Quem vai passar férias na Bahia não pode deixar de experimentar a moqueca, o acarajé, o vatapá e uma porção de outras iguarias preparadas com azeite-de-dendê. Então vamos conhecer o dendê, palmeira que embora não seja nativa da flora brasileira, está intimamente ligada à história e a cultura do Brasil. A denominação genérica dendê é exclusivamente brasileira, em outros países a planta é mais conhecida como palma de óleo ou, em inglês, oil palm.
           As primeiras plantas de dendê foram trazidas para o Brasil pelos escravos africanos. Os primeiros cultivos (fundo de quintal), segundo relatos históricos, foram realizados nos estados da Bahia e Rio de Janeiro, próximos aos locais onde chegavam as embarcações trazendo os escravos vindos do Continente Africano. Atualmente, na costa sul do estado da Bahia, a planta está por toda parte integrando-se perfeitamente à bela paisagem regional.
Dendezais espontâneos (não cultivado) observados na região Sul da Bahia.

            Apesar de estar ligado a uma das partes mais cruéis da história do Brasil, o dendê é  um dos maiores símbolos da integração entre os povos do Brasil e da África, cuja influência pode ser notada nos diversos aspectos que compõe a sociedade brasileira atual, sobretudo, nas festas populares e na cultura alimentar.
           
Dendê-africano (Elaeis guineensis Jacq.)
Descrição botânica: Pertence à família Arecaceae e pode atingir até 15m de altura. Possui sistema radicular fasciculado, caule tipo estipe, não ramificado, coroado por um tufo de folhas na extremidade; as folhas, em número de 30-45, medem entre 5 a 9m e pesam até 8kg; o pecíolo mede cerca de 1,5m; os folíolos podem variar em número (250 a 350); a coloração da folhagem é verde-escuro e cada folha pode ficar aderida à planta-mãe por até 12 anos. Os frutos são arredondados, reunidos em cachos que podem pesar mais de 20kg; possuem inicialmente coloração preta, passando a alaranjado/avermelhado conforme avança a maturação; os frutos apresentam grande variedade de formas e tamanhos, sendo compostos basicamente pela polpa (alaranjada), endocarpo rígido e amêndoas (entre 1 a 4/fruto). Os diferentes tipos de frutos identificam três variedades (tipos) nesta espécie: dura, pisifera e tenera.
            No Brasil existem duas espécies do gênero Elaeis: o Elaeis guineensis (dendê-africano) e o Elaeis oleifera (dendê-americano), esta última assunto do próximo post deste blog.
 
Cachos e frutos maduros de dendê. Da polpa alaranjada extrai-se o azeite de dendê e das amêndoas, obtêm-se o óleo de palmiste.
Usos: Extração de óleo e ornamentação. No Brasil, o azeite de dendê é uma iguaria da culinária regional, integrando diversos pratos da culinária bahiana (caruru, vatapá, acarajé, bobó-de-camarão, abará, entre outros). Consumido in natura, o óleo é uma boa fonte de vitamina A e ácido oleico. O óleo também tem importância religiosa, utilizado em rituais do candomblé. A conformação arredondada da copa e a bela folhagem, torna a planta propicia também para a ornamentação urbana em áreas amplas.
Azeite de dendê.
  A planta é uma das oleaginosas mais importantes do mundo e fornece dois tipos de óleo muito presentes no nosso dia-a-dia: a polpa dos frutos fornece o óleo de coloração alaranjada - que no Brasil é chamado de azeite de dendê - mas é mais conhecido mundialmente como óleo de palma (palm oil). Das amêndoas se extrai um óleo mais refinado de cor amarelo clara, amplamente empregado na indústria farmacêutica, cosmética e de produtos de higiene e limpeza: o óleo de palmiste (palm kernel oil). O óleo de palma passa pelo mesmo processo de refino aplicado ao óleo de soja e, posteriormente, pode ser utilizado como óleo de mesa. Este uso não é muito comum no Brasil, mas é largamente utilizado na maioria dos países africanos, além da Malásia e Indonésia, maiores produtores mundiais na atualidade.
            No Brasil, a forma de produção do óleo determina produtos e usos diferenciados: o azeite de dendê encontrado nas feiras e mercados (de coloração alaranjada), é extraído de forma totalmente artesanal e é utilizado com fins alimentícios e ritualístico. Já o óleo de palma e o óleo de palmiste são produtos dos cultivos comerciais, passam por diferentes formas de processamento (refino) e são utilizados em escala industrial. Embora as denominações genéricas sugiram coisas diferentes, todos os óleos tem origem na mesma palmeira: o dendezeiro.
           
