água, as plantas florescem quase o ano todo, com picos entre outubro e dezembro, formando um cenário de grande beleza estética. Tem a vantagem de não necessitar podas, apenas quando se deseja controlar o crescimento horizontal
das plantas. 



Aspectos agronômicos: A grama-amendoim tem a vantagem de se adaptar com facilidade à solos ácidos, de baixa fertilidade e com alta concentração de alumínio, características de solo de Cerrado e onde a maioria das forrações ornamentais não se dá bem. Podem ajudar, inclusive, na recuperação e conservação do solo, devido à elevada capacidade de fixação de nitrogênio dessas plantas. 

Arachis pintoi tolera sombreamento, podendo ser cultivada em áreas com insolação parcial, a exemplo de vãos entre prédios, e apresenta maior resistência à seca, mantendo folhagem verde nos períodos mais secos do ano. A. repens também possui alta capacidade de adaptação às diferentes condições de clima e solo do Brasil. Entretanto, a experiência prática mostra que é mais sensível à falta de água e não tolera geadas. Sob irrigação constante, tanto em sistemas automatizados quanto manuais, produz um tapete verde de grande beleza ornamental. 


A produção de mudas é feita por estaquia de ramos ou estolhos, retirando-se estacas com 4 a 6 nós para garantir bom pegamento. Também é possível comprar mudas em lojas de paisagismo. A quantidade de mudas por metro linear vai depender do custo da obra e da pressa do jardineiro: se desejar um fechamento mais rápido usa-se 10 mudas/m. É recomendável manter as plantas sob contenção, pois podem facilmente invadir áreas adjacentes de gramados e outros canteiros.


O plantio pode ser feito a pleno sol ou meia sombra, de acordo com a característica de cada espécie. O solo deve ser preparado previamente com boa quantidade de adubo orgânico e boa drenagem, a fim de evitar encharcamento. Atenção para os períodos de seca, as plantas ficam mais bonitas se houver água de forma constante o ano todo. Quando fizer adubação de cobertura, prefira adubos orgânicos ou formulações organominerais, que liberam nutrientes de forma mais lenta (menos adubações por ano, menor custo) e são menos poluentes ao meio ambiente. 


Bibliografia recomendada 

Favero, A. P.; Valls, J.F.M. Arachis repens – grama amendoim. In: Coradin, L.; Camillo, J.; Pareyn, F.G.C. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro: Região Nordeste. Brasília, DF: MMA, 2018. (Link

Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Link 

Valls, J.F.M.; Coradin, L. Arachis pintoi – amendoim forrageiro. In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro : região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018. (Link)

A cana-do-brejo ou cana-de-macaco, como também é conhecida em várias regiões do Brasil, é muito usada na medicina popular e sempre suscita muitas dúvidas se é uma única espécie ou se existe mais de uma, devido às diferenças marcantes que se observa nas plantas conforme o clima e a região. De acordo com o site da Flora do Brasil, existe pelo menos 16 espécies do gênero Costus catalogadas no Brasil, a maioria nativa da floresta amazônica. A cana-do-brejo é a mais comum delas e devido às suas diferenças morfológicas, foi classificada em duas variedades: Costus spiralis (Jacq.) Roscoe var. spiralis e Costus spiralis var. villosus Maas, sendo esta última, de ocorrência restrita à região amazônica. Para simplificar, aqui trataremos da espécie principal Costus spiralis, sem entrar nos detalhes das variedades. 

Descrição botânica: Família Costaceae, planta de 1 a 2 m de altura, com rizomas. As folhas são grandes, de formato alongado, glabras e dispostas em espiral (daí o nome da espécie). As flores são reunidas em inflorescências terminais (estróbilos) e podem ter coloração variando de avermelhado à rosa claro ou branco. Os frutos são pequenos (1,5 cm de comprimento), tipo cápsula, com até 20 sementes de cor preta. 

Estróbilos de C. spiralis com flores de cores diferentes

Onde ocorre: Planta nativa, porém, não endêmica do Brasil, com ocorrência desde o México até a porção sul do Brasil. Mais comum em áreas úmidas, como beira de rios ou lagos, mas também pode ocorrer em áreas de savana ou afloramentos rochosos. 

