Arnica-do-cerrado (Lychnophora ericoides Mart.)

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Existem muitas plantas chamadas popularmente de arnica. Mas hoje vamos falar da arnica-do-cerrado ou arnica-de-goiás, uma planta medicinal muito utilizada na medicina popular do Cerrado. A arnica-do-cerrado também é conhecida como candeia ou pau-candeia, devido à conformação da planta que se assemelha aos antigos candeeiros.

Descrição botânica: Planta da família Asteraceae, com até 3 metros de altura, bastante ramificada e com as folhas concentradas na porção terminal dos ramos; folhas alongadas e finas com textura aveludada; flores em forma de capítulo, reunindo entre 20-30 flores de coloração arroxeada. Os frutos são tipo aquênios, com 2-3 cm de comprimento e contém muitas sementes pequenas.

Onde ocorre: Esta espécie só é encontrada no Brasil e em algumas áreas especificas do bioma Cerrado. Forma aglomerados de plantas em áreas montanhosas, de solo pedregoso e vegetação baixa e rala. É possível encontrar plantas desta espécie com aroma bem pronunciado e outras totalmente sem cheiro.

Aspecto das plantas de arnica-do-cerrado.
Usos: Planta medicinal e aromática. Na medicina popular a planta é utilizada, após infusão com álcool, para o tratamento de contusões, aliviar inchaço e dores nas pernas, como repelente e anti-inflamatório. O sabonete de arnica é um cosmético bastante procurado para tratar pele ressecada ou com hematomas. As plantas com cheiro podem ser utilizadas para aromatizar ambientes e na produção de aromas para as indústrias farmacêutica e de cosméticos. Devido a conformação da planta com muitos galhos e “tufos” de folhas, também podem ser utilizadas como ornamental. 

Planta de arnica rebrotando após coleta extrativista:
a grande maioria das plantas morre após uma
poda tão drástica.
Cuidados: Até o presente, a arnica-do-cerrado tem seu uso restrito à medicina popular, não existido fármacos elaborados a partir desta espécie. A maior parte do que é vendido nas farmácias e lojas de cosméticos é fabricada com a espécie europeia Arnica montana. A arnica-do-cerrado é uma espécie quase ameaçada de extinção, portanto, sua coleta na natureza sem os devidos cuidados pode elevar o nível de ameaça e levá-la, de fato, a extinção em curto prazo. Além do que, sua extração irregular poderá resultar em crime ambiental.

Aspectos agronômicos: A arnica-do-cerrado é propagada por semente, que demoram entre 30-50 dias para germinar. Em alguns casos a germinação é lenta e baixa, mas ainda é a forma mais adequada de efetuar a propagação. Para obter maior número de mudas, as sementes devem ser germinadas logo após a colheita. A coleta de mudas em áreas nativas, além de ilegal, é dificultada pela morte das plantas, que não sobrevivem aos transplantio. É uma planta de sol pleno, que requer solo de textura arenosa e pouca água para o seu cultivo.

Curiosidades: No Distrito Federal, quem utilizava o transporte coletivo há alguns anos, vai lembrar dos vendedores de arnica, que eram muito comuns dentro dos ônibus e nas paradas, comercializando pequenos maços da planta. Atualmente, esta pratica tem sido coibida e a comercialização se dá quase que exclusivamente nas feiras livres regionais.

Arnica-do-cerrado comercializada em feira livre, juntamente com outras cascas medicinais do Cerrado.

Bibliografia consultada
Lychnophora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 03 Jul. 2017.
MELO, L.Q. Estratégias para conservação e manejo sustentado de arnica Lychnophora ericoides (Mart.). 2006. Dissertação (Mestrado). Universidade de Brasília. Brasília – DF.

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