Conhecida pelos nomes de flor-morcego ou planta-morcego, ela vem sendo popularizada no mundo todo como planta ornamental de vaso. Sua inflorescência negra é uma raridade no mundo das flores e, por isso, muito cobiçada. Apesar de suas folhas se parecerem muito com as do lírio-da-paz (Spathiphyllum spp. - Araceae), são plantas botanicamente distintas. Entretanto, o cultivo de ambas é muito parecido: sombra, luz difusa e boa umidade. O nome “flor-morcego” se deve a aparência das flores, parecidas com grandes morcegos que ocorrem no sudeste asiático, sua região de origem. Há ainda os que a chamam de bigodes-de-tigre, porque creem que suas inflorescências refletem um sinistro rosto de tigre com longos bigodes. Ou ainda, aqueles que a chamam de flor-do-diabo, pois acreditam ver a figura do “tinhoso” refletida em suas brácteas. Verdades ou lendas, sou fascinada por plantas com história!

Descrição botânica: Da família Dioscoreaceae, erva rizomatosa, com crescimento vertical até 1m de altura. Folhas grandes, com pecíolo de até 30 cm de comprimento, formato oblongo, com nervuras bem marcadas, 20 a 60 cm de comprimento, de coloração verde escura e textura lisa. As inflorescências são cimosas, com grandes brácteas de cor marrom, quase negras, e numerosas bractéolas filiformes (semelhantes a bigodes). Cada inflorescência pode conter de 15 a 20 flores igualmente negras, com base levemente esverdeada. Cada flor é composta por seis estames bem visíveis sobre o estigma floral. Após a polinização, forma-se o fruto, do tipo cápsula, que abriga muitas sementes pequenas, inicialmente de coloração marrom claro, passando a preto quando maduras. Já existe no mercado plantas desta mesma espécie com inflorescências e flores inteiramente verdes.


Onde ocorre: Espécie nativa das florestas tropicais do sudeste asiático, englobando Índia, China, Bangladesh, Laos, Camboja, Malásia, Siri Lanka, Tailândia, Vietnam e Mianmar. Nestas regiões ocorrem pelo menos 12 espécies do gênero Tacca, quase todas ameaçadas de extinção devido à fragmentação e destruição dos seus ambientes naturais.

Usos: A flor-morcego é planta de uso milenar na medicina chinesa e tailandesa, pois os rizomas são ricos em espirostanol, uma saponina com potencial para o tratamento de leucemia, além de anti-inflamatório e no trato de males do sistema digestivo. Existem muitos estudos científicos comprovando as propriedades farmacológicas desta planta, basta uma busca simples nos portais de artigos científicos para se encontrar um mundo de informações.

No paisagismo, a flor-morcego ainda é novidade por estas terras brasílicas. Atualmente seu uso mais expressivo tem sido como planta de vaso. Mas nos países de origem, a espécie é usada também em jardins e como flor de corte, que, neste caso, precisa ser cultivada em telados com pelo menos 30% de proteção solar ou, 60 a 70%, no caso de plantas envasadas. Como planta de vaso pode compor diversos espaços e vai bem mesmo em lugares com menor intensidade de luz.


Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, divisão dos rizomas ou por cultura de tecidos, no caso da produção comercial. No ambienta natural, a espécie produz grande quantidade de sementes viáveis, que germinam com facilidade. A grande vantagem da propagação por sementes para esta espécie é que os descendentes serão praticamente iguais à planta matriz, uma vez que a autopolinização é a sua principal forma de reprodução. Para fins de conservação de germoplasma, as sementes são ortodoxas e podem ser conservadas em câmaras frias por longos períodos.

Pouco se sabe sobre a produção de mudas e o cultivo na planta em condições brasileiras, mas os artigos científicos recomendam que a germinação seja feita em condição de boa luminosidade, em solo leve e úmido (60 a 70% de umidade) e temperatura entre 25 a 30◦C. As plantas em vaso podem ser cultivadas com facilidade em ambiente com luminosidade indireta e umidade constante. Tolera bem o transplantio e as mudas retiradas dos rizomas pegam com facilidade. Minha casa funciona como um laboratório e assim que tiver minhas primeiras sementes conto a vocês como foi a germinação.


Curiosidades: Os filamentos que circundam as flores, também chamados popularmente de bigodes, são, na verdade, bractéolas que ajudam na proteção das flores e na atração de moscas, que atuam como polinizadores eventuais. Considerando o alto investimento da planta em estrutura floral, até há pouco tempo os pesquisadores achavam que as flores-morcego precisavam obrigatoriamente de polinizadores para sua reprodução. Mas estudos mostraram que a maioria das sementes foi produzida por autopolinização, ou seja, não é preciso ter planta macho e fêmea para se obter sementes. Outros estudos, porém, associaram a cor e o odor das flores, imitando material orgânico em decomposição, como sendo um atrativo que facilita a polinização cruzada feita por moscas. O que estes estudos sugerem, na verdade, é que a espécie apresenta diferentes formas de reprodução que podem se adaptar mais a uma ou outra conforme os tipos de ambientes e/ou as ameaças a que as populações naturais sejam submetidas. É ou não é uma planta fantástica!!!


Bibliografia recomendada

Baruah, S. et al. Tacca chantrieri André (Taccaceae): A beautiful ornamental flora recorded as a new for India. NeBio, 6(1), 18-20, 2015.

Couto, R.S. 2020. Taccaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB232

Zhang, L. et al. Predicting mating patterns from pollination syndromes: the case of “sapromyiophily” in Tacca chantrieri (Taccaceae). American Journal of Botany, 92(3), 517-524, 2005.

