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Recentemente, em uma visita a um colecionador de plantas ornamentais, conheci esta palmeira e fiquei encantada com seu aspecto. A delicadeza da trama de fibras que envolve o caule se contrapõe à rigidez dos espinhos alongados e firmes. Minha curiosidade foi a mil e comecei a buscar informações sobre esta espécie, reunindo aqui um pouco do que encontrei. 

Onde ocorre: Palmeira nativa da América Central, endêmica da ilha de Hispaniola, na República Dominicana. No Brasil, a espécie é cultivada por alguns colecionadores. 

Descrição botânica: Família Arecaceae, medindo até 3 m de altura, com múltiplos caules de até 5 cm de diâmetro, formando touceiras. Cada indivíduo apresenta entre 9 a 12 folhas, em forma de leque. As bainhas, após a queda das folhas, ficam aderidas aos caules e vão se degradando e se dividindo formando a trama de espinhos, que é a característica principal da espécie. As inflorescências são pequenas e sem grande importância estética; os frutos são pequenos e podem ter coloração variando de esbranquiçados até alaranjados. Na região de origem a planta frutifica entre julho e agosto. 


Uso: Palmeira ornamental. Forma touceira e pode ser conduzida de forma fechada, valorizando a folhagem, ou com podas elevadas, valorizando os caules, com sua trama de fibras e espinhos que confere um visual muito bonito às plantas. Como possui muitos espinhos, não é recomendada para áreas onde há grande circulação de pessoas, em especial, crianças e também de animais domésticos. 

Aspectos agronômicos: Palmeira resistente à seca, porém, cresce melhor em áreas mais úmidas e de clima quente. O crescimento é lento, o que permite a valorização da beleza dos caules por mais tempo. Aqui no Brasil, na coleção visitada, observei que a espécie é cultivada em condição de sombra total e com rega constante. 


Curiosidades: O nome palmeira-zumbi é atribuído ao aspecto espinhoso de seus caules que, além de proteger a planta, também fornece espinhos longos e finos para uso em rituais de vodu. O site Palmpedia, traz a informação de que as populações naturais desta palmeira estão ameaçadas devido à destruição da vegetação nativa na ilha caribenha. Essa história a gente já conhece... 

Bibliografia recomendada 

Palmpedia. Link

Tropicos. Link


A roseira é a mais antiga planta ornamental que se tem notícia, tornou-se a planta favorita entre jardineiros e amadores, até dar origem ao primeiro grupo de plantas ornamentais de importância comercial no século XIX. 

Além do uso ornamental, algumas espécies, caso da rosa damascena, são matéria-prima para a extração de óleos essenciais, um dos aromas preferidos dos perfumistas e altamente valorizado no comércio mundial de óleos e aromas. Para se conseguir 25ml do óleo essencial de rosas é necessário processar mais de 10.000 inflorescências. 


Aspectos botânicos: É relativamente fácil identificar uma roseira, embora existam várias espécies e híbridos no mercado, existem algumas características comuns entre todas elas. São arbustos eretos ou escandentes (pendentes), com altura que pode variar entre 0,2 a 3 metros de altura. As espécies escandentes são muito ramificadas e possuem espinhos pequenos e numerosos. Já as plantas eretas têm menos ramos e espinhos maiores, geralmente de coloração escura e mais espaçados entre si. As folhas são compostas, pinadas e com número de folíolos entre 3 a 9, variando conforme a espécie. As flores são pedunculadas e podem ser solitárias (grandes) ou formando cachos (menor tamanho e mais numerosas) no final de ramos. As pétalas podem ser simples ou dobradas, em cores variadas, com ou sem aroma. Vamos conhecer um pouco dos tipos de plantas mais comuns: 

Plantas eretas: mais comum na espécie Rosa x grandiflora, que compreende a maioria dos híbridos comerciais de roseira. Produz flores grandes e de cores variadas, ideais para flor de corte. 


Plantas escandentes: ou também chamadas de roseiras trepadeiras, que necessitam de algum sistema de condução. Algumas espécies são bem pendentes e apresentam crescimento vigoroso, necessitando de espaldeira, muro ou cerca para apoio. Outras espécies crescem menos e podem ser cultivadas apenas com o auxílio de pequenos tutores. 


