Dia desses, andando por aí, tropecei em uma plantinha redondinha muito bonita e perguntei ao meu interlocutor do que se tratava e ele prontamente me apresentou a estévia. Planta de uso consagrado na produção de adoçantes. Mas meu espanto foi descobrir que se trata de uma planta nativa do Brasil, de ocorrência comum nas margens do Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. Suas folhinhas delicadas são adocicadas, razão pela qual a espécie é também conhecida como capim-doce, erva-doce, planta-doce ou folha-doce. Planta muito conhecida e de uso medicinal entre os índios guaranis, que a chamam, entre outros nomes, de azuc-caá, uma alusão às folhas doces.

Descrição botânica: Da família Asteraceae, planta herbácea, com 40 a 80 cm de altura e bastante ramificada. As folhas são simples, com aproximadamente 1 cm de comprimento e formato oblongo e alongado. As inflorescências reúnem numerosas flores brancas pequenas, formando capítulos terminais.


Onde ocorre: Planta nativa, mas não endêmica do Brasil, de ocorrência frequente nas margens do Rio Paraná, no estado Mato Grosso do Sul e em outras regiões ao longo da fronteira com o Paraguai e Argentina. A planta foi descoberta pelo botânico suíço Moisés Santiago Bertoni, nos idos de 1887, quando uma amostra das plantas cultivadas pelos índios guaranis no Paraguai foi enviada ao jardim botânico de Kew, na Inglaterra. Cientistas alemães estudaram a composição química da espécie e caracterizaram o agente adoçante esteviosídeo (entre outros compostos), hoje amplamente conhecido e utilizado na indústria de adoçantes sintéticos em todo o mundo.


Usos: Desde o século XIX ou bem antes, as comunidades indígenas guaranis já utilizavam as folhas de estevia misturadas com as da erva-mate, para adoçar o mate, bebida tradicional do Sul do Brasil. Os extratos das folhas de estevia possuem até 300 vezes mais poder adoçante que o açúcar convencional. A estévia é cultivada e usada a mais de 50 anos no Japão e em vários países europeus para a produção de adoçantes, em substituição à sacarose de cana. Também é usada como aditivo alimentar e como adoçante na indústria de bebidas dietéticas. Por ser um adoçante natural não calórico, resulta menos efeitos colaterais, não provoca cárie dentária, é eliminado naturalmente pelo organismo e ainda pode ser uma boa fonte de carboidratos, minerais, vitaminas e aminoácidos. As comunidades tradicionais usavam a estévia também no controle do diabetes, como diurética, no controle da pressão arterial e como tônico cardíaco.

Aspectos agronômicos: A propagação é feita mais facilmente por estacas de ramos jovens. A germinação das sementes também pode ser viável, mas o grande número de sementes chochas (inviáveis) dificulta a obtenção de mudas de qualidade. Prefere solos leves, ácidos e com umidade constante. É planta de região subtropical e suporta bem o frio. Em maiores altitudes, a parte aérea pode morrer no inverno, rebrotando tão logo se restabeleçam as condições ideais. A planta cresce bem em climas quentes como os do Cerrado do interior do Brasil, sendo recomendado cultivo irrigado nos meses de seca. A poda periódica dos ramos favorece a brotação e limita o florescimento, proporcionando plantas de menor porte e maior rendimento de massa foliar.


Curiosidades: Quando leio artigos científicos sobre a estévia, me chama atenção o fato de ser uma planta nativa do Brasil, conhecida e utilizada há séculos pelos povos indígenas, descoberta e estudada pelos colonizadores europeus no século XVIII e só estudada no Brasil no final dos anos 1980, quando o mundo todo, especialmente os japoneses, já dominavam o cultivo, processamento e transformação da matéria prima. Histórias como a da estévia se repetem até hoje com várias outras plantas nativas brasileiras, entregues gratuitamente a outros países pela falta de incentivos à ciência e tecnologia no Brasil. Me pergunto até quando vamos continuar a trocar madeira por espelhinhos e negligenciar a riqueza da nossa biodiversidade nativa. Precisamos conhecer para valorizar e aproveitar mais o que é nosso!


