O buriti é uma das plantas símbolo do Cerrado brasileiro. É a palmeira que caracteriza a paisagem das veredas, ou seja, onde tem buriti tem água e onde tem água, tem buriti. As veredas têm sido enormemente castigadas pelo avanço descontrolado da atividade humana sobre o Cerrado e, consequentemente, os buritis e toda a fauna e flora que compõe as veredas, correm sérios riscos. A perda dos buritis e das veredas significa a perda da água doce, pois um não sobrevive sem a presença do outro. O buriti é muito mais do que uma paisagem bonita, é uma fonte abundante de alimento e água para a vida do Cerrado.
 
As veredas do cerrado com os enormes buritis indicando, de longe, que ali tem água e alimento, mesmo em épocas de secas mais severas. Foto: Fabiano Bastos. Embrapa Cerrados.
Frutos maduros.
Descrição botânica: Pertence à família Arecaceae, é uma palmeira de tronco solitário, que pode medir até 20 metros de altura. As folhas possuem pecíolo longo e resistente, são arredondadas, grandes, com até 3,5 metros de comprimento. As inflorescências são ramificadas e compridas, com até 4 metros de comprimento e numerosas ráquilas que contém flores masculinas ou femininas (dioica). Os frutos, quando maduros, tem coloração marrom-avermelhada, formato globoso/alongado, com polpa alaranjada e aromática; cada fruto contém em seu interior uma amêndoa de coloração marrom e bastante oleosa.

Onde ocorre: O buriti é uma palmeira nativa do cerrado do Brasil central, ocorre naturalmente em áreas úmidas desde as savanas amazônicas até o pantanal mato-grossense. Não ocorre, de forma natural, na Região Sul do Brasil, preferindo áreas de clima mais quente e seco o ano todo.


Usos: A espécie é utilizada como alimentícia, oleaginosa, fibrosa, medicinal, ornamental e na confecção de artesanato. Como alimentícia, sua polpa macia e aromática pode ser consumida in natura, desidratada (raspas) ou processada na forma de farinha, doces, geleias e licores. A polpa é rica em carotenoides, vitaminas e sais minerais, além de possuir atividade antioxidante. O fruto é uma ótima fonte de óleo, tanto a polpa quanto a amêndoa, para uso alimentar, cosmético e medicinal. As folhas secas são utilizadas na cobertura de casas, galpões e pequenas tendas, além de fornecerem fibra para a confecção de artesanato, a exemplo de luminárias, sousplat, bolsas e cestarias em geral. O pecíolo das folhas, bastante resistente, pode ser utilizado na confecção de móveis para interiores e forrações para residências ou dependências externas, a exemplo das edículas. A planta é bastante ornamental e pode ser utilizada no paisagismo de áreas urbanas amplas, sempre associado à presença de água (margem de lagos, rios, represas, brejos).
Exemplos de pratos preparados com a polpa dos frutos do buriti: doce em barra, rosquinha, casadinho e bolo integral com geleia de buriti.
Uso do buriti no paisagismo e ornamentação de áreas urbanas. Setor Militar Urbano, Brasilia/DF.
O palácio do governo o Distrito Federal foi batizado com o nome de Palácio do Buriti, em homenagem a esta planta que é tão importante para o Cerrado. Nas imediações da sede do governo, existe um único exemplar de buriti, transplantado por ocasião da inauguração do Edifício e que permanece até hoje, embora atualmente se mantenha em pé com a ajuda de cabos de aço, em função da idade da planta e das condições desfavoráveis do local.
Palácio do Buriti, a sede do governo do Distrito Federal, Brasilia/DF.
Aspectos agronômicos: A propagação do buriti é feita exclusivamente por sementes, uma vez que a palmeira não perfilha. As sementes devem ser coletadas de frutos maduros (quando estes caírem no chão), despolpadas e germinadas em substrato arenoso, leve e mantido sempre úmido. A taxa de germinação fica entre 40 a 50%. As mudinhas estarão prontas para a repicagem aos 4 meses após a semeadura, mas o ideal é germiná-las em saquinhos individuais, o que elimina a etapa de repicagem. O crescimento das mudas é um pouco lento, mas uma vez planejada as etapas de germinação e produção, é possível se obter mudas o ano todo. A frutificação se inicia por volta dos 7 a 8 anos de idade da planta, sendo possível a colheita de frutos maduros quase o ano todo. Cada planta pode produzir até 350 kg de fruto por ano.
Planta de buriti durante a frutificação. As folhas secas, fornecem fibra para a produção de artesanato e cobertura de habitações.