Devido à similaridade entre plantas, é muito comum a confusão entre Costus spiralis e Costus spicatus, inclusive no uso popular e até mesmo em trabalhos científicos. Embora ambas sejam usadas para as mesmas finalidades, a espécie nativa e mais comum no Brasil é Costus spiralis

Usos: É muito usada com fins ornamentais, tanto para o cultivo em jardins quanto para flor de corte, devido à beleza de suas inflorescências. Vai bem na montagem de arranjos tropicais, juntamente com helicônias, estrelitzias e filodendros. No jardim pode ser cultivada junto a muros, em renques ou à beira de lagos ou piscinas naturais. 

Também apresenta amplo uso medicinal. As folhas, hastes e rizomas são usados na medicina popular para o tratamento de cálculos renais, sífilis, nefrite, cistite, controle da diabetes e como anti-inflamatória. Em algumas regiões, o chá das folhas é usado contra hipertensão e como diurético, as folhas cozidas são usadas no controle de diarreias; o chá ou suco dos colmos (caules) é usado no combate à hepatite e dores de barriga. No Distrito Federal, um laboratório farmacêutico possui cultivo da espécie para a produção de chá medicinal. 

Cultivo de C. spiralis no DF para a produção de chá medicinal
É possível encontrar na literatura uma centena de relatos sobre o uso medicinal da cana-do-brejo, porém, existe pouca confirmação científica. Uma revisão bem interessante sobre estudos químicos e farmacológicos a cerca desta espécie foi publicada por Duarte et al. (2017) na revista Fitos (Link). 

Quando se fala em planta medicinal é importante sempre mencionar que o uso nunca deve ser feito de forma indiscriminada e deve-se atentar sempre para a correta identificação da planta. Assim como outras da mesma família botânica, a cana-do-brejo possui em sua composição o ácido oxálico, que ingerido em excesso pode causar intoxicações graves. 

Distribuição das folhas em espiral, aspecto que ajuda a identificar a espécie
Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita tanto por sementes quanto por rizomas e estacas do caule. As plantas desta espécie preferem clima quente e úmido, mas podem se desenvolver satisfatoriamente também em regiões mais secas, desde que irrigadas. O plantio deve ser feito em solos ricos em matéria orgânica e, preferencialmente, mantidos úmidos. Pode ser cultivada em meia sombra ou sol pleno e floresce quase o ano todo. Observando plantas em diversos locais do Brasil, notei que no Cerrado, durante a seca, as plantas podem definhar, mas mantém o rizoma intacto, rebrotando vigorosamente assim que se inicia a época chuvosa. Já em regiões mais frias, durante o inverno, a parte aérea pode secar totalmente devido a ocorrência de geada, porém, os rizomas rebrotam logo que acaba o frio. 

As flores também cumprem papel ecológico, fornecendo abrigo e alimento para a fauna

Bibliografia recomendada 

Costaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 06 Nov. 2019 

Vieira, R.F.; Camillo, J.C.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro : região Centro-Oeste. Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Biodiversidade. – Brasília, DF: MMA, 2018. (Link)

A secura produz paisagens lindas no Cerrado! O pôr do sol é de tirar o folego, florescem os ipês, os pau-rosas, os jacarandás e as sapucaias, com suas folhas e flores roxas que se destacam em meio à paisagem cinza das cidades do Centro-Oeste do Brasil. Por vezes confundidas com “algum tipo de ipê”, as sapucaias são árvores de médio a grande porte, com potencial ornamental para uso em áreas amplas e podem ser cultivadas em várias regiões do Brasil. 

Descrição botânica: Da família Lecythidaceae, a sapucaia é uma árvore que pode medir entre 15 a 30 m de altura e o tronco pode chegar a 90 cm de diâmetro. Obviamente que nas condições de restrição hídrica do Cerrado as plantas crescem menos, porém apresentam um colorido muito mais vibrante. As folhas jovens possuem cor arroxeada, passando a verde escuro à medida que maturam. As flores, também arroxeadas, desabrocham simultaneamente ao surgimento das folhas jovens e ambas se confundem na monocromia. Os frutos são grandes cápsulas lenhosas, que podem pesar mais de 1 kg, e abrigam em seu interior de 10 a 40 sementes (castanhas). A floração e frutificação ocorrem de junho a outubro, com variação conforme o clima e a região. 