Bibliografia recomendada

Ahmad, J. et al. Stevia rebaudiana Bertoni.: An updated review of its health benefits, industrial applications and safety. Trends in Food Science & Technology, 100, 177-189, 2020.

Lorenzi, H.; Matos, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Ed. Plantarum. 2002.

Nakajima, J. e Gutiérrez, D.G. Stevia in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB111704

Nieda, M.M. e Henzb, S.L. InfluêncIa da Stevia rebaudiana na saúde bucal. Revista da Faculdade de Odontologia de Porto Alegre, 60(2), 2019.

Tenho especial admiração pelas flores que atraem polinizadores e que fornecem alimento para as abelhas, afinal, sem abelhas não há alimento para os humanos! Me encanta a diversidade de cores e formas das zinias. Essas plantas lembram muito minha infância lá na roça. Por serem muito resistentes, de fácil cultivo e baixa manutenção, toda casa tinha ao menos uma zinia colorindo o jardim. Atualmente existem diversos híbridos e cores a venda no mercado nacional, tanto aquelas de porte pequeno, usadas como forração temporária no paisagismo urbano, quanto aquelas de porte alto cultivadas no jardim, cujas sementes se perpetuam de geração em geração.


Descrição botânica: Da família Asteraceae, ervas anuais, com porte ereto e altura variando de 40 a 60 cm como em Z. peruviana a mais de 1,0 m como em Z. elegans. Folhas simples, de textura áspera, medindo entre 6 a 14 cm. As flores, na verdade, são inflorescências tipo capítulo, que reúnem dezenas de minúsculas flores no centro. As inflorescências são coloridas e muito vistosas, podem ser simples ou dobradas e apresentam grande variação de cores.

Onde ocorre: As Zinnias são nativas da costa oeste da América do Sul, ocorrendo naturalmente desde a Argentina até o México. No Brasil, o gênero é considerado naturalizado e as duas espécies (Z. elegans e Z. peruviana) são cultivadas como ornamental em praticamente todas as regiões do país.


Usos: As plantas de porte menor, até 30 cm de altura, são utilizadas para cultivo como forração temporária, principalmente nos canteiros de ruas e avenidas ou como planta envasada. Já as de porte mais elevado, são mais usadas para a produção de flor de corte ou na composição de maciços e bordaduras. Por sua rusticidade, têm sido estudadas para a composição de jardins filtrantes, no tratamento de água cinza. Na região andina, a zinia é utilizada na medicina tradicional para o tratamento da malária, problemas hepáticos e digestivos, como antifúngica e antibacteriana. Estudos farmacológicos já confirmaram o potencial antibacteriano dos extratos das folhas de Z. peruviana. Além disso, diversos estudos apontam para uma multiplicidade de usos potencias destas espécies com fins terapêuticos. As inflorescências coloridas também são utilizadas na extração de corante para tecidos.


Aspectos agronômicos: Multiplicam-se com facilidade por meio de sementes. A semeadura pode ser feita diretamente no canteiro ou em bandejas próprias para mudas. Sua grande capacidade de multiplicação faz com que estejam presentes tanto em jardins quanto como invasoras em áreas recentemente alteradas, depósitos de terra ou entulho em áreas degradadas. O cultivo, feito sempre em pleno sol, é fácil e não requer muita manutenção. A floração dura quase o ano todo, sendo necessário, entretanto, renovar as plantas após cada ciclo.



Bibliografia recomendada

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. 4ª ed. 2008.

Satorres, S. E. et al. Antibacterial activity of organic extracts from Zinnia peruviana (L.) against gram-positive and gram-negative bacteria. Emirates Journal of Food and Agriculture, 24(4), 344, 2012.