Diferentes formatos de frutos identificados no
dendê-africano cultivado no Brasil.



Aspectos agronômicos: A propagação é feita por meio de sementes, uma vez que a palmeira não perfilha (não produz brotações). No entanto, é recomendável adquirir sementes pré-germinadas ou comprar as mudas de viveiristas especializados, pois as sementes possuem dormência e o tratamento para facilitar a germinação é um tanto complicado. O cultivo é feito em solo leve, bem drenado e fértil. A palmeira exige chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ano, temperaturas médias acima de 24°C e umidade do ar acima de 70%, condições que limitam o cultivo comercial do dendezeiro, apenas ao Sul da Bahia e Região Norte do Brasil. No entanto, a palmeira vegeta em diferentes climas, sendo cultivada como planta ornamental também em outras regiões do Brasil.
             




Viveiro de mudas de dendezeiro mantido pela Embrapa Amazônia Ocidental, Rio Preto da Eva-AM.

Curiosidades: O cultivo do dendezeiro expandiu-se pelo Brasil na última década, principalmente, como matéria-prima para a produção do biodiesel. Além disso, seu cultivo tem sido difundido como alternativa de desenvolvimento socioeconômico regional e como forma de recuperação e aproveitamento de áreas degradadas da região amazônica. As pesquisas e cultivos comerciais do dendezeiro no Brasil, foram iniciadas pela Embrapa na década de 1970, cujo trabalho, culminou com a formação de um dos maiores bancos de germoplasma da cultura no mundo, estabelecido no município de Rio Preto da Eva-AM. Atualmente, os cultivos comerciais estão concentrados no estado do Pará, que é o maior produtor nacional.
 
Bancos de germoplasma de dendê mantidos pela Embrapa. A) Banco de germoplasma da Embrapa Amazônia Ocidental, Rio Preto da Eva - AM; B) Coleção de trabalho da Embrapa Cerrados, Planaltina - DF. 
            Independente de discussões ideológicas e ambientais (muitas das quais participo e exponho minhas convicções), o fato é que o dendezeiro fez parte da história e da construção da identidade cultural brasileira. É uma planta belíssima e muito versátil, que aos poucos torna-se uma fonte de renda importante para a agricultura nacional.  Então, parafraseando uma matéria da Embrapa Agroenergia: Palmas para o dendê!


Referência bibliográfica
CAMILLO, J. Diversidade genética, conservação in vitro de germoplasma e analise do conteúdo de DNA nuclear em palma de óleo {Elaeis guineensis Jacq. e Elaeis oleifera (Kunth) Cortés}. Tese de doutorado – Universidade de Brasília/Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2012. 137 p.: il. Link

O baru é um fruto típico do Cerrado brasileiro, bioma do qual aprendi a gostar e que hoje é o motivo maior do meu trabalho. Estudo o Cerrado a 16 anos e, como Eng. Agrônoma, pretendo mostrar que é possível aliar a conservação da biodiversidade à geração de emprego e renda. Plantas como o baru nos mostram que essa associação não é apenas possível, mas também viável economicamente. Incluir alimentos tradicionais na nossa mesa, significa também diversificar o portfólio de produtos e as oportunidades para a agricultura, sobretudo, aquela de base familiar que corresponde hoje a mais de 80% dos produtores rurais do Brasil.
Frutos do Baru (Dipteryx alata Vog.)
Descrição botânica: Da família Fabaceae, a árvore mede até 15 metros de altura, com tronco ereto e casca de coloração cinza; as folhas são alternas, compostas pinadas com 7 a 12 folíolos; as inflorescências são tipo panícula, formadas nas axilas das folhas na porção terminal dos ramos, possui entre 200 a 1000 flores de cor predominantemente branca e uma bráctea central arroxeada, medem entre 0,8 e 1cm de comprimento; os frutos são do tipo drupa, com formato ovoide, levemente achatado e de cor marrom-claro; o endocarpo é bastante duro e protege o interior do fruto que contém a amêndoa, de cor castanho-escuro e textura lisa brilhante. A espécie também apresente outras denominações regionais, como: cumbaru, cumaru, barujo, coco-feijão, cumarurana, emburena-brava, feijão-coco e pau-cumaru.
Botões florais e flores abertas.
Árvore de baru utilizada em paisagismo.
Onde ocorre: É uma planta nativa mas não endêmica do Brasil. Típica de áreas de Cerrado, ocorrendo nos estados do PA, RO, TO, BA, MA, PI, GO, MT, MS, MG, SP, CE e no DF. Não ocorre naturalmente na região Sul do Brasil.

