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Apesar de não ser planta nativa, na época da seca ela se destaca na paisagem cinza do Cerrado, com suas flores densas e branquinhas. Essa é a neve-da-montanha ou ainda flor-de-criança, cabeça-branca, leiteiro e outras denominações que recebe nas diferentes regiões do Brasil. Embora o nome indique que é planta de região fria, é originária da América Central (México, Guatemala), onde é chamada de pascuita e, aprecia mesmo, climas quentes (amenos) e regiões de altitude. No Brasil, floresce intensamente entre o outono e o inverno.

Descrição botânica: Planta da família Euphorbiaceae, de porte arbustivo, 2-3 m de altura e copa arredondada. O caule é bastante ramificado e os galhos são quebrados com facilidade. As folhas são pequenas (reunidas em volta do nó), de formato alongado e nervura central bem marcada; caem no inverno, sinalizando a proximidade da floração. As flores são pequenas, numerosas, esbranquiçadas, reunidas em inflorescências densas, vistosas e perfumadas.


Onde ocorre: As informações sobre a origem desta espécie são divergentes, entretanto, maior número de especialista relatam que é originária da América Central (Guatemala e México). No Brasil, a espécie foi introduzida como planta ornamental e ocorre apenas na condição de cultivada.

Usos: Muito utilizada no paisagismo, tanto como planta isolada quanto na composição de maciços. Suporta bem a poda, sendo possível manter seu porte baixo e intensificar a floração. Pode ser cultivada como bordadura de cercas ou muros ou como elemento central em canteiros ou nichos isolados do jardim.


Aspectos agronômicos: As mudas podem ser feitas por sementes ou por estaquia de ramos. O plantio é feito sempre em pleno sol. Plantas cultivadas na sombra não florescem. O solo deve ser leve e bem drenado, pois a planta não suporta solo encharcado. Adubações com esterco de gado curtido, colocado em sulco em volta da planta, duas vezes ao ano, estimulam o crescimento e a floração. Efetuar podas de limpeza (para remover galhos secos e doentes) e de formação (para dar forma à copa) são importantes para garantir a sanidade das plantas e a beleza das floradas.

CUIDADO: É planta laticífera (solta leite ao ser ferida - látex), como outras euforbiáceas. Esse látex é tóxico e pode causar irritações na pele e nos olhos. Sempre usar luvas antes de manusear a planta. De preferência, fazer o plantio das mudas em áreas distantes da circulação de crianças e animais domésticos, a fim de evitar que quebrem os galhos ou façam ingestão das folhinhas.


Bibliografia recomendada

Binojkumar, M.S.; Balakrishnan, N.P. Euphorbia leucocephala Lotsy-a new record for India. Indian Journal of Forestry, 15(2), 181-182, 1992.

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Instituto Plantarum. 4ª edição. 2008.


Literalmente, essa é a planta da vez! A begônia-maculata, esquecida por muitas décadas, foi redescoberta pelos amantes de plantas ornamentais, tornando-se uma das espécies mais cobiçadas da atualidade. Sua folhagem é elegante e a florada delicada, é planta de fácil cultivo em ambiente interno ou externo. A bela petit pois confere um ar retrô ao ambiente, remetendo à moda dos anos 1950/60.

Como outras plantas ornamentais, o que encontramos no mercado nacional são híbridos ou variedades melhoradas geneticamente, que diferem entre si e, inclusive, da espécie original nativa. E há que se considerar também, a grande variabilidade genética existente dentro da espécie. Aqui não entrarei neste nível de detalhes, a parte botânica deixo para os especialistas resolverem, meu objetivo é apenas mostrar a beleza e possibilidades de uso de mais uma planta autenticamente brasileira, coisa que poucos sabem. As fotos que ilustram esta matéria são da begônia-maculata tal qual o leitor vai encontrar no comércio.


Descrição botânica: Da família Begoniaceae, planta herbácea, com 1 a 3 m de altura, caule ereto e cilíndrico. Folhas alongadas, com 10 a 15 cm de comprimento, pontiagudas, com porção superior verde escura ou verde amarronzada com pontuações acinzentadas e porção inferior de coloração avermelhada. As flores são reunidas em cachos, denominadas cimeiras, que podem conter de 40 a 50 flores brancas, com muitos estames amarelados no centro. As sementes são aladas, reunidas em pequenos frutos tipos cápsulas.


Onde ocorre: Planta nativa e endêmica do Brasil, ou seja, encontrada naturalmente apenas na Mata Atlântica dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Alguns estudos apontam para a ocorrência da espécie também na Zona da Mata mineira e em áreas de mata úmida do Cerrado.

Usos: Planta ornamental amplamente cultivada no Brasil nos jardins das décadas de 1950 ou anterior. Por muitos anos foi relegada à condição de planta espontânea nos jardins das casas das avós do sul e sudeste do Brasil. Atualmente é um dos produtos mais raros e caros da floricultura nacional. Entretanto, com a visibilidade que a planta vem ganhando, espera-se que, em breve, haja um aumento da oferta e diminuição dos preços. Vai bem em vasos, floreiras ou mesmo no chão, cultivada sozinha, em maciços ou combinada com outras begônias.  A beleza de sua folhagem pintadinha e a delicadeza das flores, são um deleite a quem aprecia plantas diferentes.