Literalmente, essa é a planta da vez! A begônia-maculata, esquecida por muitas décadas, foi redescoberta pelos amantes de plantas ornamentais, tornando-se uma das espécies mais cobiçadas da atualidade. Sua folhagem é elegante e a florada delicada, é planta de fácil cultivo em ambiente interno ou externo. A bela petit pois confere um ar retrô ao ambiente, remetendo à moda dos anos 1950/60.

Como outras plantas ornamentais, o que encontramos no mercado nacional são híbridos ou variedades melhoradas geneticamente, que diferem entre si e, inclusive, da espécie original nativa. E há que se considerar também, a grande variabilidade genética existente dentro da espécie. Aqui não entrarei neste nível de detalhes, a parte botânica deixo para os especialistas resolverem, meu objetivo é apenas mostrar a beleza e possibilidades de uso de mais uma planta autenticamente brasileira, coisa que poucos sabem. As fotos que ilustram esta matéria são da begônia-maculata tal qual o leitor vai encontrar no comércio.


Descrição botânica: Da família Begoniaceae, planta herbácea, com 1 a 3 m de altura, caule ereto e cilíndrico. Folhas alongadas, com 10 a 15 cm de comprimento, pontiagudas, com porção superior verde escura ou verde amarronzada com pontuações acinzentadas e porção inferior de coloração avermelhada. As flores são reunidas em cachos, denominadas cimeiras, que podem conter de 40 a 50 flores brancas, com muitos estames amarelados no centro. As sementes são aladas, reunidas em pequenos frutos tipos cápsulas.


Onde ocorre: Planta nativa e endêmica do Brasil, ou seja, encontrada naturalmente apenas na Mata Atlântica dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Alguns estudos apontam para a ocorrência da espécie também na Zona da Mata mineira e em áreas de mata úmida do Cerrado.

Usos: Planta ornamental amplamente cultivada no Brasil nos jardins das décadas de 1950 ou anterior. Por muitos anos foi relegada à condição de planta espontânea nos jardins das casas das avós do sul e sudeste do Brasil. Atualmente é um dos produtos mais raros e caros da floricultura nacional. Entretanto, com a visibilidade que a planta vem ganhando, espera-se que, em breve, haja um aumento da oferta e diminuição dos preços. Vai bem em vasos, floreiras ou mesmo no chão, cultivada sozinha, em maciços ou combinada com outras begônias.  A beleza de sua folhagem pintadinha e a delicadeza das flores, são um deleite a quem aprecia plantas diferentes.


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita facilmente por estacas de galhos ou pela divisão das touceiras. Por sementes também é possível. Pode ser cultivada tanto em sol pleno como na sombra. O solo deve ser rico em matéria orgânica e com boa drenagem. As regas devem ser moderadas, porém, constantes. Plantas mantidas em vasos ou floreiras, devem receber adubação rica em fósforo para facilitar a floração e a manutenção de folhas vistosas. Na natureza as plantas florescem uma vez ao ano, com pico nos meses de verão. Já as plantas cultivadas podem florescer várias vezes ao ano, a depender do clima, umidade, da adubação e da aclimatação ao ambiente interno.


Bibliografia recomendada

Feliciano, C.D. Flora de Minas Gerais – Begoniaceae. 2009. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41132/tde-29102009-172815/publico/Carolina_Feliciano.pdf

Jacques, E.L.; Gregório, B.S. 2020. Begoniaceae in Flora do Brasil 2020.

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5663

Copaifera langsdorffii

Difícil encontrar quem não tenha usado ou ouvido falar de um dos remédios mais antigos do Brasil: o óleo de copaíba. Este óleo-resina (denominação correta), faz parte da medicina indígena há séculos, usado na cicatrização umbilical dos recém-nascidos e para curar os guerreiros feridos. Hoje o produto alcançou o mercado de fitoterápicos e pode ser facilmente encontrado em farmácias e ervanários, na forma de cápsulas, pomadas ou o óleo puro.