Usos:  Principalmente como alimentícia. A castanha extraída dos frutos do baru é muito saborosa, de aroma e sabor suaves, lembrando um pouco a castanha de caju. Pode ser consumida in natura, torrada ou como ingrediente na elaboração de pratos doces e salgados, como as paçocas (doces ou salgadas), pés-de-moleque, mousses, farinha, óleo, biscoitos, brigadeiro, sorvetes e tudo o mais que a criatividade do cheff permitir. A polpa dos frutos pode ser aproveitada para a extração de farinha, utilizada em substituição à farinha branca na panificação. A castanha de baru, além de ser um alimento muito versátil, é rica em proteínas, ácidos graxos, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação saudável.
            Um dos produtos mais conhecidos, preparado à base da castanha do baru, é o licor (cujo nome comercial mais famoso é Baruzetto). O sabor da bebida é delicado, adocicado e lembra a Amarula. O licor também podem ser preparado em casa e a receita completa pode ser conferida no site da Pousada Mandala, de Pirenópolis-GO (Link).
            A planta ainda possui potencial para uso como madeireira, ornamental - pela folhagem densa que produz boa sombra -  ou ainda como elemento em projetos para recuperação de áreas degradadas, em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou ainda em sistemas agroflorestais (SAFs).
            A castanha de baru beneficiada, ou mesmo os frutos inteiros, podem ser encontrados com facilidade nas feiras livres da região Centro-Oeste do Brasil. A castanha torrada e o licor são encontrados com facilidade também nos mercados e lojas especializadas em produtos do Cerrado. Em Brasília, pra quem vem a passeio e quer experimentar essa e outras iguarias, pode encontrar no Café ou na Feira da Torre de Televisão, bem no coração da Capital Federal.
 
A versatilidade do uso alimentício da castanha de baru. A) Castanha torrada; B) Brigadeiro de baru; C) Grissini de baru; D) Pão com farinha de jatobá e castanha de baru triturada; E) Biscoitinhos; F) Mousse salgada de baru e manjericão; G) Licor de baru.
Aspectos agronômicos: A frutificação ocorre durante a estação seca do Cerrado, com maior concentração no final desta, nos meses de outubro a novembro. As mudas são obtidas das sementes recém colhidas, quando o índice de germinação é superior a 90%. A germinação ocorre entre cinco a dez dias após a semeadura, mas pode estender-se por até 60 dias dependendo do tempo e das condições em que as sementes foram armazenadas. Preferencialmente, a germinação deve ser feita em embalagens individuais contendo substrato organoargiloso (duas partes de terra e uma de esterco de gado curtido) ou substrato comercial próprio para produção de mudas. A produção de mudas deve ser feita em ambiente sombreado, entre 30 a 50% e com irrigações frequentes. No viveiro e no campo, após o plantio, as mudas mostram um rápido crescimento e aos quatro anos já iniciam a frutificação.
 
Baru sendo comercializado na Feira do Padre (Sobradinho-DF): é possível encontrar tanto o fruto inteiro como a castanha torrada.
Agradecimento: Este post é um agradecimento especial pelo presente que recebi do sr. Alberto Mateus Pires, o Beto do Baru, um estudioso e entusiasta do Baru e do Cerrado. Muito obrigada pelo seu trabalho inspirador.

Referências Bibliográficas
AJALLA, A. et al. Produção de mudas de baru (dipteryx alata Vog.) sob três níveis de sombreamento e quatro classes texturais de solo. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, 34(3), 888-896, 2012.
AVIDOS, M.F.D.; FERREIRA, L.T. Frutos do cerrado: preservação gera muitos frutos. Revista de Biotecnologia. Disponível em Link.
CARRAZZA, L.R.; D’ÁVILA, J.C.C. Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Fruto do Baru. Brasília – DF. Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Brasil, 2010. 56 p.; il. - (Série Manual Tecnológico).
LIMA, H.C.; LIMA, I.B. Dipteryx in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 27 Nov. 2015.

