Conhecida como orelha-de-onça devido ao aspecto piloso de suas folhas, esta é mais uma planta do gênero Tibouchina, típico da flora do Brasil e bastante utilizado no paisagismo e ornamentação. No sul do país também é conhecida como “orelha-de-urso”. Em inglês, a planta é chamada de silver leafed princess flower, large leaved princess flower ou glory flower.

Pilosidade nas folhas, característica da espécie.
Foto: J. Camillo
Descrição botânica: Pertence à família Melastomataceae, arbusto com porte variando entre 1 a 3 metros de altura. As folhas tem formato ovalado e com grande quantidade de pelos na face superior; contem entre 7 a 9 nervuras. As flores são reunidas em inflorescências terminais tirsóides, contendo entre 15 a 27 flores; as pétalas tem coloração azul-violeta, com base branca quando jovens passando a vermelha conforme avança a maturação; no centro das flores concentram-se os estames em número de 10 e comprimentos desiguais. O fruto é do tipo capsular. Apresenta como sinonímias botânicas: Tibouchina adenostemon (Schrank ex DC.) Cogn.; T. grandifolia Cogn.; T. magdalenensis Brade; T. multiflora (Gardner) Cogn.

Onde ocorre: Esta planta é nativa dos biomas Cerrado e Mata Atlântica, encontrada naturalemente em quase todos os estados da região Nordeste, Sudeste e em Goiás. Pode ser encontrada em diversos tipos de vegetação (campo limpo, campo rupestre, floresta ombrófila, entre outros), crescendo em solo ou mesmo sobre rochas.
 
As flores azul-violeta. Fotos: J. Camillo.
Usos: O principal uso desta espécie é a ornamentação, pela delicadeza da florada e aspecto peculiar da folhagem. A planta mesmo sem flores é bastante ornamental, pois a presença de pilosidade densa na superfície das folhas, confere um aspecto aveludado e coloração prateada conforme o vento balança a folhagem. Pode ser cultivada de forma isolada, em conjunto com outras plantas, maciços ou na formação de cercas vivas. É considerada uma planta pioneira, portanto pode ser utilizada na recuperação de áreas degradadas.
 
Cerca viva na Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasilia. Foto; J. Camillo.
Aspectos agronômicos: As plantas apresentam bom desenvolvimento quando cultivadas em condição de sol pleno. A florada se estende de Janeiro a Junho, com frutificação entre Abril a Setembro. Podendo ocorrer floração também fora deste período, como observado nas condições do Distrito Federal nos meses de Outubro e Novembro.
            A propagação pode ser feita por estaca de ramos ou por sementes. A germinação é feita em substrato contendo terra, areia e composto orgânico (3:2:1). Sementes recém colhidas germinam em torno de 70% em até 25 dias. A produção de sementes na planta é baixa, provavelmente por deficiências na polinização. A propagação por estaca deve ser feita no início da primavera, escolhendo-se ramos sadios.
            O cultivo pode ser feito em meia-sombra ou sol pleno, em solo rico em matéria orgânica e regas constantes até o estabelecimento da planta. Anualmente pode ser feita um poda de limpeza, para retirar partes mortas e manter o formato de planta.
 
Diferentes sugestões de uso para a orelha-de-onça. Fotos: J. Camillo.
Referências bibliográficas
DAVIS GARDEN. Disponível em Link. 2015.
FRANCO, M. Meu cantinho Verde. Disponível em: Link. 2015.
GUIMARÃES, P.J.F. Tibouchina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 02 Jun. 2015.
MEYER, F.S.; GUIMARÃES, P.J.F.; GOLDENBERG, R. Tibouchina (Melastomataceae) do estado do Paraná, Brasil. Rodriguesia, 61(4), 615-638, 2010.
MOTA, E.R.G.D. et al. Influência do substrato no sucesso germinativo de Tibouchina heteromalla Cogn. (Melastomataceae) visando restauração ambiental em canga. 64º Congresso Nacional de Botânica. Belo Horizonte, 10-15 de Novembro de 2013.