Curiosidades: O buriti é uma planta dioica, ou seja, produz flores masculinas e femininas em plantas separadas. Desta forma, quando o objetivo é a produção de frutos, é necessário o plantio de várias mudas na mesma área, a fim de garantir a presença de plantas femininas e masculinas, para que haja polinização e frutificação.

Referências bibliográficas
LEITMAN, P. et al. Arecaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2016. Link.

MARTINS, R.C. A família Arecaceae (Palmae) no estado de Goiás: florística e etnobotânica. Tese de doutorado. Universidade de Brasília. Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Botânica. 2012. 




Pelo nome de abacaxi-ornamental são conhecidas pelo menos três espécies de bromeliáceas: Ananas ananassoides (Baker) L.B.Sm., A. bracteatus (Lindl.) Schult. & Schult.f. e A. nanus (LB Sm.) LB Sm, que podem ser utilizados como flor de corte ou consumidos como alimento. Estas espécies são conhecidas popularmente também pelos nomes de abacaxizinho, abacaxizinho-do-cerrado, ananás-de-raposa ou abacaxi-da-campina.

Ananas ananassoides.
Descrição botânica: Família Bromeliaceae, são plantas perenes, de porte herbáceo, altura entre 0,5 a 1,2 metros, folhas de cor variando entre verde-escuro a arroxeadas e/ou variegadas. As hastes florais medem até 80cm de altura, com inflorescências solitárias, terminais medindo entre 5 a 20cm de comprimento, com coloração rosada, em diferentes tonalidades. O fruto é muito semelhante ao abacaxi comercial, porém, em tamanho reduzido; a coloração varia entre verde, rosado e amarelado, conforme avança a maturação, com pequenas variações de acordo com as diferentes espécies.


Onde ocorre: Plantas nativas da flora do Brasil, rústicas e muito bem adaptadas, podem ser cultivadas em quase todos os estados do País. Ocorrem naturalmente em regiões de clima mais elevado, a exemplo do Centro-Oeste, do Nordeste e partes do Norte e Sudeste.

Ananas nanus.

Hastes de abacaxi-ornamental comercializadas como
flor de corte, Brasilia - DF.
Usos: Podem ser utilizadas como plantas de jardim, de forma isolada, em maciços puros ou combinadas com outras bromeliáceas ou forrações, ou ainda, como plantas de vaso. No entanto, o uso mais comum dos abacaxis-ornamentais é como flor de corte, utilizados na confecção de arranjos florais tropicais. As hastes, quando utilizadas como flor de corte, podem ser colhidas ainda na fase de botão, ou mesmo após a formação do fruto. A durabilidade do arranjo pode chegar a 40 dias.

Os frutos são muito saborosos e podem ser consumidos como alimento. O sabor é muito semelhante ao do abacaxi comercial e podem ser consumidos in natura, embora sejam um pouco ácidos, preparados na forma de geleias, doces, compotas, licores ou cozidos como ingrediente em pratos doces ou salgados.



Aspectos agronômicos: As espécies, em particular o Ananas ananassoides, são ocasionalmente cultivadas para flor de corte, sendo muito comum também, a sua exploração por meio do extrativismo em populações naturais. A multiplicação é relativamente fácil, feita por meio de mudas que surgem ao redor da planta e nas coroas dos frutos após o florescimento. O cultivo pode ser feito em condição de pleno sol ou à meia-sombra. Não toleram temperaturas baixas, ideal é entre 20 a 30°C. Pouco exigentes em fertilidade de solo e não toleram encharcamento. São plantas rústica e de fácil cultivo, demandando poucos cuidados para sua manutenção. Os tratos culturais aplicados ao cultivo comercial, a exemplo da adubação, floração artificial e colheita, podem ser adaptados do abacaxi comercial (Ananas comosus), dada a similaridade de cultivo entre todas as espécies.

Arranjo floral confeccionado com hastes de abacaxi-ornamental.

Referências bibliográficas

LORENZI, H. et al. Frutas no Brasil: nativas e exóticas de consumo in natura. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015.

REFLORA. Flora do Brasil 2020. Disponível em: www.jbrj.gov.br/floradobrasil. 2016.