PROJETO BARU. Disponível em Link.

Esta planta é um recurso medicinal importante em algumas comunidades rurais brasileiras, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Ela foi assunto da minha dissertação de mestrado e agora, finalmente, consegui boas imagens pra podermos mostrar essa planta maravilhosa. O nome comum, algodão-do-campo ou algodãozinho-do-campo, se dá em função da semelhança com o algodão comercial.
 
Folhas e capulhos do algodão-do-campo mostram a semelhança com o algodão comercial.
Descrição botânica: Subarbusto com até 2 metros de altura; raiz pivotante e muito espessa quando adulta (até 20 cm de diâmetro);  ramificado, com folhas alternadas simples e palmadas; as flores são amarelas e bem vistosas, no formato de uma concha com 6 a 8 cm de diâmetro, dispostas em cachos no final dos ramos e com até 10 flores/cacho; cada flor é composta por cinco pétalas de cor amarelo-vivo e com discretas pontuações marrom-avermelhado; as flores contém numerosos estames curvados; os frutos são alongados, de coloração variando entre verde e castanho-escuro conforme avança a maturação; as sementes são pequenas, de coloração preta e são envoltas por pequenas plumas, muito semelhante ao algodão comercial.
 
Capulho com sementes envoltas em plumas, mecanismo que facilita a dispersão. Este também é o ponto ideal de colheita de sementes para propagação.
Onde ocorre: É uma planta nativa da flora do Brasil e que ocorre naturalmente em quase
Área de ocorrência natural do algodão-do-campo no Cerrado.
todos os estados da Nação, preferencialmente, em áreas de Cerrado. A planta é característica de áreas degradadas, como beiras de estradas e clareiras abertas pelo desmatamento e revolvimento do terrenos. Já no ambiente natural é encontrada, preferencialmente, em pequenas encostas de solo bastante pedregoso.


Usos: É uma planta de uso medicinal com inúmeras aplicações na medicina tradicional, principalmente, na confecção de chás e garrafadas para “problemas de mulher”. A parte usada é a casca da raiz. Estudos fitoquímicos e farmacológicos comprovam que a planta é rica em caempferol, uma molécula que confere à planta propriedades antiinflamatória, analgésica, gastroprotetora e até antioxidante. Muitas plantas do gênero Cochlospermum (C. tinctorium; C. planchonii e C. angolense) possuem ação antimalárica, fato que ainda necessita ser investigado em C. regium.
Observação importante: o uso de plantas medicinais, assim como qualquer outro medicamento, requer sempre o acompanhamento de profissionais de saúde especializados no assunto.
            Mas além do uso medicinal, esta semana encontrei um planta de algodão-do-campo sendo cultivado em um jardim. Desta forma, está aberta a possibilidade para o uso da espécie também como planta ornamental, considerando-se a beleza de suas flores.
 
Algodão-do-campo cultivado em jardim.

Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes que devem ser semeadas logo que colhidas (germinam 90%) ou entrarão em dormência e a germinação cairá drasticamente (menos de 10%). O substrato para germinação pode ser areia, vermiculita ou uma mistura de ambos, para que fique leve e bem aerado. A germinação pode ser feita em tubetes ou bandejas, preferencialmente, em ambiente protegido e com irrigação constante. As plantas não suportam encharcamento, tão pouco falta de água. O germinação é rápida, mas o desenvolvimento das plantas é lento, levando até 18 meses para estarem prontas para o plantio definitivo. No entanto, seu cultivo é simples e não demanda muitos cuidados de manutenção. O cultivo é recomendando para regiões de temperaturas mais elevadas, preferencialmente, onde não ocorram geadas frequentes.
 
Produção de mudas. A) Maturação das sementes - da esquerda para a direita - a de coloração preta e brilhante indica a fase ideal para colheita; B) germinação e desenvolvimento da plântula; C) germinação em vermiculite; D) muda pronta para plantio definitivo (18 meses).
Curiosidades: Esta planta logo após germinar e emitir raiz, inicia a formação de uma estrutura de reserva denominada xilopódio, que nada mais é do que o engrossamento rápido da raiz principal. Esta características lhe confere resistência à seca e, principalmente, ao fogo, pois quando o Cerrado é queimado e com ele toda a parte aérea da planta, as raízes permanecem intacta e com grande volume de reservas para brotar e continuar seu ciclo de vida. É um dos primeiros arbustos a brotar após os incêndios no Cerrado.



