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O fruto de maracujá-doce tem tamanho bem maior que o maracujá comum, são mais pesados e tem casca grossa. As flores desta espécie são um espetáculo a parte, por isso, o maracujá-doce também é muito usado como planta ornamental, especialmente, no Sul e Sudeste do Brasil. Também é chamado de maracujá-açu, maracujá-melão ou maracujá-amarelo.

Flor de maracujá-doce (Passiflora alata). Foto: Mauricio Mercadante.
Descrição botânica: Família botânica Passifloraceae, planta herbácea, semi-perene, de crescimento robusto e gavinhas bem desenvolvidas; caule angulado e com estipulas linear-lanceoladas de 1-1,5 cm de comprimento. Folhas simples, lisas um pouco resistentes, medindo entre 7 e 15 cm de comprimento, com pecíolo de 2 a 4,5 cm de comprimento. Flores solitárias, axilares, muito perfumadas, com 10 a 12 cm de diâmetro e coloração avermelhada. Frutos ovalados, com casca lisa, espessa, de cor amarelada, polpa suculenta, aromática e muito doce.


Onde ocorre: Planta nativa do brasil, encontrada nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Usos: Os frutos de polpa doce são ideais para o consumo in natura. Durante a safra, que vai de dezembro a maio, com pequenas variações regionais, são comercializados em supermercados e feiras livres. A planta é cultivada também como planta ornamental, devido, especialmente, à beleza de sua folhagem e florada perfumada. É ideal para cultivo em caramanchões e cercas-vivas. As folhas também possuem propriedades medicinais, sendo cultivada para uso medicinal, uma vez que é fonte de passiflorina, um calmante natural. As sementes podem ser usadas para a produção de óleo, rico em ácidos graxos poli-insaturados, especialmente, o ácido linoleico, e com ação antioxidante.


Aspectos agronômicos: A espécie pode ser propagada por sementes ou por estacas de ramos. É cultivada em pleno sol, próxima de cercas, muros ou em sistema de condução (espaldeira). A germinação pode ser feita em bandejas ou em canteiro e o crescimento das plantas é rápido. O solo deve ser leve e bem adubado. Quando utilizada para fins ornamentais, requer cuidados com o tutoramento e podas de manutenção e limpeza.

Bibliografia recomendada


BERNACCI, L.C. et al. Maracujá-doce: o autor, a obra e a data da publicação de Passiflora alata (Passifloraceae). Rev. Bras. Frutic., 25(2), 355-356, 2003.

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015.

Passiflora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12508>. Acesso em: 15 Abr. 2018


Assim como muitos brasileiros, tenho por hábito ir à feira nos fins de semana. Sobradinho/DF, minha cidade, tem duas feiras muito boas: a Feira da Lua nas sextas-feiras e a Feira do Padre aos domingos pela manhã. Sempre vou à várias feiras em busca de novos sabores e aromas. No último fim de semana tive a grata satisfação de experimentar o bacupari, um fruto de sabor doce, suculento e muito aromático. Então fiquei curiosa pra conhecer um pouco mais sobre este fruto, que será a nossa planta da vez: bacupari.

Descrição botânica: Planta da família Clusiaceae, árvore com 5 a 10m de altura, tronco com casca rugosa; folhas simples, pecioladas, opostas, bordos inteiros, com 6 a 15cm de comprimento; flores esbranquiçadas, pequenas, reunidas em conjunto na axila das folhas, flores masculinas e femininas em números semelhantes no mesmo conjunto; frutos com casca macia, amarelo-alaranjada, polpa suculenta e doce; sementes grandes e de cor castanha.

Onde ocorre: Espécie nativa do Brasil, de ocorrência natural em todas as regiões, especialmente na Mata Atlântica. Pode ser encontrada também em outros países tropicais da América latina.

Usos: Como alimento os frutos são consumidos in natura, na forma de sucos ou doces. As folhas possuem propriedades medicinais. Sob o ponto de vista ecológico, é uma espécie nativa importante para uso, em plantios mistos, na recuperação de áreas degradas.

Aspectos agronômicos: A planta se propaga por sementes. Não existem cultivos comerciais de bacupari, mas a espécie é frequentemente cultivada em pomares domésticos, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.


Referências

Clusiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 09 Dez. 2016.

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas do Brasil Nativas e Exóticas (de consumo in natura). São Paulo: Instituto Plantarum. 2015. P. 213.