Nestes dias que dão início à estação seca, o Cerrado ganha um colorido extra com a delicada florada da canela-de-ema. Uma planta que só é encontrada neste bioma e cujo nome está associado às semelhanças com as Emas. Os caules são dispostos de modo semelhante à distribuição dos dedos do animal e os tufos de folhas da planta, lembram as penas da ave.
Canela-de-ema (Vellozia squamata Pohl). Foto: J. Camillo.
Caules e folhas que lembram as características de
uma Ema (ave). Foto: J. Camillo.
Descrição botânica: Pertence à família Velloziaceae, apresenta-se na forma de arbusto ou subarbusto. O tronco é ereto e ramificado; os ramos são geralmente curtos, cilíndricos e agrupados em nós concêntricos de bainhas fibrosas. As folhas são simples concentradas na porção terminal dos ramos (rosulada) e com textura áspera. As flores tem coloração lilás, com variações na tonalidade. Os frutos são tipo cápsula, cobertos por pequenos espinhos, sua coloração varia entre verde a marrom-claro conforme avança a maturação. As sementes são bastante numerosas, pequenas e de coloração castanha. A floração ocorre entre os meses de abril a junho, com frutificação em paralelo, podendo estender-se até o mês de outubro. Apresenta como sinônimo botânico Vellozia flavicans Mart. ex Schult. & Schult.f., que deve ser considerado na busca de informações sobre a espécie, uma vez que muitos autores utilizam esta sinonímia em suas publicações.
 
Planta de canela-de-ema em ambiente de Cerrado
alterado. Foto: J. Camillo.
Onde ocorre: É uma planta nativa e endêmica da flora do Brasil, ou seja, sendo encontrada apenas em nosso país e restrita ao bioma Cerrado dos estados de Bahia, Minas Gerias, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso, nas formações tipo campo rupestre e cerrado latu sensu. Cresce em solos pobres ou mesmo sobre pedras.
Usos: Apresenta grande potencial ornamental, conferido pela singularidade de sua arquitetura foliar e beleza das flores. Pode ser utilizada como elemento na composição de jardins, de forma isolada ou em conjunto, sozinha ou combinada com outras espécies. Os caules também possuem potencial ornamental e podem ser empregados na produção de arranjos artesanais ou na extração de fibras para produção de cordas e sacarias. Na medicina popular, existem relatos do seu uso como anti-inflamatório no tratamento de contusões e dores em geral. Estudos fitoquímicos demonstraram que os extratos obtidos das folhas e caules da canela-de-ema, possuem óleos essenciais e propriedade antioxidante.
 

Exemplos de uso da canela-de-ema em jardins. Fotos: J. Camillo.
Curiosidade: A coloração das flores desta espécie inspirou uma linha de esmaltes denominado “Canela-de-ema”.

Frutos: Foto: J. Camillo.
Aspectos agronômicos: São poucos os dados agronômicos disponíveis sobre a Canela-de-ema, principalmente quanto à produção de mudas, sendo este um dos limitadores para o uso econômico desta planta. A produção de mudas pode ser feita através de sementes recém colhidas, nestas condições a germinação é superior a 90%, ocorrendo em até 10 dias. O substrato deve ser leve, assim como a camada de cobertura das sementes, pois estas são pequenas e delicadas. O desenvolvimento das plantas é lento.
            Estudos demonstram que a germinação in vitro, pode ser uma alternativa viável para a produção de mudas de alta qualidade e em menor tempo, comparando-se à germinação convencional. Esta técnica já tem sido utilizada com sucesso na propagação comercial de orquídeas e bromélias.
 
Flor de canela-de-ema e abelha Xylocopa. Foto: J. Camillo.
Referências bibliográficas

ALMEIDA, S.P. et al. Cerrado: espécies úteis. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1998.
FREITAS-NETO, O.G. Micropropagação e anatomia foliar de canela-de-ema (Vellozia flavicans) em diferentes condições ambientais. Universidade de Brasilia. 2009.
MELLO-SILVA, R. Velloziaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 24 Mai. 2015.

QUINTÃO, F.J.O. Caracterização dos óleos essenciais de Microlicia graveolens, Melaleuca leucadendron e de extratos hidroalcoólicos das folhas e caules de Vellozia squamata para o desenvolvimento de nanoemulsões para uso farmacêutico. 2013.

A vinagreira, embora não seja uma espécie nativa da flora brasileira, está enraizada na nossa história cultural gastronômica. Na culinária regional é utilizada como ingrediente do famoso Arroz de Cuxá, prato típico da culinária Maranhense. Seu nome deriva do sabor ácido das folhas e cálices florais, sendo conhecida também como azedinha, caruru-azedo, caruru-da-Guiné, flor-da-Jamaica, groselha, hibisco, hibiscus, quiabo-azedo, quiabo-de-Angola e rosele(a). Em inglês é chamada de indian-sorrel, jamaican-sorrel ou roselle; em francês l’oiselle e em árabe karkade.
 