A arumbeva é um fruto muito apreciado em algumas regiões do sul do Brasil e, curiosamente, só fui conhecer essa planta fora do País. As imagens que ilustram esse post foram feitas em La Sebastiana, a casa do poeta Pablo Neruda, na cidade de Valparaiso no Chile. O Poeta parecia ter uma admiração especial pelos cactos, dedicando-lhes, inclusive, um poema chamado Oda al cactus de la costa, no qual refere-se a estas plantas como Pequeña masa pura de espinas estreladas”.

Descrição botânica: Planta da família Cactaceae, de porte arbustivo, até 2m de altura, ramificada e com muitos espinhos; os ramos suculentos (raquetes) são espessos, medem entre 14 a 25cm de comprimento, com pequenas auréolas contendo um ou dois espinhos cada; as flores são solitárias, dispostas ao longo dos ramos, de coloração alaranjada e antese diurna; os frutos são do tipo baga, de cor variando entre o verde-escuro a arroxeados, com espinhos na parte externa, polpa de cor verde, sabor adocicado e numerosas sementes.

Onde ocorre: A planta é considerada nativa da flora do Brasil. No entanto, atualmente, parece ser cada dia mais difícil observá-la em seu hábitat natural. No Brasil a planta ocorre naturalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, sendo encontrada em outros Estados na condição de cultivada. A espécie não é endêmica do Brasil, ocorrendo também em outros países da América do Sul.



Usos: Como alimentícia e ornamental. Os frutos podem ser consumidos in natura ou utilizados no preparo de geleias, sorvetes, sucos e licores. A espécie pode ser cultivada como matéria-prima para a criação de cochonilhas para extração de corantes naturais, a exemplo do vermelho-carmim, utilizado como pigmento na industrias de iogurtes, bebidas alcoólicas e de corantes para tecidos. Como planta ornamental pode ser utilizada em jardins de forma isolada ou em renques próximos de cercas e muros.

La Sebastiana, a casa onde viveu o poeta Pablo Neruda em Valpaíso, Chile - a
frutificação da arumbeva parece fazer reverencia ao seu ilustre e saudoso morador.
Aspectos agronômicos: A multiplicação é feita por estaquia de ramos, semelhante a outras cactáceas, ou por sementes. O cultivo deve ser feito em pleno sol, em solo leve e bem drenado. A espécie não tolera solos muito úmidos.

Cuidados: É importante observar que a planta possui muitos espinhos e, assim, quando for destinada ao uso ornamental, deve-se avaliar bem o locar onde será cultivada no jardim, a fim de evitar acidentes com crianças e animais domésticos.


Referências bibliográficas

Cactaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 10 Abr. 2016.
KINUPP, V.F. Opuntia elata – arumbeva. In: CORADIN, L. et al. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro – Região Sul. Brasília: MMA, 2011.

LORENZI, H. et al. Frutas do Brasil: nativas e exóticas de consumo in natura. São Paulo: Instituto Plantarum. 2015.

O pequi é um fruto típico do Cerrado brasileiro e característico da culinária do Centro-Oeste, especialmente do estado de Goiás. Está presente em uma infinidade de pratos e produtos da gastronomia regional, além de contar um pouco da história cultural e colonial do Brasil central. A poetisa brasiliense Hull de La Fuente, no poema Flor do pequi, resume em versos as belezas da nossa planta da vez:

Uma estrela assim formosa
Que nasce aqui no cerrado
Do pequizeiro é a rosa
E seu fruto é afamado.
Esta flor é bem sensível,
Não se pode apertar não
Sua reação é incrível,
Ela murcha e cai ao chão.
O seu fruto é saboroso
Quem o come não esquece.
Sem espinhos é gostoso,
Vem provar, se não conhece.

Descrição botânica: Família Caryocaraceae, porte arbóreo (até 10m de altura) ou, algumas vezes, reduzido e tronco bastante retorcido, conforme o solo da região; o caule é recoberto por uma casca espessa e fendida (adaptação ao fogo); as folhas são trifolioladas, apostas, pilosas, com bordos ondulados e cor verde-escuro; as flores são reunidas em cachos no final dos ramos e cada cacho pode conter entre 2 a 30 botões florais de coloração avermelhada, as flores abertas tem coloração creme, com numerosos e alongados estames; os frutos são do tipo drupa, com 1 a 4 sementes (caroços) recobertas por uma camada de polpa alaranjada, aromática e rica em óleo; as sementes são envoltas por uma densa camada de espinhos, que funciona como proteção contra os predadores.