SANTOS-SOUZA, E. et al. Caracterização anatômica e testes histoquímicos em folhas submetidas a diferentes níveis de sombreamento de Garcinia gardneriana (Planchon et Triana Zappi (Clusiaceae). 60º Congresso Nacional de Botanica. 2009. Link




Pelo nome de abacaxi-ornamental são conhecidas pelo menos três espécies de bromeliáceas: Ananas ananassoides (Baker) L.B.Sm., A. bracteatus (Lindl.) Schult. & Schult.f. e A. nanus (LB Sm.) LB Sm, que podem ser utilizados como flor de corte ou consumidos como alimento. Estas espécies são conhecidas popularmente também pelos nomes de abacaxizinho, abacaxizinho-do-cerrado, ananás-de-raposa ou abacaxi-da-campina.

Ananas ananassoides.
Descrição botânica: Família Bromeliaceae, são plantas perenes, de porte herbáceo, altura entre 0,5 a 1,2 metros, folhas de cor variando entre verde-escuro a arroxeadas e/ou variegadas. As hastes florais medem até 80cm de altura, com inflorescências solitárias, terminais medindo entre 5 a 20cm de comprimento, com coloração rosada, em diferentes tonalidades. O fruto é muito semelhante ao abacaxi comercial, porém, em tamanho reduzido; a coloração varia entre verde, rosado e amarelado, conforme avança a maturação, com pequenas variações de acordo com as diferentes espécies.


Onde ocorre: Plantas nativas da flora do Brasil, rústicas e muito bem adaptadas, podem ser cultivadas em quase todos os estados do País. Ocorrem naturalmente em regiões de clima mais elevado, a exemplo do Centro-Oeste, do Nordeste e partes do Norte e Sudeste.

Ananas nanus.

Hastes de abacaxi-ornamental comercializadas como
flor de corte, Brasilia - DF.
Usos: Podem ser utilizadas como plantas de jardim, de forma isolada, em maciços puros ou combinadas com outras bromeliáceas ou forrações, ou ainda, como plantas de vaso. No entanto, o uso mais comum dos abacaxis-ornamentais é como flor de corte, utilizados na confecção de arranjos florais tropicais. As hastes, quando utilizadas como flor de corte, podem ser colhidas ainda na fase de botão, ou mesmo após a formação do fruto. A durabilidade do arranjo pode chegar a 40 dias.

Os frutos são muito saborosos e podem ser consumidos como alimento. O sabor é muito semelhante ao do abacaxi comercial e podem ser consumidos in natura, embora sejam um pouco ácidos, preparados na forma de geleias, doces, compotas, licores ou cozidos como ingrediente em pratos doces ou salgados.



Aspectos agronômicos: As espécies, em particular o Ananas ananassoides, são ocasionalmente cultivadas para flor de corte, sendo muito comum também, a sua exploração por meio do extrativismo em populações naturais. A multiplicação é relativamente fácil, feita por meio de mudas que surgem ao redor da planta e nas coroas dos frutos após o florescimento. O cultivo pode ser feito em condição de pleno sol ou à meia-sombra. Não toleram temperaturas baixas, ideal é entre 20 a 30°C. Pouco exigentes em fertilidade de solo e não toleram encharcamento. São plantas rústica e de fácil cultivo, demandando poucos cuidados para sua manutenção. Os tratos culturais aplicados ao cultivo comercial, a exemplo da adubação, floração artificial e colheita, podem ser adaptados do abacaxi comercial (Ananas comosus), dada a similaridade de cultivo entre todas as espécies.

Arranjo floral confeccionado com hastes de abacaxi-ornamental.

Referências bibliográficas

LORENZI, H. et al. Frutas no Brasil: nativas e exóticas de consumo in natura. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015.

REFLORA. Flora do Brasil 2020. Disponível em: www.jbrj.gov.br/floradobrasil. 2016.