Hibiscus sabdariffa L. - vinagreira. Foto: J. Camillo.

Características botânicas: Pertencente à família botânica Malvaceae, planta anual com até 1,8 metros de altura.  O caule tem coloração vermelho-escuro e pouco ramificado. As folhas são alternas, simples, com formato variando entre ovalado a alongado. As flores são solitárias, uma por axila foliar, as pétalas apresentam coloração variando entre rosa-claro e púrpura. Após fecundação, desenvolvem-se os cálices, de aspecto carnoso e coloração vermelho-brilhante e em seu interior, desenvolve-se o fruto com numerosas sementes.

A) Botão floral; B) Cálice (fruto).
Fotos: J. Camillo.
Onde ocorre: A espécie ocorre naturalmente na Índia, Sudão e Malásia, citados na literatura como prováveis centros de origem, sendo disseminada posteriormente para a África e América Central. No Brasil, sua introdução foi associada ao tráfico de escravos e, atualmente, pode ser encontrada em quase todos os estados do país.

Usos: É uma espécie de múltiplos usos. Na alimentação humana suas folhas e cálices são empregados como ingredientes da culinária regional em diversos pratos. O cálice floral é matéria-prima para a produção de doces, geleias, xaropes, aromatizante, vinagre e até um tipo de vinho. A geleia apresenta sabor ácido, porém delicioso, e pode ser consumida com pães, torradas ou com pratos salgados. Os cálices colhidos e secos em temperatura de até 43°C, podem ser consumidos na forma de chá, da mesma forma que outros Hibiscos.
Flor. Foto: J. Camillo.
 As folhas e cálices são uma excelente fonte de antioxidantes, vitaminas A e C, ferro, proteínas e fósforo, sendo consideradas como importante complemento nutricional. Além do uso culinário e medicinal, a planta ainda pode ser utilizada como alimentação animal, as fibras extraídas do caule são empregada na indústria têxtil e de papel. Na medicina tradicional, seu uso é relatado como diurético, antisséptico, laxante, sedativo, tônico afrodisíaco e no tratamento de infinitas outras mazelas. Estudos fitoquímicos e farmacológicos relatam que a planta apresenta potencial como antioxidante.

 Características agronômicas: A espécie reproduz-se por sementes, as quais são produzidas em abundância e devem ser colhidas de frutos maduros. A semeadura pode ser realizada diretamente no local definitivo ou em bandejas, para posterior transplantio, este último o método mais recomendado. O solo deve ser rico em matéria orgânica e bem drenado. Seu cultivo pode ser realizado em regiões tropicais e subtropicais, em condição
Folhas. Foto: J. Camillo.
de sol pleno, desde o nível do mar até 900 metros de altura, razão pela qual pode ser 
encontrada em boa parte do Brasil. A pluviosidade deve estar entre 800 e 1600 mm e a faixa de temperatura de crescimento entre 7 a 35°C. Um dos problemas que limitam seu cultivo em algumas regiões é a sensibilidade dos cultivares ao fotoperíodo, ocorrendo florescimento apenas em condições de dias curtos, com cerca de 11 horas de luz. Em regiões temperadas, poderá não ocorrer o amadurecimento dos frutos. A espécie não tolera geadas e baixas temperaturas, aumentam a incidência de seca da haste (Botrytis cinerea).

 
Cálices florais. Foto: J. Camillo.

Plantio de vinagreira orgânica na Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília. Foto: J. Camillo.

Referências bibliográficas
CARMO, D.D.R.M. et al. Atividade antioxidante de Hibiscus sabdariffa L. em função do espaçamento entre plantas e da adubação orgânica. Ciência Rural, 41(8), 1331-1336, 2011.
CASTRO, N.E.A. Épocas de plantio e métodos de colheita para maximização da produção de cálice de Hibiscus sabdariffa L. Universidade Federal de Lavras. 2014.
LIMA-SALES, M.A. et al. Germinação da vinagreira em função de cinco níveis de salinidade da água de irrigação. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, 9(1), 68-74, 2014.
OLIVEIRA, C.A. et al. Progresso da seca da haste (Botrytis cinerea) do hibisco (Hibiscus sabdariffa) em quatro épocas e dois métodos de plantio. Summa Phytopathologica, 39(2), 110-116, 2013.
TROPICOS. Hibiscus sabdariffa L. 2015. Disponível em: http://www.tropicos.org/Name/19600047
YAMAMOTO, N.T. et al. Desenvolvimento de (Hibiscus sabdariffa L.) Cultivadas em Diferentes Substratos. Revista Brasileira de Biociências, 5(S2), 771-773, 2008.