Wiendi, N.M.A.; Palupi, E.R. Evaluation of horticultural traits and seed germination of Tacca chantrieri ‘André. Agriculture and Natural Resources, 51(3), 169-172, 2017.

As begônias arbustivas já foram muito cultivadas em quintais e jardins no século passado. Mas assim como acontece com a alimentação e o vestuário, as plantas ornamentais também entram e saem de moda. Por muitos anos as begônias nativas foram esquecidas e se perderam no tempo, mas hoje voltaram ao mercado e fazem a sensação dos amantes de plantas para interior. É fácil encontrar quem diga que “tinha muito delas na casa da minha avó/mãe, mas que nunca mais vi”. Muitos híbridos se mantiveram no mercado neste tempo, mas, para mim, nenhum tem a beleza das plantas originais. Então agora que elas voltaram à moda, podemos aproveitar para cultivar muitas espécies diferentes. São plantas lindas, resistentes e perfeitas para compor vasos, floreiras e aquele cantinho especial no seu jardim.

Descrição botânica: Da família Begoniaceae, plantas semi-herbáceas, medindo entre 1 a 1,5 m de altura, formando touceiras ralas que podem tomar conta de grandes espaços. Os caules são alongados, com nós e entrenós bem destacados. As folhas alongadas, pontudas e recortadas em maior ou menor grau, de coloração verde escura com pontuações prateadas e nervuras avermelhadas bem destacadas. As inflorescências formam cachos com inúmeras flores rosadas, com aspecto ceroso perolado. Os frutos são pequenos, tipo cápsulas aladas, para facilitar a dispersão.

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, só encontrada em estado natural na Mata Atlântica dos estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo. Nas demais regiões é encontrada na condição de cultivada.

Usos: Planta de uso ornamental, cultivada no jardim em renques, maciços ou como planta isolada. Pode ser cultivada no chão, em floreiras ou vasos e, inclusive, como planta de interior, desde que em sacadas ou salas amplas com boa luminosidade. As flores são comestíveis e tem sabor levemente ácido, ideal também para enfeitar pratos de saladas ou sobremesas.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por estaca de galhos ou pela divisão das touceiras, e deve ser feita logo após a floração. As estacas devem ser enraizadas em ambiente quente e úmido, o que favorece a sobrevivência das mudas. Esta espécie pode ser cultivada em pleno sol ou meia-sombra, em solo rico em matéria orgânica e sempre com água em abundância. Não tolera seca. Em locais com estação fria bem definida, a floração é mais intensa durante o verão. Já onde a temperatura é elevada, a floração pode ser constante o ano todo.


Curiosidade: Se o leitor tiver a curiosidade de pesquisar pelo nome científico desta espécie, vai ver que existe pouquíssima literatura científica sobre ela. Ou seja, existe uma espécie nativa ornamental de alta relevância econômica, alta demanda de mercado e que praticamente nada se conhece sobre ela. Então de onde vem as mudas que abastecem o mercado atual? DE onde vem os híbridos e plantas selecionadas? Possivelmente tenham se originado de mudas retiradas da natureza e multiplicadas nos viveiros pelo Brasil a fora ou, até mesmo, por empresas internacionais, até chegar aos tipos de plantas cultivadas que temos hoje. Para que uma espécie chegue ao mercado com segurança, é fundamental que se rastreie todas as etapas produtivas, desde a coleta das mudas na natureza, a multiplicação e todo o processo de melhoramento. Isso favorece não apenas o desenvolvimento de novas variedades, mas também a conservação da espécie no seu ambiente natural. Fica a dica!

Bibliografia recomendada 

Jacques, E.L.; Gregório, B.S. 2020. Begoniaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5565

A alface-d’água é uma das plantas aquáticas mais amplamente usadas no aquarismo e no paisagismo. Sua folhagem pilosa e sempre verdinha é o maior atrativo ornamental. Em lagos ornamentais, ajuda na manutenção do microclima, fornece proteção e alimento para peixes e outros microrganismos, além de proteger a fauna aquáticos da insolação direta. Entretanto, é planta de alto potencial invasivo, que deve ser usada com cuidado e em locais específicos.

Descrição botânica: Da família Araceae, a alface d’água é uma erva aquática flutuante, perene, que pode medir de 15 a 20 cm de altura. As folhas possuem aspecto aveludado, coloração verde-amarelada, textura interna esponjosa (ajuda na flutuação), com nervuras longitudinais bem marcadas; as folhas são reunidas em roseta, com raízes pendentes e alongadas. As flores são diminutas, esbranquiçadas e quase imperceptíveis entre a folhagem.


Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, porém, não endêmica. Encontrada em boa parte dos países de clima tropical e subtropical. Conhecida também como repolho-do-nilo (Nile cabbage), devido à sua ocorrência comum às margens do Rio Nilo, fazendo crer que a espécie fosse originária da África. Entretanto, novos estudos mostraram se tratar de uma espécie com distribuição pantropical (por todas as regiões dos trópicos), e seu centro de origem ainda é considerado incerto.

Usos: Planta de uso ornamental, muito comum em aquários, lagos e espelhos d’água. Na Índia, é usada na medicina popular no controle de tosse, asma, como laxativa, diurética e antimicótica. Suas folhas são ricas em vitaminas A e C, além de fitoesteroides que podem ser usados na produção de medicamentos. Com potencial de uso na fitorremediação de ambientes naturais.