 
 
          Uma das coisas que mais gosto é escrever sobre temas que lembram minha infância, e o hibisco é uma delas. É uma flor linda e me encanto até hoje cada vez que descubro um hibisco diferente. Tenho coleção de fotos de hibiscos de todas as partes do Brasil e preparei uma pequena amostra para quem, como eu, também admira essa planta maravilhosa.
          A espécie é cultivada no mundo todo e recebe dezenas de nomes diferentes: china-rose, china-rose-plant, dasani, gudhal, gurhal, jaba, joba, mandaar, sadaphool, senicikobia, japaphool, japa, japakusam, jasum, jasunt, jaswand, jia pushpa, kante, mandasa, sambathoo chedi, senitoa yaloyalo. No Brasil é conhecida pelos nomes de mimo-chinês, rosa-da-china, brinco-de-princesa, mimo-de-vênus, papoula-hibisco ou graxa-de-estudante. O hibisco é a flor símbolo do Havaí e é considerada a flor nacional da Malásia desde 1960.

Descrição da planta: Da família botânica Malvaceae, porte variando entre 2 a 4 metros de altura, crescimento ereto e bastante ramificada; as folhas são simples, alternadas, pecioladas, de coloração verde-escuro, formato ovalado, margens dentadas, base acuminada e tamanho variando entre 4 a 9 cm de comprimento. As flores são solitárias, saindo das axilas das folhas na porção terminal dos galhos, com pedúnculo de 1 a 5cm de comprimento; cada flor simples contém cinco pétalas de formato ovalado e margem lisa ou irregular (conferindo um aspecto rendo às flores); em geral, o miolo das flores possui colorações distintas: o fundo é geralmente vermelho ou bordô e contornado, em algumas variedades, por outro alo esbranquiçado; do centro da flor emerge uma longa coluna com numerosos estames concentrados na porção terminal, a maioria estéril, especialmente nas variedades hibridas. É possível encontrar plantas com flores simples ou dobradas.

Onde ocorre: A espécie é nativa do sudoeste asiático onde ocorre de forma espontânea na vegetação da região. É uma das plantas ornamentais mais cultivadas por todo o mundo, especialmente nos países de clima tropical e subtropical, a exemplo do Brasil. Alguns relatos dão conta que a espécie foi trazida para o Brasil por escravos africanos, ainda no século XVII.

Usos: Como planta ornamental pode ser cultivada em jardins na formação de cerca-viva, renques, composições com outras espécies, planta isolada ou como planta de vaso. Também é bastante utilizada para a confecção de bonsai. Produz grande quantidade de flores o ano todo, atraindo diversos polinizadores ao jardim. As folhas podem ser fonte para obtenção de corante, cascas e ramos podem fornecer fibra para a confecção de artesanato.

As flores do hibisco são comestíveis, com sabor levemente ácido, são muito versáteis na cozinha e podem ser utilizadas na composição de saladas e guarnições, além de ser uma excelente opção na decoração de pratos variados. As folhas jovens também podem ser consumidas refogadas ou na forma de salada. As flores podem ser utilizadas na produção de geleia, chutney, patês e cremes doces ou salgados.

Folhas jovens e flores também são a matéria-prima do chá de hibisco, apreciado no mundo todo. O chá é rico em flavonoides de ação antioxidante, além de conter diversos tipos de fitosteróis, que são aliados no controle do colesterol. No entanto, estudos demonstraram que o chá possui ação contraceptiva e abortiva, não devendo, portanto, ser ingerido em grande quantidade por gestantes ou mulheres que desejam engravidar. 
Outras espécies do gênero Hibiscus são cultivadas no Brasil e fazem parte da história e cultura gastronômica do Brasil, a exemplo do Hibiscus sabdariffa e H. acetosella, ambas conhecidas como vinagreira e que já foram assunto aqui neste blog (Link).

Aspectos agronômicos: A propagação do hibisco se dá por via vegetativa, por meio de estaquia de ramos herbáceos, alporquia ou mergulhia. As mudas também podem ser adquiridas em viveiristas especializados. O plantio das mudas é feito em covas, com solo adubado, rico em matéria orgânica, leve e bem drenado. As regas devem ser frequentes até o completo estabelecimento da muda, posteriormente, poderão ser mais espaçadas ou até dispensadas, naquelas regiões onde a chuva é bem distribuída ao longo do ano. A espécie, embora seja cultivada em regiões frias, prefere climas mais quentes e não tolera geadas fortes.

Para o cultivo, estão disponíveis no mercado brasileiro diversos híbridos e variedades com diferentes tamanhos, cores e formato de flores, podendo sem de flores simples ou dobradas. A espécie adapta-se muito bem aos diversos tipos de clima e solo brasileiros e demanda poucos cuidados para sua manutenção como planta ornamental. No entanto, como todo arbusto de jardim, recomenda-se efetuar podas periódicas para estimular a brotação, eliminar ramos mortos ou doentes e, se desejado, manter a planta com um formato específico.
 