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita facilmente por estacas de galhos ou pela divisão das touceiras. Por sementes também é possível. Pode ser cultivada tanto em sol pleno como na sombra. O solo deve ser rico em matéria orgânica e com boa drenagem. As regas devem ser moderadas, porém, constantes. Plantas mantidas em vasos ou floreiras, devem receber adubação rica em fósforo para facilitar a floração e a manutenção de folhas vistosas. Na natureza as plantas florescem uma vez ao ano, com pico nos meses de verão. Já as plantas cultivadas podem florescer várias vezes ao ano, a depender do clima, umidade, da adubação e da aclimatação ao ambiente interno.


Bibliografia recomendada

Feliciano, C.D. Flora de Minas Gerais – Begoniaceae. 2009. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41132/tde-29102009-172815/publico/Carolina_Feliciano.pdf

Jacques, E.L.; Gregório, B.S. 2020. Begoniaceae in Flora do Brasil 2020.

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5663



Conhecida pelos nomes de flor-morcego ou planta-morcego, ela vem sendo popularizada no mundo todo como planta ornamental de vaso. Sua inflorescência negra é uma raridade no mundo das flores e, por isso, muito cobiçada. Apesar de suas folhas se parecerem muito com as do lírio-da-paz (Spathiphyllum spp. - Araceae), são plantas botanicamente distintas. Entretanto, o cultivo de ambas é muito parecido: sombra, luz difusa e boa umidade. O nome “flor-morcego” se deve a aparência das flores, parecidas com grandes morcegos que ocorrem no sudeste asiático, sua região de origem. Há ainda os que a chamam de bigodes-de-tigre, porque creem que suas inflorescências refletem um sinistro rosto de tigre com longos bigodes. Ou ainda, aqueles que a chamam de flor-do-diabo, pois acreditam ver a figura do “tinhoso” refletida em suas brácteas. Verdades ou lendas, sou fascinada por plantas com história!

Descrição botânica: Da família Dioscoreaceae, erva rizomatosa, com crescimento vertical até 1m de altura. Folhas grandes, com pecíolo de até 30 cm de comprimento, formato oblongo, com nervuras bem marcadas, 20 a 60 cm de comprimento, de coloração verde escura e textura lisa. As inflorescências são cimosas, com grandes brácteas de cor marrom, quase negras, e numerosas bractéolas filiformes (semelhantes a bigodes). Cada inflorescência pode conter de 15 a 20 flores igualmente negras, com base levemente esverdeada. Cada flor é composta por seis estames bem visíveis sobre o estigma floral. Após a polinização, forma-se o fruto, do tipo cápsula, que abriga muitas sementes pequenas, inicialmente de coloração marrom claro, passando a preto quando maduras. Já existe no mercado plantas desta mesma espécie com inflorescências e flores inteiramente verdes.


Onde ocorre: Espécie nativa das florestas tropicais do sudeste asiático, englobando Índia, China, Bangladesh, Laos, Camboja, Malásia, Siri Lanka, Tailândia, Vietnam e Mianmar. Nestas regiões ocorrem pelo menos 12 espécies do gênero Tacca, quase todas ameaçadas de extinção devido à fragmentação e destruição dos seus ambientes naturais.

Usos: A flor-morcego é planta de uso milenar na medicina chinesa e tailandesa, pois os rizomas são ricos em espirostanol, uma saponina com potencial para o tratamento de leucemia, além de anti-inflamatório e no trato de males do sistema digestivo. Existem muitos estudos científicos comprovando as propriedades farmacológicas desta planta, basta uma busca simples nos portais de artigos científicos para se encontrar um mundo de informações.

No paisagismo, a flor-morcego ainda é novidade por estas terras brasílicas. Atualmente seu uso mais expressivo tem sido como planta de vaso. Mas nos países de origem, a espécie é usada também em jardins e como flor de corte, que, neste caso, precisa ser cultivada em telados com pelo menos 30% de proteção solar ou, 60 a 70%, no caso de plantas envasadas. Como planta de vaso pode compor diversos espaços e vai bem mesmo em lugares com menor intensidade de luz.


Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, divisão dos rizomas ou por cultura de tecidos, no caso da produção comercial. No ambienta natural, a espécie produz grande quantidade de sementes viáveis, que germinam com facilidade. A grande vantagem da propagação por sementes para esta espécie é que os descendentes serão praticamente iguais à planta matriz, uma vez que a autopolinização é a sua principal forma de reprodução. Para fins de conservação de germoplasma, as sementes são ortodoxas e podem ser conservadas em câmaras frias por longos períodos.

Pouco se sabe sobre a produção de mudas e o cultivo na planta em condições brasileiras, mas os artigos científicos recomendam que a germinação seja feita em condição de boa luminosidade, em solo leve e úmido (60 a 70% de umidade) e temperatura entre 25 a 30◦C. As plantas em vaso podem ser cultivadas com facilidade em ambiente com luminosidade indireta e umidade constante. Tolera bem o transplantio e as mudas retiradas dos rizomas pegam com facilidade. Minha casa funciona como um laboratório e assim que tiver minhas primeiras sementes conto a vocês como foi a germinação.