Esta página foi uma sugestão da minha amiga maranhense Hannah Nemlas, a quem agradeço.

            
Entre os meses de março a maio, nos encantamos com a beleza da florada das paineiras. Estas plantas são conhecidas popularmente como paina, paineira-rosa, paineira-de-espinho ou paina-de-lã, devido à presença de longos pelo brancos que recobrem as sementes, parecendo mesmo com uma bola de lã, mas que na verdade, são estruturas que facilitam a dispersão das sementes.
            A espécie também é conhecida como barriguda, devido ao espessamento da base do tronco, que serve como uma forma de armazenar água para sobreviver aos meses de estiagem.
            Botanicamente é também conhecida pela sinonímia Chorisia speciosa A.St.Hil., a qual deve ser considera na busca de bibliografias referentes à espécie, uma vez que boa parte das publicações utilizam-se deste sinônimo.

Presença se espinhos nos caules mais jovens.
Foto: J. Camillo.
Características botânicas: Planta da família botânica Malvaceae, com tronco arredondado, coloração verde-acinzentada, cuja característica principal é a presença de espinhos nas partes mais jovens. Quando adultas, estas árvores podem medir até 30 metros de altura e o tronco, até 120 cm de diâmetro. As folhas são digitadas, compostas por folíolos de comprimento variado entre 4 a 17 cm, com bordas serrilhadas. As flores possuem o interior branco com pontuações vermelhas e mais externamente, as pétalas apresentam coloração rosa (podendo apresentar diversas tonalidades), reunidas em uma inflorescência tipo capitulo na porção terminal dos ramos. Os frutos são grandes, secos, de coloração parda e medindo entre 17 a 20 cm de comprimento, com cinco lóculos internos que armazenam até 200 sementes pequenas, de coloração marrom e cobertas por longos pelos (paina) que facilitam sua dispersão.
           Quando maduros, os frutos se abrem para liberar a paina, que é uma fibra de textura sedosa e facilmente carregada pelo vento, onde ficam aderidas as sementes. O chão sob as árvores fica parecendo um “cobertor fofinho” com quantidade de paina que é liberada pela planta, sendo esta característica que lhe confere o nome popular de paineira.  
Frutos abrem-se e liberam a paina com as sementes. Foto: Calile (Link)
Paineira na Quadra 05 em Sobradinho - DF.
Foto: J. Camillo.
Onde ocorre: A espécie é nativa da flora do Brasil, ocorre naturalmente nos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. No Centro-Oeste a florada mais intensa ocorre durante o outono (entre março a maio), mas ocorrem também floradas durante o verão. É planta características das Florestas Mesófilas Semidecíduas, entre as latitudes 12ºS a 30ºS, ocorrendo também na Argentina e Paraguai. É cultivada em regiões tropicais e subtropicais, no hemisfério norte, até as Antilhas e o sul dos Estados Unidos.

Usos: O uso mais comum é no paisagismo e arborização urbana, devido ao porte imponente, exuberância de sua florada e boa sombra. A paina é utilizada como enchimento para travesseiros, almofadas e pequenos cobertores. Testes fitoquímicos demonstraram que o extrato obtido das folhas apresentou efeito antioxidante, porém os resultados ainda são insipientes sobre o seu uso medicinal.
Detalhe da flor. Foto: J. Camillo.
Recentes estudos tem sido desenvolvidos para viabilizar o uso da paina na biorremediação, a qual mostrou-se eficiente na absorção de óleo cru, com potencial para utilização na recuperação de cursos hídricos afetados por derramamento de óleo.