 
Referências bibliográficas

ESTEVES, G.L. et al. Sinopse de Hibiscus L. (Malvoideae, Malvaceae) do Estado de São Paulo, Brasil: espécies nativas e cultivadas ornamentais. Hoehnea, 41(4), 529-539, 2014.
KUMAR, A.; SINGH, A. Review on Hibiscus rosa-sinensis. International Journal of Research in Pharmaceutical and Biomedical Sciences, 3(2), 534-538, 2012.
LIM, T.K. Edible medicinal and non-medicinal plants - Flowers. Vol. 8 Springerlink. 2014.
ROSS, I.A. Hibiscus rosa-sinensis. In: Medicinal Plants of the World. Humana Press, 2003. p. 253-266.

Quando lhe disserem que alguém ou alguma coisa é “bonita feito flor de jambo” pode acreditar, por que é bonita mesmo! A flor e os frutos do jambeiro só podem ser vistos quando se observa o interior da planta. Mas a visão é um espetáculo da natureza. No período da floração, as flores caem formando um tapete rosa na base da planta, convidando a todos que passam por perto, para conferir a beleza da florada.
O jambo ou jambo-da-índia, como a planta é conhecida no Brasil, é também chamado em inglês de moutain-apple, malay-apple, malay-rose-apple, malacca-apple ou pomerac. Em espanhol e conhecido pelos nomes de pomagás ou pomalaca. No Brasil, esta espécie também é chamada de jambo-vermelho, pois existem outras espécies do mesmo gênero (Syzygium) que produzem frutos de cores diferentes (amarelo-claro e roxo) e também são conhecidas popularmente como jambo.
 
Bonita feito flor de jambo. 
Descrição botânica: Pertence à família Myrtaceae. Árvore perene, de copa densa e formato piramidal, medindo entre 7 a 13 metros de altura (eventualmente até 20m); as folhas são simples, com pecíolos curtos, de cor verde-escuro brilhante e textura lisa na parte superior, medindo entre 15 a 30cm de comprimento; as flores são compostas por numerosos estames de cor rosa-magenta, reunidas em uma estrutura denominada cimeira, curta, diretamente sobre os ramos, na porção interna da planta; os frutos tem o formato piriforme, textura lisa, coloração vermelho brilhante (quando maduros) e polpa branca com sabor levemente ácido. Em geral, a floração ocorre entre agosto e fevereiro e a frutificação (colheita) nos meses de janeiro a maio. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, pode ocorrer mais de um período de frutificação anual.

Jambeiro ornamental, Sobradinho-DF.
Onde ocorre: O jambo é nativo, provavelmente, da Papua Nova Guiné e Austrália, mas ocorre naturalmente na Malásia e demais países do sudoeste do Pacífico. A espécie foi trazida para o Brasil onde adaptou-se muito bem e, atualmente, pode ser encontrada com facilidade em todas as Regiões do País, sobretudo, em climas mais quentes. O jambeiro não é tolerante ao frio.

Usos: No Brasil a planta é mais utilizada com finalidade ornamental, na arborização urbana, em parques e jardins. A copa piramidal e a beleza da folhagem, por si só, formam um conjunto bastante ornamental e conferem sombra, leveza e beleza ao jardim. Apesar das flores serem belíssimas para decoração, tem durabilidade muito curta.
A espécie também é cultivada para produção de frutos, que são comestíveis e bastante versáteis para uso culinário. Quando bem maduros, podem ser consumidos in natura, quando maduros “de vez” podem ser utilizados para a produção de doces em calda (fruto inteiro ou fatiado) e passa (fruto desidratado). A utilização culinária dos frutos vai até onde alcança a criatividade do cheff: mousses, cremes, flans, coquetéis, saladas salgadas, salada de frutas, bolos, recheios, decoração de pratos diversos, entre outros. As flores também podem ser utilizadas no preparo de saladas, mousses e na decoração de pratos.
Doce de jambo em calda: a cor vermelha é natural, sem adição de
corante.
Frutos e folhas possuem propriedades antioxidantes e são ricos em óleos essenciais que podem ser utilizados como fonte de aromas para alimentos e cosméticos; os frutos podem ser fonte de corante para uso alimentar e possuem, ainda, outras propriedades medicinais: antiespasmódica, antiviral, antimicrobiana, anti-inflamatória e moluscicida.
           