Origem: Existem inúmeras espécies de rosas, mas acredita-se que o ancestral de tudo o que conhecemos hoje seja a espécie Rosa canina L., de origem ainda controversa. Alguns botânicos relatam que as primeiras plantas foram encontradas no mediterrâneo e norte da África. Outros estudiosos incluem também o oeste asiático como região de origem. Atualmente, as rosas são cultivadas em quase todas as regiões do mundo. 


Curiosidades: Via de regra, as rosas híbridas comerciais têm um aroma muito discreto e, entre outros fatores, isso está diretamente ligado ao tempo de conservação do produto. A rosa é a unidade reprodutiva das roseiras e o aroma é o meio biológico de atração de polinizadores. Então, um dos efeitos do melhoramento genético para a produção das rosas híbridas tal qual as vemos na floricultura, foi diminuir o aroma e torná-las estéreis. Uma flor sem aroma demora mais a ser polinizada e assim aumenta a sua durabilidade. 


Aspectos agronômicos: As roseiras, em geral, preferem climas frios e com umidade equilibrada. No Brasil existem excelentes áreas para o cultivo de rosas, caso de Barbacena/MG e da Serra da Ibiapaba/CE. Mas a maior parte do País apresenta restrições, principalmente, devido às temperaturas elevadas. Existem diversas variedades de rosas no mercado e é importante conhecer um pouco de cada uma, para escolher aquela mais adaptada para a sua região. 

O cultivo é feito em pleno sol, como plantas isoladas, em renques ou próximo de muros ou cercas, a depender do tipo de planta escolhido (ereto ou escandente). As roseiras requerem solo fértil, leve e bem drenado. Como são plantas delicadas, a maioria não suporta geada forte, tão pouco altas temperaturas: a primeira causa a queima de flores e folhas (até a morte da planta) e a segunda, estimula a produção de folhas e pouca ou nenhuma floração. 


Outro cuidado importante são as podas. Além de manter a planta com formato mais bonito, a poda permite o arejamento e ajuda no controle de pragas e doenças, que se instalam sobre as folhas e ramos velhos. A poda deve ser feita anualmente, logo depois do inverno, para que propicie uma boa brotação na entrada da primavera. As rosas florescem sempre no ramo do ano, então uma boa poda aumenta a produção de flores. 

As roseiras se multiplicam facilmente por estacas de ramos, preparadas no final do inverno. As plantas escandentes são mais resistentes e fáceis de propagar em casa. Mas muitas variedades hibridas só se propagam por enxertia, que é um processo mais complexo, exigindo material de qualidade e alguma perícia no assunto. O meio mais fácil é adquirir as mudas já prontas com seu viveirista de confiança. As mudas são mais caras, mas você poderá escolher entre uma gama de possiblidades e cores que irão deixar seu jardim um luxo. 


Com relação ao local de cultivo, a exceção das mini-rosas, a maioria das roseiras prefere cultivo no chão. São plantas com sistema radicular pivotante (raiz principal profunda), que requerem espaço para crescer e o cultivo em vasos ou floreiras pode limitar a expansão das raízes e comprometer tanto o crescimento quanto a floração. 


O controle de pragas e doenças é sempre um problema e uma das queixas mais frequentes são os pulgões, que podem ser controlados com uma boa poda, limpeza manual dos ramos ou aplicação de inseticidas naturais a exemplo do óleo de nim ou ouros extratos vegetais. Quando for observada alguma doença mais grave, o ideal é remover a planta toda, incluindo folhas e restos vegetais do canteiro. Cultive outras flores no lugar, insira plantas aromáticas e forrações folhosas e só volte com o cultivo de roseiras após dois ou três ciclos de outros cultivos. Isso se chama rotação de culturas e vale tanto para a horta como para o jardim. 


Atenção: Não se recomenda a aplicação de agrotóxicos no jardim, pois pode causar intoxicações sérias, sobretudo, em crianças e nos animais domésticos. Em espaços amplos, quando for estritamente necessária, a aplicação de defensivos deve ser feita com supervisão de um Eng. Agrônomo. 


Bibliografia recomendada 

Laws, B. 50 plantas que mudaram o rumo da história. Rio de Janeiro: Sextante, 2013. (versão traduzida). 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 2008.


Embora meu objetivo seja enfatizar a flora do Brasil, sempre tem um espaço para falar também de plantas exóticas lindas e interessantes como a glicínia, uma espécie ornamental de origem japonesa e que, quando florida, encanta os nossos olhos. Em lugares mais frios, esta planta produz uma florada exuberante e de cor azul-violeta, com grandes cachos pendentes, formando um conjunto de rara beleza ornamental. No Brasil, esta planta é conhecida também como wistéria ou wistéria japonesa. 