Referências Bibliográficas

CAMILLO, J. Germinação e conservação de germoplasma de algodão-do-campo [Cochlospermum regium (Mart. ex Schrank) Pilger]-Cochlospermaceae. Dissertação (mestrado) Universidade de Brasília, 2008. Link


CAMILLO, J., et al. Conservação in vitro de Cochlospermum regium (Schrank) Pilg.-Cochlospermaceae sob regime de crescimento mínimo. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 1-2, 184-189, 2009.  Link

Ontem, fazendo minha caminhada ao final da tarde, tive a grata satisfação de encontrar uma planta que me lembrou muita coisa da minha infância: a uvaia. O nome deriva da denominação indígena iwa’ya, que significa fruto ácido.

Uvaieira. A planta possui poucos frutos, pois estamos na época de seca no Cerrado e
a falta de água implica pouca floração e baixa produção de frutos.
Descrição botânica: A uvaieira é uma planta da família Myrtaceae, com porte variando entre pequenos arbustos a árvores de 12 a 13 metros de altura. As folhas são simples, opostas, estreitas e alongadas; os frutos são arredondados, com uma casca fina e textura aveludada, a cor varia entre verde e o amarelo, conforme avança a maturação. A floração ocorre entre os meses de agosto a novembro e a maturação dos frutos inicia-se em outubro.


Onde ocorre: A uvaia é planta nativa e típica do sul do Brasil, mas também ocorre naturalmente nos estados da região Sudeste, além do Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe e Ceará, nos biomas Mata Atlântica e Cerrado.
 
Fruto no inicio da maturação. Quando maduros tem coloração amarelo-forte.
Usos: Os frutos são comestíveis, tem um sabor levemente ácido e aroma suave, quando bem maduros. A polpa dos frutos pode ser utilizada no preparo de geleias, sucos, licores, vinhos, vinagres, sorvetes e iogurtes. Os frutos contém grande quantidade de vitamina C sendo, por isso, considerada uma ótima fonte de antioxidantes.
            Os frutos, folhas e ramos, por serem bastante aromáticos, podem ser utilizados como fonte de óleos essenciais para a cosmética e perfumaria. A planta pode ser recomendada para plantios na recuperação de áreas degradadas, como componente em sistemas agroflorestais ou agrossilvipastoris, na arborização urbana e na ornamentação.
 
Suco de uvaia vendido em Feiras livres no Rio Grande do Sul.
Aspectos agronômicos: A planta é multiplicada por sementes, que podem ser germinadas em bandejas ou sementeiras, contendo areia como substrato. O substrato tem que ser mantido sempre úmido para permitir boa germinação. É possível se obter mais de uma muda através do fracionamento da sementes. Estudos tem demonstrado que é possível também, fazer a propagação in vitro, através de microestacas caulinares.
            O cultivo deve ser feito à pleno sol, em solo fértil e bem drenado. As regas devem ser frequentes até o estabelecimento das mudas, e são fundamentais para que haja floração e boa produção de frutos. O plantio comercial pode ser efetuado em espaçamento 5 x 2 metros. As plantas crescem rápido e não necessitam muitos cuidados para sua manutenção.

Referências bibliográficas
DE MEDEIROS, L.F. et al. Diferentes substratos na produção de mudas de uvaieira (Eugenia pyriformis Cambess.). Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, 5(2), 2010.
NASCIMENTO, A.C. et al. Micropropagação de uvaieira (Eugenia pyriformis Cambess): efeitos do BAP e AIB. Revista Verde, Mossoró, 3(2), 20-26, 2008.
SILVA, C.V. et al. Fracionamento e germinação de sementes de uvaia (Eugenia pyriformis Cambess.) Myrtaceae. Revista Brasileira de Sementes, 27(1), 86-92, 2005.
SOBRAL, M.; PROENÇA, C.; SOUZA, M.; MAZINE, F.; LUCAS, E. Myrtaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB10517>. Acesso em: 20 Out. 2015.

STIEVEN, A.C. et al. Óleos essenciais de uvaia (Eugenia pyriformis Cambess): avaliação das atividades microbiana e antioxidante. Eclética Química, 34(3) 7-13, 2009.