O jambeiro em plena época de frutificação, Universidade de Brasilia - DF.
Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes ou por meio de estacas de ramos herbáceos. A planta prefere climas mais quentes, solo leve e bem drenado. Não existem cultivos comerciais em larga escala no Brasil, mas alguns estudos mencionam que a espécie pode ser cultivada em espaçamento de 5x5 metros. A colheita inicia-se aproximadamente aos 5 anos após o plantio.
            Alguns autores citam que o jambo não exige grandes cuidados para seu cultivo. Porém, é bom ressaltar que se o objetivo é a produção de frutos, o jambeiro necessita sim de adubação equilibrada, bem como, solo rico em matéria orgânica, regas frequentes, cuidados fitossanitários (mosca-das-frutas) e todos os tratos culturais aplicados às espécies frutíferas convencionais.
Formação inicial dos frutos: inicialmente tem coloração verde-clara e depois passam ao vermelho-brilhante conforme avança a maturação.

Referências bibliográficas
ALMEIDA, E.J. et al. Propagação de jambeiro Vermelho (Syzygium malaccense L.) por estaquia de ramos herbáceos. Bioscience Journal, 24(1), 39-45, 2008.
MELO, R.R. et al. Características farmacobotânicas, químicas e biológicas de Syzygium malaccense (l.) Merr. & l. M. Perry. Revis Brasileira de Farmacognosia, 90(4), 298-302, 2009.
KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. São Paulo: Ed. Plantarum. 2014.
TUIWAWA, S.H. et al. The genus Syzygium (Myrtaceae) in Vanuatu. Blumea-Biodiversity, Evolution and Biogeography of Plants, 58(1), 53-67, 2013.

Descrição botânica: Da família Rubiaceae, a planta tem porte arbóreo, medindo entre 6 a 25 m de altura; tronco ereto, cascas finas de cor cinza-claro; copa formada por numerosos ramos curtos, densa quando em folhação e de formato piramidal; as folhas são simples, com nervuras bem marcadas, medindo entre 8 e 30 cm de comprimento, textura lisa e cor verde brilhante; as flores são pequenas, de cor amarelo-claro e cinco pétalas; os frutos são arredondados inicialmente tem casca lisa e cor cinza, passando a enrugada e marrom, conforme avança a maturação; o interior dos frutos contém uma polpa carnosa, bastante aromática e com numerosas sementes.
 
Aspectos gerais do jenipapeiro. A) Botões florais; B) Flor; C) Folhagem densa; D) Ramos com frutos. 
Onde ocorre: A planta é nativa do Brasil, mas não endêmica, sendo encontrada em outros países de América Latina, Ásia e África. No Brasil, ocorre naturalmente em quase todos os Estados da Federação, exceto no Rio Grande do Sul.

Fruto maduro com casca enrugada e cortado ao
meio, mostrando a polpa carnosa e as sementes.
Usos: Alimentício, ornamental, medicinal, aromático, tintorial e madeireiro. Como alimento, o fruto pode ser consumido in natura, na forma de compota, sorvete, cristalizado, suco, licor ou vinho. A polpa verde apresenta coloração azulada e pode ser utilizada como corante. Na medicina tradicional, os frutos são utilizados no preparo de xaropes caseiros contra tosse e resfriado. Na indústria química, os frutos são fonte de aroma para a cosmética e perfumaria.
            O jenipapeiro é bastante ornamental, principalmente pelo formato piramidal da copa e a densa folhagem que produz durante a primavera/verão. Deve ser cultivado em áreas abertas e longe de fontes de água e piscinas, uma vez que perde as folhas durante a época seca. Algumas plantas apresentam altura superior a 20 metros e sistema radicular vigoroso, não sendo recomendado seu plantio em áreas próximas de fiação elétrica ou em áreas calçadas.
            A planta apresenta características ecológicas que a torna um elemento potencial na recomposição de áreas degradadas ou brejosas, na biorremediação de áreas contaminadas por mineração e em sistemas agroflorestais. A madeira é compacta, flexível e fácil de trabalhar, própria para uso em marcenaria ou na construção civil.
            No Distrito Federal existem mercados especializados na venda de frutas nativas onde é possível comprar jenipapo. Mas em geral, não é fácil encontrar jenipapo à venda em supermercados, o mais comum é comprá-los nas feiras, direto do produtor ou, quando possível, colher direto da árvore e sem custo, na avenida mais próxima da sua casa. Os frutos quando maduros, deterioram-se rapidamente, sendo assim, para aumentar o tempo de conservação devem ser mantidos me geladeira (10°C).
 