Folhas novas e flores que se confundem na monocromia
Onde ocorre: Planta nativa, de ocorrência exclusiva no Brasil, nos biomas Amazônia e Mata Atlântica, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. É possível encontrar a espécie de forma natural em área antropizada e em florestas úmidas. Nas áreas urbanas, geralmente é encontrada na condição de cultivada. 
Detalhe de flores de sapucaia em planta com as folhas verdes

Usos: A espécie é mais conhecida pelos seus usos ornamental e madeireiro. Para fins ornamentais é preciso levar em consideração que a espécie cresce bastante e, por isso, deve ser cultivada em áreas amplas e ensolaradas, tais como praças, parques ou avenidas largas, onde não haja muita circulação de pessoas. A presença de frutos grandes e pesados, ainda que em pequeno número, inviabilizam o uso da sapucaia em estacionamentos e passeios públicos de grande circulação, bem como em áreas próximas a fontes ou piscinas, pois a espécie perde as folhas durante a estação seca. A madeira é moderadamente dura, empregada na fabricação de estacas, mourões e construções rurais em geral. Os frutos lenhosos podem ser usados como adorno e na fabricação de peças decorativas para interiores. 

Exemplo do uso da sapucaia na arborização de avenidas
As castanhas são comestíveis e muito saborosas. Cada 100g de castanha contém, aproximadamente, 55% de lipídios, 27% de proteínas, 5% de carboidratos, 3% de cinzas e 10% de umidade. O perfil lipídico é composto de 43% de ácidos graxos poli-insaturados, 42% ácidos graxos monoinsaturados e 15,2% ácidos graxos saturados. São fontes riquíssimas em fósforo, magnésio e manganês, além de fornecer energia, proteínas e outros minerais importantes para a saúde humana. As sementes são levemente aromáticas e oleaginosas e podem ser consumidas cruas, cozidas ou assadas, porém, sempre com moderação, pois cada 100g de castanha de sapucaia fornece, em média, 620 kcal. 

Aspectos agronômicos: A propagação pode ser feita por sementes ou por estaquia. As sementes devem ser colhidas e semeadas logo em seguida, pois perdem a viabilidade rapidamente. Antes do plantio em canteiros ou em saquinhos, recomenda-se escarificar com lixa as sementes, a fim de aumentar a germinação. As sementes devem ser regadas diariamente e a germinação pode levar entre 15 a 45 dias. Quando a propagação for por estacas, deve-se dar preferência às estacas herbáceas, que são menos lignificadas e enraízam com mais facilidade. Já existem estudos que demonstram a viabilidade da propagação in vitro da sapucaia, via cultivo em embriões e por microestaquia. A espécie prefere regiões com clima quente e, pelo menos, 1000 mm
anuais de chuvas. Desta forma, deixe para transplantar as mudas para o local definitivo no início da estação chuvosa, assim aumentarão as chances de pegamento das mudas. 

Frutos imaturos, porém, já bem grandes

Bibliografia recomendada 

Carvalho, I.M.M. et al. Caracterização química da castanha de sapucaia (Lecythis pisonis Cambess.) da região da zona da mata mineira. Bioscience Journal, 28(6), 2012. 

Flora do Brasil. Lecythidaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 21 Set. 2019

A cássia-imperial é nativa da Índia e foi trazida para o Brasil como planta ornamental, onde se adaptou muito bem. Sua florada amarelo-ouro ocorre entre dezembro e abril, variando conforme o clima e a região do Brasil. Sua copa arredondada e os belos cachos de flores pendentes formam um delicado conjunto no jardim. A depender da região, esta espécie pode ser chamada também de cana-imperial, chuva-de-ouro, canafístula ou canafístula-verdadeira.


Descrição botânica: Planta da família Fabaceae, árvore caducifólia, ou seja, que perde as folhas em uma determinada época do ano, pode medir entre 10 a 15 m de altura, tronco cilíndrico e casca lisa. Os ramos são abertos, formando copa globosa. Folhas alternadas, compostas por 4-8 pares de folíolos, até 13 cm de comprimento. As inflorescências são cachos pendentes, com flores grandes, de cor amarelo-ouro. O fruto é uma vagem cilíndrica e se desprendem da planta aos poucos ao longo do ano. Sementes pequenas, numerosas e com aroma delicado. 


Usos: Muito usada no paisagismo, adequada para plantio em parques, jardins e até mesmo na arborização de ruas. As sementes têm aroma semelhante ao do alcaçuz, sendo usadas como aromatizante de tabaco, sorvetes e na confeitaria. As sementes também possuem propriedades medicinais, usadas na medicina popular como cicatrizante, antipirético, analgésico, hipoglicemiante e purgativo. O tronco fornece madeira de alta qualidade para marcenaria, torno, construção naval, cabos para ferramentas, postes, esteios, moirões e outras construções rurais. As cascas são ricas em tanino, usado no curtimento de couro. As flores são melíferas e podem ser comestíveis. As folhas são tenras e servem de alimento para o gado. 