Descrição botânica: Pertence à família botânica Fabaceae, de porte arbustivo e hábito trepador. Os ramos podem medir até 8-10m de comprimento, são flexíveis e ao longo do tempo se fundem formando ramagem grossa e tortuosa. As folhas são compostas, de coloração verde-claras e podem chegar as 30cm de comprimento; os folíolos são ovalados e com ápice acuminado. As flores são pequenas, numerosas, de coloração azul-violeta, esbranquiçada ou rosada (a depender da cultivar), dispostas em longos cachos pendentes (até 50 cm de comprimento). Os frutos são do tipo baga (vagem) que medem até 15 cm de comprimento e possuem várias sementes.


Onde ocorre: Planta nativa da Ásia, possivelmente, do Japão, e introduzida no continente americano por volta do ano de 1830 por imigrantes orientais. Planta típica de climas frios, como no sul do Brasil, onde floresce com maior intensidade durante o outono-inverno.

Usos: Planta ornamental indicada para composição de caramanchão, pergolados, cortinas verdes (cercas e grades). Além do uso ornamental, esta planta apresenta potencial medicinal, sendo bastante estudada como auxiliar na identificação e controle de fibrose hepática em humanos. As flores contem antioxidantes.


Aspectos agronômicos: Multiplica-se por sementes, estaquia e alporquia. Para um melhor resultado na propagação por estaquia, recomenda-se a utilização de hormônio enraizador na base das estacas, o que propicia melhor formação de raízes e mais percentual de plantas vivas. Embora menos comum, a propagação por mergulhia também pode ser utilizada. Assim como outras trepadeiras, necessita de um adequado sistema de condução, com reforço para suportar bem o peso da planta. Prefere clima frio, onde floresce e se desenvolve com mais intensidade.

Bibliografia recomendada


ABE, M. et al. Association between Wisteria floribunda agglutinin-positive Mac-2 binding protein and the fibrosis stage of non-alcoholic fatty liver disease. Journal of gastroenterology, 50(7), 776-784, 2015.

AZEREDO, F.G. et al. Uso de regulador vegetal no enraizamento de estacas de glicínea japonesa. Scientia Agraria Paranaensis, 14(4), 252-256, 2015.

LORENZI, H.; SOUZA, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. 4ª ed. Instituto Plantarum. 2008.

OH, W.G. et al. Antioxidative activity of extracts from Wisteria floribunda flowers. Journal of the Korean Society of Food Science and Nutrition, 37(6), 677-683, 2008.


O brinco-de-princesa ou fúcsia, tal qual a conhecemos nos jardins, é produto de cruzamento genético e seleção de plantas de origem sul-americanas. O gênero Fuchsia é considerado nativo do Brasil, uma vez que possui oito espécies nativas do nosso país e que também serviram de base genética para a produção dos híbridos comerciais. Entre as espécies nativas, destaca-se a Fuchsia regia, endêmica da Mata Atlântica.


Descrição botânica: Pertencem à família Onagraceae, são plantas escandentes (com galhos pendentes, mas que não necessitam obrigatoriamente de tutoramento), medindo entre 1 a 2 m de altura. Os ramos são abundantes, emitindo delicados botões florais nas extremidades. As folhas são verde-escuras, pequenas e opostas. As flores são igualmente pendentes, com cálice tubular nas cores branco, vermelho ou roxo; a corola também possui cores variadas: roxa, vermelha, branca ou azul, simples ou dobradas; com estames prolongados para fora das flores.


Onde ocorre: O gênero Fuchsia está distribuído por toda a zona tropical e subtropical do continente Americano. Diversas espécies ocorrem naturalmente nos biomas brasileiros e algumas são cultivadas em jardins, especialmente no sul e sudeste do Brasil. A espécie também é cultivada como ornamental em vários países da Europa. 


Usos: Planta predominantemente de uso ornamental em vasos, floreiras ou mesmo no chão do jardim. O uso em vasos e floreiras é mais recomendado devido ao aspecto pendente da planta, que resulta em maior valor ornamental das plantas. As flores são comestíveis e podem ser utilizadas como decoração em saladas e outros pratos.