Curiosidades: Os filamentos que circundam as flores, também chamados popularmente de bigodes, são, na verdade, bractéolas que ajudam na proteção das flores e na atração de moscas, que atuam como polinizadores eventuais. Considerando o alto investimento da planta em estrutura floral, até há pouco tempo os pesquisadores achavam que as flores-morcego precisavam obrigatoriamente de polinizadores para sua reprodução. Mas estudos mostraram que a maioria das sementes foi produzida por autopolinização, ou seja, não é preciso ter planta macho e fêmea para se obter sementes. Outros estudos, porém, associaram a cor e o odor das flores, imitando material orgânico em decomposição, como sendo um atrativo que facilita a polinização cruzada feita por moscas. O que estes estudos sugerem, na verdade, é que a espécie apresenta diferentes formas de reprodução que podem se adaptar mais a uma ou outra conforme os tipos de ambientes e/ou as ameaças a que as populações naturais sejam submetidas. É ou não é uma planta fantástica!!!


Bibliografia recomendada

Baruah, S. et al. Tacca chantrieri André (Taccaceae): A beautiful ornamental flora recorded as a new for India. NeBio, 6(1), 18-20, 2015.

Couto, R.S. 2020. Taccaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB232

Zhang, L. et al. Predicting mating patterns from pollination syndromes: the case of “sapromyiophily” in Tacca chantrieri (Taccaceae). American Journal of Botany, 92(3), 517-524, 2005.

Wiendi, N.M.A.; Palupi, E.R. Evaluation of horticultural traits and seed germination of Tacca chantrieri ‘André. Agriculture and Natural Resources, 51(3), 169-172, 2017.

As begônias arbustivas já foram muito cultivadas em quintais e jardins no século passado. Mas assim como acontece com a alimentação e o vestuário, as plantas ornamentais também entram e saem de moda. Por muitos anos as begônias nativas foram esquecidas e se perderam no tempo, mas hoje voltaram ao mercado e fazem a sensação dos amantes de plantas para interior. É fácil encontrar quem diga que “tinha muito delas na casa da minha avó/mãe, mas que nunca mais vi”. Muitos híbridos se mantiveram no mercado neste tempo, mas, para mim, nenhum tem a beleza das plantas originais. Então agora que elas voltaram à moda, podemos aproveitar para cultivar muitas espécies diferentes. São plantas lindas, resistentes e perfeitas para compor vasos, floreiras e aquele cantinho especial no seu jardim.

Descrição botânica: Da família Begoniaceae, plantas semi-herbáceas, medindo entre 1 a 1,5 m de altura, formando touceiras ralas que podem tomar conta de grandes espaços. Os caules são alongados, com nós e entrenós bem destacados. As folhas alongadas, pontudas e recortadas em maior ou menor grau, de coloração verde escura com pontuações prateadas e nervuras avermelhadas bem destacadas. As inflorescências formam cachos com inúmeras flores rosadas, com aspecto ceroso perolado. Os frutos são pequenos, tipo cápsulas aladas, para facilitar a dispersão.

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, só encontrada em estado natural na Mata Atlântica dos estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo. Nas demais regiões é encontrada na condição de cultivada.

Usos: Planta de uso ornamental, cultivada no jardim em renques, maciços ou como planta isolada. Pode ser cultivada no chão, em floreiras ou vasos e, inclusive, como planta de interior, desde que em sacadas ou salas amplas com boa luminosidade. As flores são comestíveis e tem sabor levemente ácido, ideal também para enfeitar pratos de saladas ou sobremesas.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por estaca de galhos ou pela divisão das touceiras, e deve ser feita logo após a floração. As estacas devem ser enraizadas em ambiente quente e úmido, o que favorece a sobrevivência das mudas. Esta espécie pode ser cultivada em pleno sol ou meia-sombra, em solo rico em matéria orgânica e sempre com água em abundância. Não tolera seca. Em locais com estação fria bem definida, a floração é mais intensa durante o verão. Já onde a temperatura é elevada, a floração pode ser constante o ano todo.


Curiosidade: Se o leitor tiver a curiosidade de pesquisar pelo nome científico desta espécie, vai ver que existe pouquíssima literatura científica sobre ela. Ou seja, existe uma espécie nativa ornamental de alta relevância econômica, alta demanda de mercado e que praticamente nada se conhece sobre ela. Então de onde vem as mudas que abastecem o mercado atual? DE onde vem os híbridos e plantas selecionadas? Possivelmente tenham se originado de mudas retiradas da natureza e multiplicadas nos viveiros pelo Brasil a fora ou, até mesmo, por empresas internacionais, até chegar aos tipos de plantas cultivadas que temos hoje. Para que uma espécie chegue ao mercado com segurança, é fundamental que se rastreie todas as etapas produtivas, desde a coleta das mudas na natureza, a multiplicação e todo o processo de melhoramento. Isso favorece não apenas o desenvolvimento de novas variedades, mas também a conservação da espécie no seu ambiente natural. Fica a dica!

Bibliografia recomendada 

Jacques, E.L.; Gregório, B.S. 2020. Begoniaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5565
Peperomia circinnata

As peperômias formam um dos grupos de plantas mais amplamente utilizados no paisagismo e na composição de vasos para decoração de interiores. Algumas espécies são minúsculas e pouco conhecidas da maioria das pessoas. Elas crescem sobre pedras e trocos de árvores e são belíssimas. Estas duas que vamos falar hoje podem ser cultivadas em vasos, da mesma forma que as suculentas, ou sobre troncos no jardim. Além disso, são plantas nativas das florestas úmidas do Cerrado, belezas da nossa biodiversidade que precisam ser mais bem conhecidas.

