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Conhecida pelos nomes de flor-morcego ou planta-morcego, ela vem sendo popularizada no mundo todo como planta ornamental de vaso. Sua inflorescência negra é uma raridade no mundo das flores e, por isso, muito cobiçada. Apesar de suas folhas se parecerem muito com as do lírio-da-paz (Spathiphyllum spp. - Araceae), são plantas botanicamente distintas. Entretanto, o cultivo de ambas é muito parecido: sombra, luz difusa e boa umidade. O nome “flor-morcego” se deve a aparência das flores, parecidas com grandes morcegos que ocorrem no sudeste asiático, sua região de origem. Há ainda os que a chamam de bigodes-de-tigre, porque creem que suas inflorescências refletem um sinistro rosto de tigre com longos bigodes. Ou ainda, aqueles que a chamam de flor-do-diabo, pois acreditam ver a figura do “tinhoso” refletida em suas brácteas. Verdades ou lendas, sou fascinada por plantas com história!

Descrição botânica: Da família Dioscoreaceae, erva rizomatosa, com crescimento vertical até 1m de altura. Folhas grandes, com pecíolo de até 30 cm de comprimento, formato oblongo, com nervuras bem marcadas, 20 a 60 cm de comprimento, de coloração verde escura e textura lisa. As inflorescências são cimosas, com grandes brácteas de cor marrom, quase negras, e numerosas bractéolas filiformes (semelhantes a bigodes). Cada inflorescência pode conter de 15 a 20 flores igualmente negras, com base levemente esverdeada. Cada flor é composta por seis estames bem visíveis sobre o estigma floral. Após a polinização, forma-se o fruto, do tipo cápsula, que abriga muitas sementes pequenas, inicialmente de coloração marrom claro, passando a preto quando maduras. Já existe no mercado plantas desta mesma espécie com inflorescências e flores inteiramente verdes.


Onde ocorre: Espécie nativa das florestas tropicais do sudeste asiático, englobando Índia, China, Bangladesh, Laos, Camboja, Malásia, Siri Lanka, Tailândia, Vietnam e Mianmar. Nestas regiões ocorrem pelo menos 12 espécies do gênero Tacca, quase todas ameaçadas de extinção devido à fragmentação e destruição dos seus ambientes naturais.

Usos: A flor-morcego é planta de uso milenar na medicina chinesa e tailandesa, pois os rizomas são ricos em espirostanol, uma saponina com potencial para o tratamento de leucemia, além de anti-inflamatório e no trato de males do sistema digestivo. Existem muitos estudos científicos comprovando as propriedades farmacológicas desta planta, basta uma busca simples nos portais de artigos científicos para se encontrar um mundo de informações.

No paisagismo, a flor-morcego ainda é novidade por estas terras brasílicas. Atualmente seu uso mais expressivo tem sido como planta de vaso. Mas nos países de origem, a espécie é usada também em jardins e como flor de corte, que, neste caso, precisa ser cultivada em telados com pelo menos 30% de proteção solar ou, 60 a 70%, no caso de plantas envasadas. Como planta de vaso pode compor diversos espaços e vai bem mesmo em lugares com menor intensidade de luz.


Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, divisão dos rizomas ou por cultura de tecidos, no caso da produção comercial. No ambienta natural, a espécie produz grande quantidade de sementes viáveis, que germinam com facilidade. A grande vantagem da propagação por sementes para esta espécie é que os descendentes serão praticamente iguais à planta matriz, uma vez que a autopolinização é a sua principal forma de reprodução. Para fins de conservação de germoplasma, as sementes são ortodoxas e podem ser conservadas em câmaras frias por longos períodos.

Pouco se sabe sobre a produção de mudas e o cultivo na planta em condições brasileiras, mas os artigos científicos recomendam que a germinação seja feita em condição de boa luminosidade, em solo leve e úmido (60 a 70% de umidade) e temperatura entre 25 a 30◦C. As plantas em vaso podem ser cultivadas com facilidade em ambiente com luminosidade indireta e umidade constante. Tolera bem o transplantio e as mudas retiradas dos rizomas pegam com facilidade. Minha casa funciona como um laboratório e assim que tiver minhas primeiras sementes conto a vocês como foi a germinação.