As flore são melíferas
Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, plantadas em substrato leve e bem drenado. As sementes devem ser plantadas logo após a colheita. Quando armazenadas por longo período, podem entrar em dormência, sendo necessário efetuar escarificação química ou mecânica (com lixa) antes do plantio, a fim de aumentar a germinação. As mudas têm crescimento rápido e podem ser plantadas em local definitivo quando atingirem entre 0,7 a 1 m de altura. Atenção para a escolha correta do local de plantio, pois esta espécie não tolera transplantio. Prefere regiões com clima quente. Floresce abundantemente no Cerrado. 

Planta jovem e já coberta de flores no Cerrado
Atenção: Embora existam vários relatos sobre o uso medicinal desta espécie, a mucilagem presente nas sementes e a grande quantidade de tanino na casca, podem causar intoxicações sérias. Desta forma, recomenda-se buscar informação especializada antes de efetuar qualquer uso terapêutico. 

Bibliografia recomendada 

Guedes, R.S. et al. Tratamentos para superar dormência de sementes de Cassia fistula L. Biotemas, 26(4), 11-22, 2013. 

Lorenzi, H. et al. Árvores e arvoretas exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Editora Plantarum, 2018.

Quando falamos em culinária regional, alguns sabores são emblemáticos. Para mim, quando se fala em comida goiana, vem logo à memória o empadão goiano, que nada mais é do que uma empada gigante recheada com frango, queijo, linguiça e gueroba ao gosto do cozinheiro. A gueroba ou guariroba, como também é chamada em Goiás, é uma palmeira que produz um palmito amargo bastante apreciado na cozinha regional. Assim como o pequi, o sabor é forte, e não existe meio termo, ou você ama ou odeia. 

O sabor se assemelha ao do jiló e o amargor pode ser controlado durante o cozimento, ou efetuando-se um escaldamento do palmito até suavizar o sabor. Aliás, por falar em amargor, a comida goiana tem, além da gueroba e do jiló, outro ingrediente de peso, um pouco menos conhecido e já tratado aqui neste blog, que é a jurubeba (Link). Esse trio é inesquecível! 

Empadão goiano: prato tradicional indispensável a quem vai conhecer as cidades históricas de Goiás
Descrição botânica: Da família Arecaceae, a gueroba é caracterizada pelo seu caule solitário e fino, que pode alcançar entre 5 a 20 metros de altura. As folhas têm coloração verde-escura, até 3 m de comprimento (compostas 100 a 200 pinas cada), concentradas em espiral no final do tronco, dispostas entre 15 a 20 unidades, formando copa arredondada. As inflorescências são interfoliares e recobertas por uma proteção lenhosa (raque); as flores são pequenas, de coloração creme e numerosas. Os frutos (coquinhos) têm formato arredondado (elipsoide) e coloração verde-amarelada. 

Inflorescência de guerobeira visitada por abelhas arapuás (polinizadores)
Onde ocorre: A gueroba é uma palmeira nativa, só encontrada no Brasil (endêmica), especialmente no Cerrado do planalto central, desde o norte do Paraná, até o Mato Grosso, Tocantins e sul-sudeste da Bahia. 

Cacho com frutos ainda verdes
Usos: Planta de uso alimentício, ornamental, medicinal, forrageira (frutos) e oleaginosa. O palmito é a porção comestível e pode ser empregado na culinária em diversas preparações. Além do recheio do famoso empadão goiano, pode ser usado em saladas, molhos e complementos. Quanto aos aspectos nutricionais, o palmito é rico em vitamina C, potássio, fósforo, antioxidantes e fibras, além de apresentar baixo índice calórico, são menos de 12 calorias em cada 100g de produto in natura. A amêndoa dos frutos também pode ser usada como alimento. No interior de Goiás ela é o ingrediente principal do “doce de taia”. É rica em óleo, sendo considerada um alimento de elevado valor calórico, com mais de 600 kcal em cada 100g de amêndoa in natura. O óleo pode ser empregado na produção de cosméticos. 