Aspectos agronômicos: São plantas rusticas e muito resistentes, com boa capacidade de adaptação aos diferentes climas do Brasil, inclusive ao frio do sul do país. Devem ser cultivadas a pleno sol ou em locais com sombra parcial (pelo menos 4 horas de sol por dia), com ou sem tutoramento, dependendo do uso desejado. A propagação é feita com facilidade por estacas de ramos jovens (ponteiro ou estaca mediana) ou por sementes. As plantas devem ser cultivadas em solo rico em matéria orgânica e com regas constantes, mas sem encharcar o substrato.


Bibliografia consultada

LORENZI, H. Planta ornamentais no Brasil: arbustiva, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa: SP. Instituto Plantarum. 4ª Ed. 2008.

FALKENBERG, D. Fuchsia regia. In: CORADIN, L.; SIMINSKI, A.; REIS, A. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro – Região Sul. Brasília: MMA, 2011.

FLORA DO BRASIL. Onagraceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 02 Mai. 2017.

Esta é uma das minhas plantas ornamentais favoritas, porque, em sua simplicidade, traz um colorido muito especial ao ambiente, além de ser uma planta resistente e versátil. É conhecida popularmente como camará, cambará, camaradinha ou lantana.

O camará é um bom exemplo do aproveitamento econômico da biodiversidade brasileira. Há pouco tempo atrás, esta planta era considerada apenas uma invasora de pastos e lavouras. Atualmente, por meio de estudos de melhoramento e seleção de genótipos silvestres, chegou-se a inúmeras variedades de flores coloridas e diversos tamanhos de plantas, que são cultivados nos jardins de norte a sul do Brasil.


Descrição botânica: Família Verbenaceae, arbusto com 0,5-2m de altura, bastante ramificado e pode conter espinhos ao longo dos galhos; folhas ovaladas, borda serreada, ápice agudo e textura um pouco áspera; inflorescências no final dos ramos, composta por flores pequenas e coloridas (brancas, amarelas, rosadas, vermelhas ou cores mistas); frutos pequenos, arredondados, com coloração inicialmente verde, passando a preto quando maduros.

Onde ocorre: A planta é nativa da flora do Brasil, com ampla ocorrência em todos os estados da Federação. A espécie não é endêmica do Brasil, sendo encontrada em quase todo continente Americano e nas regiões tropicais do mundo.

Usos: Ornamental e medicinal. Como ornamental a espécie pode ser utilizada na composição de cercas-vivas, bordaduras, maciços ou renques, de acordo com a criatividade de quem está planejando o jardim. O cultivo em jardineiras também é uma boa opção, já que a planta tem potencial invasor e necessita contenção para que não se espalhe por áreas indesejadas do jardim.

Na medicina popular, o camará é utilizado como diurético, expectorante, febrífugo, antirreumático e suas raízes como anticonvulsivo. Porém, é necessária cautela no uso desta planta, pois as folhas são ricas em óleos essenciais, compostos fenólicos e triterpenoides, com predominância de flavonoides, o que lhe confere potencial tóxico. As folhas e frutos são tóxicas se ingeridas por animais e pelo homem.

Cultivo do camará em floreira.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes ou por estaquia de ramos. O cultivo deve ser feito em pleno sol. Para um bom crescimento e floração a planta requer terra bem adubada e irrigação frequente, mas sem encharcar o solo. Tolera podas e temperaturas baixas. Tem potencial invasor e por isso deve ser monitorada constantemente.

Uma das grandes vantagens do camará como planta ornamental é sua boa adaptação aos diferentes climas do Brasil e rusticidade, poucas pragas e doenças afetam esta espécie. Em cultivos muito adensados e sem os devidos cuidados, pode-se observar a incidência de um inseto identificado como Teleonemia escrupulosa, que senão for controlado pode levar as plantas à morte em pouco tempo.

Curiosidade: No Sul do Brasil ocorre a espécie Lantana montevidensis (Spreng.) Briq., também nativa do Brasil, muito semelhante à Lantana camara, igualmente utilizada como ornamental, porém, apresenta porte menor e crescimento rasteiro.

Lantana montevidensis, de crescimento rasteiro, cultivada no Sul do Brasil.

Referências

COSTA, J.G.M. et al. Composição química e avaliação das atividades antibacteriana e de toxicidade dos óleos essenciais de Lantana camara L. e Lantana sp. Braz J Pharmacogn, v. 19, p. 721-5, 2009.