Jenipapo maduro vendido no Mercado Ver-o-peso em Belém/PA e embalado individualmente vendido em supermercado no Distrito Federal.
Aspectos agronômicos: A propagação é feita através de sementes, em sementeiras ou em tubetes, contendo substrato composto por terra preta (terra de mato) e esterco bovino curtido, na proporção de 1:1. Também pode ser utilizado substrato comercial próprio para a produção de mudas. As sementes tem curta longevidade, podendo ser armazenadas por no máximo 60 dias. A planta suporta clima frio, inclusive geadas leves. Deve ser plantada em locais amplos, preferencialmente à pleno sol. As covas precisam ser profundas (50x50x50 cm), para permitir o bom desenvolvimento do sistema radicular. As regas devem ser constantes até o estabelecimento completo da muda, posteriormente, a planta não exige muitos cuidados para sua manutenção.
 
Jenipapo cultivado na arborização urbana das avenidas de Sobradinho - DF.
Curiosidades: Aqui em casa, gosto de preparar o jenipapo refogado com uma crosta de açúcar e canela. Depois do cozido, coloco as fatias do fruto e a calda que se formou durante o cozimento, em um frasco de vidro limpo e esterilizado e deixo curtir por uns quatro ou cinco dias. Após isso, o sabor fica mais suave e então o doce pode ser consumido puro, com sorvete de creme ou com outras receitas tradicionais.
            O aroma e sabor marcante do jenipapo pode causar estranheza na primeira vez que se experimenta. É o típico sabor que não tem comparação: é sabor de jenipapo e pronto. O importante é deixar de ser conservador e provar novos sabores. Preparado do jeito certo e por alguém que entende do assunto, uma vez provado, com certeza estará aprovado!
 
Jenipapo caramelizado com açúcar e canela. Uma delicia!
Referências Bibliográficas
ANDRADE, S.A.C. et al. Desidratação osmótica do jenipapo (Genipa americana L.). Ciência e Tecnologia de Alimentos, 23(2), 276-281, 2003.
COSTA, M.C. et al. Substratos para produção de mudas de jenipapo (Genipa americana L.). Pesquisa Agropecuária Tropical (Agricultural Research in the Tropics), 35(1), 19-24, 2007.

ZAPPI, D. Genipa in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 04 Out. 2015.

Fotos: J. Camillo.

A florada dos ipês marca a despedida do inverno e indica que a primavera vem com tudo. Nestas semanas podemos observar a cada dia um colorido diferente nas ruas, praças e avenidas de muitas cidades do Brasil: são os ipês e sua beleza ímpar. Esta semana A Planta da Vez é o Ipê-amarelo.
            Pelo nome “Ipê-amarelo” são conhecidas, pelo Brasil a fora, muitas espécies de plantas com flores amarelas. Neste espaço iremos tratar rapidamente de três delas: Handroanthus ochraceus (Cham.) Mattos, Handroanthus serratifolius (A.H.Gentry) S.Grose. e Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook. f.ex S.Moore. Essas espécies também são conhecidas pelos nomes populares de caraíba, paratudo, pau-d’arco, pau-d’arco-amarelo ou ipê-cascudo, em alusão à espessura da casca do tronco de algumas plantas.
 
Flores do Ipê-amarelo (Handroanthus ochraceus).
Descrição botânica: Plantas da família Bignoniaceae, árvores com altura variando entre 5 a mais de 20 metros; copa com formato assimétrico; cascas de coloração cinza; folhas compostas, com 5 a 7 folíolos, com pilosidade superficial (mais ou menos densa conforme a espécie); as flores são grandes, amarelas, campanuladas, concentradas em cachos ao final do ramos, possuem estrias avermelhadas na parte interna, podendo ser bem marcadas ou mais discretas, conforme a espécie; os frutos são bagas alongadas (vagem), cobertas por pelos (mais ou menos densos), contendo numerosas sementes aladas em seu interior. As espécies H. ochraceus e T. aurea apresentam grande número de ramos curtos e tortuosos, a casca do tronco é fendilhada longitudinalmente e bastante espessa.
 
