Mulungu-coral (Erythrina verna Vell.)

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         Continuando o assunto dos mulungus, esta semana vamos conhecer o mulungu-coral, também conhecido em algumas regiões do Brasil como suinã ou mulungu-suinã. Esta espécie tem porte arbóreo e é igualmente utilizada na medicina popular e como ornamental.

Tronco e cascas de mulungu-coral.
Descrição botânica: Pertence à família botânica Leguminosae, de porte arbóreo medindo entre 10 a 20 metros de altura, com presença de espinhos ao longo dos troncos jovens. As folhas são compostas, trifoliadas, medindo até 12 cm de comprimento. As inflorescências apresentam coloração que pode variar entre o laranja e o vermelho, com as flores reunidas em cachos no final dos galhos. Os frutos são tipo vagem, de coloração marrom e contém entre uma e três sementes, de cor marrom-clara, medindo aproximadamente 1 cm de comprimento. 
      Anteriormente esta espécie era conhecida pelo nome de Erythrina mulungu Mart., hoje reconhecido como sinônimo de E. verna, mas que deve ser considerado na busca de bibliografia especializada.

Onde ocorre: O mulungu-coral só é encontrado no Brasil (endêmica), nos biomas Cerrado, Amazônia e, principalmente, na Mata Atlântica. Ocorre desde áreas abertas antropizadas até florestas mais densas, preferencialmente em solos bem drenados e encostas.
 
Mulungu-coral em flor no mês de julho, no estacionamento da Universidade de Brasilia.
Usos: Na medicina tradicional o chá e a tintura, elaborados a partir das cascas do caule, são utilizados como sedativo natural. A planta pode ser encontrada nas farmácias na forma de extrato seco ou em formulações fitoterápicas associada, principalmente, ao maracujá (Passiflora alata) e à valeriana (Valeriana officinalis). Esta planta é rica em alcaloides - substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central - por isso seu uso medicinal deve ser feito com acompanhamento especializado, para evitar intoxicações.
           A espécie, assim como outras do mesmo gênero, tem alto valor ornamental, é a de maior porte e a menos utilizada no paisagismo.  Justamente o porte é um dos fatores limitantes do seu uso, pois o cultivo deve ser feito em áreas amplas, longe de fiações aéreas e também de tubulações subterrâneas e calçadas, por apresentar um sistema radicular bastante vigoroso.
          Não apenas sua florada é exuberante, como também apresenta um função ecológica muito importante. Por ser uma planta heliófila, pioneira e de crescimento rápido, ajuda no desenvolvimento inicial da vegetação, acelerando o restabelecimento de áreas degradas, sendo indispensável neste tipo de atividade.
As flores de coloração laranja forte, que lembram as cores de alguns corais marinhos.

Informações agronômicas: A florada ocorre nos meses de junho a agosto quando a arvore está totalmente sem folhas. A produção de mudas pode ser feita por sementes ou por estacas. A germinação das sementes, recém colhidas e sem nenhum tratamento, é feita em sacos plásticos individuais contendo substrato organo-arenoso. A germinação se inicia entre 5 a 10 dias após a semeadura e o percentual pode chegar a 70%. As mudas apresentam crescimento rápido, estando prontas para o plantio em local definitivo em até 4 meses.

Curiosidade: O João-de-barro também aproveita a florada do mulungu-coral para enfeitar o quintal de sua casa.
O jardim mais lindo do mundo quem tem é o João-de-barro.
Referências bibliográficas

DEMUNER, V.G. et al. Influência da luz e da temperatura na germinação de sementes de Erythrina verna (Leguminosae, Papilionoideae). Museu de Biologia Professor Mello Leitão24, 101-110, 2008.
FEITOSA, L.G.P. Caracterização dos alcaloides de Erythrina verna. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/USP. 2014.
GILBERT, B.; FAVORETO, R. R. Erythrina spp. Fabaceae. Disponível em: http://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/viewFile/152/150. 2015.
LIMA, H.C. DE; MARTINS, M.V. Erythrina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 15 Jul. 2015.

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