FUNEZ, L.A. Flora de Santa Catarina. Disponível em Link. Acesso em nov. 2016.

Lantana in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 15 Nov. 2016.


Descrição botânica: Família Clusiaceae; árvore com até 30m de altura e até 2m de diâmetro de tronco; folhas simples, grandes, de textura lisa e rígidas; botões florais rosados ou brancos; frutos grandes, com 10cm de comprimento ou mais e podem pesar até 1,5kg, casca espessa e bastante dura; a polpa é esbranquiçada de sabor levemente ácido; as sementes são grandes e tem coloração marrom.

Fruto imaturo.
Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, característica do bioma amazônico. A espécie ocorre de forma natural na Região Amazônica brasileira e nos também nos países vizinhos, caso das Guianas, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador. 

Usos: A planta tem uso alimentício, medicinal e madeireiro. A polpa do bacuri é esbranquiçada e de sabor levemente ácido. Pode ser consumida in natura ou processada na forma de polpa para sucos, doces, sorvetes, geleias, licores, recheio de tortas e doces, biscoitos, pudins e uma infinidade de pratos, incluindo até mesmo cerveja. Das sementes é extraído o óleo, que é utilizado na medicina popular como anti-inflamatório e cicatrizante, além do uso na indústria de cosméticos. A madeira é considerada nobre.

Folhas e botões florais rosados de bacurizeiro.

Planta de bacurizeiro sob cultivo e poda para manter
o porte baixo.
Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes, brotações que surgem nas raízes das plantas adultas ou estaquia de raízes. A enxertia é utilizada na produção de mudas de alta qualidade. É possível o uso da alporquia e estaquia de ramos como formas de propagação, mas o pegamento das mudas é inferior a 10%. Mudas clonadas iniciam a produção entre 5 a 7 anos após o plantio, já mudas oriundas de semente podem levar mais de 10 anos para frutificar. Cada planta pode produzir mais 200 frutos ao ano.
     O cultivo é feito em locais com chuvas anuais entre 1100 a 3000mm, umidade relativa acima de 70% e temperatura entre 24 a 27ºC. O solo deve ser profundo e bem drenado. As plantas respondem bem ao manejo e adubação e devem ser podadas periodicamente para manter o porte baixo e facilitar a colheita. Os cultivos ainda são em pequena escala, mas a Embrapa Amazônia Oriental possui um banco de germoplasma da espécie e avançadas pesquisas de melhoramento genético.

Cultivo de bacurizeiro em área experimental da Embrapa Amazônia Oriental, Bélem/PA.

Referências

CARVALHO, J.E.U. et al. Bacurizeiro. Embrapa Amazônia Oriental. Link. 2016.

Clusiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 28 Out. 2016.

HOMMA, A. CARVALHO, J.E.U.; MENEZES, A.J.E.A. Frutos da Amazônia em ascensão: bacuri. Ciência Hoje. 2010. Link

    Apesar do nome um tanto estranho, este fruto típico do Cerrado é extremamente saboroso, nutritivo e muito versátil para o uso culinário. O nome popular cagaita é atribuído às suas propriedades laxativas, especialmente, nos frutos muito maduros já iniciando a fermentação. No entanto, adotando-se alguns cuidados simples é possível saborear, sem medo, esta fruta da estação, muito nutritiva e saborosíssima.

Cagaiteira iniciando a floração. 

Casca espessa e fendida.

Descrição botânica: Árvore da família Myrtaceae, com altura entre 4 a 11m, tronco tortuoso com casca espessa e fendida. As folhas possuem cor variando entre avermelhada, quando jovens, a verde-escura quando adultas, com formato ovalado a elíptico. As flores são pequenas, de coloração branca e com muitos estames; reunidas em pequenos cachos que formam uma florada vistosa. Os frutos são arredondados, suculentos e de coloração verde, quando jovens, e amarelo-claro quando maduros.

Onde ocorre: A planta é nativa e endêmica do Brasil, especialmente, do bioma Cerrado, onde sua florada anuncia a proximidade da estação chuvosa. Ocorre naturalmente nas áreas de cerrado das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste. 


