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A pitanga é um símbolo de brasilidade! Suas cores, sabor e a forma peculiar do fruto fazem dela uma das frutas queridinha dos brasileiros. Embora a planta seja considerada nativa da Mata Atlântica e muito representativa das regiões Sudeste e Sul, minhas voltas por aí mostraram que ninguém faz uso tão bem da pitanga quanto o Nordeste, onde é fácil se deliciar com o frescor de um suco ou um bom sorvete da fruta madurinha. 
Para mim a pitanga tem sabor de infância, suas flores muito perfumadas atraem as abelhas e os frutos coloridos são um banquete aos pássaros. Doce ou azedinha, vermelha ou quase preta, não se dispensa uma pitanga madurinha! 

Descrição botânica: Família Myrtaceae, arbusto de 2 a 4 m de altura, muito ramificada e com copa arredondada. Folhas simples, opostas, pecioladas, de formato ovalado e coloração variando entre avermelhadas a verdes claras quando adultas. As folhas caem parcialmente em algum período do ano. As flores são pequenas, brancas e muito perfumadas, reunidas em pequenos cachos ao longo dos ramos. Os frutos são do tipo baga, arredondados com sulcos longitudinais bem marcados, inicialmente são verdes, passando a vermelhos ou quase negros quando maduros, e podem conter de 1 a 3 sementes. 


Onde ocorre: Planta nativa, não endêmica do Brasil, sendo encontrada em outras países da América Tropical. Nativa da Mata Atlântica, encontrada naturalmente desde o Rio Grande do Sul até Alagoas. Também pode ocorrer na Caatinga, no Cerrado e no Pampa. Na Amazonia é encontrada na condição de cultivada. 


Usos: A pitanga pode ser consumida in natura ou processada, na forma de polpa, usada em sucos, geleias, sorvetes, licores, iogurte ou como aromatizante de bebidas. Uma das grandes qualidades nutricionais da polpa da pitanga é seu elevado teor de vitamina A (635mg/100g), além de conter micronutrientes com o cálcio e magnésio e apresentar baixo valor calórico. 
As folhas são fonte riquíssima em óleos essenciais, usados na aromaterapia e na produção de fitocosméticos. A polpa dos frutos também é matéria prima para a elaboração de produtos cosméticos, de higiene e limpeza como cremes, xampus e condicionadores. 
A planta, por seu porte reduzido e boa adaptação aos diferentes climas, é usada no paisagismo tanto para o cultivo no jardim quanto como planta de vaso. Suporta bem podas e pode ser indicada para uso como cerca viva. 
Na natureza possui papel ecológico importante como fonte de alimentos e abrigo para a fauna nativa. Também faz parte do compêndio de remédios da medicina popular, onde as folhas são usadas para banhos e chás no combate à febre, dores em geral e como calmante. 


Aspectos agronômicos: A pitanga pode ser cultivada em todo o Brasil. É planta rústica e se adapta com facilidade aos diferentes climas no Brasil. Pode florescer várias vezes ao ano em temperaturas mais quentes, com um pico entre os meses de agosto e dezembro e outro entre fevereiro e julho. A produção de mudas é feita mais facilmente por sementes, colhidas de frutos maduros e germinadas longo em seguida. As sementes devem ser germinadas em substrato rico em adubos orgânicos (gado e aves) e o surgimento das plantas se dá após 20 a 30 dias do plantio. As mudas devem ser plantadas em seu local definitivo quando atingirem 25 cm de altura ou mais. Também é possível adquirir mudas prontas para o plantio com seu viveirista de confiança. Mudas de boa procedência são mais saudáveis e frutificam precocemente. 

Curiosidades: A pitangueira, por seu porte elegante e crescimento moderado, tem sido muito utilizada como planta de vaso, da mesma forma que a jabuticaba. Mas é importante ressaltar que seu cultivo em apartamentos ou varandas deve ser feito em local com muita luz e, se possível, com sol em algum período do dia. Em locais com pouca luz a planta perde as folhas e morre mais facilmente. O vaso deve ser de tamanho grande para que as raízes se desenvolvam de forma satisfatória e a planta permaneça bonita por mais tempo. 


Bibliografia recomendada

Bezerra, J.E.F. et al. Eugenia uniflora (pitanga). In: Coradin, L.; Camillo, J.; Pareyn, F. G. C. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Nordeste. 2018. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/189688/1/Livro-Nordeste-1-2018.pdf 

Mazine, F.F. et al. Eugenia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10560

Hoje vamos conhecer duas frutinhas deliciosas do interior do Brasil, diferentes na aparência mas muito similares no sabor: a gabiroba e a guabiroba. No sul do País vamos encontrar a guabiroba [Campomanesia xanthocarpa (Mart.) O.Berg.], árvore imponente com vistosos frutos alaranjados, de polpa suculenta e adocicada. Já no Cerrado é mais comum a gabiroba [Campomanesia adamantium (Cambess.) O.Berg.], um arbusto com frutos verde-amarelados a acinzentados, polpa aromática e muito saborosa. Independente das diferenças botânicas, ambas produzem frutos muito saborosos, verdadeiras iguarias que atraem pássaros e humanos. Uma fez parte da minha infância (guabiroba), e a outra (gabiroba), da infância dos meus filhos. 

