Foto: Dijalma Barbosa da Silva (Acervo Iniciativa Plantas para o Futuro)

Quando se fala em PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), a ora-pro-nóbis é uma das espécies que as pessoas mais conhecem. Seu nome tem origem no latim e significa “rogai por nós”. Os nomes populares são os mais diversos e variam conforme a região: azedinha, cipó-santo, espinho-preto, espinho-de-santo-Antônio, groselha-americana, lobrobó, lôbolôbo, surucucu, orabrobó, entre outros. Muitos autores citam a ora-pro-nóbis como um super alimento ou a cura para diversos males, porém, ainda existe muita desinformação a respeito. À parte suas propriedades nutricionais e medicinais, prefiro consumir a ora-pro-nóbis porque as folhas são deliciosas e, de fato, muito nutritivas. Além disso, é uma verdura fácil de cultivar, produz o ano inteiro e, para mim o aspecto mais importante, é uma planta com muita história e sabor envolvidos em seus pratos.


Descrição botânica: Planta trepadeira perene, da família Cactaceae. Os caules são finos e podem medir até 10 m de comprimento, com espinhos distribuídos por toda a extensão. As são folhas simples e de coloração verde claro, quando novas, e verde escuro quando adultas. As flores são brancas, numerosas, de odor agradável e medem cerca de 4 cm de diâmetro. Os frutos são verdes quando imaturos e alaranjados quando maduros. A floração mais intensa ocorre nos meses de janeiro a abril. 

Observação importante: Sabe-se que esta espécie apresenta alguma variabilidade de características botânicas, especialmente na coloração das folhas, que pode se acentuar conforme a região e o clima. Embora o gênero Pereskia apresente espécies com folhas muito parecidas, as plantas comestíveis são aquelas que produzem flores brancas com miolo alaranjado e folhas menores. Na dúvida quanto à correta identificação da planta, busque ajuda de um especialista da área. Nunca consuma plantas que você não tem certeza da identificação. 


Onde ocorre: Nativa da flora do Brasil, ocorre naturalmente na maioria dos estados das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além do estado de Goiás. Habita os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Não é exclusiva do Brasil, sendo encontrada em boa parte dos países da América Tropical. 

Usos: Suas folhas jovens e tenras são utilizadas como alimento. Estudos da Embrapa mostram que as folhas apresentam teor de proteína bruta superior a 20%, o que justifica seu uso como alimento rico em proteínas. As folhas podem ser consumidas cruas, na forma de salada, ou como ingrediente de refogados, tortas e farinha para a elaboração de massas variadas. É uma excelente fonte de vitaminas, minerais e aminoácidos e por isso, considerada um alimento funcional. A farinha, obtida das folhas desidratadas e trituradas, pode entrar como complemento na fabricação do macarrão e na panificação, elevando os teores de proteínas e cinzas e tornando o prato mais nutritivo. Os frutos também podem ser consumidos in natura, são ricos em carotenoides e vitamina A. Na medicina popular a planta é utilizada como emoliente e cicatrizante. A planta adulta apresenta formato bastante ornamental, podendo ser utilizada em cercas vivas ou barreira de quebra vento. 


A ora-pro-nóbis é bastante utilizada na culinária de Minas Gerais, já faz parte da cultura local e está presente em diversas preparações. Anualmente, a cidade histórica de Sabará sedia o Festival da Ora-pro-nóbis, onde a hortaliça é a grande estrela. A cada ano o festival tem recebido mais destaque, com a presença de chefes renomados demonstrando suas criações exclusivas ao lado de pratos já muito tradicionais, como a carne com ora-pro-nóbis, croquetes, pasteis, coxinhas, quiches, tortas e até sorvetes. 


Mas o Sul também tem seus encantos com a ora-pro-nóbis! Em uma de minhas viagens divulgando a biodiversidade brasileira, tive a grata satisfação de experimentar a culinária tradicional do Rio Grande do Sul, uma parte importante que eu pouco conhecia. Em visita à Porto Alegre, na feirinha da Redenção, experimentei alguns pratos deliciosos, como o pastel de ricota com recheio de patê de ora-pro-nóbis, o croquete de carne com folhas refogadas e o mais surpreendente sabor foi o pão de beterraba com patê verde de ora-pro-nóbis: todos muito delicados e saborosos.


Aspectos agronômicos:
De fácil propagação por estacas (mais usual) ou por sementes. O cultivo deve ser feito em pleno sol, com rega abundante. Plantas cultivadas na sombra ficam mais alongadas (estioladas) e produzem menos folhas e flores, algumas nem florescem. Embora a planta suporte bem a seca, produz mais folhas quando bem irrigada e adubada com bastante matéria orgânica. As plantas apresentam crescimento rápido e vigoroso, baixa incidência de pragas e doenças e adaptabilidade a solos e climas variados. Na horta ou pomar, o plantio das mudas deve ser feito, preferencialmente, no início das chuvas, para o bom estabelecimento das plantas. Para quem não tem muito espaço, a planta se adapta bem ao cultivo em vaso, sendo possível mantê-la em varandas de apartamentos, desde que haja boa insolação. A colheita das folhas se inicia entre 60 e 90 dias após o plantio, preferindo-se sempre as folhas mais jovens e tenras. Em pequenos ambientes ou mesmo áreas urbanas maiores, é importante atentar para o fato de que as plantas produzem grande quantidade de espinhos e exige cuidados ao manejar. O local de plantio deve ficar afastado de áreas de circulação de pessoas (especialmente as crianças) ou animais domésticos, porque os espinhos podem causar ferimentos ao menor toque. 