Aspectos agronômicos: A propagação pode ser feita por sementes ou por estaquia. As sementes apresentam dormência, exigindo tratamento pré-germinativo, como a imersão em água fria por 24 a 48 horas. Para se obter sementes de boa qualidade, os frutos devem ser colhidos assim que iniciarem a abertura espontânea e levados para secar ao sol, até a liberação completadas das sementes, que devem ser separadas manualmente da paina. Se não forem utilizadas de imediato, as sementes podem ser conservadas em baixa temperatura por longos períodos, sendo consideradas, para fins de conservação, como ortodoxas.
Foto: J. Camillo.
            A germinação é feita em canteiros ou tubetes, mantidos semisombreados, em substrato organo-arenoso, com duas irrigações diárias. A germinação ocorre entre 20 a 30 dias após o plantio, com percentual aproximado de 80%. O crescimento inicial das mudas é relativamente rápido.
            O plantio definitivo das mudas deve ser feito em áreas amplas - por tratar-se de uma espécie de grande porte - em condição de sol pleno e espaçamento mínimo de 4 metros entre plantas. A espécie apresenta boa tolerância ao frio, desenvolvendo-se em todos os estados do Sul do Brasil.



Paineiras floridas em Sobradinho - DF. Fotos: J. Camillo.

Referências Bibliográficas
ANNUNCIADO, T. et al. Utilização da fibra de paina (Chorisia speciosa) como sorvente de óleo cru. parte II: caracterização da fibra x capacidade de sorção. In: 3 Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás. 2005.
CARVALHO, L.R. et al. Classificação de sementes florestais quanto ao comportamento no armazenamento. Revista Brasileira de Sementes, v. 28, n. 2, p. 15-25, 2006.
DUARTE, M.C. Ceiba in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 28 Fev. 2015.
IBF. Instituto Brasileiro de Florestas.  Paineira Rosa - Chorisia speciosa – Semente. Disponível em: Link.
IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Paineira - Ceiba speciosa.  Disponível em: Link. 2015.
JARDINEIRO.NET. Paineira-rosa (Ceiba speciosa). Disponível em: Link. 2015.

SOUZA, L.M.F.I. et al. Sistema de reprodução em população natural de Chorisia speciosa A. St.-Hil. (Bombacaceae). Revista brasileira de botânica, v. 26, n. 1, p. 113-21, 2003.


Hoje vamos falar de outra espécie muito conhecida no Brasil, a Pereskia grandifolia, de uso semelhante à Pereskia aculeata, que é a ora-pró-nobis verdadeira, de uso alimentício e descrita em outro post mais recente. Esta espécie é encontrada com maior facilidade nos jardins, em vários estados do Brasil, como elemento decorativo. Também pode ser utilizada como alimento, mas em menor escala quando comparada à P. aculeata.

Inflorescência e folhas

Descrição botânica: Planta da família Cactaceae, com porte variando entre arbustivo e arbóreo, altura entre 3 a 6 metros. Suas folhas tem coloração verde-escuro, simples, com bordas onduladas e comprimento de até 10 centímetros. Na base de cada folha forma-se os espinhos, em tufos numerosos. As flores possuem seis pétalas de coloração rosa brilhante e textura lisa. No centro de cada flor concentram-se numerosos estames. As flores concentram-se em pequenos cachos (cimeiras), nas pontas dos galhos. Os frutos tem formato de baga e tem coloração verde-avermelhado quando jovens (com presença de pequenas folhas na superfície) e passando a verde-amarelados quando se inicia a maturação. 
Na literatura é relatada a ocorrência de duas subespécies para essa espécie: Pereskia grandifolia Haw. subsp. grandifolia e Pereskia grandifolia subsp. violacea (Leuenb.) N.P.Taylor & Zappi.
 
A) Planta jovem arbustiva; B) Planta adulta com porte arbóreo

Onde ocorre: A espécie é nativa e endêmica da flora do Brasil, ocorre naturalmente nos biomas Caatinga e Mata Atlântica.

Fruto verde.
































Usos: Ornamental, alimentícia e medicinal. Esta planta é bastante ornamental, especialmente, pela sua floração delicada e, mesmo quando sem flores, a folhagem verde brilhante confere um bonito aspecto visual. A presença de espinhos no caule e ao longo dos galhos permite que a planta possa ser utilizada em cercas vivas, no entanto, este fato também limita seu uso principalmente em locais onde brincam crianças ou animais domésticos.
As folhas são uma boa fonte de proteína, vitaminas e minerais, podem ser consumidas refogadas ou no preparo de omeletes, saladas, cozidos e tortas. Os frutos também são comestíveis. Na medicina tradicional as folhas da ora-pro-nobis são empregadas para o controle do diabetes, ou ainda, na preparação de emplastro para infecções da pele. 

Espinhos no tronco da planta adulta.  
             
Flores.