Onde ocorre: A espécie é nativa da flora do Brasil e ocorre naturalmente em áreas de Cerrado, desde o norte do Paraná até o Tocantins e o Pará. No Centro-Oeste, é possível encontrar cultivos destinados à produção comercial de frutos, embora raros e em pequena escala.

Usos: A planta pode ser utilizada como alimentícia, oleaginosa e ornamental. Os frutos são consumidos cozidos ou simplesmente refogados em azeite e alho. Da polpa alaranjada pode-se preparar conserva, cremes doces e salgados, geleias doces e salgadas, farinha, óleo, licores, molhos e uma infinidade de outras preparações. O prato mais famoso é o arroz com pequi, presença obrigatória no dia-a-dia da boa cozinha goiana. A casca dos frutos também pode ser utilizada para o preparo de farinha e pode substituir parcialmente a farinha de trigo. O óleo pode ser utilizado com condimento, cosmético e medicinal. A castanha (semente) pode ser utilizada para produção de óleo ou ser consumida torrada, da mesma forma que outras castanhas. A conformação retorcida do tronco e dos galhos formam um belo conjunto ornamental, além de ser uma espécie pouco exigente em água e de fácil manutenção.
Produtos preparados a partir da polpa do pequi: o arroz com pequi é o prato mais famoso, mas ainda tem
geleia (doce), licor, polpa em conserva, óleo e o molho de pequi com pimenta.
Dicas: Receitas deliciosas preparadas com pequi podem ser encontradas no livro Alimentação Saudável na Culinária Regional, de autoria da professora Raquel Santiago, da Universidade Federal de Goiás.
Atualmente é possível, sem muito esforço, comprar produtos à base de pequi em diversos supermercados de quase todo o Brasil, inclusive no Sul. Recentemente estive em Florianópolis e encontrei molho de pequi sendo comercializado em supermercados e nos quiosques do Mercado Municipal, o mesmo observei na cidade de Porto Alegre/RS.
 
Quiche de ricota com pequi, a melhor receita com pequi que já provei. O sabor é muito suave, agrada até quem não é muito fã do fruto.
Aspectos agronômicos: A multiplicação pode ser feita por sementes ou por estaquia. Mudas oriundas de semente demoram até 8 anos para iniciar a frutificação, sendo mais recomendável, portanto, o uso de mudas propagadas por estaquia, adquiridas em viveiros especializados. O plantio deve ser feito no início do período chuvoso e o cultivo, feito à pleno sol, em solo bem drenado, leve e adubado, para uma boa produção de frutos. A frutificação ocorre nos meses de dezembro a fevereiro, havendo alguma variação conforme a região do País, sendo possível encontrar plantas frutificadas também entre os meses de março a maio. A espécie pode ser cultivada tanto na forma de plantios puros, como em consorciação com outras culturas.
 
Uso do pequi como planta ornamental.
Cuidado: A melhor forma de comer pequi é literalmente “roer o caroço” e nunca, já mais, morder para tirar pedaço. Por isso recomenda-se muita cautela a quem for experimentar pequi pela primeira vez. Ao morder o caroço expõe-se os espinhos que recobrem as sementes e que poderão causar extremo desconforto por ficarem aderidos à mucosa bucal, podendo, inclusive, causar lesões mais graves se não forem removidos rapidamente e de forma correta.



Referências bibliográficas complementares
AGEITEC – Agencia Embrapa de Informação Tecnológica. Pequi. 2016. Link
CAMARGO, M.P. et al. A cultura do pequi (Caryocar brasiliense Camb.) na recuperação de áreas degradas e como alternativa para a produção de biodiesel no Brasil. Journal of Agronomic Sciences, v.3, n. especial, p.180-192, 2014.
CARYOCARACEAE in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2016. Disponível em: <Link>.
EMATER-MG. A cultura do pequi. 2016. Link

OLIVEIRA, W.L.; SCARIOT, A. Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável do pequi. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2010. 84 p. Link

O lírio-do-brejo é uma planta muito utilizada em paisagismo e ornamentação de jardins, principalmente, associada a áreas com presença de água (lagos, riachos ou cascatas). As flores possuem um perfume suave, que lembra os lírios-do-campo. É popularmente conhecida como gengibre-branco, borboleta, borboleta-amarela, cardamomo-da-praia, cardamomo-do-mato, escalda-mão, flor-de-lis, jasmim, jasmim-borboleta, jasmim-do-brejo, lágrima-de-moça, lágrima-de-napoleão, lágrima-de-vênus, lírio-branco, napoleão, narciso, olímpia, entre outros nomes conforme a Região.