Curiosidades: Os filamentos que circundam as flores, também chamados popularmente de bigodes, são, na verdade, bractéolas que ajudam na proteção das flores e na atração de moscas, que atuam como polinizadores eventuais. Considerando o alto investimento da planta em estrutura floral, até há pouco tempo os pesquisadores achavam que as flores-morcego precisavam obrigatoriamente de polinizadores para sua reprodução. Mas estudos mostraram que a maioria das sementes foi produzida por autopolinização, ou seja, não é preciso ter planta macho e fêmea para se obter sementes. Outros estudos, porém, associaram a cor e o odor das flores, imitando material orgânico em decomposição, como sendo um atrativo que facilita a polinização cruzada feita por moscas. O que estes estudos sugerem, na verdade, é que a espécie apresenta diferentes formas de reprodução que podem se adaptar mais a uma ou outra conforme os tipos de ambientes e/ou as ameaças a que as populações naturais sejam submetidas. É ou não é uma planta fantástica!!!


Bibliografia recomendada

Baruah, S. et al. Tacca chantrieri André (Taccaceae): A beautiful ornamental flora recorded as a new for India. NeBio, 6(1), 18-20, 2015.

Couto, R.S. 2020. Taccaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB232

Zhang, L. et al. Predicting mating patterns from pollination syndromes: the case of “sapromyiophily” in Tacca chantrieri (Taccaceae). American Journal of Botany, 92(3), 517-524, 2005.

Wiendi, N.M.A.; Palupi, E.R. Evaluation of horticultural traits and seed germination of Tacca chantrieri ‘André. Agriculture and Natural Resources, 51(3), 169-172, 2017.

As begônias arbustivas já foram muito cultivadas em quintais e jardins no século passado. Mas assim como acontece com a alimentação e o vestuário, as plantas ornamentais também entram e saem de moda. Por muitos anos as begônias nativas foram esquecidas e se perderam no tempo, mas hoje voltaram ao mercado e fazem a sensação dos amantes de plantas para interior. É fácil encontrar quem diga que “tinha muito delas na casa da minha avó/mãe, mas que nunca mais vi”. Muitos híbridos se mantiveram no mercado neste tempo, mas, para mim, nenhum tem a beleza das plantas originais. Então agora que elas voltaram à moda, podemos aproveitar para cultivar muitas espécies diferentes. São plantas lindas, resistentes e perfeitas para compor vasos, floreiras e aquele cantinho especial no seu jardim.

Descrição botânica: Da família Begoniaceae, plantas semi-herbáceas, medindo entre 1 a 1,5 m de altura, formando touceiras ralas que podem tomar conta de grandes espaços. Os caules são alongados, com nós e entrenós bem destacados. As folhas alongadas, pontudas e recortadas em maior ou menor grau, de coloração verde escura com pontuações prateadas e nervuras avermelhadas bem destacadas. As inflorescências formam cachos com inúmeras flores rosadas, com aspecto ceroso perolado. Os frutos são pequenos, tipo cápsulas aladas, para facilitar a dispersão.

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, só encontrada em estado natural na Mata Atlântica dos estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo. Nas demais regiões é encontrada na condição de cultivada.

Usos: Planta de uso ornamental, cultivada no jardim em renques, maciços ou como planta isolada. Pode ser cultivada no chão, em floreiras ou vasos e, inclusive, como planta de interior, desde que em sacadas ou salas amplas com boa luminosidade. As flores são comestíveis e tem sabor levemente ácido, ideal também para enfeitar pratos de saladas ou sobremesas.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por estaca de galhos ou pela divisão das touceiras, e deve ser feita logo após a floração. As estacas devem ser enraizadas em ambiente quente e úmido, o que favorece a sobrevivência das mudas. Esta espécie pode ser cultivada em pleno sol ou meia-sombra, em solo rico em matéria orgânica e sempre com água em abundância. Não tolera seca. Em locais com estação fria bem definida, a floração é mais intensa durante o verão. Já onde a temperatura é elevada, a floração pode ser constante o ano todo.


Curiosidade: Se o leitor tiver a curiosidade de pesquisar pelo nome científico desta espécie, vai ver que existe pouquíssima literatura científica sobre ela. Ou seja, existe uma espécie nativa ornamental de alta relevância econômica, alta demanda de mercado e que praticamente nada se conhece sobre ela. Então de onde vem as mudas que abastecem o mercado atual? DE onde vem os híbridos e plantas selecionadas? Possivelmente tenham se originado de mudas retiradas da natureza e multiplicadas nos viveiros pelo Brasil a fora ou, até mesmo, por empresas internacionais, até chegar aos tipos de plantas cultivadas que temos hoje. Para que uma espécie chegue ao mercado com segurança, é fundamental que se rastreie todas as etapas produtivas, desde a coleta das mudas na natureza, a multiplicação e todo o processo de melhoramento. Isso favorece não apenas o desenvolvimento de novas variedades, mas também a conservação da espécie no seu ambiente natural. Fica a dica!