Existem muitas espécies de copaíbas, especialmente na Amazônia, de onde vem a maior parte do produto que abastece o mercado nacional e internacional. As copaíbas amazônicas (Copaifera multijuga, C. reticulata, C. guianensis, entre outras) se diferenciam da copaíba do Cerrado (Copaifera langsdorffii), entre outras coisas, pela coloração do óleo: a espécies amazônicas produzem óleo de cor amarelada, já a copaíba do Cerrado produz óleo de cor avermelhada, por esta razão também chamada de copaíba-vermelha. O óleo da copaiba do cerrado é mais raro e, por isso, mais dificil de ser encontrado no mercado.

Venda de óleo de copaibas amazônicas no mercado Ver-o-peso, Bélem/PA

Descrição botânica: Da família Fabaceae, as copaibeiras são árvores de médio a grande porte, com copa ampla. As folhas são compostas, com 2 a 12 pares de folíolos, de coloração verde brilhante. As flores são minúsculas, reunidas em inflorescências de até 30 cm no final dos ramos. Os frutos são do tipo cápsula, carnosos quando imaturos e secos quando em ponto de dispersão das sementes. Contém 1 ou, mais raramente, 2 por cápsula. As sementes são bem caraterísticas deste grupo de plantas: de cor preta e parcialmente envoltas por uma membrana (arilo) carnosa, de coloração laranja, amarela, branca, vermelha ou púrpura, a depender da espécie.

Folhas e flores de C. langsdorffii

Onde ocorrem: O gênero Copaifera é nativo do Brasil, onde são descritas 27 espécies de ocorrência distribuída em todo o território nacional e, muitas delas, ocorrem também na região amazônica de países circunvizinhos. C. langsdorffii é mais comum no Cerrado, mas também pode ser vista na Mata Atlântica, Amazônia e Caatinga.

Usos: Medicinal, arborização urbana, madeireira e na recuperação de áreas degradadas são alguns dos usos mais comuns. O óleo de copaíba é um dos remédios mais antigos da farmacopeia popular do Brasil, empregado na cura de diversos males: anti-inflamatório, cicatrizante, carminativo, laxativo, diurético, estimulante, tônico e emoliente, cosmético e no tratamento de sinusites, gripes, resfriados, dores no corpo, quebraduras, picadas de insetos, disenterias, incontinência urinária, psoríase, caspa, afecções dos pulmões, da pele e doenças sexualmente transmissíveis (...). Também é possível extrair óleo essencial das folhas e do óleo-resina, produto muito procurado para aromaterapia. Embora mais difícil de ser encontrado no mercado, o óleo-resina da copaíba do cerrado é avermelhado e mais viscoso, com potencial para uso na indústria de tintas e corantes. As cascas do tronco também fornecem corante amarelado para tecidos. O óleo de copaíba pode ser usado como fixador de perfumes e como ingrediente de produtos de higiene como sabonetes, espumas de banho, xampus, condicionadores, hidratantes corporais e capilares.

Frutos imaturos de C. langsdorffii

Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, da mesma forma que outras árvores, em saquinhos ou recipientes próprios para esta finalidade. Se as sementes forem recém colhidas, germinam entre 20 e 50 dias e estarão prontas para o plantio definitivo entre 9 a 10 meses. O solo deve ser leve, bem drenado e rico em matéria orgânica. O plantio deve ser feito longe de construções, calçadas ou muros, pois as árvores, embora cresçam lentamente, podem ultrapassar 10 m de altura, o que dificulta podas e tratos culturais. Recomenda-se que o cultivo seja feito em áreas abertas, a exemplo de parques urbanos e jardins tropicais amplos. As plantas perdem muitas folhas, especialmente a copaíba-do-cerrado, e não devem ser cultivadas próximas de piscinas ou lagos ornamentais, pois pode causar entupimento dos sistemas de filtragem.