Frutos maduros e polpa de gabiroba (C. adamantium)
Descrição botânica: Ambas pertencem à família Myrtaceae. C. xanthocarpa é uma árvore com até 15 m de altura, tronco recoberto por cascas pardacentas que se desprendem ao longo do tempo. Copa arredondada ou levemente alongada, muito ramificada; a folhagem é verde-clara e as folhas medem 3 a 7 cm de comprimento, ovaladas ou oblongas. As flores são pequenas e brancas. O fruto é uma baga amarelo-alaranjada quando madura, 2 a 3 cm de diâmetro, casca lisa e fina, polpa suculenta, doce e muito aromática, contendo numerosas sementes. 

Planta de C. xanthocarpa. Foto: Flora SBS.
C. adamantium é um arbusto ou subarbusto, medindo entre 30 cm a 2 m de altura, com caules amarelados e ásperos. A folhagem tem coloração avermelhada quando jovem, passando para verde-azulada na fase adulta; as folhas são simples, opostas, alongadas. As flores são pequenas, brancas e abundantes. Os frutos medem até 2 cm de diâmetro, globosos, com casca fina de coloração verde-amarelada quando maduros; a polpa é alaranjada, suculenta, doce e aromática, com numerosas sementes. Os frutos de ambas espécies apresentam pequenas pontuações na casca, que nada mais são do que as glândulas que contém óleo essencial, responsável pelo aroma intenso dos frutos. 

Planta de C. adamantium
Onde ocorrem: Ambas são nativas, porém, não endêmicas do Brasil. A gabiroba (C. adamantium) é típica do Cerrado das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Já a guabiroba (C. xanthocarpa) é típica da Mata Atlântica do Sul e Sudeste do País. Existe uma zona de sobreposição onde seria possível encontrar as duas espécies, que são os fragmentos de Mata Atlântica das Regiões Centro-Oeste e nos fragmentos de Cerrado a sul, que podem ser encontrados até no noroeste do estado do Paraná. 

Flor de gabiroba (C. adamantium), típica de myrtaceas.
Usos: Os frutos são muito saborosos e, quando maduros, são consumidos in natura ou usados para sucos, geleias, doces, sorvetes, licores ou para aromatizar cachaça e vinho. Os frutos são ricos em vitamina C. A gabiroba possui 234mg vitamina C/100g de polpa. As cascas e folhas possuem propriedades medicinais e, juntamente com as flores, são matéria prima para a produção de óleos essenciais, usados para aromatizar bebidas e cosméticos. A guabiroba, por seu porte arbóreo elegante, pode ser usada no paisagismo e arborização de parques urbanos. Na zona rural pode recompor ou enriquecer áreas degradas de matas nativas. 
Na primeira foto, os frutos alaranjados de guabiroba (C. xanthocarpa) e na segunda, frutos verde-amarelados
de gabiroba (C. adamantium)
Uma ótima experiência gustativa é provar o sorvete, o suco concentrado e o licor da guabiroba produzidos na Serra gaúcha e comercializados em feiras e mercados locais, além de deliciosos, trazem o sabor da infância no sul do Brasil. No Cerrado, os picolés e o sorvete de gabiroba são encontrados com relativa facilidade em sorveterias de várias cidades de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais. Minha dica é aproveitar um passeio pela bela Cidade de Goiás-GO e dar uma paradinha na praça principal, no final da tarde, para experimentar o sorvete de gabiroba da sorveteria do coreto: simplesmente perfeito! 

Sorvete de polpa de guabiroba da Serra Gaúcha
Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, retiradas de frutos maduros, após lavagem em água corrente para completa remoção da polpa. As sementes devem ser semeadas em sacos plásticos contendo substrato leve e bem drenado, em profundidade de 2 cm, com regas constantes e mantidas na sombra. A germinação pode demorar de alguns dias até semanas e pode atingir mais de 70%. Por se tratar de espécies nativas ainda pouco conhecidas e estudadas, não existem informações sobre cultivo comercial de uma ou outra espécie, de modo que tudo o que se encontra no mercado é oriundo de produção extrativista. 
Bebida fermentada de guabiroba da Serra Gaúcha (esq.) e licor de gabiroba do cerrado (dir.)
Além de escassas informações sobre produção de mudas e cultivo, um dos maiores gargalos à inserção dessas espécies no mercado é o curto período anual de frutificação e a perecibilidade dos frutos, o que obriga os produtores a colher grande quantidade de frutos de uma vez e processar no mesmo dia. Entretanto, depois de extraída a polpa, esta pode ser congelada e usada praticamente o ano todo. C. xanthocarpa floresce entre os meses de setembro e outubro, com frutos maduros durante 15 a 20 dias no mês de novembro. Já a C. adamantium floresce entre agosto a novembro, com frutos maduros de outubro a dezembro. 

Bibliografia recomendada 

LISBOA, G.N. et al. Campomanesia xanthocarpa (guabiroba). In: CORADIN, L.; SIMINSKI, A.; REIS, A. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro – Região Sul. Brasília: MMA, 2011. (Link

PORTO, A.C. et al. Campomanesia adamantium (gabiroba). In: VIEIRA, R.F.; CAMILLO, J.; CORADIN, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial : plantas para o futuro : região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018. (Link)
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