Buriti (Mauritia flexuosa L.f.)

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O buriti é uma das plantas símbolo do Cerrado brasileiro. É a palmeira que caracteriza a paisagem das veredas, ou seja, onde tem buriti tem água e onde tem água, tem buriti. As veredas têm sido enormemente castigadas pelo avanço descontrolado da atividade humana sobre o Cerrado e, consequentemente, os buritis e toda a fauna e flora que compõe as veredas, correm sérios riscos. A perda dos buritis e das veredas significa a perda da água doce, pois um não sobrevive sem a presença do outro. O buriti é muito mais do que uma paisagem bonita, é uma fonte abundante de alimento e água para a vida do Cerrado.
 
As veredas do cerrado com os enormes buritis indicando, de longe, que ali tem água e alimento, mesmo em épocas de secas mais severas. Foto: Fabiano Bastos. Embrapa Cerrados.
Frutos maduros.
Descrição botânica: Pertence à família Arecaceae, é uma palmeira de tronco solitário, que pode medir até 20 metros de altura. As folhas possuem pecíolo longo e resistente, são arredondadas, grandes, com até 3,5 metros de comprimento. As inflorescências são ramificadas e compridas, com até 4 metros de comprimento e numerosas ráquilas que contém flores masculinas ou femininas (dioica). Os frutos, quando maduros, tem coloração marrom-avermelhada, formato globoso/alongado, com polpa alaranjada e aromática; cada fruto contém em seu interior uma amêndoa de coloração marrom e bastante oleosa.

Onde ocorre: O buriti é uma palmeira nativa do cerrado do Brasil central, ocorre naturalmente em áreas úmidas desde as savanas amazônicas até o pantanal mato-grossense. Não ocorre, de forma natural, na Região Sul do Brasil, preferindo áreas de clima mais quente e seco o ano todo.


Usos: A espécie é utilizada como alimentícia, oleaginosa, fibrosa, medicinal, ornamental e na confecção de artesanato. Como alimentícia, sua polpa macia e aromática pode ser consumida in natura, desidratada (raspas) ou processada na forma de farinha, doces, geleias e licores. A polpa é rica em carotenoides, vitaminas e sais minerais, além de possuir atividade antioxidante. O fruto é uma ótima fonte de óleo, tanto a polpa quanto a amêndoa, para uso alimentar, cosmético e medicinal. As folhas secas são utilizadas na cobertura de casas, galpões e pequenas tendas, além de fornecerem fibra para a confecção de artesanato, a exemplo de luminárias, sousplat, bolsas e cestarias em geral. O pecíolo das folhas, bastante resistente, pode ser utilizado na confecção de móveis para interiores e forrações para residências ou dependências externas, a exemplo das edículas. A planta é bastante ornamental e pode ser utilizada no paisagismo de áreas urbanas amplas, sempre associado à presença de água (margem de lagos, rios, represas, brejos).
Exemplos de pratos preparados com a polpa dos frutos do buriti: doce em barra, rosquinha, casadinho e bolo integral com geleia de buriti.
Uso do buriti no paisagismo e ornamentação de áreas urbanas. Setor Militar Urbano, Brasilia/DF.
O palácio do governo o Distrito Federal foi batizado com o nome de Palácio do Buriti, em homenagem a esta planta que é tão importante para o Cerrado. Nas imediações da sede do governo, existe um único exemplar de buriti, transplantado por ocasião da inauguração do Edifício e que permanece até hoje, embora atualmente se mantenha em pé com a ajuda de cabos de aço, em função da idade da planta e das condições desfavoráveis do local.
Palácio do Buriti, a sede do governo do Distrito Federal, Brasilia/DF.
Aspectos agronômicos: A propagação do buriti é feita exclusivamente por sementes, uma vez que a palmeira não perfilha. As sementes devem ser coletadas de frutos maduros (quando estes caírem no chão), despolpadas e germinadas em substrato arenoso, leve e mantido sempre úmido. A taxa de germinação fica entre 40 a 50%. As mudinhas estarão prontas para a repicagem aos 4 meses após a semeadura, mas o ideal é germiná-las em saquinhos individuais, o que elimina a etapa de repicagem. O crescimento das mudas é um pouco lento, mas uma vez planejada as etapas de germinação e produção, é possível se obter mudas o ano todo. A frutificação se inicia por volta dos 7 a 8 anos de idade da planta, sendo possível a colheita de frutos maduros quase o ano todo. Cada planta pode produzir até 350 kg de fruto por ano.
Planta de buriti durante a frutificação. As folhas secas, fornecem fibra para a produção de artesanato e cobertura de habitações.

Curiosidades: O buriti é uma planta dioica, ou seja, produz flores masculinas e femininas em plantas separadas. Desta forma, quando o objetivo é a produção de frutos, é necessário o plantio de várias mudas na mesma área, a fim de garantir a presença de plantas femininas e masculinas, para que haja polinização e frutificação.

Referências bibliográficas
LEITMAN, P. et al. Arecaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2016. Link.

MARTINS, R.C. A família Arecaceae (Palmae) no estado de Goiás: florística e etnobotânica. Tese de doutorado. Universidade de Brasília. Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Botânica. 2012. 

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