Descrição botânica: Da família Rubiaceae, a planta tem porte arbóreo, medindo entre 6 a 25 m de altura; tronco ereto, cascas finas de cor cinza-claro; copa formada por numerosos ramos curtos, densa quando em folhação e de formato piramidal; as folhas são simples, com nervuras bem marcadas, medindo entre 8 e 30 cm de comprimento, textura lisa e cor verde brilhante; as flores são pequenas, de cor amarelo-claro e cinco pétalas; os frutos são arredondados inicialmente tem casca lisa e cor cinza, passando a enrugada e marrom, conforme avança a maturação; o interior dos frutos contém uma polpa carnosa, bastante aromática e com numerosas sementes.
 
Aspectos gerais do jenipapeiro. A) Botões florais; B) Flor; C) Folhagem densa; D) Ramos com frutos. 
Onde ocorre: A planta é nativa do Brasil, mas não endêmica, sendo encontrada em outros países de América Latina, Ásia e África. No Brasil, ocorre naturalmente em quase todos os Estados da Federação, exceto no Rio Grande do Sul.

Fruto maduro com casca enrugada e cortado ao
meio, mostrando a polpa carnosa e as sementes.
Usos: Alimentício, ornamental, medicinal, aromático, tintorial e madeireiro. Como alimento, o fruto pode ser consumido in natura, na forma de compota, sorvete, cristalizado, suco, licor ou vinho. A polpa verde apresenta coloração azulada e pode ser utilizada como corante. Na medicina tradicional, os frutos são utilizados no preparo de xaropes caseiros contra tosse e resfriado. Na indústria química, os frutos são fonte de aroma para a cosmética e perfumaria.
            O jenipapeiro é bastante ornamental, principalmente pelo formato piramidal da copa e a densa folhagem que produz durante a primavera/verão. Deve ser cultivado em áreas abertas e longe de fontes de água e piscinas, uma vez que perde as folhas durante a época seca. Algumas plantas apresentam altura superior a 20 metros e sistema radicular vigoroso, não sendo recomendado seu plantio em áreas próximas de fiação elétrica ou em áreas calçadas.
            A planta apresenta características ecológicas que a torna um elemento potencial na recomposição de áreas degradadas ou brejosas, na biorremediação de áreas contaminadas por mineração e em sistemas agroflorestais. A madeira é compacta, flexível e fácil de trabalhar, própria para uso em marcenaria ou na construção civil.
            No Distrito Federal existem mercados especializados na venda de frutas nativas onde é possível comprar jenipapo. Mas em geral, não é fácil encontrar jenipapo à venda em supermercados, o mais comum é comprá-los nas feiras, direto do produtor ou, quando possível, colher direto da árvore e sem custo, na avenida mais próxima da sua casa. Os frutos quando maduros, deterioram-se rapidamente, sendo assim, para aumentar o tempo de conservação devem ser mantidos me geladeira (10°C).
 
Jenipapo maduro vendido no Mercado Ver-o-peso em Belém/PA e embalado individualmente vendido em supermercado no Distrito Federal.
Aspectos agronômicos: A propagação é feita através de sementes, em sementeiras ou em tubetes, contendo substrato composto por terra preta (terra de mato) e esterco bovino curtido, na proporção de 1:1. Também pode ser utilizado substrato comercial próprio para a produção de mudas. As sementes tem curta longevidade, podendo ser armazenadas por no máximo 60 dias. A planta suporta clima frio, inclusive geadas leves. Deve ser plantada em locais amplos, preferencialmente à pleno sol. As covas precisam ser profundas (50x50x50 cm), para permitir o bom desenvolvimento do sistema radicular. As regas devem ser constantes até o estabelecimento completo da muda, posteriormente, a planta não exige muitos cuidados para sua manutenção.
 
Jenipapo cultivado na arborização urbana das avenidas de Sobradinho - DF.
Curiosidades: Aqui em casa, gosto de preparar o jenipapo refogado com uma crosta de açúcar e canela. Depois do cozido, coloco as fatias do fruto e a calda que se formou durante o cozimento, em um frasco de vidro limpo e esterilizado e deixo curtir por uns quatro ou cinco dias. Após isso, o sabor fica mais suave e então o doce pode ser consumido puro, com sorvete de creme ou com outras receitas tradicionais.
            O aroma e sabor marcante do jenipapo pode causar estranheza na primeira vez que se experimenta. É o típico sabor que não tem comparação: é sabor de jenipapo e pronto. O importante é deixar de ser conservador e provar novos sabores. Preparado do jeito certo e por alguém que entende do assunto, uma vez provado, com certeza estará aprovado!
 