Bibliografia recomendada 

Jacques, E.L.; Gregório, B.S. 2020. Begoniaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5565

As helicônias são plantas típicas das regiões tropicais do mundo, surgem em abundantes cores, formas e numerosas espécies. Apenas no Brasil, já foram identificadas 30 espécies nativas do gênero
Heliconia, além de uma grande quantidade de espécies exóticas que se adaptaram às condições climáticas do país e são cultivadas para o mercado de flor de corte. A helicônia-papagaio é uma das espécies nativas, com ocorrência natural em boa parte dos estados brasileiros, exceto o sul do País, onde só é encontrada em cultivo.

Descrição botânica: Família Heliconiaceae, erva rizomatosa formando touceiras com múltiplos caules finos e entrenós alongados. As folhas são pecioladas, com lâmina linear, de formato oblongo, elíptico ou lanceolado e base acuminada (formato pontiagudo). As inflorescências saem no final dos caules e têm forma de tirso (pequenos cachos com muitas flores reunidas), eretas, com brácteas coloridas vistosas, de coloração variando entre o alaranjado e o avermelhado. 


Onde ocorre: Heliconia psittacorum é nativa do Brasil, mas não endêmica, isto é, pode ser encontrada naturalmente em outros países tropicais da América do Sul. Planta de área de floresta quente e úmida, comum na Amazônia e nas matas de galeria do Cerrado. O epíteto psittacorum é uma referência à família dos papagaios e araras (Psittacidae), devido às cores e formatos das inflorescências, que se assemelham ao colorido das plumas desses pássaros. Daí também resulta o nome popular da espécie: helicônia -papagaio. 

Usos: Amplamente usada no paisagismo e como flor de corte, devido à grande durabilidade de suas inflorescências. No paisagismo pode ser cultivada em renques, maciços, canteiros elevados, floreiras ou acompanhando o traçado de muros ou paredes. As inflorescências cortadas são resistentes ao calor e possuem alta durabilidade, ideal para uso como flor de corte na elaboração de arranjos florais tropicais. O tamanho reduzido, quando comparada à outras espécies do gênero, a durabilidade e a leveza de suas inflorescências, tornam esta helicônia uma das mais comercializadas no mercado de flores tropicais no Brasil. A espécie também foi utilizada na produção de híbridos com inflorescências menores e cores entre o rosa-chá e o vermelho-fogo, muito apreciadas na elaboração de arranjos florais. 


Aspectos agronômicos: A helicônia-papagaio prefere clima quente e úmido, embora tolere um pouco de frio e o clima seco do Cerrado. A propagação é feita pela divisão dos rizomas, que devem se plantados sob sol pleno ou meia sombra, com rega constante. Embora tolere seca, a produção de folhas e flores é mais vigorosa quando a rega é abundante. O solo deve ser leve, bem drenado e rico em matéria orgânica (esterco de aves, de gado e/ou humus). Quando cultivada em jardim, deve-se atentar para as podas de limpeza e formação das touceiras, a fim de manter a floração e o viço das plantas o ano todo, bem como, diminuir a incidência de pragas e doenças. 


Bibliografia recomendada 

Heliconiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB7962>. 2020.

Kuhlmann, M.; Gomes-Bezerra, K.M.; Reis, P.A. Heliconia psittacorum (heliconia). In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade

As sempre-vivas ou flores secas são um patrimônio do Cerrado. Enquanto plantas vivas apresentam importante papel ecológico na conservação da vida nas veredas e campos rupestres. Na forma de plantas secas, embelezam e trazem vida aos espaços, em arranjos diferenciados, delicados e de longa durabilidade. Como não existe apenas uma espécie de sempre-viva, mas um universo de tipos e possibilidades, vou falar de forma genérica e mostrar um pouco da minha admiração por elas. 


É importante ressaltar que todo o comércio de sempre-vivas no Cerrado, e em outros biomas, é abastecido unicamente pelo extrativismo, ou seja, não existem cultivos comerciais destas espécies. Via de regra, as flores secas e outras partes vegetais usadas no artesanato, são colhidos diretamente em populações naturais e sua coleta indiscriminada, especialmente de flores, impede a formação de sementes e a perpetuação das populações naturais, o que pode levar uma espécie ao risco de extinção em curto prazo. Aliás, boa parte das sempre-vivas nativas que encontramos nas feiras e mercados regionais estão ameaçadas de extinção, algumas consideradas criticamente ameaçadas. Por isso é muito importante, sempre que possível, conhecer um pouco sobre o produto e como ele é produzido para, assim, efetuar uma compra mais consciente. 