Aspectos agronômicos: Multiplica-se com facilidade pela separação das plantas que surgem no final dos ramos (estolões). É comum ver uma planta adulta com uma dezena, ou mais, de plantas pequenas em volta, cada uma forma uma nova muda. Prefere climas quentes, onde se propaga com maior velocidade. Periodicamente, deve ser feita a retirada do excesso de plantas, a fim de evitar que a espécie cubra toda a superfície do tanque e cause a morte dos demais organismos aquáticos, necessários para o equilíbrio do ambiente.

A espécie possui ampla capacidade reprodutiva tanto por meio de estolões quanto por sementes, produzidas o ano inteiro e em grande quantidade. Prolifera-se descontroladamente em águas poluídas, sendo considerada invasora de canais e margens de rios urbanos.


Curiosidades: Na Índia, Estados Unidos e em alguns países africanos a infestação das águas por P. stratiotes é tão grande que tem sido estudado diferentes formas de erradicação e/ou aproveitamento econômico da espécie. Estudos mostraram que sua biomassa pode ser usada na produção de biogás; na remoção de arsênico, cádmio, cromo e mercúrio em ambientes aquáticos contaminados por vazamentos de produtos químicos; e ainda, pode ser insumo para a produção de biomoléculas e compostos farmacêuticos.

Cuidados: Espécies aquáticas são frequentemente associadas à procriação de mosquitos da dengue. Para evitar infestação, uma ou duas vezes por semana, deve-se efetuar uma boa rega sobre essas plantas. O que parece uma horrível redundância é, na verdade, uma forma natural eficiente de manter as plantas sempre limpas e livres das temidas larvas. A lavagem das plantas interrompe o ciclo das larvas e dificulta sua chegada à fase adulta. No caso dos lagos ornamentais, essa prática facilita que as larvas caiam no interior do tanque e sejam comidas pelos peixes.


Bibliografia recomendada

Mayo, S.J.; Andrade, I.M. 2021. Pistia in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5070

Tripathi, P. et al. (2010). Pistia stratiotes (Jalkumbhi). Pharmacognosy Reviews, 4(8), 153, 2010.


Muitas pessoas ainda se referem à erva-de-jabuti como espécie invasora e de pouca serventia. Mas não é bem assim. Esta planta já é bastante usada na medicina tradicional do Norte do Brasil e em países vizinhos. Recentemente foi classificada como PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) e foi descoberta pelos chefes de cozinha, que já criaram iguarias muito interessantes. De risotos a ceviches, a erva-de-jabuti é mais um caso de planta nativa que é mais conhecida fora do País do que em sua própria casa. Imagina o quanto perdemos em sabor e nutrientes por não conhecermos e valorizarmos nossa flora nativa? É isso que move o trabalho da Planta da Vez: fazer conhecer a riqueza de cores, sabores e saberes do Brasil!

Descrição botânica: Da família Piperaceae, planta herbácea, anual, ereta, ramificada, com caules tenros e quase translúcidos, medindo até 40 cm de altura. Seu crescimento pode ser ereto ou mais prostrado, conforme a região e o clima. Possui folhas simples, pecioladas, alternadas, com nervura central saliente, bordas lisas, formato de coração e comprimento entre 1 a 3 cm. As inflorescências são do tipo espigas, eretas, cilíndricas, reunindo numerosas flores diminutas e de cor esverdeada.


Onde ocorre: Planta nativa do Brasil com ocorrência natural em praticamente todo o território nacional. Cresce em áreas abertas e úmidas, sendo considerada invasora em vários locais. Muito presente em pomares e estufas de plantas, onde cresce viçosa e abundante.

Usos: Seus ramos e folhas jovens podem ser consumidos crus ou refogados, usados no preparo de saladas, bolinhos fritos ou assados, pizzas, risotos e o que mais sua imaginação culinária permitir. Cada 100g de folhas secas contém, em média, 258 kcal, 46,5 g de carboidratos e 6.977 mg de potássio. Atualmente, em algumas boas feiras regionais, é possível encontrar a planta sendo vendida como hortaliça folhosa fresca. As inflorescências, muito aromáticas, podem ser usadas como tempero, semelhante ao uso que se faz com as inflorescências de pimenta-longa (Piper aduncum).

A erva-de-jabuti também é usada na medicina popular da região Norte contra tosses, resfriados, como anti-inflamatória e no controle do colesterol e pressão alta. No México e em outros países da América Central, a espécie também é bastante conhecida na medicina tradicional, onde é chamada de corazon de hombre, yerba de la planta ou herbe a la curesse. Na Malásia, é consumida como alimento e chamada de ketumpangan air. Em inglês, a espécie é conhecida pelos nomes de greenhouse tea plant, pepper elder ou rat ear.


Aspectos agronômicos: Pouco se conhece sobre o cultivo desta espécie, uma vez que é mais comum a colheita em áreas onde ela cresce espontaneamente. A propagação é feita unicamente por sementes, que possuem alta germinação e crescimento rápido das mudas. O cultivo pode ser feito com base na observação dos locais de ocorrência natural da espécie: em áreas sombreados ou semi-sombreados, com solo rico em matéria orgânica e água em abundância.

Cuidados: Quando se conhece pouco a respeito de uma planta e alguém lhe diz que é comestível, inicialmente, consulte um agrônomo, um biólogo ou outro profissional que conheça muito sobre identificação botânica. O consumo de plantas e cogumelos sem a correta identificação pode causar intoxicações graves ou até levar à morte do indivíduo. Seja prudente, cuide-se e aproveite os sabores com segurança!

Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12686

Kinupp, V.F.; Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Ed. Plantarum. 2014.
Peperomia circinnata

As peperômias formam um dos grupos de plantas mais amplamente utilizados no paisagismo e na composição de vasos para decoração de interiores. Algumas espécies são minúsculas e pouco conhecidas da maioria das pessoas. Elas crescem sobre pedras e trocos de árvores e são belíssimas. Estas duas que vamos falar hoje podem ser cultivadas em vasos, da mesma forma que as suculentas, ou sobre troncos no jardim. Além disso, são plantas nativas das florestas úmidas do Cerrado, belezas da nossa biodiversidade que precisam ser mais bem conhecidas.

Peperomia circinnata

Descrição botânica: Ervas epífitas (crescem sobre os troncos de outras espécies sem parasitá-las) com caules finos e alongados, que se estendem ao longo do hospedeiro, de crescimento ascendente (P. campinasana) ou não-ascendente (P. circinnata). As folhas são pequenas e suculentas: arredondadas e levemente rosadas em P. circinnata, ou com base aguda e levemente rajadas em P. campinasana. As inflorescências são pequenas, em forma de espigas, eretas, solitárias, contém muitas flores pequenas esbranquiçadas ou acobreadas, a depender da espécie, e minúsculos frutinhos globosos de cor marrom ou quase pretos.

Peperomia circinnata

Onde ocorrem: Espécies nativas, porém, não endêmicas do Brasil. Peperomia circinnata apresenta ampla ocorrência natural no Brasil, com predomínio nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Já P. campinasana tem ocorrência mais restrita, sendo encontrada no Cerrado e na Mata Atlântica.

Usos: Plantas de uso ornamental, tanto na composição de vasos quanto no jardim, cultivadas sobre trocos ou pedras. Elas podem recobrir troncos com sua folhagem minúscula, o que confere um aspecto muito bonito e agradável ao jardim. P. circinnata, devido à característica de ramos não-ascendentes, é a mais adequada para o cultivo em vasos, onde forma uma cortina pendente muito bonita. Já P. campinasana, por seu crescimento ascendente, adapta-se melhor no recobrimento de superfícies como os caules de árvores, palmeiras e samambaiaçus.

Peperomia campinasana

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por meio de pedaços de ramos com folhas, colocados sobre a superfície que se quer recobrir ou sobre placas de fibras naturais (placas de fibra de coco, por exemplo). Também é possível aproveitar as sementes, colhendo-se as espiguetas com os frutos pretos maduros e colocar para germinar sobre esfagno ou outro substrato leve, com umidade constante. A germinação também pode ser feita sobre papel úmido, com posterior transplantio das mudinhas para os vasos. As plantas preferem ambientes úmidos e sombreados, mas é bom lembrar que a rega deve ser moderada. O excesso de umidade apodrece os caules. A rega deve ser feita sempre que o ambiente estiver completamente seco.

Peperomia campinasana

Recomendação: Para quem visitar Pirenópolis e Cidade de Goiás, em Goiás, observe os muros de pedra do casario histórico, são recobertos de peperômias. Em Belém/PA, essas minúsculas plantinhas crescem naturalmente sobre as mangueiras gigantes e centenárias, um deleite para quem aprecia os detalhes.

Cuidado: É sempre bom lembrar que a retirada de plantas de seus ambientes naturais é crime ambiental. Compartilhe mudas já existentes nos jardins ou, sempre que possível, procure comprar mudas de viveiristas idôneos. Entretanto, por se tratar de plantas nativas e pouco conhecidas, é difícil encontrar mudas a venda no comércio. A Planta da Vez trabalha para que, um dia, quem sabe, elas estejam disponíveis facilmente e ao alcance de todos, sem destruir a natureza.

Peperomia campinasana


Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12633

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12627

Guimarães, E.F.; Medeiros, E.V.S. Peperomia circinnata e Peperomia campinasana (Peperomia). In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018.


A capuchinha é uma planta nativa do Peru e regiões andinas, muito bem adaptada no Brasil. É uma das flores mais consumidas na culinária nacional. O nome “capuchinha” se deve ao fato de que as folhas, quando vistas pelo dorso, lembram um capuz. Já o epíteto científico Tropaeolum deriva da palavra grega “tropaion” ou tropa, em português. Alguns dizem que as folhas agrupadas lembram os escudos de tropas de guerreiros, outros dizem que se parece com capacetes. Escudo ou capacete, não importa, bom mesmo é aproveitar esse sabor e incorporar a capuchinha na alimentação, pois é uma planta fácil de cultivar, decorativa, tem poucas calorias e, como diria minha avó, faz bem para os olhos!


Descrição botânica: Da família Tropaeolaceae, planta de caule liso e prostrado. Folhas simples, com até 12 cm de comprimento, arredondadas (orbiculares) e com presença de pilosidade na parte inferior, possui nervuras bem-marcadas e um ponto central esbranquiçado. As flores são bem características da espécie; na parte posterior da flor existe uma estrutura comprida denominada cálcar, que pode ser reto ou recurvado, medindo entre 2 a 2,5 cm de comprimento. As pétalas são obovadas, com ápice arredondado e as cores podem variar entre diversa tonalidades de laranja, amarelo ou vermelho.


Onde ocorre: Espécie nativa do Peru e considerada naturalizada no Brasil, onde pode ser encontrada em quase todo o país, com predomínio na áreas de Mata Atlântica e regiões mais úmidas, entre o Rio Grande do Sul e o Ceará. Planta bastante cultivada em hortas caseiras ou encontrada vegetando de forma espontânea ou até como invasora em alguns locais.