Detalhes da planta e do tronco do Handroanthus ochraceus, também chamado de ipê-cascudo pela espessura das cascas do tronco e ramos.
Onde ocorrem: De forma espontânea em quase todas as regiões do Brasil, com exceção das regiões mais frias do Sul do País. H. ochraceus e T. aurea são os ipês mais comuns que ocorrem no bioma Cerrado. As espécies podem ser encontradas com maior frequência em ambiente seco, mas podem ocorrer também em áreas mais úmidas.
 
Árvore e cacho de flores de Handroanthus serratifolius.
Usos: A beleza e imponência da florada conferem a estas espécies um enorme potencial ornamental, no paisagismo de ruas, avenidas, praças e jardins em geral. T. aurea, pelo seu porte reduzido pode ser cultivada em pequenos espaços e ruas mais estreitas. Não se recomenda o plantio dos ipês próximo a residências ou em áreas calçadas, pois seu sistema radicular pode danificar o calçamento e a rede de esgoto. Por serem árvores caducifólias (perdem as folhas em uma época do ano), seu cultivo próximo à piscinas, fontes ou telhados, pode causar o entupimento de calhas e danificar sistemas de filtragem.
            Na medicina tradicional, as cascas do tronco são utilizadas como anti-inflamatório, cicatrizante, analgésico e no tratamento de gripes e resfriados, principalmente a espécie Tabebuia aurea, cujo nome comum Paratudo, está ligado ao uso medicinal que se faz da planta.

Flores de cor amarelo-ouro da Tabebuia aurea (ipê-amarelo do Pantanal).
Informações agronômicas: A floração destas espécies ocorre nos meses de julho a novembro, com maior intensidade entre agosto e setembro. A colheita de sementes para a produção de mudas, pode ser iniciada a partir do mês de setembro. A germinação é feita em canteiros ou embalagens individuais, em substrato organo-arenoso, sob tela de proteção com 50% de sombreamento nos primeiros 20 dias. A propagação por estaquia, embora menos utilizada, também podem ser feita, em especial para H. serratifolius. As mudas estarão prontas para o plantio definitivo por volta de cinco a seis meses.
            O cultivo deve ser feito em pleno sol, em solo fértil e bem drenado para um melhor estabelecimento das mudas. As regas devem ser constantes, porém uma vez estabelecida, as plantas são resistentes à seca - aspecto bastante importante em época de crise hídrica - e não exigem muitos cuidados para sua manutenção.

Curiosidades: A espécie Tabebuia aurea é um dos símbolo do Pantanal, onde forma maciços denominados “paratudais”, caracterizados pela floração amarelo-ouro intensa nos meses de agosto e setembro. A presença dessa espécie é indicativo de solo fértil. Ecologicamente, cumpre um papel importantíssimo na cadeia alimentar de muitas aves do Pantanal, como periquitos e papagaios.
           
O velho ipê parecia mais um guardião que ali permanecia desde os tempos de vovó criança, alegrando as novas gerações com sua imponência e beleza. Toda primavera tingia-se de amarelo, exibindo suas abundantes flores amarelas. O João-de-Barro, ah este parecia ser o dono daquela árvore, edificou sua moradia de alvenaria no mais alto tronco e de lá era o sentinela efetivo. Eu perdia até a noção do tempo ali junto ao Ipê brincando na relva.
                                                    Adaptado da crônica “Tronco do Ipê” de Adauto Neves (Link)
 
O endereço do João-de-Barro.
Referências bibliográficas
BRANDÃO, H.L.M.; SAMPAIO, P.T.B. Propagação por estaquia de pau-darco-amarelo (Tabebuia serratifolia Nichols). Manaus: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 2003.
BRANDÃO, M.; LACA-BUENDÍA, J.P.; MACEDO, J.F. Árvores nativas e exóticas do estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: EPAMIG, 2002.
CARVALHO, P.E.R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Vol. 4. Brasília – DF: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo – PR: Embrapa Floresta, 2010.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. Árvores do Brasil Central: espécies da região geoeconomica de Brasilia. Vol. 1. Rio de Janeiro, 2002.
LOHMANN, L.G. Bignoniaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 22 Ago. 2015
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Vol. 1. 5 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.



