Mureré [Limnocharis flava (L.) Buchenau]

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O mureré ou golfe é uma planta aquática nativa do Brasil, mas que pouca gente aqui conhece. Ela pode ser utilizada tanto na alimentação como no paisagismo. Tem folhagem ornamental e delicadas flores amarelo-claras. Em inglês é conhecida como yellow bur-head, yellow velvetleaf e em espanhol lírio amarillo.

Descrição botânica: Planta da família Alismataceae, erva rizomatosa, emersa, com altura de até 0,6 metros; pecíolos triangulares a sextavados, com aerênquima, folhas inteiras, ovaladas e com textura levemente áspera; inflorescências terminais, em forma de escapo com uma ou várias flores, pequenas e de coloração amarelo claro.

Onde ocorre: É planta nativa do Brasil e pode ser encontrada em quase todos os Estados da Federação, mas também é cultivada em vários países tropicais do Continente Americano, Ásia e na Oceania. Na Malásia e Indonésia é considerada planta naturalizada e invasora das lavouras de arroz cultivado. É planta típica de ambientes alagados ou brejosos. No Brasil, floresce de agosto a março.


Usos: Suas flores e folhas são muito apreciadas na culinária do sudoeste asiático. Na Índia, Vietnam, Laos, Cambodja, Malásia e Indonésia, as folhas e pecíolos jovens são consumidos refogados, em sopas, molhos, pratos com curry ou como substituto do espinafre. Os botões florais jovens são consumidos frescos e cobertos por molhos apimentados, em pratos típicos regionais. Nestes países, as plantas são comercializadas ainda jovens, in natura (em pequenos maços) em feiras e supermercados. 
     No paisagismo o mureré é cultivado nas laterais ou dentro de espelhos d’água, cascatas, córregos e lagos. Em alguns locais, esta espécie é comercializada também como flor de corte. 
    Estudos mostraram que esta espécie apresenta grande potencial para uso na fitorremediação, uma vez que seu sistema de filtração consegue retirar metais pesados (a exemplo do mercúrio) da água, em áreas contaminadas pela atividade de mineração.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por meio de sementes ou, mais facilmente, por divisão de touceira, em qualquer época do ano. Prefere climas mais quentes, embora se adapte também em regiões mais frias. Deve ser cultivada associada à presença de água, em lagos ou brejos de pouca profundidade, em ambientes a pleno sol ou meia sombra. A espécie apresenta alto potencial invasivo, sendo recomendável seu cultivo em locais que permitam a contenção das plantas, a fim de evitar o alastramento para áreas não desejadas. 


Bibliografia consultada

Alismataceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 15 Mar. 2017.
Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Coordenação de Maria das Graças Lapa Wanderley, George John Shepherd, Ana Maria Giulietti. São Paulo: FAPESP: HUCITEC, 2002. 
LIM, T.K. Limnocharis flava. In Edible Medicinal and Non Medicinal Plants (pp. 232-235), 2014.
MARRUGO-NEGRETE, J. et al. Removal of mercury from gold mine effluents using Limnocharis flava in constructed wetlands. Chemosphere, 167, 188-192, 2017.

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