Jenipapo caramelizado com açúcar e canela. Uma delicia!
Referências Bibliográficas
ANDRADE, S.A.C. et al. Desidratação osmótica do jenipapo (Genipa americana L.). Ciência e Tecnologia de Alimentos, 23(2), 276-281, 2003.
COSTA, M.C. et al. Substratos para produção de mudas de jenipapo (Genipa americana L.). Pesquisa Agropecuária Tropical (Agricultural Research in the Tropics), 35(1), 19-24, 2007.

ZAPPI, D. Genipa in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 04 Out. 2015.

Fotos: J. Camillo.
Ipê-branco (T. roseoalba) na Universidade de Brasilia. 

Esta semana a Planta da Vez não poderia ser outra senão o Ipê-branco, que encerra a temporada de floração dos ipês em grande estilo. Conhecida também como ipê-branco-do-cerrado, pau-d’arco ou planta-do-mel, pode ser encontrada florida em várias regiões no Brasil no final da época seca, entre os meses de agosto a outubro.

Descrição botânica: O ipê-branco, da família Bignoniaceae, é uma árvore com até 25 m de altura, casca espessa e pouco fendida; folhas palmadas com 3 folíolos de 10-15 cm de comprimento; inflorescência terminal reunindo muitas flores de cor branca com uma listra amarela na parte central; os frutos são tipo cápsula (vagem) medindo entre 20-25 cm com muitas sementes aladas.
Onde ocorre: A espécie é nativa mas não endêmica do Brasil, onde pode ser encontrada naturalmente em quase todas as regiões, especialmente nos biomas Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Pode ocorrer tanto em locais abertos, como em matas mais fechadas.

Usos: Pela beleza de sua florada, coloração azulada da folhagem e o formato piramidal da copa, é amplamente utilizado na ornamentação urbana de parques, jardins, ruas e avenidas. Normalmente, tem porte mediano e sistema radicular não muito agressivo, podendo ser cultivado próximo de áreas calçadas. É uma planta muito bem adaptada a locais secos e pedregosos, sendo uma opção para a recuperação de áreas degradadas ou como componente em sistemas agrossilvipastoris.
Propagação: Por sementes, colhidas em frutos maduros e germinadas em canteiros ou embalagens individuais contendo substrato organo-argiloso. As mudas devem ser mantidas inicialmente em local sombreado. O crescimento das mudas é rápido, em 3 a 4 meses as plantas estarão prontas para o plantio no ambiente definitivo. Podem iniciar a floração aos 3 ou 4 anos de idade.
Curiosidade: O ipê-branco, juntamente com outras espécies de ipê, é considerado Patrimônio Ecológico do Distrito Federal. Os ipês também fazem parte do Bosque dos Constituintes, uma iniciativa da Câmara dos Deputados para celebrar a Constituição de 1988, onde cada constituinte plantou uma árvore, e no caso do ipê-branco, a primeira muda foi plantada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal Luiz Rafael Mayer.
Ipê-branco florido no campus da Universidade de Brasilia. Imagem: Weslainey Diniz. 
Agradecimento: À minha querida aluna Weslainey Diniz pela colaboração no envio de imagens.
Sobradinho - DF.

Ipê branco contrastando com a grama seca e ao fundo, a beleza da Catedral de
Brasilia - DF.

Referências bibliográficas
  1. BRASIL. Câmara dos Deputados. Ipê-branco. Disponível em: Link. 2015.
  2. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Árvores do Brasil Central: espécies da região geoeconômica de Brasília. Vol. 1. Rio de Janeiro, 2002.
  3. IBF – Instituto Brasileiro de Florestas. Ipê-branco. Disponível em: Link. Acesso em 18/09/2015.
  4. LOHMANN, L.G. Bignoniaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 05 Set. 2015.
  5. LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Vol. 1. 5 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.
  6. MACEDO, M.C.; ROSA, Y.B.C.; ROSA JUNIOR, E.J.; SCALON, S.P.Q.; TATARA, M.B. Produção de mudas de ipê-branco em diferentes substratos. Cerne, 17(1), 95-102, 2011.
Imagens: J. Camillo. As imagens poderão ser utilizadas desde que citada a autoria.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.