Descrição botânica: As plantas das famílias Eriocaulaceae e Xyridaceae compreendem alguns dos gêneros mais conhecidos de sempre-vivas exploradas no Brasil. Possivelmente, os gêneros mais expressivos dentro deste universo no Cerrado seja Eriocaulon, Paepalanthus, Syngonanthus e Xyris. De modo bem genérico, estes gêneros são compostos por espécies de plantas herbáceas, perenes ou anuais (menor quantidade), caracterizadas pelo endemismo, ou seja, as plantas ocorrem em locais e climas bastante específicos, o que dificulta também o cultivo em escala comercial. 

Sabe-se que existem outras várias famílias botânicas de sempre-viva de importância como flor seca, incluindo-se aqui os capins, mas vamos resumir o assunto, porque isso daria várias teses de discussão botânica. Aliás, aqui vai uma sugestão para o pessoal da pesquisa: existe pouquíssima informação sobre o uso, principais espécies, cultivo e cadeia produtiva de flores secas no Brasil. Que tal? 


Onde ocorrem: As sempre-vivas não são exclusivas do Brasil nem do Cerrado, é possível encontrar essas plantas na Caatinga, no Pantanal, no Pampa e até nas áreas de savana da Amazônia, no Brasil e em países vizinhos. Existe uma espécie de sempre-viva que se acreditava ser endêmica do Monte Roraima e por isso foi denominada Xyris roraimae. Posteriormente, em 1996, descobriu-se que a espécie ocorre também nas áreas de Cerrado do Brasil central e, junto com Xyris paradisiaca, formam uma dupla das mais representativas do gênero e facilmente encontradas no comércio regional. 


Usos: As sempre-vivas são usadas como flor seca, ao natural ou em combinação com outras partes vegetais, compondo arranjos diferenciados. Quando se fala em “flor seca” ou flor desidratada, é importante lembrar que na composição do arranjo podem também ser usadas diversas partes vegetais, incluindo pequenos ramos, folhas secas e frutos. Algumas espécies são colhidas já desidratadas e outras precisam passar por um processo de desidratação antes de serem comercializadas. Muitas espécies são colhidas durante a época de seca no Cerrado, o que evita custos com a secagem, além de facilitar o trabalho dos artesãos. 


Embora não se tenha um estudomais completo para apoiar esta afirmação, minha experiência de campo me faz crer que o volume de flores secas (sempre-vivas) comercializado regionalmente é bastante significativo, em especial nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins. Alguns pesquisadores relatam um declínio considerável no volume comercializado nas últimas décadas, porém, também não mencionam valores, de forma a dar uma ideia mais clara da situação. Entretanto, sabe-se que o Brasil é um dos fornecedores de flores desidratadas para o mercado europeu, o que não é pouca coisa. 


Aspectos agronômicos: Praticamente nada se sabe sobre o cultivo de sempre-vivas para fins de decoração ou no paisagismo. Sabe-se que para boa parte das espécies a propagação é feita por sementes e, em alguns casos, por divisão de touceiras. O cultivo deve ser em pleno sol e a maioria prefere clima quente e seco. No estado de Minas Gerais existem algumas iniciativas de cultivo de sempre-vivas, mas ainda não é possível encontrar mudas a venda no comércio. Vale lembrar que a retirada de plantas da natureza, sem as devidas autorizações legais, é crime ambiental, além de causar prejuízos às populações nativas, pode render multa e até prisão. Vamos apreciar sem destruir. 

Curiosidades: Quem visita Brasília não pode deixar de conhecer a feirinha de flores secas da Catedral, junto à esplanada dos ministérios. São inúmeras espécies de sempre-vivas nativas e exóticas sendo comercializadas, e o colorido é de encher os olhos. É um lugar encantador e uma boa lembrança da nossa linda capital da República. As fotos que ilustram esta publicação e alguns dos meus livros, foram feitas nessa feirinha, é um dos meus lugares preferidos no coração do Brasil. Vale a visita, recomendo! 


Bibliografia recomendada 

Wanderley, M.G.L. et al. Xyris paradisiaca e X. roraimae. In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro - Região Centro-Oeste. 2018. https://www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade/category/54-agrobiodiversidade
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