Peperomia circinnata

Descrição botânica: Ervas epífitas (crescem sobre os troncos de outras espécies sem parasitá-las) com caules finos e alongados, que se estendem ao longo do hospedeiro, de crescimento ascendente (P. campinasana) ou não-ascendente (P. circinnata). As folhas são pequenas e suculentas: arredondadas e levemente rosadas em P. circinnata, ou com base aguda e levemente rajadas em P. campinasana. As inflorescências são pequenas, em forma de espigas, eretas, solitárias, contém muitas flores pequenas esbranquiçadas ou acobreadas, a depender da espécie, e minúsculos frutinhos globosos de cor marrom ou quase pretos.

Peperomia circinnata

Onde ocorrem: Espécies nativas, porém, não endêmicas do Brasil. Peperomia circinnata apresenta ampla ocorrência natural no Brasil, com predomínio nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Já P. campinasana tem ocorrência mais restrita, sendo encontrada no Cerrado e na Mata Atlântica.

Usos: Plantas de uso ornamental, tanto na composição de vasos quanto no jardim, cultivadas sobre trocos ou pedras. Elas podem recobrir troncos com sua folhagem minúscula, o que confere um aspecto muito bonito e agradável ao jardim. P. circinnata, devido à característica de ramos não-ascendentes, é a mais adequada para o cultivo em vasos, onde forma uma cortina pendente muito bonita. Já P. campinasana, por seu crescimento ascendente, adapta-se melhor no recobrimento de superfícies como os caules de árvores, palmeiras e samambaiaçus.

Peperomia campinasana

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por meio de pedaços de ramos com folhas, colocados sobre a superfície que se quer recobrir ou sobre placas de fibras naturais (placas de fibra de coco, por exemplo). Também é possível aproveitar as sementes, colhendo-se as espiguetas com os frutos pretos maduros e colocar para germinar sobre esfagno ou outro substrato leve, com umidade constante. A germinação também pode ser feita sobre papel úmido, com posterior transplantio das mudinhas para os vasos. As plantas preferem ambientes úmidos e sombreados, mas é bom lembrar que a rega deve ser moderada. O excesso de umidade apodrece os caules. A rega deve ser feita sempre que o ambiente estiver completamente seco.

Peperomia campinasana

Recomendação: Para quem visitar Pirenópolis e Cidade de Goiás, em Goiás, observe os muros de pedra do casario histórico, são recobertos de peperômias. Em Belém/PA, essas minúsculas plantinhas crescem naturalmente sobre as mangueiras gigantes e centenárias, um deleite para quem aprecia os detalhes.

Cuidado: É sempre bom lembrar que a retirada de plantas de seus ambientes naturais é crime ambiental. Compartilhe mudas já existentes nos jardins ou, sempre que possível, procure comprar mudas de viveiristas idôneos. Entretanto, por se tratar de plantas nativas e pouco conhecidas, é difícil encontrar mudas a venda no comércio. A Planta da Vez trabalha para que, um dia, quem sabe, elas estejam disponíveis facilmente e ao alcance de todos, sem destruir a natureza.

Peperomia campinasana


Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12633

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12627

Guimarães, E.F.; Medeiros, E.V.S. Peperomia circinnata e Peperomia campinasana (Peperomia). In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018.
Jardim Botânico de Brasília, Brasília, DF

O capim-dos-pampas ou "pampas glass", sua denominação em inglês, é nativo dos pampas do Rio Grande do Sul e vem sendo bastante usado no paisagismo. Para quem, como eu, se dedica ao uso, conservação e valorização das nossas espécies nativas, sempre é muito gratificante observar essas plantas em cultivo nos jardins brasileiros e pelo mundo a fora. Assim como as bouganvilles, que já falamos aqui, o capim-dos-pampas também é adorado pelo europeus, sendo comum encontrar a planta cultivada como elemento central nos jardins, desde os vitorianos mais clássicos até os contemporâneos. 

A literatura cita ao menos duas espécies de capim-do-pampas para uso paisagístico: C. selloana e C. jubata. Observei que existe uma confusão taxonômica entre ambas pois, algumas fontes consideram C. jubata como subespécie de C. selloana, outras fontes consideram como espécies distintas. Como meu objetivo é exemplificar o uso, aqui tratarei tudo como C. selloana

Parque Amantikir, Campos do Jordão, SP.

Descrição botânica: Da família Poaceae, planta herbácea, com amplo rizoma, típico das gramíneas, e perene; de crescimento ereto, altura entre 1,5 a 2,5 m, formando grandes touceiras. As folhas são estreitas, alongadas, com borda áspera (muito cortante) e coloração que varia entre o verde claro a verde azulado quando adultas. A flores são minúsculas, numerosas e reunidas em belas inflorescências terminais plumosas, de coloração variando entre o branco (mais comum), amarelado e arroxeado (mais raras). As inflorescências aparecem com maior intensidade entre o verão e o outono, porém, em regiões mais quentes, plantas bem manejadas podem florescer quase o ano todo. 