Semente de C. langsdorffii

Curiosidades: O óleo de copaíba é extraído por meio de um furo no tronco, que vai até o cerne da planta onde estão os vasos que contém o óleo. Um pequeno cano é introduzido no local para facilitar o escoamento e coleta do óleo-resina. Já existem regras e manuais que orientam sobre a exploração sustentável do produto, frequência e modo correto de fazer a coleta. Por exemplo, coletas muito frequentes ou exposição do ferimento do tronco podem matar a planta em pouco tempo.

Atenção: Ao adquirir o óleo de copaíba, certifique-se de comprar de fornecedores idôneos, pois existe muita adulteração nos produtos vendidos no comércio informal. Vários estudos indicam adulteração do produto e/ou adição de óleo de soja para aumentar o volume e assim baratear o preço.

Óleo de copaíba e outros óleos vendidos no mercado Ver-o-peso, Bélem/PA

Bibliografia recomendada

Camillo, J. Copaifera langsdorffii (Copaíba). In: Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. 2018. https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade/fauna-e-flora/manejo-e-uso-sustentavel 

Costa, J.A.S. Copaifera in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB22895


Ah o amor! E se é agarradinho, fica ainda melhor! Ok, clichês à parte, o amor-agarradinho quando florido é um encanto! Chama atenção pela delicadeza de suas flores e pelo zumbido das abelhas ao seu redor. Para quem gosta de plantas atrativas ou trabalha com apicultura, essa pode ser uma boa opção para atrair abelhas. Mas há quem tenha repulsa da planta por este mesmo motivo. Entretanto, pode ser apenas por desinformação. As abelhas estão se alimentando e, à menos que sejam atacadas, não causarão qualquer problema a quem estiver por perto. O amor-agarradinho é planta de crescimento rápido, floresce quase o ano todo e é muito versátil. Vai bem como cerca-viva e no recobrimento de pergolados ou daquele canto sem graça no jardim. É bom lembrar que não é planta nativa do Brasil e tem alto potencial invasivo, por isso seu cultivo deve ser sempre monitorado para evitar problemas.

Descrição botânica: Da família Polygonaceae, trepadeira com gavinhas, ou seja, possui estruturas que permite subir (agarrar) com facilidade em troncos, cercas ou muros. Planta muito ramificada e de abundante folhação; folhas pecioladas de 5 a 10 cm de comprimento e formatos variando entre oval, oblonga, cordada (forma de coração) ou deltoide (triangular). As inflorescências são tipo racemos ou panículas, que reúnem centenas de pequenas flores brancas, rosadas ou, mais raramente, esverdeadas. Os frutos medem menos de 1 cm de comprimento e abrigam numerosas sementes de cor preta.


Onde ocorre: Planta de origem mexicana, cultivada em boa parte dos países tropicais devido à sua boa adaptação à diferentes tipos de clima e solo. No Brasil só é encontrada na condição de cultivada, mas está presente em praticamente todos os estados. Por aqui são cultivadas duas espécies, o A. leptopus e o A. guatimalense, de flores dobradas.

Usos: Planta para uso ornamental e apícola. Como planta ornamental pode ser usada para recobrir muros, cercas, treliças ou pergolados. Suas delicadas flores em forma de coração, atraem abelhas e pássaros, que se alimentam do néctar, flores e sementes. Como alimento apícola é importante ressaltar que existem plantas até mais eficientes, mas a importância do amor-agarradinho se dá especialmente em regiões de clima mais seco. Essa espécie pode florescer praticamente o ano todo, inclusive nos períodos de entressafra das plantas convencionais e, assim, fornece alimento e abrigo às abelhas nos períodos de maior escassez. Apesar de não ser uma planta nativa do Brasil, também fornece alimento para as abelhas nativas como as meliponas, por exemplo.