Nas minhas andanças por ai sempre encontro plantas curiosas, esta semana foi a vez da conta-de-lágrima. Também conhecida como conta-milagrosa, cordão-de-nossa-senhora, lágrima-de-nossa-senhora, milho-de-conta, são-josé, entre outros. Algumas comunidades indígenas conhecem como tsiku e na língua Guarani é chamada de ka’api’i’ia. Em inglês é conhecida como Job’s tears. O nome da planta está ligado a tradição de usar suas sementes na confecção de rosários ou terços religiosos. Esta planta é um primo distante do milho comercial (Zea mays L.) e embora pertençam à mesma família botânica (Poaceae, subfamília Panicoideae), são gêneros bastante distintos.

Conta-de-lágrima. Foto: J. Camillo.
Descrição botânica: Planta herbácea, perene, com folhas de formato alongado e margens onduladas. A inflorescência é do tipo panícula, com espiguetas axilares. Possui numerosas flores masculinas na extremidade apical da espiga e solitárias flores femininas na base. Os frutos são do tipo cariopse, de formato ovalado, coloração branco-acizentado-azulado, perolado e brilhantes.

Onde ocorre: A espécie é nativa do sudeste asiático, mas encontra-se dispersa pelas várias regiões do mundo. Cresce tanto em solo seco, como em áreas alagadas. No Brasil adaptou-se muito bem às condições climáticas e pode ser encontrada em todas as regiões do País, sempre associada à presença humana (áreas antropizadas). Em muitas regiões é considera como infestante.

Usos: Suas sementes são utilizadas na confecção de artesanatos como terços, pulseiras,
Sementes maduras utilizadas no artesanato. Foto: J. Camillo.
braceletes, cortinas, molduras, colares, esteiras e até instrumentos musicais
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odem também ser consumidas como alimento, na forma de farinha no preparo de pães, biscoitos e mingaus ou ainda aproveitando-se a fécula na indústria cervejeira. A farinha possui alto valor nutritivo (proteína e lipídeos), sendo própria para a alimentação de convalescentes. O chá das folhas é empregado na medicina popular como diurético e no combate a infecções urinárias. No entanto, é bom salientar que seu potencial na cura de doenças ainda não foi completamente elucidado. A planta pode ser cultivada como ornamental, possuindo ainda potencial para uso na biorremediação e como forrageira na alimentação animal.
 
Flores masculinas e femininas. Foto: J. Camillo.
Aspectos agronômicos: Não é cultivada em escala no Brasil, sendo restrita a quintais e áreas de ocorrência espontânea. A propagação pode ser feita por sementes, preferencialmente nos meses de Setembro e Outubro. No Sul do Brasil a frutificação ocorre em Outubro, mas em regiões mais quentes pode ocorrer quase o ano todo. É uma espécie resistente a altitude, por isso é cultivada na Ásia em regiões altas, onde o milho e o arroz não se desenvolvem bem. Naquele continente, apresenta grande variedade de tipos cultivados, com diferentes formatos, cores e tamanhos de grãos.
 
Nesta condição no Distrito Federal, a planta apresenta brotações novas e floração
quase o ano todo. Pode-se observar flores e sementes com diferentes graus
de maturação na mesma planta. Foto: J. Camillo.
Referências bibliográficas
ARORA, R.K. Job’s-tears (coix lacryma-jobi)—a minor food and fodder crop of northeastern India. Economic Botany, 31(3), 358-366, 1977.
CARNIELLO, M.A. et al. Quintais urbanos de Mirassol D’Oeste-MT, Brasil: uma abordagem etnobotânica. Acta Amazônica40(3), 451-470, 2010.
COUTO, M.E. Coleção de plantas medicinais aromáticas e condimentares. --Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2006. 91p. Documentos, 157.
FILGUEIRAS, T.S. Coix in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 21 Jun. 2015.
FLORA SBS. Coix lacryma-jobi – capim rosário. Disponível em: Link. 2015.
MOUTAIN ROUSE HERBS. Job’s tears. Disponível em: Link. 2015.
RODRIGUES, L.A. et al. Espécies vegetais nativas usadas pela população local em Luminárias, MG. Boletim Agropecuário52, 1-34, 2002.


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