Onde ocorre: Planta nativa do bioma Pampa do sul do Brasil, com ocorrência natural também em algumas áreas do Cerrado e da Mata Atlântica. Não é endêmica (exclusiva) do Brasil, ocorrendo também nos pampas do Uruguai e Argentina, onde é conhecida pelo nome popular de “cola de zorro”. Sabe-se que a espécie foi levada para a Europa como planta ornamental e seu cultivo é anterior a 1800, principalmente, na França e Irlanda. Acredita-se que as sementes tiveram origem no Equador, onde foi documentada a ocorrência natural desta espécie e outras do mesmo gênero. 


Usos: A planta pode ser usada no paisagismo e, na forma de planta seca, para a decoração e composição de arranjos florais. No paisagismo, é cultivada em jardins de forma isolada, como elemento central, ao longo de muros, em conjuntos ou renques, conferindo um belo aspecto ornamental, tanto pela folhagem densa e azulada (conforme a incidência de luz) quanto pela beleza da floração. Como planta seca pode ser usada na composição de grandes arranjos florais puros ou em combinação com outras flores, galhos ou folhagens. Apresenta grande durabilidade como flor seca. Na Argentina, as folhas, flores e talos são usados na medicina popular em diversas preparações com fins digestivo, laxante, diurético e hepático. Apresenta importância ecológica estratégica na recuperação de áreas degradadas do bioma Pampa. 

Whiststable, Inglaterra.

Aspectos agronômicos: Planta típica de climas frios, suporta bem as geadas, mas pode vegetar intensamente também no calor. A produção de mudas é feita facilmente o ano inteiro pela divisão de touceiras. Deve ser cultivada em solo leve, bem adubado, em sol pleno e com irrigação constante. A umidade favorece a manutenção da folhagem bonita por mais tempo. Entretanto, a planta é tolerante à grande variação climática e ambiental, adaptando-se com facilidade à condições adversas. 

Cuidados: Assim como outros capins, seu uso no paisagismo demanda cuidados com poda de formação e manutenção. As touceiras devem ser mantidas limpas e bem podadas para evitar o alojamento de bichos, especialmente as cobras. No Sul do Brasil, o capim-dos-pampas é considerado espécie invasora e erradicado das pastagens, entre outros motivos, por ser um alojamento perfeito para as cascavéis e outras cobras peçonhentas, podendo causar acidentes sérios com o gado e com humanos. Por sua característica invasora, a espécie deve ser cultivada sob contenção, ou seja, no paisagismo existem algumas barreiras mecânicas que podem ser usadas para impedir que a planta se alastre para outras áreas. A alocação do capim-dos-pampas no jardim também deve ser estrategicamente pensada. Não se recomenda o plantio em área estreita onde há circulação de pessoas e animais, pois as folhas cortantes podem causar ferimentos. Sempre opte por colocar a planta em área ampla, aberta, com largo espaço de passagens e muito sol. 

Parque Amatikir, Campos do Jordão, SP


Bibliografia recomendada 

Berkenbrock, I.A. Cortaderia selloana (capim-dos-pampas). In: Coradin, L.; Siminski, A.; Reis, A. Espécies Nativas da Flora Nativa de Valor Econômico Atual e Potencial - Plantas para o Futuro - Região Sul. 2011. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade 

Cortaderia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB13137>. Acesso em: 25 out. 2020. 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Ed. Plantarum. 2008. 

Starr, F. et al. Cortaderia spp. 2003. Disponível em http://hear.its.hawaii.edu/Pier/pdf/pohreports/cortaderia_spp.pdf

Também conhecida como xampu, gengibre-magnífico ou gengibre-ornamental, a espécie é muito usada em arranjos tropicais, juntamente com helicônias e folhagens verdes. A planta, à primeira vista, não parece ser muito diferente, mas suas inflorescências vistosas, coloridas, saindo direto do chão, são sempre muito chamativas. As crianças se divertem brincando com os “microfones” coloridos, pois as inflorescências se parecem muito com alguns desses equipamentos de captar som. 

Descrição botânica: Planta da família Zingiberaceae, com hábito herbáceo, medindo até 2,5 m de altura; hastes eretas e robustas, que formam touceiras. As folhas são verde-escuras, alongadas e aveludadas na parte inferior. As inflorescências são espigadas, cilíndricas, medindo entre 40 a 50 cm de altura, que brotam diretamente dos rizomas, por isso a impressão de que nascem diretamente do solo, sem conexão com a planta mãe. Cada inflorescência reúne dezenas de pequenas flores de cor branca ou amarelada, recobertas por brácteas de cor, inicialmente, amareladas, passando a vermelho intenso, conforme avança a senescência. 


Onde ocorre: Planta nativa da Malásia e regiões adjacentes. No Brasil, é considerada como cultivada. Foi introduzida como planta ornamental e hoje pode ser encontrada em cultivo em jardins de várias regiões do País. 