Usos: As flores e folhas são comestíveis, com sabor levemente picante e azedinho, usadas em saladas cruas e na decoração de pratos. O sabor das folhas lembra um misto entre rúcula e agrião e ficam deliciosas quando mescladas em salada de folhas. As sementes são usadas em conservas e seu sabor lembra a alcaparra, razão pela qual também são conhecidas popularmente como falsa-alcaparra. As flores podem ser consumidas cruas, desidratadas, embebidas em álcool ou xarope de açúcar para uso na decoração de doces ou coquetéis. Quanto à composição nutricional, é um alimento de baixo valor calórico, rico em carotenoides, especialmente luteína, composto ligado à prevenção de catarata e glaucoma.

A folhagem e floração da capuchinha, que dura o ano todo em regiões mais quentes, propicia seu uso como planta ornamental em canteiros, vasos ou floreiras. Além disso, possui importante função ecológica por fornecer alimento à diversos tipos de abelhas e outros polinizadores importantes.


Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes, que geram plantas mais vigorosas, e deve ser priorizada quando o objetivo é renovar o canteiro. A divisão dos caules e replantio também funciona e pode ser usada para ampliar o plantio já existente. O cultivo pode ser feito o ano todo, em ambiente sombreado ou meia-sombra, desde que não falte água. O solo deve ser rico em matéria orgânica, leve e bem drenado, pois essas plantas não toleram encharcamento. A colheita pode começar cerca de 50 dias após o plantio e, em cultivo bem cuidado, pode se estender ao longo do ano todo. A colheita do dia, que não for aproveitada de imediato, pode ser higienizada e guardada em sacos plásticos na geladeira por até 7 dias.



Bibliografia recomendada

Botrel, N. et al. Hortaliças Não Convencionais – Hortaliças tradicionais: Capuchinha. Folder. Embrapa Hortaliças. 2017. https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1071363/hortalicas-nao-convencionais-hortalicas-tradicionais-capuchinha

Souza, V.C.; Lima, A.G.; Paula-Souza, J. Tropaeolaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB599289


As ninfeias são plantas muito fotogênicas e deixam qualquer espelho d’água muito mais elegante e vistoso. Aqui em Brasília, nos lagos e espelhos d’água é muito comum a presença dessas plantas no paisagismo. Os lagos são essenciais em regiões com estação seca, como o Centro-Oeste, porque, além de beleza, propiciam conforto térmico e elevam a umidade do ar nos meses mais secos. Alguns dos lagos e espelhos d’agua mais bonitos estão nos jardins do Palácio do Itamaraty, Jardim Botânico de Brasília, na Praça dos Cristais e na Universidade de Brasília, onde costumo passar horas admirando os projetos de Burle Marx e, claro, as flores das ninfeias.
Existem ao menos três espécies mais usadas em paisagismo de lagos e espelhos d’água no Brasil: a Nymphaea alba, conhecida pelo nome popular de ninfeia-branca; a N. caerulea, conhecida como ninfeia-azul ou lírio-d’água; e a N. rubra, chamada popularmente de ninfeia-vermelha ou nenúfar.


Descrição botânica: Da família Nymphaeaceae, plantas herbáceas, aquáticas, emersas, enraizadas no lodo do fundo de lagos e locais pantanosos. As folhas podem ser flutuantes ou semiflutuantes, a depender da espécie, de formato orbicular (arredondado), com bordas lisas ou dentadas, sustentadas por longos pecíolos que as ligam com a superfície; durante os meses de temperaturas amenas ou em locais com inverno mais acentuado, as folhas caem, rebrotando dos rizomas quando se inicia a primavera. As flores são de tamanho médio a grande, solitárias, com muitos estames no centro. A floração é mais intensa nos meses mais quentes do ano.


Onde ocorrem: Embora o gênero Nymphaea seja considerado nativo do Brasil, distribuído por todo o país e com 21 espécies nativas descritas, as três usadas no paisagismo e aqui citadas são exóticas, e tem origens diversas. As ninfeias branca e azul são oriundas da África do Sul, enquanto a ninfeia-vermelha tem origem na Índia. N. alba é a que possui maior distribuição natural, ocorrendo também na Europa e Ásia. Fica aqui minha dica ao pessoal da pesquisa: que tal pesquisarmos mais sobre as ninfeias nativas para poder aproveitar essa beleza autenticamente brasileira?


Usos: No Brasil, as ninfeias são usadas exclusivamente no paisagismo de espelhos d’água, lagos e piscinas naturais. A folhagem é muito ornamental e está presente quase o ano todo. As flores são um espetáculo à parte. Em alguns países onde as plantas são nativas, podem ser usadas na biorremediação e na recuperação de cursos d’água contaminados por metais pesados, devido à sua boa capacidade de absorção dessas substâncias. N. caerulea tem sido estudada pela presença de antioxidantes em suas flores azuis, o que lhe confere potencial medicinal. Estudos em laboratório demonstraram que N. alba apresentou atividade ansiolítica, antitumoral e antifúngica, com potencial futuro para o desenvolvimento de fitofármacos.