No livro Biodiversidade Sabores e Aromas (link no final do texto), o leitor poderá encontrar dicas e muitas receitas com o palmito, a exemplo do patê, a pamonha de frango com gueroba, o arroz de puta rica e a chica-doida, receitas tradicionais, simples e muito saborosas da cozinha goiana. 

A planta apresenta excelentes qualidades para uso no paisagismo, com destaque para o belo aspecto plástico conferido pelo seu caule único e afilado, terminando em copa arredondada, além da ausência de espinhos, facilidade de cultivo e resistência à seca, pragas e doenças. A planta é presença obrigatória nos diversos jardins de Burle Marx em Brasília, além de muitas outras cidades da região Centro-Oeste. 

Uso da gueroba no paisagismo. Praças dos Cristais- Brasília-DF.
Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, que devem ser semeadas em sacos plásticos individuais. O percentual de germinação é de aproximadamente 60% e demora em torno de 100 a 120 dias para germinar. Dê preferência sempre à coquinhos maiores, que produzem mudas mais robustas. O substrato para germinação deve conter 3 partes de solo para uma parte de esterco bovino e, para cada 100kg de substrato, 2,5 kg de NPK 4-14-8 ou outra formulação organo-mineral similar, o que proporciona melhor formação das mudas quando se deseja iniciar um cultivo comercial. Quando as mudas atingiram cerca de 30 a 40 cm de altura podem ser plantadas nos locais definitivos e a colheita do palmito se dá após 3 ou 4 anos. O plantio das mudas deve ser feito em solo leve, bem drenado e rico em matéria orgânica. As plantas preferem locais de clima quente e, embora tolerem bem a seca, a irrigação constante resulta em crescimento mais rápido e plantas mais bonitas. 

Para o cultivo em jardim valem as mesmas regras, contudo, as mudas podem ser facilmente adquiridas em viveiros da sua região. O cultivo deve ser feito em espaços amplos e longe de redes elétricas e residências, uma vez que a planta pode crescer bastante. 

Observação importante: O cultivo comercial dessa espécie, ainda que em pequena escala, é de extrema importância para preservar as guerobeiras no ambiente natural, uma vez que a extração do palmito implica obrigatoriamente na morte da planta e esta não rebrota. Então, nunca colha o palmito direto da natureza, nem compre produtos sem saber a procedência, você poderá estar contribuindo, sem saber, para a destruição da nossa biodiversidade. Conhecer a procedência do alimento que estamos comprando é uma obrigação enquanto consumidores, além de valorizar e apoiar quem produz de forma correta. 

Palmito de gueroba in natura comercializado em feiras livres de Goiás. Foto: J.P. Bucher

Bibliografia recomendada 

Santiago, R.A.A.; Coradin, L. Biodiversidade Brasileira: sabores e aromas. Ministério do Meio Ambiente. 2018. Link

Soares, K.P. Syagrus in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.  <Link>

Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro: região Centro-Oeste. MMA, 2018. Link


Em visita a um colecionador de plantas ornamentais no Distrito Federal me deparei com uma das inflorescências mais lindas do mundo vegetal. Minha maior surpresa foi saber que essa belezura é nativa do Brasil, ainda pouco conhecida, mas com grande potencial de uso no paisagismo. Os cachos de flores são de um alaranjado intenso e chamam a atenção de quem passa por perto. Uma planta tão bela e nativa das nossas florestas merece ser mais conhecida. A depender da região, a espécie recebe vários nomes populares: sol-da-mata, sol-da-montanha, rosa-do-mato, chapéu-de-sol-da-bolívia e por aí vai. 

Descrição botânica: Da família Fabaceae, em cultivo a altura das plantas varia entre 5 a 7 m, mas no interior da mata densa podem ultrapassar 20m. Apresentam folhas grandes e, quando jovens, possuem coloração rosa-arroxeada, passando a verdes quando adultas; as folhas são compostas por 4 a 16 folíolos, cada ráquis pode medir mais de 50 cm de comprimento. As inflorescências são vistosas, grandes e compostas por várias flores adensadas em forma de bolas pendentes, que surgem na extremidade dos ramos; a coloração das flores pode variar de alaranjado a vermelho. 


Onde ocorre: A espécie é nativa do Brasil, porém, não endêmica, sendo registrada também na Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Bolívia. A sua ocorrência em terras brasileiras foi registrada oficialmente no Amazonas, Pará, Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Possivelmente também esteja presente em outros estados, fato que só poderá ser confirmado por estudos botânicos mais abrangentes. 