Curiosidades: Esta espécie tem sido considerada como uma hortaliça não convencional, ou seja, planta com distribuição limitada à determinada região, que não faz parte de uma cadeia produtiva como as hortaliças convencionais, mas que exerce grande influência na alimentação e na cultura de populações tradicionais. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 2010 através do lançamento do Manual de Hortaliças Não-Convencionais, vem disponibilizando informações e estimulando o consumo e plantio da ora-pro-nóbis nas diversas regiões do Brasil. Informações mais detalhadas sobre plantio e tratos culturais é possível se obter no manual “Cultivo de Ora-pro-nóbis (Pereskia) em Plantio Adensado sob Manejo de Colheitas Sucessivas”, de autoria do pesquisador Nuno Madeira et al. (2016), e disponível gratuitamente na biblioteca virtual da Embrapa. 

Bibliografia recomendada 

AGOSTINI-COSTA, T.S. et al. "Carotenoids profile and total polyphenols in fruits of Pereskia aculeata Miller." Revista Brasileira de Fruticultura, 34(1), 234-238, 2012. 

CEMBROLA, C.T. et al. Pereskia aculeata (Ora-pro-nobis). In: VIEIRA, R. F.; CAMILLO, J.; CORADIN, L. (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: Região Centro-Oeste. 2018. 

QUEIROZ, C.R.A.A. Cultivo e composição química de Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata Mill.) sob déficit hídrico intermitente no solo. Tese. Jaboticabal, 2012. 144 f. 

ROCHA, D.R.C., et al. Macarrão adicionado de ora-pro-nobis (Pereskia aculeata Miller) desidratado." Alimentos e Nutrição Araraquara, 19(4), 459-465, 2009. 

TAKEITI, C.Y. et al. Nutritive evaluation of a non-conventional leafy vegetable (Pereskia aculeata Miller). International journal of food sciences and nutrition, 60(S1), 148-160, 2009. 

ZAPPI, D.; TAYLOR, N.P. Cactaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB1633>


As helicônias são plantas típicas das regiões tropicais do mundo, surgem em abundantes cores, formas e numerosas espécies. Apenas no Brasil, já foram identificadas 30 espécies nativas do gênero
Heliconia, além de uma grande quantidade de espécies exóticas que se adaptaram às condições climáticas do país e são cultivadas para o mercado de flor de corte. A helicônia-papagaio é uma das espécies nativas, com ocorrência natural em boa parte dos estados brasileiros, exceto o sul do País, onde só é encontrada em cultivo.

Descrição botânica: Família Heliconiaceae, erva rizomatosa formando touceiras com múltiplos caules finos e entrenós alongados. As folhas são pecioladas, com lâmina linear, de formato oblongo, elíptico ou lanceolado e base acuminada (formato pontiagudo). As inflorescências saem no final dos caules e têm forma de tirso (pequenos cachos com muitas flores reunidas), eretas, com brácteas coloridas vistosas, de coloração variando entre o alaranjado e o avermelhado. 


Onde ocorre: Heliconia psittacorum é nativa do Brasil, mas não endêmica, isto é, pode ser encontrada naturalmente em outros países tropicais da América do Sul. Planta de área de floresta quente e úmida, comum na Amazônia e nas matas de galeria do Cerrado. O epíteto psittacorum é uma referência à família dos papagaios e araras (Psittacidae), devido às cores e formatos das inflorescências, que se assemelham ao colorido das plumas desses pássaros. Daí também resulta o nome popular da espécie: helicônia -papagaio. 

Usos: Amplamente usada no paisagismo e como flor de corte, devido à grande durabilidade de suas inflorescências. No paisagismo pode ser cultivada em renques, maciços, canteiros elevados, floreiras ou acompanhando o traçado de muros ou paredes. As inflorescências cortadas são resistentes ao calor e possuem alta durabilidade, ideal para uso como flor de corte na elaboração de arranjos florais tropicais. O tamanho reduzido, quando comparada à outras espécies do gênero, a durabilidade e a leveza de suas inflorescências, tornam esta helicônia uma das mais comercializadas no mercado de flores tropicais no Brasil. A espécie também foi utilizada na produção de híbridos com inflorescências menores e cores entre o rosa-chá e o vermelho-fogo, muito apreciadas na elaboração de arranjos florais. 