Aspectos agronômicos: A propagação pode ser feita pela divisão de rizomas ou pelas sementes que germinam de forma espontânea dentro da água. Em espelhos d’água seu cultivo deve ser feito em pequenos tanques submersos, com 50 ou 70 cm de profundidade, para que as raízes possam se fixar no solo e onde os rizomas permaneçam dormentes nos meses mais frios. O cultivo deve ser feito em pleno sol. Periodicamente devem ser efetuadas limpezas de manutenção nos tanques, eliminando-se o excesso de plantas que podem tomar todo o espaço livre e comprometer a sobrevivência de outras plantas ou, até mesmo, dos peixes. As limpezas ajudam a manter o ambiente limpo, saudável e as plantas bonitas por muitos anos.


Cuidados: Ao implementar um projeto de paisagismo usando ninfeias não nativas, é importante tomar alguns cuidados para que as plantas não se desloquem para dentro dos rios e lagos naturais. Elas devem ser mantidas sob contenção, pois possuem alta capacidade reprodutiva e podem se tornar invasoras potenciais, comprometendo a flora e fauna nativas de áreas adjacentes. Sempre que possível, em projetos de paisagismo que envolvam lagos artificiais, piscinas naturais ou espelhos d’água, deve-se dar preferência ao uso de espécies nativas, a fim de valorizar a nossa rica biodiversidade e minimizar riscos biológicos. O equivalente nacional seria, além das próprias ninfeias nativas menos conhecidas, a vitória-régia (Victoria amazonica), que vamos falar em outra matéria.

Bibliografia recomendada

Cudalbeanu, M. et al. Antifungal, antitumoral and antioxidant potential of the danube delta Nymphaea alba extracts. Antibiotics, 9(1), 7, 2020.

Heslop-Harrison, Y. Nymphaea L. Journal of Ecology, 43(2), 719-734, 1955.

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Ed. Plantarum. 2008.

Pellegrini, M.O.O. Nymphaeaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. 2021. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10936

A erva-baleeira é uma ótima fonte de óleos essenciais para uso medicinal, cosmética e perfumaria. O programa Farmácia Viva do governo do Distrito Federal produz e disponibiliza à população um gel à base de erva-baleeira, para uso como anti-inflamatório. 
Laboratórios farmacêuticos já usam a planta na produção de medicamentos e produtos para a higiene de bebês. O óleo essencial é rico em α-humuleno e o β-cariofileno, com propriedades terapêuticas já comprovadas e amplamente utilizadas na medicina contemporânea. 
Esta planta é um exemplo de sucesso do aproveitamento econômico e curativo da biodiversidade brasileira.


Descrição botânica: Da família Boraginaceae, planta arbustiva, com até 1-1,5 m de altura e muito ramificada. As folhas são pecioladas, com formato alongado (lanceoladas) e ápice agudo (com ponta); as bordas podem ser crenadas (rendadas) ou denteadas. A inflorescência é tipo espiga, com até 15 cm de comprimento, composta por numerosas flores pequenas de cor branca. O fruto é bem pequeno, tipo drupa, vermelho quando maduro e contém uma semente.


Onde ocorre: A erva-baleeira é nativa, porém, não exclusiva do Brasil, com ocorrência em outros países da América do Sul, América Central e México. É encontrada com facilidade em quase todo o território nacional na condição de cultivada e em populações naturais por toda a costa brasileira. No litoral, habita com maior frequência as áreas de restinga. Nos demais locais, é frequente em pastagens, terrenos baldios, beira de estradas e de matas alteradas. Em algumas regiões é considerada invasora, pois rapidamente forma densos agrupamentos.

Usos: O maior uso comercial da erva-baleeira é a extração de óleo essencial de suas folhas por meio uma técnica chamada arraste de vapor, que preserva as qualidades medicinais e propicia seu uso em diversas aplicações farmacêuticas e cosméticas. Na medicina popular, entre outras aplicações, as folhas são usadas como anti-inflamatório, analgésico, no tratamento de artrite, contusões e ferimentos da pele. A erva-baleeira é uma das poucas plantas medicinais nativas que consta oficialmente na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) e tem sido amplamente utilizada pela indústria farmacêutica na produção de um dos anti-inflamatórios mais conhecidos no Brasil, a linha Achéflan.


Aspectos agronômicos: Planta de crescimento vigoroso, cultivada em pleno sol ou meia sombra, em locais com clima quente e úmido. Prefere solos com textura arenosa, menor acidez e constantemente úmidos. 
A floração ocorre mais intensamente nos meses de verão, entre dezembro e março. 
Propaga-se facilmente por sementes ou por estacas de ramos jovens. 
O plantio deve ser feito com espaçamento de 1,2 m entre plantas e linhas e, em regiões onde há estação seca, o plantio das mudas deve ser feito no início da estação chuvosa. 
A colheita se inicia cerca de um ano após o plantio e as folhas podem ser colhidas o ano todo. Recomenda-se cautela na aquisição de mudas e a certificação da correta identificação da planta, além do conhecimento sobre a “variedade” mais adaptado para cada região. 
O rendimento de óleo essencial varia de planta para planta, conforme o clima e o horário de colheita. 
A escolha da área para o plantio deve priorizar locais livres de contaminações por metais pesados, com água de boa qualidade e em quantidade e onde seja possível implementar práticas de cultivo consorciado, rotação de culturas e/ou cultivo mínimo. 
De modo geral, a produção de plantas medicinais prima pelo cultivo orgânico e requer uso intensivo de mão de obra. Os produtos resultantes possuem elevado valor agregado, porém, as exigências quanto à qualidade e constância da matéria prima são bastante elevadas.