Usos: Árvore muito ornamental devido à beleza de sua floração, que atrai especialmente os colibris. A madeira pode ser usada para confecção de caixotaria. As flores são usadas na medicina tradicional como anti-hemorrágico, propriedade já parcialmente confirmada por estudos científicos. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, que podem apresentar germinação baixa e desuniforme, bem como lento crescimentos das plantas. A arvoreta fotografada nas condições do Distrito Federal possui mais de 15 anos e porte aproximado de 5 a 6 m, cultivada em área sombreada e com rega constante. A floração foi observada no mês de junho, com frutos maduros simultaneamente. No Rio de Janeiro os relatos informam que se observa floração e frutificação quase o ano todo. A espécie aprecia clima quente e úmido, apresentando lento desenvolvimento em regiões mais frias. As mudas podem ser plantadas em áreas semi-sombreados, com rega abundante. A falta de água limita a floração e a frutificação. Em alguns locais, a espécie apresenta também problemas com a polinização, resultando em alto índice de frutos vazios, necessitando a colheita de muitos frutos para conseguir boa quantidade de sementes.


Bibliografia recomendada 

Fabaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <Link>. Acesso em: 31 Jul. 2019. 

Pereira, B.; Brazón, J. Aqueous extract from Brownea grandiceps flowers with effect on coagulation and fibrinolytic system. Journal of ethnopharmacology, 160, 6-13, 2015.


Recentemente, em uma visita a um colecionador de plantas ornamentais, conheci esta palmeira e fiquei encantada com seu aspecto. A delicadeza da trama de fibras que envolve o caule se contrapõe à rigidez dos espinhos alongados e firmes. Minha curiosidade foi a mil e comecei a buscar informações sobre esta espécie, reunindo aqui um pouco do que encontrei. 

Onde ocorre: Palmeira nativa da América Central, endêmica da ilha de Hispaniola, na República Dominicana. No Brasil, a espécie é cultivada por alguns colecionadores. 

Descrição botânica: Família Arecaceae, medindo até 3 m de altura, com múltiplos caules de até 5 cm de diâmetro, formando touceiras. Cada indivíduo apresenta entre 9 a 12 folhas, em forma de leque. As bainhas, após a queda das folhas, ficam aderidas aos caules e vão se degradando e se dividindo formando a trama de espinhos, que é a característica principal da espécie. As inflorescências são pequenas e sem grande importância estética; os frutos são pequenos e podem ter coloração variando de esbranquiçados até alaranjados. Na região de origem a planta frutifica entre julho e agosto. 


Uso: Palmeira ornamental. Forma touceira e pode ser conduzida de forma fechada, valorizando a folhagem, ou com podas elevadas, valorizando os caules, com sua trama de fibras e espinhos que confere um visual muito bonito às plantas. Como possui muitos espinhos, não é recomendada para áreas onde há grande circulação de pessoas, em especial, crianças e também de animais domésticos. 

Aspectos agronômicos: Palmeira resistente à seca, porém, cresce melhor em áreas mais úmidas e de clima quente. O crescimento é lento, o que permite a valorização da beleza dos caules por mais tempo. Aqui no Brasil, na coleção visitada, observei que a espécie é cultivada em condição de sombra total e com rega constante. 


Curiosidades: O nome palmeira-zumbi é atribuído ao aspecto espinhoso de seus caules que, além de proteger a planta, também fornece espinhos longos e finos para uso em rituais de vodu. O site Palmpedia, traz a informação de que as populações naturais desta palmeira estão ameaçadas devido à destruição da vegetação nativa na ilha caribenha. Essa história a gente já conhece... 

Bibliografia recomendada 

Palmpedia. Link

Tropicos. Link





Caros leitores,

É com imensa satisfação que disponibilizo a vocês o link de mais um livro do nosso grupo de trabalho. Esse é o livro de receitas e composição nutricional das frutas e hortaliças nativas, reunidas na série Plantas para o Futuro. São 335 receitas deliciosas, além de informações detalhadas sobre a composição nutricional de cada alimento. É uma obra pioneira creditada à renomadissimos pesquisadores da área de nutrição e tecnologia de alimentos de diversas universidades federais nas cinco grandes regiões do Brasil.

O livro pode ser baixado gratuitamente no link abaixo.