Aspectos agronômicos: A helicônia-papagaio prefere clima quente e úmido, embora tolere um pouco de frio e o clima seco do Cerrado. A propagação é feita pela divisão dos rizomas, que devem se plantados sob sol pleno ou meia sombra, com rega constante. Embora tolere seca, a produção de folhas e flores é mais vigorosa quando a rega é abundante. O solo deve ser leve, bem drenado e rico em matéria orgânica (esterco de aves, de gado e/ou humus). Quando cultivada em jardim, deve-se atentar para as podas de limpeza e formação das touceiras, a fim de manter a floração e o viço das plantas o ano todo, bem como, diminuir a incidência de pragas e doenças. 


Bibliografia recomendada 

Heliconiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB7962>. 2020.

Kuhlmann, M.; Gomes-Bezerra, K.M.; Reis, P.A. Heliconia psittacorum (heliconia). In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade

As sempre-vivas ou flores secas são um patrimônio do Cerrado. Enquanto plantas vivas apresentam importante papel ecológico na conservação da vida nas veredas e campos rupestres. Na forma de plantas secas, embelezam e trazem vida aos espaços, em arranjos diferenciados, delicados e de longa durabilidade. Como não existe apenas uma espécie de sempre-viva, mas um universo de tipos e possibilidades, vou falar de forma genérica e mostrar um pouco da minha admiração por elas. 


É importante ressaltar que todo o comércio de sempre-vivas no Cerrado, e em outros biomas, é abastecido unicamente pelo extrativismo, ou seja, não existem cultivos comerciais destas espécies. Via de regra, as flores secas e outras partes vegetais usadas no artesanato, são colhidos diretamente em populações naturais e sua coleta indiscriminada, especialmente de flores, impede a formação de sementes e a perpetuação das populações naturais, o que pode levar uma espécie ao risco de extinção em curto prazo. Aliás, boa parte das sempre-vivas nativas que encontramos nas feiras e mercados regionais estão ameaçadas de extinção, algumas consideradas criticamente ameaçadas. Por isso é muito importante, sempre que possível, conhecer um pouco sobre o produto e como ele é produzido para, assim, efetuar uma compra mais consciente. 


Descrição botânica: As plantas das famílias Eriocaulaceae e Xyridaceae compreendem alguns dos gêneros mais conhecidos de sempre-vivas exploradas no Brasil. Possivelmente, os gêneros mais expressivos dentro deste universo no Cerrado seja Eriocaulon, Paepalanthus, Syngonanthus e Xyris. De modo bem genérico, estes gêneros são compostos por espécies de plantas herbáceas, perenes ou anuais (menor quantidade), caracterizadas pelo endemismo, ou seja, as plantas ocorrem em locais e climas bastante específicos, o que dificulta também o cultivo em escala comercial. 

Sabe-se que existem outras várias famílias botânicas de sempre-viva de importância como flor seca, incluindo-se aqui os capins, mas vamos resumir o assunto, porque isso daria várias teses de discussão botânica. Aliás, aqui vai uma sugestão para o pessoal da pesquisa: existe pouquíssima informação sobre o uso, principais espécies, cultivo e cadeia produtiva de flores secas no Brasil. Que tal? 


Onde ocorrem: As sempre-vivas não são exclusivas do Brasil nem do Cerrado, é possível encontrar essas plantas na Caatinga, no Pantanal, no Pampa e até nas áreas de savana da Amazônia, no Brasil e em países vizinhos. Existe uma espécie de sempre-viva que se acreditava ser endêmica do Monte Roraima e por isso foi denominada Xyris roraimae. Posteriormente, em 1996, descobriu-se que a espécie ocorre também nas áreas de Cerrado do Brasil central e, junto com Xyris paradisiaca, formam uma dupla das mais representativas do gênero e facilmente encontradas no comércio regional. 


Usos: As sempre-vivas são usadas como flor seca, ao natural ou em combinação com outras partes vegetais, compondo arranjos diferenciados. Quando se fala em “flor seca” ou flor desidratada, é importante lembrar que na composição do arranjo podem também ser usadas diversas partes vegetais, incluindo pequenos ramos, folhas secas e frutos. Algumas espécies são colhidas já desidratadas e outras precisam passar por um processo de desidratação antes de serem comercializadas. Muitas espécies são colhidas durante a época de seca no Cerrado, o que evita custos com a secagem, além de facilitar o trabalho dos artesãos. 


Embora não se tenha um estudomais completo para apoiar esta afirmação, minha experiência de campo me faz crer que o volume de flores secas (sempre-vivas) comercializado regionalmente é bastante significativo, em especial nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins. Alguns pesquisadores relatam um declínio considerável no volume comercializado nas últimas décadas, porém, também não mencionam valores, de forma a dar uma ideia mais clara da situação. Entretanto, sabe-se que o Brasil é um dos fornecedores de flores desidratadas para o mercado europeu, o que não é pouca coisa. 