Aspectos agronômicos: A propagação é feita facilmente por sementes, por estaquia ou de ramos jovens ou alporquia. As sementes germinam em poucos dias e as mudas estão prontas para o replantio entre 90 a 120 dias. O cultivo é feito em pleno sol e não exige grandes cuidados com adubação. O uso de esterco (de gado, de aves ou uma mistura de ambos) ou composto orgânico já é suficiente para garantir uma boa floração. A adubação deve ser feita no plantio e, ao menos, 2 vezes ao ano a depender da condição das plantas e da intensidade da floração. As regas devem ser frequentes. O crescimento é vigoroso e em pouco tempo pode recobrir muros, cercas ou pergolados. Não exige grandes cuidados de manutenção, mas é importante efetuar podas de limpeza para que fique sempre bonita e florida, além de evitar o recobrimento de áreas não desejadas.


Cuidados: Planta com alto potencial invasivo. Deve ser cultivada sob monitoramento constante. A elevada quantidade de sementes pode facilitar sua propagação para áreas nativas, o que pode prejudicar a biodiversidade local. Existem vários artigos científicos relatando problemas com esta espécie em diversas ilhas do Caribe consideradas hotspots de biodiversidade. Por lá a planta é chamada de coralita e tem se alastrado de forma descontrolada causando prejuízos à fauna e flora locais.


Bibliografia recomendada

Heger, W.T.; van Andel, T. A social-ecological perspective on ecosystem vulnerability for the invasive creeper coralita (

Antigonon leptopus
) in the Caribbean: A review. Global ecology and conservation, 18, e00605, 2019.

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustiva, herbáceas e trepadeiras. 4ª ed. Ed. Plantarum. 2008.


Conhecida pelos nomes de flor-morcego ou planta-morcego, ela vem sendo popularizada no mundo todo como planta ornamental de vaso. Sua inflorescência negra é uma raridade no mundo das flores e, por isso, muito cobiçada. Apesar de suas folhas se parecerem muito com as do lírio-da-paz (Spathiphyllum spp. - Araceae), são plantas botanicamente distintas. Entretanto, o cultivo de ambas é muito parecido: sombra, luz difusa e boa umidade. O nome “flor-morcego” se deve a aparência das flores, parecidas com grandes morcegos que ocorrem no sudeste asiático, sua região de origem. Há ainda os que a chamam de bigodes-de-tigre, porque creem que suas inflorescências refletem um sinistro rosto de tigre com longos bigodes. Ou ainda, aqueles que a chamam de flor-do-diabo, pois acreditam ver a figura do “tinhoso” refletida em suas brácteas. Verdades ou lendas, sou fascinada por plantas com história!

Descrição botânica: Da família Dioscoreaceae, erva rizomatosa, com crescimento vertical até 1m de altura. Folhas grandes, com pecíolo de até 30 cm de comprimento, formato oblongo, com nervuras bem marcadas, 20 a 60 cm de comprimento, de coloração verde escura e textura lisa. As inflorescências são cimosas, com grandes brácteas de cor marrom, quase negras, e numerosas bractéolas filiformes (semelhantes a bigodes). Cada inflorescência pode conter de 15 a 20 flores igualmente negras, com base levemente esverdeada. Cada flor é composta por seis estames bem visíveis sobre o estigma floral. Após a polinização, forma-se o fruto, do tipo cápsula, que abriga muitas sementes pequenas, inicialmente de coloração marrom claro, passando a preto quando maduras. Já existe no mercado plantas desta mesma espécie com inflorescências e flores inteiramente verdes.


Onde ocorre: Espécie nativa das florestas tropicais do sudeste asiático, englobando Índia, China, Bangladesh, Laos, Camboja, Malásia, Siri Lanka, Tailândia, Vietnam e Mianmar. Nestas regiões ocorrem pelo menos 12 espécies do gênero Tacca, quase todas ameaçadas de extinção devido à fragmentação e destruição dos seus ambientes naturais.

Usos: A flor-morcego é planta de uso milenar na medicina chinesa e tailandesa, pois os rizomas são ricos em espirostanol, uma saponina com potencial para o tratamento de leucemia, além de anti-inflamatório e no trato de males do sistema digestivo. Existem muitos estudos científicos comprovando as propriedades farmacológicas desta planta, basta uma busca simples nos portais de artigos científicos para se encontrar um mundo de informações.