Deliciem-se e divulguem esta ideia!!!

http://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/142-serie-biodiversidade.html?download=1218%3Asérie-biodiversidade-biodiversidade-52




Nomes populares de plantas variam muito conforme os países, regiões, ou mesmo, entre os estados de uma mesma região. No Brasil, quando falamos em bertalha é possível distinguir várias espécies de plantas com características semelhantes, mas, em geral, a Anredera cordifolia e a Basella alba são as mais comuns. Então, vamos aprender um pouco mais sobre essas duas espécies? 

Anredera cordifolia (Ten.) Steenis 

Anredera cordifolia
A espécie recebe os nomes populares de bertalha, cipó-babão, basela, folha-santa ou trepadeira-mimosa, sendo reconhecida pela maioria da população como planta invasora. Apresenta elevado potencial de infestação, é bastante agressiva, crescendo sobre outras plantas e, por este motivo, deve ser cultivada com cuidado para evitar a infestação de áreas adjacentes. 

Esta bertalha também é chamada de ora-pro-nobis sem espinho. Embora botanicamente não sejam parentes próximas, o sabor e a textura das folhas jovens lembram o sabor da ora-pro-nobis verdadeira, a qual já foi assunto aqui no site, em post anterior (Link). 

Pertence à família botânica Basellaceae, planta perene, trepadeira, com folhas e ramos suculentos, glabros, folhas arredondadas, inflorescências alongadas, compostas por numerosas flores brancas. Pode apresentar pequenos bulbos aéreos. 

Anredera cordifolia é nativa do Brasil e ocorre em praticamente todos os estados da faixa atlântica, desde o Rio Grande do Sul até o Ceará. O florescimento pode ocorrer o ano todo e, em algumas regiões onde a floração é menos intensa, as plantas produzem pequenos bulbos nas axilas foliares, propagando-se tanto por sementes quanto pelos bulbos. Prefere locais com sol pleno ou meia sombra, com irrigação constante.

As folhas jovens são consumidas em saladas cruas ou cozidas, refogadas, ensopadas ou em mistura na massa ou recheio para bolos, pães, suflês ou fritatas. A planta também é usada na medicina popular. 


Basella alba L. 

Basella alba
Esta é a bertalha propriamente dita, também chamada de espinafre-do-oriente. Pertence à família botânica Basellaceae, nativa do sudoeste asiático e cultivada no Brasil. A espécie se apresenta como uma trepadeira suculenta, de caule liso, folhas brilhosas, em formato de coração, com nervuras bem marcadas, inflorescências em formato de pequenos racemos com flores brancas. Os frutos são carnosos e de coloração púrpura, quando maduros. 

Esta hortaliça tem sido cultivada nas várias regiões do Brasil, sendo facilmente encontrada em supermercados e feiras-livres. Muitos autores ainda a consideram como uma PANC, porém, pela sua ampla distribuição no Brasil e cultivo cada dia mais difundido, já pode ser considerada como hortaliça convencional. Contudo, independente da classificação, a bertalha atende a todos os requisitos para estar com sucesso na mesa brasileira. 

A propagação pode ser feita por sementes ou por estacas de ramos, os quais apresentam crescimento mais rápido e vigoroso. A semeadura pode ser feita diretamente no canteiro ou em bandejas, para posterior transplantio. O espaçamento varia de 30 a 40 cm entre plantas e entre linhas. O solo deve ser leve, bem drenado e com muita matéria orgânica. A colheita se dá entre 60 a 90 dias após o plantio. 

A bertalha é uma hortaliça de elevado valor nutritivo, especialmente vitaminas A e C, cálcio e ferro. As folhas jovens devem ser consumidas cruas ou refogadas e podem ser usadas de forma muito versátil na composição de pratos com carnes, ovos ou farofas. Pode entrar como componente na massa ou no recheio de tortas e quiches ou, ainda, no enriquecimento nutricional do nosso arroz com feijão de cada dia. 

Potencial invasivo de Anredera cordifolia, que deve ser cultivada sob contenção para evitar o alastramento excessivo.

Bibliografia recomendada 

Bertalha. Folder da Embrapa Hortaliças. Link

Kinupp, V.F. et al. Anredera cordifolia (Basellaceae), uma hortaliça potencial em desuso no Brasil. Link

Lorenzi, H. Plantas daninhas no Brasil. 3ª edição. 2000. 

Pellegrini, M.O.O.; Imig, D.C. Basellaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 30 Jun. 2019 

Pellegrini, M.O.O.; Imig, D.C. Basellaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 30 Jun. 2019
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.