Aspectos agronômicos: Praticamente nada se sabe sobre o cultivo de sempre-vivas para fins de decoração ou no paisagismo. Sabe-se que para boa parte das espécies a propagação é feita por sementes e, em alguns casos, por divisão de touceiras. O cultivo deve ser em pleno sol e a maioria prefere clima quente e seco. No estado de Minas Gerais existem algumas iniciativas de cultivo de sempre-vivas, mas ainda não é possível encontrar mudas a venda no comércio. Vale lembrar que a retirada de plantas da natureza, sem as devidas autorizações legais, é crime ambiental, além de causar prejuízos às populações nativas, pode render multa e até prisão. Vamos apreciar sem destruir. 

Curiosidades: Quem visita Brasília não pode deixar de conhecer a feirinha de flores secas da Catedral, junto à esplanada dos ministérios. São inúmeras espécies de sempre-vivas nativas e exóticas sendo comercializadas, e o colorido é de encher os olhos. É um lugar encantador e uma boa lembrança da nossa linda capital da República. As fotos que ilustram esta publicação e alguns dos meus livros, foram feitas nessa feirinha, é um dos meus lugares preferidos no coração do Brasil. Vale a visita, recomendo! 


Bibliografia recomendada 

Wanderley, M.G.L. et al. Xyris paradisiaca e X. roraimae. In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro - Região Centro-Oeste. 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade
Jardim Botânico de Brasília, Brasília, DF

O capim-dos-pampas ou "pampas glass", sua denominação em inglês, é nativo dos pampas do Rio Grande do Sul e vem sendo bastante usado no paisagismo. Para quem, como eu, se dedica ao uso, conservação e valorização das nossas espécies nativas, sempre é muito gratificante observar essas plantas em cultivo nos jardins brasileiros e pelo mundo a fora. Assim como as bouganvilles, que já falamos aqui, o capim-dos-pampas também é adorado pelo europeus, sendo comum encontrar a planta cultivada como elemento central nos jardins, desde os vitorianos mais clássicos até os contemporâneos. 

A literatura cita ao menos duas espécies de capim-do-pampas para uso paisagístico: C. selloana e C. jubata. Observei que existe uma confusão taxonômica entre ambas pois, algumas fontes consideram C. jubata como subespécie de C. selloana, outras fontes consideram como espécies distintas. Como meu objetivo é exemplificar o uso, aqui tratarei tudo como C. selloana

Parque Amantikir, Campos do Jordão, SP.

Descrição botânica: Da família Poaceae, planta herbácea, com amplo rizoma, típico das gramíneas, e perene; de crescimento ereto, altura entre 1,5 a 2,5 m, formando grandes touceiras. As folhas são estreitas, alongadas, com borda áspera (muito cortante) e coloração que varia entre o verde claro a verde azulado quando adultas. A flores são minúsculas, numerosas e reunidas em belas inflorescências terminais plumosas, de coloração variando entre o branco (mais comum), amarelado e arroxeado (mais raras). As inflorescências aparecem com maior intensidade entre o verão e o outono, porém, em regiões mais quentes, plantas bem manejadas podem florescer quase o ano todo. 


Onde ocorre: Planta nativa do bioma Pampa do sul do Brasil, com ocorrência natural também em algumas áreas do Cerrado e da Mata Atlântica. Não é endêmica (exclusiva) do Brasil, ocorrendo também nos pampas do Uruguai e Argentina, onde é conhecida pelo nome popular de “cola de zorro”. Sabe-se que a espécie foi levada para a Europa como planta ornamental e seu cultivo é anterior a 1800, principalmente, na França e Irlanda. Acredita-se que as sementes tiveram origem no Equador, onde foi documentada a ocorrência natural desta espécie e outras do mesmo gênero. 


Usos: A planta pode ser usada no paisagismo e, na forma de planta seca, para a decoração e composição de arranjos florais. No paisagismo, é cultivada em jardins de forma isolada, como elemento central, ao longo de muros, em conjuntos ou renques, conferindo um belo aspecto ornamental, tanto pela folhagem densa e azulada (conforme a incidência de luz) quanto pela beleza da floração. Como planta seca pode ser usada na composição de grandes arranjos florais puros ou em combinação com outras flores, galhos ou folhagens. Apresenta grande durabilidade como flor seca. Na Argentina, as folhas, flores e talos são usados na medicina popular em diversas preparações com fins digestivo, laxante, diurético e hepático. Apresenta importância ecológica estratégica na recuperação de áreas degradadas do bioma Pampa. 

Whiststable, Inglaterra.

Aspectos agronômicos: Planta típica de climas frios, suporta bem as geadas, mas pode vegetar intensamente também no calor. A produção de mudas é feita facilmente o ano inteiro pela divisão de touceiras. Deve ser cultivada em solo leve, bem adubado, em sol pleno e com irrigação constante. A umidade favorece a manutenção da folhagem bonita por mais tempo. Entretanto, a planta é tolerante à grande variação climática e ambiental, adaptando-se com facilidade à condições adversas. 