Flores da cagaiteira e folhas jovens de coloração avermelhada.
Usos: Alimentício, ornamental, melífera e medicinal. O principal uso é como alimento. Seus frutos são suculentos e de sabor levemente ácido, sendo consumidos in natura, na produção de polpa para sucos, geleias, licores ou como ingrediente culinário no preparo de molhos e pratos diversos. É possível saborear a fruta na forma de picolés e sorvetes, em diversas sorveterias especializadas em frutos do Cerrado, espalhadas, sobretudo, pelos estados de Goiás e Minas Gerais. Sob o aspecto nutricional, o fruto é considerado boa fonte de vitaminas C, B12, cálcio, magnésio e ferro. 
    Como ornamental, a planta pode integrar projetos de paisagismo em locais abertos. Apresenta uma floração exuberante, embora curta, e sua copa produz sombra em boa parte do ano. É uma árvore de porte médio e perde as folhas durante a estação seca, não sendo recomendável o seu uso para áreas próximas de piscinas, fontes ou lagos.

Geleia de cagaita.
Cuidado: Quando os frutos forem aproveitados para consumo in natura, estes devem ser colhidos “de vez”. A colheita deverá ser realizada, preferencialmente, antes do nascer do sol ou logo nas primeiras horas da manhã, a fim de evitar que os frutos iniciem a fermentação e causem o famoso efeito laxativo.

Aspectos agronômicos: A propagação é feita facilmente por meio de sementes, que devem ser germinadas logo após a colheita, pois perdem a viabilidade em poucas semanas. O crescimento das mudas é rápido, estando prontas para o plantio em campo entre 6-7 meses após a germinação.
    Embora existam muitos dados de pesquisa mostrando a viabilidade de produção comercial da cagaita, toda a produção de frutos ainda é obtida via extrativismo em populações naturais, não tendo registros do cultivo desta espécie em escala comercial. 

Frutos colhidos "de vez" e comercializados em feira-livre.

Referência

CHAVES, L.J.; TELLES, M.P.C. Cagaita. In: VIEIRA, R.F. et al. Frutas nativas da Região Centro-Oeste do Brasil. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica. 2010.

Estamos na época da florada vistosa do cipó-de-são-joão, assim chamado por coincidir sua floração com os festejos juninos por todo o Brasil. A espécie também é conhecida como cipó-bela-flor, cipó-pé-de-lagartixa, cipó-de-lagarto, flor-de-são-joão e marquesa-de-belas. Floresce entre os meses de julho a setembro, com pequenas variações regionais, sendo a florada intensa e muito ornamental.

Descrição botânica: Planta da família Bignoniaceae, trepadeira vigorosa e com densa ramagem. As folhas são compostas, com dois ou três folíolos, opostas, de coloração verde escuro. No centro das folhas, apresenta gavinhas para fixação. Cada inflorescência é composta por 15 a 20 flores, alongadas, com até 7cm de comprimento e coloração alaranjada. Os frutos são do tipo baga, alongados, com 25 a 30 cm de comprimento. 

Onde ocorre: Planta nativa da flora do Brasil, sendo encontrada facilmente em todo o País e em boa parte da zona tropical da América do Sul. Na Mata Atlântica a planta é facilmente identificada na época de floração, pelo alaranjado vistoso disperso sobre as copas das grandes árvores.

Usos: A planta é muito ornamental com florada exuberante. É cultivada em jardins sobre caramanchões, pergolados ou em cercas-vivas sobre muros e telados. Os ramos flexíveis podem ser utilizados na confecção de cestaria e artesanato regional. A planta também possui propriedades medicinais.
Cipó-de-são-joão utilizado como cerca viva. Viveiro Pau Brasilia, Brasilia-DF.
Aspectos agronômicos: Apresenta adaptação aos diferentes climas e solos do Brasil, sendo considerada, inclusive como invasoras em algumas áreas agrícolas. A propagação pode ser feita com facilidade por meio de estacas de ramos ou por sementes. O cultivo deve ser feito em condições de pleno sol, em solo fértil e com regas regulares. Necessita tutoramento e condução.

Dica: É uma opção para o cultivo e florescimento durante o inverno, ou seca no caso do Cerrado, quando outras plantas quase não florescem. Sua florada abundante e vistosa, é atrativa para insetos polinizadores e beija-flores. 


Referências

BERETA, M.E.; RITTER, M.R.; BRACK, P. Pyrostegia venusta (Cipó-de-São-João). In: CORADIN, L.; SIMINSKI, A.; REIS, A. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro - Região Sul. Brasília: MMA, 2011. (Link).

Pyrostegia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 24 Ago. 2016.
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