Curiosidades: A fama de medicinal da erva-baleeira já é bem antiga e seu nome deriva do uso feito pelas comunidades de pescadores que, durante a época de caça às baleias, usavam suas folhas na cura de feridas causadas por espetadas de peixes. Existem relatos mais antigos de que os índios Caiçaras também usavam a planta de forma semelhante. As folhas eram usadas em banhos ou maceradas e combinadas com outros ingredientes, na forma de creme ou emplastro, aplicado em ferimentos para acalmar a dor e facilitar a cicatrização.

Observação importante: Os usos medicinais aqui citados são fruto de pesquisa acadêmica e conhecimento científico validado. Mas sempre é bom salientar que não se deve fazer uso de plantas medicinais ou qualquer tipo de medicamento sem o acompanhamento de um bom profissional de saúde. Cuide-se e cuide de sua família da forma correta!

Bibliografia recomendada

Lorenzi, H.; Matos, F.J.A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum. 2002.


A pitanga é um símbolo de brasilidade! Suas cores, sabor e a forma peculiar do fruto fazem dela uma das frutas queridinha dos brasileiros. Embora a planta seja considerada nativa da Mata Atlântica e muito representativa das regiões Sudeste e Sul, minhas voltas por aí mostraram que ninguém faz uso tão bem da pitanga quanto o Nordeste, onde é fácil se deliciar com o frescor de um suco ou um bom sorvete da fruta madurinha. 
Para mim a pitanga tem sabor de infância, suas flores muito perfumadas atraem as abelhas e os frutos coloridos são um banquete aos pássaros. Doce ou azedinha, vermelha ou quase preta, não se dispensa uma pitanga madurinha! 

Descrição botânica: Família Myrtaceae, arbusto de 2 a 4 m de altura, muito ramificada e com copa arredondada. Folhas simples, opostas, pecioladas, de formato ovalado e coloração variando entre avermelhadas a verdes claras quando adultas. As folhas caem parcialmente em algum período do ano. As flores são pequenas, brancas e muito perfumadas, reunidas em pequenos cachos ao longo dos ramos. Os frutos são do tipo baga, arredondados com sulcos longitudinais bem marcados, inicialmente são verdes, passando a vermelhos ou quase negros quando maduros, e podem conter de 1 a 3 sementes. 


Onde ocorre: Planta nativa, não endêmica do Brasil, sendo encontrada em outras países da América Tropical. Nativa da Mata Atlântica, encontrada naturalmente desde o Rio Grande do Sul até Alagoas. Também pode ocorrer na Caatinga, no Cerrado e no Pampa. Na Amazonia é encontrada na condição de cultivada. 


Usos: A pitanga pode ser consumida in natura ou processada, na forma de polpa, usada em sucos, geleias, sorvetes, licores, iogurte ou como aromatizante de bebidas. Uma das grandes qualidades nutricionais da polpa da pitanga é seu elevado teor de vitamina A (635mg/100g), além de conter micronutrientes com o cálcio e magnésio e apresentar baixo valor calórico. 
As folhas são fonte riquíssima em óleos essenciais, usados na aromaterapia e na produção de fitocosméticos. A polpa dos frutos também é matéria prima para a elaboração de produtos cosméticos, de higiene e limpeza como cremes, xampus e condicionadores. 
A planta, por seu porte reduzido e boa adaptação aos diferentes climas, é usada no paisagismo tanto para o cultivo no jardim quanto como planta de vaso. Suporta bem podas e pode ser indicada para uso como cerca viva. 
Na natureza possui papel ecológico importante como fonte de alimentos e abrigo para a fauna nativa. Também faz parte do compêndio de remédios da medicina popular, onde as folhas são usadas para banhos e chás no combate à febre, dores em geral e como calmante. 


Aspectos agronômicos: A pitanga pode ser cultivada em todo o Brasil. É planta rústica e se adapta com facilidade aos diferentes climas no Brasil. Pode florescer várias vezes ao ano em temperaturas mais quentes, com um pico entre os meses de agosto e dezembro e outro entre fevereiro e julho. A produção de mudas é feita mais facilmente por sementes, colhidas de frutos maduros e germinadas longo em seguida. As sementes devem ser germinadas em substrato rico em adubos orgânicos (gado e aves) e o surgimento das plantas se dá após 20 a 30 dias do plantio. As mudas devem ser plantadas em seu local definitivo quando atingirem 25 cm de altura ou mais. Também é possível adquirir mudas prontas para o plantio com seu viveirista de confiança. Mudas de boa procedência são mais saudáveis e frutificam precocemente. 

Curiosidades: A pitangueira, por seu porte elegante e crescimento moderado, tem sido muito utilizada como planta de vaso, da mesma forma que a jabuticaba. Mas é importante ressaltar que seu cultivo em apartamentos ou varandas deve ser feito em local com muita luz e, se possível, com sol em algum período do dia. Em locais com pouca luz a planta perde as folhas e morre mais facilmente. O vaso deve ser de tamanho grande para que as raízes se desenvolvam de forma satisfatória e a planta permaneça bonita por mais tempo. 


Bibliografia recomendada

Bezerra, J.E.F. et al. Eugenia uniflora (pitanga). In: Coradin, L.; Camillo, J.; Pareyn, F. G. C. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Nordeste. 2018. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/189688/1/Livro-Nordeste-1-2018.pdf 

Mazine, F.F. et al. Eugenia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10560

 

Você já ouviu falar no juçaí? Não? Então saiba que os frutos da juçara ou palmeira-juçara que ocorre na Mata Atlântica, são o equivalente sulista ao açaí do Norte. Pessoalmente, gosto mais do juçaí, pois acho o sabor mais suave do que o açaí comercial que conhecemos. Os sabores são mais bem comparados e apreciados quando se prova as polpas ao natural, sem adição de açúcar. A versatilidade de usos, o sabor e a composição nutricional do açaí e do juçaí são muito semelhantes: puro, gelado ou natural, doce ou salgado, com peixe, granola, farinha, sorvete ou suco, é muito bom de qualquer jeito! 

