Sibipiruna {Poincianella pluviosa var. peltophoroides (Benth.) L.P.Queiroz}

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Sibipirunas nas ruas de Sobradinho - DF. Foto: J. Camillo.
Descrição botânica: Árvore da família Fabaceae, com 8 a 16 metros de altura, copa arredondada, com até 6 metros de diâmetro. Tronco com diâmetro entre 30-40 cm, de casca áspera, cinzenta, fissurada e com marcas horizontais, de até 5 mm de espessura e internamente é amarelo-claro. As folhas são bipinadas, formada por um conjunto de 8 a 9 pares de pinas, que se estendem em hastes periféricas. Cada haste periférica, conta com 11-13 pares de folíolos de 10-12 mm de comprimento cada. As flores são pequenas, de coloração amarela, reunidas em cachos cônicos. Os frutos são do tipo vagem seca, lenhosa, lisa medindo entre 7 a 12 cm de comprimento e até 3 cm de largura. Cada fruto contém entre 1 e 5 sementes de cor clara, comprida e formato arredondado a oval.
       Botanicamente, a espécie Poincianella pluviosa (DC.) L.P.Queiroz tem como sinônimo Caesalpinia pluviosa DC. Também apresenta diversas subespécies/variedades: Poincianella pluviosa (DC.) L.P.Queiroz var. pluviosa; P. pluviosa var. cabralina (G.P.Lewis) L.P.Queiroz; P. pluviosa var. intermedia (G.P.Lewis) L.P.Queiroz; P. pluviosa var. paraensis (Ducke) L.P.Queiroz; P. pluviosa var. sanfranciscana (G.P.Lewis) L.P.Queiroz e P. pluviosa var. peltophoroides (Benth.) L.P.Queiroz, sendo esta última, objeto desta publicação.
Detalhe da inflorescência. Foto: J. Camillo.

Onde ocorre: A espécie é nativa mas não endêmica do Brasil, onde ocorre nos estados do PA, MT, MS, PB, PE, BA, MG, ES, RJ e PR. Ocorre em todos os biomas, exceto no Pampa.

usosespécie é bastante ornamental, as folhas sempre verdes, conferem beleza e sombra durante o ano todo. Na época da floração, a folhagem verde e a florada amarela, lembram as cores predominantes na bandeira do Brasil, que contrasta com o céu azul do auge da estação seca da região Centro-Oeste. Certamente, uma paisagem pra ser apreciada sem pressa.
      A madeira também pode ser aproveitada, pois apresenta boa durabilidade natural. Pode ser empregada na construção civil, como caibros e ripas, no fabrico de estruturas de móveis e para caixotaria em geral.
   Estudo fitoquímico recente mostra que as cascas do tronco e galhos são ricas em taninos, substancia que pode ser utilizada no desenvolvimento de fármacos e cosméticos com propriedades adstringentes, antissépticas e antioxidantes. Outros estudos relatam propriedades medicinais como: atividades antimalárica, antimicrobiana e antiinflamatória.
A árvore mais brasileira de todas! O contraste da folhagem verde, a florada amarela, com o céu azul da estação seca no Cerrado, nos lembra a bandeira do Brasil. Foto: J. Camillo.
Limitações: Na arborização urbana, um dos grandes limitadores é o porte, o que compromete sua utilização em área de calçadas e sob fiação elétrica, necessitando ser cultivada em espaços amplos como em praças, parques, jardins e outras áreas verdes.

aspectos ecológicos e agronômicos: A floração ocorre entre os meses de agosto e novembro. Os frutos amadurecem no período de julho-setembro. O cultivo deve ser realizado em condição de sol pleno com regas constantes enquanto a muda for jovem. Uma vez estabelecida, as regas só devem ser realizadas em ocasiões de secas prolongadas.
Planta com cupinzeiro na base. Foto: J. Camillo.
     Para uma boa formação do fuste o ideal é efetuar podas: a poda de condução é importante pois propicia a retirada de brotações laterais e galhos mal formados, além de permitir a arejamento e entrada de luz na copa, prevenindo problemas fitossanitários.
    Observou-se a presença de cupinzeiros na base de várias árvores desta espécie, na cidade de Sobradinho – DF, causando a deterioração do tronco e a queda das árvores, principalmente durante a estação chuvosa, resultando em prejuízos materiais, além do risco de atingir pedestres.

propagação: A propagação é feita através de sementes, obtidas de frutos colhidos diretamente das árvores, quando iniciarem a abertura espontânea. Para facilitar a remoção das sementes, pode-se deixá-los expostos ao sol até sua completa secagem.
         A germinação pode ser feita em canteiros ou em recipientes individuais, próprios para este fim, contendo substrato argilo-arenoso. A sementeira deve ficar em ambiente semisombreado, com duas irrigações diárias. A emergência ocorre entre o 10º ao 15º dia e a taxa de germinação é superior a 60% para sementes recém colhidas. As mudas ficam prontas para o plantio definitivo em 4-5 meses e o crescimento em campo é um pouco lento.
        O plantio requer covas com dimensões aproximadas de 40 x 40 cm. Na terra retirada da cova é importante misturar adubo orgânico curtido e 150 a 200 g de adubo químico NPK 10-10-10, este poderá ser reposto 3 a 4 vezes ao ano, depositando-se a quantidade mencionada, sobre a projeção da copa da planta, nunca junto ao caule, pois poderá causar queima do colo e morte da planta.
A florada exuberante e a forma da copa conferem movimento à planta, observado na forma de suaves ondulações. Foto: J. Camillo.

Referências Bibliográficas
ARVORES DO DF. Sibipiruna. Disponível no Link. 2014.
BUENO, F.G. et al. Hydrolyzable tannins from hydroalcoholic extract from Poincianella     pluviosa stem bark and its wound-healing properties: Phytochemical investigations and influence on in vitro cell physiology of human keratinocytes and dermal fibroblasts. Link. 2014.
CARVALHO, P.E. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa Florestas. Curitiba. 2004.
FLORES, Y. et al. Secondary metabolites from Caesalpinia pluviosa. Revista Boletim de Quimica,  23(1), 2006.
FRANCO, M. Meu Cantinho Verde. Sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides). Disponível em Link. 2014.
KAYANO, A.C. et al. In vitro and in vivo assessment of the anti-malarial activity of Caesalpinia pluviosa. Malaria journal, 10(112), 1-11, 2011.
LEWIS, G.P. Poincianella in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Acesso em: 12 Nov. 2014. Disponível em: Link.
LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Editora Planatarum. Nova Odessa. 1992.

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