Cuidados: Assim como outros capins, seu uso no paisagismo demanda cuidados com poda de formação e manutenção. As touceiras devem ser mantidas limpas e bem podadas para evitar o alojamento de bichos, especialmente as cobras. No Sul do Brasil, o capim-dos-pampas é considerado espécie invasora e erradicado das pastagens, entre outros motivos, por ser um alojamento perfeito para as cascavéis e outras cobras peçonhentas, podendo causar acidentes sérios com o gado e com humanos. Por sua característica invasora, a espécie deve ser cultivada sob contenção, ou seja, no paisagismo existem algumas barreiras mecânicas que podem ser usadas para impedir que a planta se alastre para outras áreas. A alocação do capim-dos-pampas no jardim também deve ser estrategicamente pensada. Não se recomenda o plantio em área estreita onde há circulação de pessoas e animais, pois as folhas cortantes podem causar ferimentos. Sempre opte por colocar a planta em área ampla, aberta, com largo espaço de passagens e muito sol. 

Parque Amatikir, Campos do Jordão, SP


Bibliografia recomendada 

Berkenbrock, I.A. Cortaderia selloana (capim-dos-pampas). In: Coradin, L.; Siminski, A.; Reis, A. Espécies Nativas da Flora Nativa de Valor Econômico Atual e Potencial - Plantas para o Futuro - Região Sul. 2011. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade 

Cortaderia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB13137>. Acesso em: 25 out. 2020. 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Ed. Plantarum. 2008. 

Starr, F. et al. Cortaderia spp. 2003. Disponível em http://hear.its.hawaii.edu/Pier/pdf/pohreports/cortaderia_spp.pdf

Também conhecida como xampu, gengibre-magnífico ou gengibre-ornamental, a espécie é muito usada em arranjos tropicais, juntamente com helicônias e folhagens verdes. A planta, à primeira vista, não parece ser muito diferente, mas suas inflorescências vistosas, coloridas, saindo direto do chão, são sempre muito chamativas. As crianças se divertem brincando com os “microfones” coloridos, pois as inflorescências se parecem muito com alguns desses equipamentos de captar som. 

Descrição botânica: Planta da família Zingiberaceae, com hábito herbáceo, medindo até 2,5 m de altura; hastes eretas e robustas, que formam touceiras. As folhas são verde-escuras, alongadas e aveludadas na parte inferior. As inflorescências são espigadas, cilíndricas, medindo entre 40 a 50 cm de altura, que brotam diretamente dos rizomas, por isso a impressão de que nascem diretamente do solo, sem conexão com a planta mãe. Cada inflorescência reúne dezenas de pequenas flores de cor branca ou amarelada, recobertas por brácteas de cor, inicialmente, amareladas, passando a vermelho intenso, conforme avança a senescência. 


Onde ocorre: Planta nativa da Malásia e regiões adjacentes. No Brasil, é considerada como cultivada. Foi introduzida como planta ornamental e hoje pode ser encontrada em cultivo em jardins de várias regiões do País. 

Usos: O uso mais expressivo do sorvetão é como planta ornamental para a produção de flor de corte. Muito usada também na ornamentação de jardins, cultivada isolada, em conjuntos ou associada à outras espécies tropicais. Atualmente, existe muitos híbridos de Z. spectabile no mercado mundial de flores de corte, com diferentes cores e formatos. No Brasil a planta é mais cultivada como flor de corte, com cultivos comerciais nas regiões Sudeste e Nordeste, visando atender tanto a demanda interna por flores tropicais quanto para exportação. Por ser parente próxima do gengibre comercial, suas folhas e rizomas também podem ser usados em preparações culinárias e formulações medicinais. Os rizomas são ricos em compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e antibacterianas, potenciais para uso na produção de conservantes para a indústria alimentícia. Os rizomas possuem grande quantidade de zerumbone, um composto ativo medicinal com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. 


Aspectos agronômicos: Deve ser cultivada à meia-sombra, em canteiros bem adubados e enriquecidos com matéria orgânica (restos vegetais, estercos, etc.), com regas abundantes e constantes. A espécie é sensível ao frio e à falta de água. A propagação é feita facilmente, em qualquer época do ano, pela retirada de mudas das touceiras. No entanto, para quem deseja iniciar um cultivo comercial, a dica é obter mudas de qualidade (micropropagadas, preferencialmente), uniformes e bem sadias, para garantir boa produção de hastes, dentro dos padrões exigidos pelo mercado para flor de corte. A espécie é muito sensível à pragas, especialmente os nematoides (vermes de solo), e à bacterioses. Desta forma, é importante sempre manter as touceiras limpas, bem podadas, adubadas e com rigoroso controle de irrigação. A poda não favorece apenas o aspecto estético da planta, mas é fundamental para permitir a entrada de luz e evitar o excesso de umidade, que propicia a proliferação de fungos e bactérias. 


Bibliografia recomendada 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Editora Plantarum, 4ª ed. 2008. 

Reis, M.V. et al. In vitro propagation of Zingiber spectabile. Ornamental Horticulture, 23(3), 270-278, 2017. 

Zingiberaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2020. <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB609227>

O início da primavera é marcado pela exuberante floração das bouganvilleas que, por esta razão, também são conhecidas popularmente como primaveras. Quanto mais seco o clima, mais vistosa é a floração. Primavera, três-marias, santa-rita, ceboleiro e flor-de-papel são algumas das denominações regionais destes arbustos no Brasil. Mas o que pouca gente sabe, é que as bouganvilleas são nativas do sul e sudeste do Brasil e foram levadas como planta ornamental para a Europa e outros países do mundo. Por muitos anos, foi mais fácil encontrar bouganvilleas sendo cultivadas na Grécia, Portugal e Itália, do que no Brasil. Felizmente, essa realidade mudou muito, e hoje a planta vem sendo amplamente utilizada no paisagismo e é um dos grandes produtos da floricultura nacional, inclusive, com muitos híbridos no mercado. 


Descrição botânica:
Da família Nyctaginaceae, arbustos lenhosos, com até 12 m de altura, ramos escandentes (levemente caídos), com poucos ou muitos espinhos na ramagem, conforme a espécie. As folhas são oval-alongadas e de coloração verde. As flores são pequenas, esbranquiçada e estão envoltas por três ou mais brácteas de coloração que varia entre branco, diversos tons de rosa, vermelho, até o ferrugem. De forma equivocada, muitas pessoas se referem às brácteas como sendo flores, quando, na verdade, são folhas modificadas que envolvem as flores e conferem as cores característica das plantas. 


Onde ocorre: São duas espécies mais conhecidas no Brasil: a Bougainvillea glabra Choisy tem brácteas de cor rosa ou lilás e é nativa do Sul do Brasil; já a espécie Bougainvillea spectabilis Willd. tem brácteas de cores variadas, simples ou dobradas, e é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. O gênero Bougainvillea compreende 11 espécies nativas da América do Sul, sendo 5 consideradas nativas do Brasil: B. campanulata, B. fasciculata, B. glabra, B. praecox e B. spectabilis


Usos: Plantas cultivadas em jardins, no paisagismo de praças e parques, tanto nas cidades como na zona rural. Vai muito bem como planta de vaso e cultivada como bonsai. No jardim pode funcionar como arbusto mantido e moldado com podas (topiaria), como cerca-viva sobre cercas e grades, ou mesmo, como cerca-defensiva. Tem sido utilizada também no recobrimento de caramanchões e pergolados. Floresce com maior intensidade entre o outono e a primavera, mas algumas plantas podem permanecer floridas por vários meses durante o ano, a depender do clima. As diferentes colorações das brácteas tem sido estudadas devido a presença de substâncias bioativas com potencial antioxidante, que poderiam ter uso alimentício e medicinal. Na medicina popular é usada para o controle de diabetes e hepatite. Estudos mostraram que o extrato das folhas apresenta efeito repelente. 


Aspectos agronômicos: B. glabra tolera geadas, já a espécie B. spectabilis prefere climas mais quentes, sem incidência de geadas fortes. A produção de mudas é feita por estaquia ou por alporquia, já que raramente produz sementes. Recomenda-se o uso de enraizadores para a produção de mudas de boa qualidade, já que as estacas apresentam dificuldade para enraizar naturalmente. Para uma floração mais vistosa, deve-se efetuar o cultivo das plantas a pleno sol e com pouca água. 



Curiosidade: O nome popular bouganvillea, deriva do nome científico latim Bougainvillea, uma homenagem ao navegador francês Conde Louis Antoine Bougainville, que aportou em Florianópolis no ano de 1767. Enquanto esperava o abastecimento de sua Nau, o Conde resolveu fazer algumas incursões pela Ilha para conhecer melhor a flora da região; foi quando se deparou com os arbustos coloridos chamativos que, mais tarde, vieram a ser nomeados em sua homenagem. Alguns historiadores atribuem ao Conde Bougainville a responsabilidade pela introdução desta espécie na Europa que, de lá se espalhou, sendo, atualmente, cultivada em todas as regiões tropicais do mundo. 

Bibliografia recomendada 

Bougainvillea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10907

Foschini, J.C. Formação de um banco ativo de germoplasma, seleção de acessos e propagação vegetativa de Bougainvillea. UFSCAR. 2017. 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Editora Plantarum, 2008.


O jatobá é uma planta típica do Cerrado, com sabor e aroma bem marcantes. Em minhas andanças pelo Brasil, pude perceber que este fruto está intimamente ligado às memórias afetivas (algumas boas, outras nem tanto) de muitas pessoas. Há alguns anos, principalmente no sertão de Goiás e Minas Gerais, era comum as famílias usarem a farinha de jatobá para matar a fome. Ouvi vários relatos de que, muitas vezes, o jatobá era o único alimento disponível, o que associou o fruto à condição de pobreza extrema. Esse estigma o jatobá carrega até os dias de hoje, o que criou uma barreira para que as pessoas experimentem novos sabores regionais.

Na verdade, esse é um estigma que muitas frutas nativas carregam. Já ouvi essa mesma história com o jenipapo, a guabiroba e, até mesmo, com algumas hortaliças regionais. Mas essa barreira precisa ser quebrada para que as novas gerações possam experimentar essa riqueza de sabores. Permita-se experimentar de novo: são outros tempos, outra realidade e outras percepções. 

Jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa)

Descrição botânica: Da família Fabaceae, árvore com até 10 metros de altura, embora no Cerrado tenha porte mais baixo, com galhos e troncos retorcidos. Folhas alternas, caducas e de coloração verde escura quando adulta. Inflorescências terminais com até 30 flores, de coloração marrom clara e estames alongados. O fruto é do tipo legume, indeiscente (não se abre quando maduro), alongado, com casca dura e coloração inicialmente verde, passando para marrom quando maduro. A polpa farinácea tem coloração variando de creme a creme esverdeada, conforme a espécie e/ou variedade. 

Flor de jatobeira

É importante mencionar que existem, ao menos, 16 espécies de jatobás usados como alimento no Brasil (além de algumas variedades dentro das espécies), o que reflete a diversidade de frutos, coloração das farinhas e intensidade de aromas que podem ser explorados. No Cerrado existem duas espécies mais conhecidas: o jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne), que tem porte menor, ramos retorcidos, frutos maiores e é encontrado em áreas abertas. Já o jatobá-da-mata (Hymenaea courbaril L.) é caracterizado por árvores de maior porte, frutos menores e, como o próprio nome já diz, habita áreas de mata fechada próxima de cursos d’água. Ambas possuem frutos comestíveis e geralmente são vendidos nas feiras e mercados sem fazer distinção de quem é quem. 

Onde ocorre: Planta nativa, mas não endêmica do Brasil, ocorrendo no Cerrado e também em áreas da Caatinga. No Cerrado, ocorre em áreas abertas, conhecidas como campo cerrado e/ou campo sujo. 

Frutos verdes e maduros

Usos: A farinha de jatobá é um dos produtos mais conhecidos desta espécie. Ela pode ser produzida pela raspagem dos frutos maduros e secos. A farinha pode ser peneirada para eliminar o excesso de fibras e melhorar a palatabilidade. Se mantida em saco plástico em geladeira, pode se conservar por período superior a um ano, mantendo aroma e sabor originais. A farinha pode ser usada no preparo de mingaus, bolos, doces e uma infinidade de pratos. Pode ser usada pura ou misturada com farinha branca ou integral, o que ajuda a suavizar o sabor. A farinha de jatobá também pode ser adicionada à massa de brigadeiro branco, resultando um doce gourmet com sabor pra lá de especial. Biscoitos, sequilhos e salgadinhos com farinha de jatobá apresentaram boa aceitação em feiras de sabores no Brasil inteiro. A farinha ainda tem a vantagem de ser livre de glúten e rica em ferro, sendo um bom complemento alimentar e na dieta de pessoas com restrições alimentares. A resina do tronco, cascas dos ramos e as folhas são usadas na medicina popular. Existe uma extensa bibliografia sobre o uso medicinal da espécie, indo desde o consumo da farinha como tonificante até o uso ritualístico dos frutos na cura e equilíbrio energético. As árvores retorcidas são muito bonitas e podem ser usadas na arborização urbana. 

Pão integral com farinha de jatobá e castanha de baru

Aspectos agronômicos: A floração apresenta um período bem extenso, podendo se entender de outubro a abril, mas o forte da safra no cerrado goiano ocorre de agosto a novembro. Entretanto, esses períodos podem variar conforme a região e o clima local. As mudas podem ser feitas por sementes, germinadas logo após a colheita. A germinação ocorre entre 5 e 35 dias e pode chegar a 80%. No cerrado, observa-se o crescimentos das plantas em áreas de baixa fertilidade, o que permite inferir que o solo para a produção de mudas não necessita muita adubação, apenas que seja leve e bem permeável. Havendo possibilidade, é recomendável fazer a germinação em ambiente protegido, onde se pode controlar melhor a rega e a intensidade luminosa. 

Dicas e curiosidades: Alguma pessoas consideram que o jatobá tem cheiro de “chulé”, o que causa repulsa em muita gente. Minhas experiências culinárias (não sou especialista, mas gosto de experimentar) me mostraram que colocar a farinha no forno a temperatura de 180º C por uns 10 a 15 minutos, além de ajudar na conservação, suaviza o aroma. O aroma é dado por uma mistura de compostos voláteis presentes no fruto e que se degradam com o aquecimento, daí a funcionalidade da secagem em forno para melhorar o aroma e o sabor da farinha. A farinha de jatobá pode ser um curinga muita fácil de usar e que pode impressionar os comensais. Porém, é sempre de bom tom conhecer o paladar dos convidados e não exagerar no ingrediente, para não correr o risco de errar na opção. Experimente! 

Da esquerda para direita: fruto aberto e farinha pronta para consumo; produção artesanal da farinha; brigadeiro branco com farinha de jatobá; biscoitinhos de jatobá

Bibliografia recomendada 

Pinto, R.B.; Tozzi, A.M.G.A.; Mansano, V.F. Hymenaea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB83206>. 