Descrição botânica: Planta da família Zingiberaceae, perene, herbácea rizomatosa, com crescimento bastante vigoroso formando grandes touceiras, medindo entre 1 a 2m de altura; caule ereto e avermelhado na base, enfolhado; as folhas têm formato lanceolado, com ápice acuminado e base angustiada, medindo entre 25-40cm de comprimento por 5-6cm de largura; as flores são reunidas em inflorescências tipo espiga, cada flor é formada por quatro brácteas oblongas, planas e de coloração branca (pode ocorrer uma variedade com flores rosadas); os frutos são tipo baga, deiscentes, de formato elíptico, inicialmente verdes, passando a alaranjado conforme avança a maturação, medem entre 2 a 3cm de comprimento por 1,0 a 1,5cm de largura e contém, em seu interior, numerosas sementes envoltas em mucilagem vermelha; as sementes são ovaladas e avermelhadas. No Brasil, o lírio-do-brejo floresce o ano todo, porém, com maior intensidade nos meses de verão.



Onde ocorre: A espécie é nativa da Ásia tropical. No Brasil a espécie é considerada naturalizada, devido à sua grande capacidade de adaptação às diferentes condições climáticas das Regiões e pode ser encontrada em, praticamente, todos os estados da Federação. Possui ampla dispersão pelo mundo, sendo encontrada facilmente nos diversos países de clima tropical.

Usos: A folhagem verde brilhante e as flores brancas formam um conjunto bastante ornamental, sendo esta a principal utilidade da espécie no Brasil. Também possui propriedades medicinais e o aroma de suas flores podem ser utilizados em aromaterapia ou na extração de essências para perfumaria. Os rizomas podem ser fonte de fibras para a fabricação de artesanato ou para a extração de fécula utilizada na alimentação humana.



Aspectos agronômicos: A propagação é feita por divisão de touceiras. É planta palustre, ou seja, seu cultivo deve ser feito em áreas brejosas ou bastante úmidas, porém, o crescimento ocorre acima da lamina de água. O solo deve ser rico em matéria orgânica. Embora cresça a pleno sol, prefere locais de sombra ou meia-sombra.

Cuidados: O lírio-do-brejo possui alto potencial invasivo e é considerado uma espécie exótica invasora no Brasil. Portanto seu uso deve ser muito bem planejado dentro do projeto paisagístico, a fim de evitar a invasão de áreas não desejadas no jardim, ou mesmo, de cursos d’água próximos. Em alguns locais é necessário efetuar, com frequência, podas de contenção. Devido ao seu crescimento bastante agressivo, a presença de densas populações de lírio-do-brejo pode comprometer a existência de outras espécies da flora nativa local, recomendando-se, portanto, bastante cautela no manejo desta espécie. As espécies exóticas invasoras são uma grande ameaça à biodiversidade dos biomas brasileiros.


** As imagens são do Parque Municipal de Itiquira, Formosa-GO Link.

Referências bibliográficas

FLORA SBS. Hedychium coronarium - Lírio-do-brejo. Disponível em Link. Acesso em 12 mar 2016.

SILVA, D.T.L. Caracterização de invasão da espécie exótica lírio-do-brejo (Hedychium coronarium) em área de mata ciliar no município de Joanópolis/SP. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer - Goiânia, 7(12), 1-17, 2011.


Zingiberaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 12 Mar. 2016.

O Cerrado é muito rico em tipos de maracujás: tem plantas de flores brancas, roxas, vermelhas, algumas com frutos azedos e outros deliciosamente doces. Dia desses, entre uma andança e outra, me deparei com essa planta, que considero uma das flores mais lindas dentre os diversos tipos de maracujás.
A espécie é conhecida por diversos nomes, conforme a região do Brasil: passionária, maracujá-azul, maracujá-verde, maracujá-do-campo, maracujá-da-serra, maracujá-de-cobra ou maracujazinho-do-mato.