Usos: O uso mais expressivo do sorvetão é como planta ornamental para a produção de flor de corte. Muito usada também na ornamentação de jardins, cultivada isolada, em conjuntos ou associada à outras espécies tropicais. Atualmente, existe muitos híbridos de Z. spectabile no mercado mundial de flores de corte, com diferentes cores e formatos. No Brasil a planta é mais cultivada como flor de corte, com cultivos comerciais nas regiões Sudeste e Nordeste, visando atender tanto a demanda interna por flores tropicais quanto para exportação. Por ser parente próxima do gengibre comercial, suas folhas e rizomas também podem ser usados em preparações culinárias e formulações medicinais. Os rizomas são ricos em compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e antibacterianas, potenciais para uso na produção de conservantes para a indústria alimentícia. Os rizomas possuem grande quantidade de zerumbone, um composto ativo medicinal com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. 


Aspectos agronômicos: Deve ser cultivada à meia-sombra, em canteiros bem adubados e enriquecidos com matéria orgânica (restos vegetais, estercos, etc.), com regas abundantes e constantes. A espécie é sensível ao frio e à falta de água. A propagação é feita facilmente, em qualquer época do ano, pela retirada de mudas das touceiras. No entanto, para quem deseja iniciar um cultivo comercial, a dica é obter mudas de qualidade (micropropagadas, preferencialmente), uniformes e bem sadias, para garantir boa produção de hastes, dentro dos padrões exigidos pelo mercado para flor de corte. A espécie é muito sensível à pragas, especialmente os nematoides (vermes de solo), e à bacterioses. Desta forma, é importante sempre manter as touceiras limpas, bem podadas, adubadas e com rigoroso controle de irrigação. A poda não favorece apenas o aspecto estético da planta, mas é fundamental para permitir a entrada de luz e evitar o excesso de umidade, que propicia a proliferação de fungos e bactérias. 


Bibliografia recomendada 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Editora Plantarum, 4ª ed. 2008. 

Reis, M.V. et al. In vitro propagation of Zingiber spectabile. Ornamental Horticulture, 23(3), 270-278, 2017. 

Zingiberaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2020. <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB609227>

O início da primavera é marcado pela exuberante floração das bouganvilleas que, por esta razão, também são conhecidas popularmente como primaveras. Quanto mais seco o clima, mais vistosa é a floração. Primavera, três-marias, santa-rita, ceboleiro e flor-de-papel são algumas das denominações regionais destes arbustos no Brasil. Mas o que pouca gente sabe, é que as bouganvilleas são nativas do sul e sudeste do Brasil e foram levadas como planta ornamental para a Europa e outros países do mundo. Por muitos anos, foi mais fácil encontrar bouganvilleas sendo cultivadas na Grécia, Portugal e Itália, do que no Brasil. Felizmente, essa realidade mudou muito, e hoje a planta vem sendo amplamente utilizada no paisagismo e é um dos grandes produtos da floricultura nacional, inclusive, com muitos híbridos no mercado. 


Descrição botânica:
Da família Nyctaginaceae, arbustos lenhosos, com até 12 m de altura, ramos escandentes (levemente caídos), com poucos ou muitos espinhos na ramagem, conforme a espécie. As folhas são oval-alongadas e de coloração verde. As flores são pequenas, esbranquiçada e estão envoltas por três ou mais brácteas de coloração que varia entre branco, diversos tons de rosa, vermelho, até o ferrugem. De forma equivocada, muitas pessoas se referem às brácteas como sendo flores, quando, na verdade, são folhas modificadas que envolvem as flores e conferem as cores característica das plantas. 


Onde ocorre: São duas espécies mais conhecidas no Brasil: a Bougainvillea glabra Choisy tem brácteas de cor rosa ou lilás e é nativa do Sul do Brasil; já a espécie Bougainvillea spectabilis Willd. tem brácteas de cores variadas, simples ou dobradas, e é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. O gênero Bougainvillea compreende 11 espécies nativas da América do Sul, sendo 5 consideradas nativas do Brasil: B. campanulata, B. fasciculata, B. glabra, B. praecox e B. spectabilis


Usos: Plantas cultivadas em jardins, no paisagismo de praças e parques, tanto nas cidades como na zona rural. Vai muito bem como planta de vaso e cultivada como bonsai. No jardim pode funcionar como arbusto mantido e moldado com podas (topiaria), como cerca-viva sobre cercas e grades, ou mesmo, como cerca-defensiva. Tem sido utilizada também no recobrimento de caramanchões e pergolados. Floresce com maior intensidade entre o outono e a primavera, mas algumas plantas podem permanecer floridas por vários meses durante o ano, a depender do clima. As diferentes colorações das brácteas tem sido estudadas devido a presença de substâncias bioativas com potencial antioxidante, que poderiam ter uso alimentício e medicinal. Na medicina popular é usada para o controle de diabetes e hepatite. Estudos mostraram que o extrato das folhas apresenta efeito repelente. 


Aspectos agronômicos: B. glabra tolera geadas, já a espécie B. spectabilis prefere climas mais quentes, sem incidência de geadas fortes. A produção de mudas é feita por estaquia ou por alporquia, já que raramente produz sementes. Recomenda-se o uso de enraizadores para a produção de mudas de boa qualidade, já que as estacas apresentam dificuldade para enraizar naturalmente. Para uma floração mais vistosa, deve-se efetuar o cultivo das plantas a pleno sol e com pouca água. 