Sano, S.M. et al. Hymenaea stigonocarpa (Jatobá-do-cerrado). IN: Vieira. R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade

Uma beleza as flores da carobinha! De coloração violeta escuro, quando florida, a planta se destaca no meio da vegetação do Cerrado. Ainda não é cultivada em jardins e pouco se sabe sobre ela, mas estudos da Universidade de Brasília apontam para o potencial ornamental e medicinal dessa espécie. 

Descrição botânica: Da família Bignoniaceae, subarbusto com 0,5 a 1,8 metros de altura, pouco ramificado. As folhas jovens tem coloração verde clara, com pelos na parte inferior, o que lhe confere aspecto esbranquiçado; já as folhas adultas tem coloração verde escuro. As flores são reunidas em inflorescências (cachos) no final dos ramos, pendulas, e de cor variando entre roxo a violeta escuro. Os frutos são inicialmente verdes, passando a castanho escuro quando maduros, e se abrem liberando grande quantidade de sementes aladas. No Distrito Federal, a floração foi registrada no final do mês de abril. 


Onde ocorre: Espécie nativa do Brasil e endêmica, ou seja, só ocorre no Brasil. No Cerrado, é encontrada em área de vegetação aberta e alta luminosidade, como nos campos limpos.


Usos: Como planta ornamental, pode ser usada em vasos ou plantada em jardins em bordaduras, maciços ou em composição com outras espécies. Pode ser usada também como flor de corte. Na medicina popular é usada como anti-inflamatória, no tratamento de dores lombares, digestiva e até no controle de sarna e outras doenças parasitárias. 


Aspectos agronômicos: Embora exista pouca informação a esse respeito, estudos da Universidade de Brasília apontam para a possibilidade de se fazer mudas por sementes, colhidas de frutos maduros (cor castanha escura), um pouco antes da abertura dos mesmos. A germinação é feita em substrato leve, tipo vermiculita ou areia, com germinação de até 50%. Havendo possibilidade, a germinação in vitro pode ser uma boa opção para aumentar o número de plantas e acelerar o processo. Observações de campo e mesmo de espécies similares, permitem recomendar o cultivo a pleno sol, em solo arenoso e com regas espaçadas.


Bibliografia recomendada

Silveira, C.E.S. et al. Jacaranda ulei (Carobinha-do-campo). IN: Vieira. R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade




O Brasil possui uma grande riqueza de jacarandás. Em cada região se conhece um tipo, uma denominação, uma flor, enfim, cada um descreve um jacarandá diferente. Mas a planta da vez é o jacarandá-de-minas, que floresce no final da seca e, muitas vezes, é confundido com ipê-roxo. Aliás, muitas pessoas me mandam fotos para identificação porque acharam lindo o ”ipê-roxo”, que na verdade era um dos muitos jacarandás. Então vamos conhecer melhor essa árvore linda, que embeleza e se destaca no cinza das matas secas.


Descrição botânica: Família Bignoniaceae, árvore com 5 a 10 metros de altura, copa arredondada e bastante ramificada. As folhas são bipinadas, com 20 a 40 cm de comprimento. As flores são tubulosas e medem entre 5 a 7 cm de comprimento, tem cor arroxeada e são reunidas em cachos no final dos ramos. Os frutos são secos e se abrem quando maduros, expondo numerosas sementes aladas. 

Onde ocorre: Planta típica do Cerrado, Pantanal e áreas de transição com a Mata Atlântica. Pode ser observado em floração em áreas de encosta, se destacando na mata. O nome “jacarandá-de-minas” se deve à sua alta ocorrência nas matas do estado de Minas Gerais, sobretudo na região do Triângulo Mineiro e norte de São Paulo. A espécie não é endêmica da flora brasileira, sendo encontrada também em países vizinhos, especialmente, nas áreas pantaneiras da Bolívia e Paraguai. 



Usos: De uso comum no paisagismo urbano do Brasil central, o jacarandá-de-minas pode ser facilmente avistado, quando em floração, nas quadras e avenidas de Brasília e outras cidades do Centro-Oeste. Apresenta importante função ecológica quando usado na recuperação de áreas degradas e como espécie melífera, sendo importante fonte de alimento para abelhas nativas. As folhas são usadas na produção de inseticida caseiro e o chá da raiz usado como sarnicida. Folhas e cascas são usadas na medicina popular como depurativo do sangue, no combate à febre e no trato de infecções bacterianas. 



Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, plantadas logo após a colheita. Sementes armazenadas por mais de 4 ou 5 meses, requerem quebra de dormência por imersão em água fervente e permanência em água por 24 horas. O plantio é feito em sacos plásticos pretos próprios para mudas, em solo leve (1 parte de solo/1parte de areia), e a germinação ocorre em 1 ou 2 semanas. Também é possível adquirir mudas de qualidade em viveiristas especializados. 



Bibliografia recomendada

Gomes-Bezerra, K.M.; Reis, P.A.; Kuhlmann, M. Jacaranda cuspidifolia (Jacarandá-de-Minas). In: Vieirra. R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro : região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018.
https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade

Jacaranda in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB114124. 2020.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.