Descrição botânica: Plantas trepadeiras herbáceas, glabras ou pubescentes, com caules cilíndricos, estriados, verdes. As folhas são 3-lobadas, com lobos alongados e margem inteira, face adaxial lustrosa, nervação reticulada, pecíolo cilíndrico e gavinhas axilares. As flores são solitárias, de coloração lilás-claro, com os filamentos longos da corona violeta-claro a violeta-escuro e filamentos curtos violeta-escuro. Os frutos têm formato elipsoides, coloração verde-clara e medem até 6cm de comprimento. As sementes são ovaladas, marrons, com arilo mucilaginoso e transparente. É uma das espécies com maior variabilidade genética dentre o gênero Passiflora. É uma planta predominantemente alógama e polinizada por abelhas, principalmente, aquelas dos gêneros Xylocopa, Centris e Eulaema. Floresce intensamente entre os meses de fevereiro a março e, em menor abundancia, de julho a novembro, conforme a região e o clima predominante.


Onde ocorre: A espécie é nativa, mas não endêmica do Brasil. Pode ser encontrada em todos os biomas, entretanto, parece ser mais abundante nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, nas matas ciliares e matas de galeria, desde o Rio Grande do Sul até o Mato Grosso e Bahia. A planta pode ser vista, com facilidade, em matas recentemente atingidas pelo fogo, como uma espécie predominante na vegetação em recomposição.

Usos: A planta, embora pouco conhecida para a maioria da população, pode ser utilizada como ornamental pela beleza da folhagem e floração vistosa. As sépalas e pétalas apresentam coloração lápis-lazúli e corona com filamentos externos de cor roxo-escuro. Os frutos podem ser consumidos in natura, pois possuem polpa muito saborosa. Também podem ser consumidos na forma de sucos e geleias, da mesma forma que o maracujá convencional.

Aspectos agronômicos: Não existe informações acerca do cultivo desta espécie. Sabe-se, por meio de observações, que a planta prefere locais úmidos, nas margens de córregos e lagos. A propagação é feita por meio de sementes e, assim como outros maracujás, necessita estrutura de tutoramento para o seu crescimento.

Referências bibliográficas

      AUKAR, A.P.A. et al. Genetic variations among passion fruit species using rapd markers. Revista Brasileira de Fruticultura, 24(3), 738-740, 2002.
    BRAGA, M.F.; JUNQUEIRA, N.T.V. Uso potencial de outras espécies do gênero Passiflora. Informe Agropecuário, 21 (206), 72-75, 2000.
       FLORA RS. Flora digital do Rio Grande do Sul. Passiflora amethystina J.C. Mikan – maracujá-azul. Disponível em: Link. 2016.
     FLORA SBS. Passiflora amethystina - Maracujá-verde. Disponível em: Link. 2016.
     Passiflora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 25 Fev. 2016.
       KOSCHNITZKE, C.; SAZIMA, M. Biologia floral de cinco espécies de Passiflora L. (Passifloraceae) em mata semidecídua. Brazilian Journal of Botany, 20(2), 119-126, 1997.
 
 
          Uma das coisas que mais gosto é escrever sobre temas que lembram minha infância, e o hibisco é uma delas. É uma flor linda e me encanto até hoje cada vez que descubro um hibisco diferente. Tenho coleção de fotos de hibiscos de todas as partes do Brasil e preparei uma pequena amostra para quem, como eu, também admira essa planta maravilhosa.
          A espécie é cultivada no mundo todo e recebe dezenas de nomes diferentes: china-rose, china-rose-plant, dasani, gudhal, gurhal, jaba, joba, mandaar, sadaphool, senicikobia, japaphool, japa, japakusam, jasum, jasunt, jaswand, jia pushpa, kante, mandasa, sambathoo chedi, senitoa yaloyalo. No Brasil é conhecida pelos nomes de mimo-chinês, rosa-da-china, brinco-de-princesa, mimo-de-vênus, papoula-hibisco ou graxa-de-estudante. O hibisco é a flor símbolo do Havaí e é considerada a flor nacional da Malásia desde 1960.