Aspectos agronômicos: No Distrito Federal podem ser observadas plantas floridas entre os meses de outubro a março, no período chuvoso. A produção de mudas é feita através da estaquia de ramos jovens. A propagação por sementes também é possível, no entanto o percentual de germinação é baixo devido a dormência e contaminação das sementes por fungos. 
O plantio das mudas deve ser feito em covas com 50 x 50 cm, em solo fértil e bem drenado. As regas devem ser frequentes até os 90 dias, nesta fase de estabelecimento a planta é bastante sensível a falta de água. Quando adulta, a espécie é resistente à seca e adapta-se bem em diferentes temperaturas, tanto locais frios com geadas ocasionais, como aqueles de temperaturas mais elevadas. Seu cultivo deve ser feito e condição de sol pleno ou em sombra parcial, associada com outras espécies arbóreas 
A planta é cultivada de forma insipiente nos quintais e jardins das casas, não existem dados agronômicos disponíveis sobre o seu cultivo em escala comercial. 








Bibliografia recomendada

GASPARETTO, B.F. Estudo do enraizamento de estacas foliares de Pereskia grandifolia Haw.(ora-pro-nóbis) Cactacea, sob diferentes doses de AIB e diferentes substratos. (2013).
GASPARETTO, B.F. Análise da germinação de sementes de ora-pro-nobis (Pereskia grandifolia Haw.) Submetidas a diferentes condições de temperatura e fotoperíodo. (2014).
Pereskia grandifolia. Disponível em: Link. 2015
Ora-pro-nobis (Pereskia grandifolia). Disponivel em: Link. 2015.

TAYLOR, N. et al. Cactaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. 2015.

Muitas vezes na correria do dia-a-dia, não temos tempo para contemplar as maravilhas que a natureza nos apresenta. Mas um dia desses, entre uma reunião e outra, passeando pelas imensas áreas verdes da Universidade de Brasília, me deparei com uma plantinha de flor roxa de grande beleza. Imperceptível aos olhos da maioria das pessoas, mas que merece ser apreciada sem pressa.
           
Descrição botânica: Planta da família Lythraceae de porte subarbustivo e folhas opostas. As flores são hexâmeras, períginas, duas bractéolas e um epicálice de seis apêndices, de coloração arroxeada e podem estar isoladas ou agrupadas em inflorescências com duas ou mais flores e em múltiplos cachos. O fruto é uma cápsula septicida com sementes aladas.
            Apresenta como sinônimos botânicos: Diplusodon buxifolius var. naudini Lourteig; D. hirtellus (Cham. et Schlecht.) G.Don; Friedlandia hirtella Cham. et Schlecht.

Onde ocorre: No bioma Cerrado, nas formações tipo cerrado e campo rupestre. Mais facilmente encontrada nos estados de Minas Gerais e Goiás. É uma espécie nativa e endêmica da Flora do Brasil, ou seja, só é encontrada no país e em locais bastante específicos.


Uso potencial: Estas plantas, assim como outras do mesmo gênero, são extremamente sensíveis às mudanças ambientais. Como o Cerrado é um dos biomas brasileiros mais ameaçados, conhecer este tipo de planta é de fundamental importância, uma vez que podem ser utilizadas como padrão de estudo para avaliar a conservação de um determinado ambiente ou as condições de recuperação da vegetação em áreas degradadas. Pouco se sabe sobre esta planta e não existem relatos sobre seu uso popular.

Curiosidades: Cavalcanti e Rua (2008) relatam que entre as diferentes espécies de Diplusodon, aquelas de porte subarbustivo (como é o caso de D. microphyllus) apresentam uma formação subterrânea chamada de xilopódio. Esta estrutura ocorre em muitas plantas do Cerrado, sendo considerada uma forma de adaptação das espécies ao fogo. É uma estrutura de reserva que, após a queima da parte aérea, permite a rápida rebrota das plantas e recuperação da vegetação queimada.


Fotos: J. Camillo.

Referências bibliográficas
CAVALCANTI, T.B. Diplusodon in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 01 Mar. 2015.

CAVALCANTI, T.; RUA, G. Inflorescence patterns in the woody Brazilian genus Diplusodon (Lythraceae). Flora, 203, 261-271, 2008.

MEDEIROS, J.D. Guia de campo: vegetação do Cerrado 500 espécies. Brasília: MMA/SBF, 2011. 532p. (Série Biodiversidade, 43). Download gratuito em: Link
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.