No paisagismo, a flor-morcego ainda é novidade por estas terras brasílicas. Atualmente seu uso mais expressivo tem sido como planta de vaso. Mas nos países de origem, a espécie é usada também em jardins e como flor de corte, que, neste caso, precisa ser cultivada em telados com pelo menos 30% de proteção solar ou, 60 a 70%, no caso de plantas envasadas. Como planta de vaso pode compor diversos espaços e vai bem mesmo em lugares com menor intensidade de luz.


Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, divisão dos rizomas ou por cultura de tecidos, no caso da produção comercial. No ambienta natural, a espécie produz grande quantidade de sementes viáveis, que germinam com facilidade. A grande vantagem da propagação por sementes para esta espécie é que os descendentes serão praticamente iguais à planta matriz, uma vez que a autopolinização é a sua principal forma de reprodução. Para fins de conservação de germoplasma, as sementes são ortodoxas e podem ser conservadas em câmaras frias por longos períodos.

Pouco se sabe sobre a produção de mudas e o cultivo na planta em condições brasileiras, mas os artigos científicos recomendam que a germinação seja feita em condição de boa luminosidade, em solo leve e úmido (60 a 70% de umidade) e temperatura entre 25 a 30◦C. As plantas em vaso podem ser cultivadas com facilidade em ambiente com luminosidade indireta e umidade constante. Tolera bem o transplantio e as mudas retiradas dos rizomas pegam com facilidade. Minha casa funciona como um laboratório e assim que tiver minhas primeiras sementes conto a vocês como foi a germinação.


Curiosidades: Os filamentos que circundam as flores, também chamados popularmente de bigodes, são, na verdade, bractéolas que ajudam na proteção das flores e na atração de moscas, que atuam como polinizadores eventuais. Considerando o alto investimento da planta em estrutura floral, até há pouco tempo os pesquisadores achavam que as flores-morcego precisavam obrigatoriamente de polinizadores para sua reprodução. Mas estudos mostraram que a maioria das sementes foi produzida por autopolinização, ou seja, não é preciso ter planta macho e fêmea para se obter sementes. Outros estudos, porém, associaram a cor e o odor das flores, imitando material orgânico em decomposição, como sendo um atrativo que facilita a polinização cruzada feita por moscas. O que estes estudos sugerem, na verdade, é que a espécie apresenta diferentes formas de reprodução que podem se adaptar mais a uma ou outra conforme os tipos de ambientes e/ou as ameaças a que as populações naturais sejam submetidas. É ou não é uma planta fantástica!!!


Bibliografia recomendada

Baruah, S. et al. Tacca chantrieri André (Taccaceae): A beautiful ornamental flora recorded as a new for India. NeBio, 6(1), 18-20, 2015.

Couto, R.S. 2020. Taccaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB232

Zhang, L. et al. Predicting mating patterns from pollination syndromes: the case of “sapromyiophily” in Tacca chantrieri (Taccaceae). American Journal of Botany, 92(3), 517-524, 2005.

Wiendi, N.M.A.; Palupi, E.R. Evaluation of horticultural traits and seed germination of Tacca chantrieri ‘André. Agriculture and Natural Resources, 51(3), 169-172, 2017.

As begônias arbustivas já foram muito cultivadas em quintais e jardins no século passado. Mas assim como acontece com a alimentação e o vestuário, as plantas ornamentais também entram e saem de moda. Por muitos anos as begônias nativas foram esquecidas e se perderam no tempo, mas hoje voltaram ao mercado e fazem a sensação dos amantes de plantas para interior. É fácil encontrar quem diga que “tinha muito delas na casa da minha avó/mãe, mas que nunca mais vi”. Muitos híbridos se mantiveram no mercado neste tempo, mas, para mim, nenhum tem a beleza das plantas originais. Então agora que elas voltaram à moda, podemos aproveitar para cultivar muitas espécies diferentes. São plantas lindas, resistentes e perfeitas para compor vasos, floreiras e aquele cantinho especial no seu jardim.