Descrição da planta: Da família botânica Malvaceae, porte variando entre 2 a 4 metros de altura, crescimento ereto e bastante ramificada; as folhas são simples, alternadas, pecioladas, de coloração verde-escuro, formato ovalado, margens dentadas, base acuminada e tamanho variando entre 4 a 9 cm de comprimento. As flores são solitárias, saindo das axilas das folhas na porção terminal dos galhos, com pedúnculo de 1 a 5cm de comprimento; cada flor simples contém cinco pétalas de formato ovalado e margem lisa ou irregular (conferindo um aspecto rendo às flores); em geral, o miolo das flores possui colorações distintas: o fundo é geralmente vermelho ou bordô e contornado, em algumas variedades, por outro alo esbranquiçado; do centro da flor emerge uma longa coluna com numerosos estames concentrados na porção terminal, a maioria estéril, especialmente nas variedades hibridas. É possível encontrar plantas com flores simples ou dobradas.

Onde ocorre: A espécie é nativa do sudoeste asiático onde ocorre de forma espontânea na vegetação da região. É uma das plantas ornamentais mais cultivadas por todo o mundo, especialmente nos países de clima tropical e subtropical, a exemplo do Brasil. Alguns relatos dão conta que a espécie foi trazida para o Brasil por escravos africanos, ainda no século XVII.

Usos: Como planta ornamental pode ser cultivada em jardins na formação de cerca-viva, renques, composições com outras espécies, planta isolada ou como planta de vaso. Também é bastante utilizada para a confecção de bonsai. Produz grande quantidade de flores o ano todo, atraindo diversos polinizadores ao jardim. As folhas podem ser fonte para obtenção de corante, cascas e ramos podem fornecer fibra para a confecção de artesanato.

As flores do hibisco são comestíveis, com sabor levemente ácido, são muito versáteis na cozinha e podem ser utilizadas na composição de saladas e guarnições, além de ser uma excelente opção na decoração de pratos variados. As folhas jovens também podem ser consumidas refogadas ou na forma de salada. As flores podem ser utilizadas na produção de geleia, chutney, patês e cremes doces ou salgados.

Folhas jovens e flores também são a matéria-prima do chá de hibisco, apreciado no mundo todo. O chá é rico em flavonoides de ação antioxidante, além de conter diversos tipos de fitosteróis, que são aliados no controle do colesterol. No entanto, estudos demonstraram que o chá possui ação contraceptiva e abortiva, não devendo, portanto, ser ingerido em grande quantidade por gestantes ou mulheres que desejam engravidar. 
Outras espécies do gênero Hibiscus são cultivadas no Brasil e fazem parte da história e cultura gastronômica do Brasil, a exemplo do Hibiscus sabdariffa e H. acetosella, ambas conhecidas como vinagreira e que já foram assunto aqui neste blog (Link).

Aspectos agronômicos: A propagação do hibisco se dá por via vegetativa, por meio de estaquia de ramos herbáceos, alporquia ou mergulhia. As mudas também podem ser adquiridas em viveiristas especializados. O plantio das mudas é feito em covas, com solo adubado, rico em matéria orgânica, leve e bem drenado. As regas devem ser frequentes até o completo estabelecimento da muda, posteriormente, poderão ser mais espaçadas ou até dispensadas, naquelas regiões onde a chuva é bem distribuída ao longo do ano. A espécie, embora seja cultivada em regiões frias, prefere climas mais quentes e não tolera geadas fortes.

Para o cultivo, estão disponíveis no mercado brasileiro diversos híbridos e variedades com diferentes tamanhos, cores e formato de flores, podendo sem de flores simples ou dobradas. A espécie adapta-se muito bem aos diversos tipos de clima e solo brasileiros e demanda poucos cuidados para sua manutenção como planta ornamental. No entanto, como todo arbusto de jardim, recomenda-se efetuar podas periódicas para estimular a brotação, eliminar ramos mortos ou doentes e, se desejado, manter a planta com um formato específico.
 

 
Referências bibliográficas

ESTEVES, G.L. et al. Sinopse de Hibiscus L. (Malvoideae, Malvaceae) do Estado de São Paulo, Brasil: espécies nativas e cultivadas ornamentais. Hoehnea, 41(4), 529-539, 2014.
KUMAR, A.; SINGH, A. Review on Hibiscus rosa-sinensis. International Journal of Research in Pharmaceutical and Biomedical Sciences, 3(2), 534-538, 2012.
LIM, T.K. Edible medicinal and non-medicinal plants - Flowers. Vol. 8 Springerlink. 2014.
ROSS, I.A. Hibiscus rosa-sinensis. In: Medicinal Plants of the World. Humana Press, 2003. p. 253-266.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.