Durante muitos anos as populações naturais da palmeira juçara foram dizimadas para a extração do palmito, atividade que resulta na morte das plantas e no desaparecimento da palmeira do ambiente natural. A este fato somado à devastação da Mata Atlântica, reduzida a menos de 17% de sua cobertura original preservada (SOS Mata Atlântica, 2021), resultou no elevado risco de extinção de várias espécies, entre elas a juçara. Atualmente, essa palmeira tem seu corte proibido em ambiente natural, e o palmito nosso de cada dia já vem de fontes sustentáveis, a partir de plantios comerciais ou do manejo sustentável da pupunha (uma palmeira amazônica) e da própria juçara. Daí decorre a importância de conhecer os produtos que se consome, o consumo consciente é parte importante na conservação da nossa biodiversidade. 


Descrição botânica: Da família Arecaceae, palmeira de caule único com tronco medindo até 15 m de altura e 15 cm de diâmetro (DAP). As folhas podem medir de 2 a 2,5 m de comprimento e se desprendem com facilidade. A raque floral (cacho) mede até 70 cm de comprimento e cada ráquilas reúne numerosas flores pequenas, masculinas e femininas na mesma ráquilas. A polinização é cruzada, feita por insetos. Os frutos são drupas esféricas, de cor inicialmente verde, passando a quase pretos quando maduros. Cada cacho pode produzir, em média, 3,5 kg de frutos. 

Onde ocorre: Planta nativa, porém não endêmica do Brasil, encontrada também em países vizinhos como Bolívia e Paraguai. No Brasil a juçara pode ser encontrada em populações em áreas de Mata Atlântica desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul e, nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo em matas ciliares da bacia do Rio Paraná. 


Usos: Por muitos anos o principal uso da juçara foi a extração de palmito, de sabor adocicado, é apreciado na culinária por conter poucas fibras e ser muito macio, ideal para o consumo in natura, conservas e na elaboração de pratos diversos. O uso da polpa dos frutos como alimento não é novidade no Sul do Brasil, pois alguns registros históricos confirmam seu uso pelas comunidades locais desde o começo do século XIX. A polpa natural (sem aditivos) é uma emulsão de cor púrpura, rica em antioxidantes (antocianinas), alto valor energético e nutricional, baixo índice glicêmico (pode ser usado por diabéticos), elevadas quantidades de ácidos graxos insaturados (ômega 3) e micronutrientes. A polpa ainda é usada na produção de cosméticos, protetores solares, corantes naturais e óleo. O uso medicinal da polpa ainda está em estudo, mas a principal linha de ação aponta para a obtenção de produtos com potencial antioxidante para o tratamento de doenças cardiovasculares. A palmeira é muito elegante e pode ser usada com sucesso no paisagismo, de forma isolada, em conjuntos ou combinada com outras espécies, sua presença proporciona um visual leve e sofisticado ao jardim. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita unicamente pela germinação de sementes, uma vez que não produz brotações. As sementes devem ser germinadas após a extração da polpa, em substrato próprio para produção de mudas. As mudas estarão prontas para o transplantio após os 6 meses de idade. O plantio deve ser feito em local semi-sombreado, com redução gradativa da sombra até os 3 anos de idade das plantas, quando poderão permanecer em sol pleno, o que favorece a produção de cachos e maturação dos frutos. A espécie requer água em grande quantidade, mantendo-se a umidade no solo de forma constante. As temperaturas médias ideais estão entre 17 a 23°C. A produção de frutos se inicia entre 6 a 10 anos após o plantio. O cultivo pode ser puro ou consorciado com outras frutíferas como a banana, por exemplo, o que otimiza o uso da terra e eleva o ganho financeiro. Cultivos menores, em quintais e hortas, são responsáveis por boa parte da produção de polpa que abastece o mercado desde tempos idos e é deles que vem muito do conhecimento que tem permitido o cultivo comercial da juçara. 


Curiosidades: O processamento dos frutos da juçara para obtenção de polpa resulta na produção de toneladas de resíduo, que nada mais é do que as sementes intactas, que têm sido usadas na produção de mudas para o repovoamento de áreas degradas e para atender à demanda de mudas para os plantios comerciais. Muito ainda há que se fazer para salvar a juçara, mas a valorização da polpa dos frutos como alimento foi um passo importante para a preservação da palmeira e da rica biodiversidade da Mata Atlântica. 



Bibliografia recomendada 

Bourscheid, K. et al. Euterpe edulis (palmito-juçara). In: Coradin, L.; Siminski, A.; Reis, A. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro Região Sul. MMA, 2011. https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade/fauna-e-flora/Regiao_Sul.pdf

Guimarães, L.A.O.P.; Souza, R.G. Palmeira juçara: patrimônio natural da Mata Atlântica no Espírito Santo. 2017. https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/bitstream/item/2701/1/BRT-Livro-Palmeira-Jucara-Ainfo.pdf 

Pereira, A.G. et al. Fruto de Euterpe edulis e Euterpe oleraceae: usos alimentícios, medicinais e cosméticos. In: Miranda, F.D. et al. Tópicos especiais em genética e melhoramento II. Cap. 5. 2018. 

Vianna, S.A. Euterpe in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB15712>.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.