Curiosidade: O nome popular bouganvillea, deriva do nome científico latim Bougainvillea, uma homenagem ao navegador francês Conde Louis Antoine Bougainville, que aportou em Florianópolis no ano de 1767. Enquanto esperava o abastecimento de sua Nau, o Conde resolveu fazer algumas incursões pela Ilha para conhecer melhor a flora da região; foi quando se deparou com os arbustos coloridos chamativos que, mais tarde, vieram a ser nomeados em sua homenagem. Alguns historiadores atribuem ao Conde Bougainville a responsabilidade pela introdução desta espécie na Europa que, de lá se espalhou, sendo, atualmente, cultivada em todas as regiões tropicais do mundo. 

Bibliografia recomendada 

Bougainvillea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10907

Foschini, J.C. Formação de um banco ativo de germoplasma, seleção de acessos e propagação vegetativa de Bougainvillea. UFSCAR. 2017. 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Editora Plantarum, 2008.


Uma beleza as flores da carobinha! De coloração violeta escuro, quando florida, a planta se destaca no meio da vegetação do Cerrado. Ainda não é cultivada em jardins e pouco se sabe sobre ela, mas estudos da Universidade de Brasília apontam para o potencial ornamental e medicinal dessa espécie. 

Descrição botânica: Da família Bignoniaceae, subarbusto com 0,5 a 1,8 metros de altura, pouco ramificado. As folhas jovens tem coloração verde clara, com pelos na parte inferior, o que lhe confere aspecto esbranquiçado; já as folhas adultas tem coloração verde escuro. As flores são reunidas em inflorescências (cachos) no final dos ramos, pendulas, e de cor variando entre roxo a violeta escuro. Os frutos são inicialmente verdes, passando a castanho escuro quando maduros, e se abrem liberando grande quantidade de sementes aladas. No Distrito Federal, a floração foi registrada no final do mês de abril. 


Onde ocorre: Espécie nativa do Brasil e endêmica, ou seja, só ocorre no Brasil. No Cerrado, é encontrada em área de vegetação aberta e alta luminosidade, como nos campos limpos.


Usos: Como planta ornamental, pode ser usada em vasos ou plantada em jardins em bordaduras, maciços ou em composição com outras espécies. Pode ser usada também como flor de corte. Na medicina popular é usada como anti-inflamatória, no tratamento de dores lombares, digestiva e até no controle de sarna e outras doenças parasitárias. 


Aspectos agronômicos: Embora exista pouca informação a esse respeito, estudos da Universidade de Brasília apontam para a possibilidade de se fazer mudas por sementes, colhidas de frutos maduros (cor castanha escura), um pouco antes da abertura dos mesmos. A germinação é feita em substrato leve, tipo vermiculita ou areia, com germinação de até 50%. Havendo possibilidade, a germinação in vitro pode ser uma boa opção para aumentar o número de plantas e acelerar o processo. Observações de campo e mesmo de espécies similares, permitem recomendar o cultivo a pleno sol, em solo arenoso e com regas espaçadas.


Bibliografia recomendada

Silveira, C.E.S. et al. Jacaranda ulei (Carobinha-do-campo). IN: Vieira. R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade




O Brasil possui uma grande riqueza de jacarandás. Em cada região se conhece um tipo, uma denominação, uma flor, enfim, cada um descreve um jacarandá diferente. Mas a planta da vez é o jacarandá-de-minas, que floresce no final da seca e, muitas vezes, é confundido com ipê-roxo. Aliás, muitas pessoas me mandam fotos para identificação porque acharam lindo o ”ipê-roxo”, que na verdade era um dos muitos jacarandás. Então vamos conhecer melhor essa árvore linda, que embeleza e se destaca no cinza das matas secas.


Descrição botânica: Família Bignoniaceae, árvore com 5 a 10 metros de altura, copa arredondada e bastante ramificada. As folhas são bipinadas, com 20 a 40 cm de comprimento. As flores são tubulosas e medem entre 5 a 7 cm de comprimento, tem cor arroxeada e são reunidas em cachos no final dos ramos. Os frutos são secos e se abrem quando maduros, expondo numerosas sementes aladas. 

Onde ocorre: Planta típica do Cerrado, Pantanal e áreas de transição com a Mata Atlântica. Pode ser observado em floração em áreas de encosta, se destacando na mata. O nome “jacarandá-de-minas” se deve à sua alta ocorrência nas matas do estado de Minas Gerais, sobretudo na região do Triângulo Mineiro e norte de São Paulo. A espécie não é endêmica da flora brasileira, sendo encontrada também em países vizinhos, especialmente, nas áreas pantaneiras da Bolívia e Paraguai. 



Usos: De uso comum no paisagismo urbano do Brasil central, o jacarandá-de-minas pode ser facilmente avistado, quando em floração, nas quadras e avenidas de Brasília e outras cidades do Centro-Oeste. Apresenta importante função ecológica quando usado na recuperação de áreas degradas e como espécie melífera, sendo importante fonte de alimento para abelhas nativas. As folhas são usadas na produção de inseticida caseiro e o chá da raiz usado como sarnicida. Folhas e cascas são usadas na medicina popular como depurativo do sangue, no combate à febre e no trato de infecções bacterianas. 



Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, plantadas logo após a colheita. Sementes armazenadas por mais de 4 ou 5 meses, requerem quebra de dormência por imersão em água fervente e permanência em água por 24 horas. O plantio é feito em sacos plásticos pretos próprios para mudas, em solo leve (1 parte de solo/1parte de areia), e a germinação ocorre em 1 ou 2 semanas. Também é possível adquirir mudas de qualidade em viveiristas especializados. 



Bibliografia recomendada

Gomes-Bezerra, K.M.; Reis, P.A.; Kuhlmann, M. Jacaranda cuspidifolia (Jacarandá-de-Minas). In: Vieirra. R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro : região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018.
https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade

Jacaranda in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB114124. 2020.

A cana-do-brejo ou cana-de-macaco, como também é conhecida em várias regiões do Brasil, é muito usada na medicina popular e sempre suscita muitas dúvidas se é uma única espécie ou se existe mais de uma, devido às diferenças marcantes que se observa nas plantas conforme o clima e a região. De acordo com o site da Flora do Brasil, existe pelo menos 16 espécies do gênero Costus catalogadas no Brasil, a maioria nativa da floresta amazônica. A cana-do-brejo é a mais comum delas e devido às suas diferenças morfológicas, foi classificada em duas variedades: Costus spiralis (Jacq.) Roscoe var. spiralis e Costus spiralis var. villosus Maas, sendo esta última, de ocorrência restrita à região amazônica. Para simplificar, aqui trataremos da espécie principal Costus spiralis, sem entrar nos detalhes das variedades. 

Descrição botânica: Família Costaceae, planta de 1 a 2 m de altura, com rizomas. As folhas são grandes, de formato alongado, glabras e dispostas em espiral (daí o nome da espécie). As flores são reunidas em inflorescências terminais (estróbilos) e podem ter coloração variando de avermelhado à rosa claro ou branco. Os frutos são pequenos (1,5 cm de comprimento), tipo cápsula, com até 20 sementes de cor preta. 

Estróbilos de C. spiralis com flores de cores diferentes

Onde ocorre: Planta nativa, porém, não endêmica do Brasil, com ocorrência desde o México até a porção sul do Brasil. Mais comum em áreas úmidas, como beira de rios ou lagos, mas também pode ocorrer em áreas de savana ou afloramentos rochosos. 

Devido à similaridade entre plantas, é muito comum a confusão entre Costus spiralis e Costus spicatus, inclusive no uso popular e até mesmo em trabalhos científicos. Embora ambas sejam usadas para as mesmas finalidades, a espécie nativa e mais comum no Brasil é Costus spiralis

Usos: É muito usada com fins ornamentais, tanto para o cultivo em jardins quanto para flor de corte, devido à beleza de suas inflorescências. Vai bem na montagem de arranjos tropicais, juntamente com helicônias, estrelitzias e filodendros. No jardim pode ser cultivada junto a muros, em renques ou à beira de lagos ou piscinas naturais. 

Também apresenta amplo uso medicinal. As folhas, hastes e rizomas são usados na medicina popular para o tratamento de cálculos renais, sífilis, nefrite, cistite, controle da diabetes e como anti-inflamatória. Em algumas regiões, o chá das folhas é usado contra hipertensão e como diurético, as folhas cozidas são usadas no controle de diarreias; o chá ou suco dos colmos (caules) é usado no combate à hepatite e dores de barriga. No Distrito Federal, um laboratório farmacêutico possui cultivo da espécie para a produção de chá medicinal. 

Cultivo de C. spiralis no DF para a produção de chá medicinal
É possível encontrar na literatura uma centena de relatos sobre o uso medicinal da cana-do-brejo, porém, existe pouca confirmação científica. Uma revisão bem interessante sobre estudos químicos e farmacológicos a cerca desta espécie foi publicada por Duarte et al. (2017) na revista Fitos (Link). 

Quando se fala em planta medicinal é importante sempre mencionar que o uso nunca deve ser feito de forma indiscriminada e deve-se atentar sempre para a correta identificação da planta. Assim como outras da mesma família botânica, a cana-do-brejo possui em sua composição o ácido oxálico, que ingerido em excesso pode causar intoxicações graves. 

Distribuição das folhas em espiral, aspecto que ajuda a identificar a espécie
Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita tanto por sementes quanto por rizomas e estacas do caule. As plantas desta espécie preferem clima quente e úmido, mas podem se desenvolver satisfatoriamente também em regiões mais secas, desde que irrigadas. O plantio deve ser feito em solos ricos em matéria orgânica e, preferencialmente, mantidos úmidos. Pode ser cultivada em meia sombra ou sol pleno e floresce quase o ano todo. Observando plantas em diversos locais do Brasil, notei que no Cerrado, durante a seca, as plantas podem definhar, mas mantém o rizoma intacto, rebrotando vigorosamente assim que se inicia a época chuvosa. Já em regiões mais frias, durante o inverno, a parte aérea pode secar totalmente devido a ocorrência de geada, porém, os rizomas rebrotam logo que acaba o frio. 

As flores também cumprem papel ecológico, fornecendo abrigo e alimento para a fauna

Bibliografia recomendada 

Costaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 06 Nov. 2019 

Vieira, R.F.; Camillo, J.C.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro : região Centro-Oeste. Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Biodiversidade. – Brasília, DF: MMA, 2018. (Link)
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