Descrição botânica: Da família Begoniaceae, plantas semi-herbáceas, medindo entre 1 a 1,5 m de altura, formando touceiras ralas que podem tomar conta de grandes espaços. Os caules são alongados, com nós e entrenós bem destacados. As folhas alongadas, pontudas e recortadas em maior ou menor grau, de coloração verde escura com pontuações prateadas e nervuras avermelhadas bem destacadas. As inflorescências formam cachos com inúmeras flores rosadas, com aspecto ceroso perolado. Os frutos são pequenos, tipo cápsulas aladas, para facilitar a dispersão.

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, só encontrada em estado natural na Mata Atlântica dos estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo. Nas demais regiões é encontrada na condição de cultivada.

Usos: Planta de uso ornamental, cultivada no jardim em renques, maciços ou como planta isolada. Pode ser cultivada no chão, em floreiras ou vasos e, inclusive, como planta de interior, desde que em sacadas ou salas amplas com boa luminosidade. As flores são comestíveis e tem sabor levemente ácido, ideal também para enfeitar pratos de saladas ou sobremesas.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por estaca de galhos ou pela divisão das touceiras, e deve ser feita logo após a floração. As estacas devem ser enraizadas em ambiente quente e úmido, o que favorece a sobrevivência das mudas. Esta espécie pode ser cultivada em pleno sol ou meia-sombra, em solo rico em matéria orgânica e sempre com água em abundância. Não tolera seca. Em locais com estação fria bem definida, a floração é mais intensa durante o verão. Já onde a temperatura é elevada, a floração pode ser constante o ano todo.


Curiosidade: Se o leitor tiver a curiosidade de pesquisar pelo nome científico desta espécie, vai ver que existe pouquíssima literatura científica sobre ela. Ou seja, existe uma espécie nativa ornamental de alta relevância econômica, alta demanda de mercado e que praticamente nada se conhece sobre ela. Então de onde vem as mudas que abastecem o mercado atual? DE onde vem os híbridos e plantas selecionadas? Possivelmente tenham se originado de mudas retiradas da natureza e multiplicadas nos viveiros pelo Brasil a fora ou, até mesmo, por empresas internacionais, até chegar aos tipos de plantas cultivadas que temos hoje. Para que uma espécie chegue ao mercado com segurança, é fundamental que se rastreie todas as etapas produtivas, desde a coleta das mudas na natureza, a multiplicação e todo o processo de melhoramento. Isso favorece não apenas o desenvolvimento de novas variedades, mas também a conservação da espécie no seu ambiente natural. Fica a dica!

Bibliografia recomendada 

Jacques, E.L.; Gregório, B.S. 2020. Begoniaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5565

A alface-d’água é uma das plantas aquáticas mais amplamente usadas no aquarismo e no paisagismo. Sua folhagem pilosa e sempre verdinha é o maior atrativo ornamental. Em lagos ornamentais, ajuda na manutenção do microclima, fornece proteção e alimento para peixes e outros microrganismos, além de proteger a fauna aquáticos da insolação direta. Entretanto, é planta de alto potencial invasivo, que deve ser usada com cuidado e em locais específicos.

Descrição botânica: Da família Araceae, a alface d’água é uma erva aquática flutuante, perene, que pode medir de 15 a 20 cm de altura. As folhas possuem aspecto aveludado, coloração verde-amarelada, textura interna esponjosa (ajuda na flutuação), com nervuras longitudinais bem marcadas; as folhas são reunidas em roseta, com raízes pendentes e alongadas. As flores são diminutas, esbranquiçadas e quase imperceptíveis entre a folhagem.


Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, porém, não endêmica. Encontrada em boa parte dos países de clima tropical e subtropical. Conhecida também como repolho-do-nilo (Nile cabbage), devido à sua ocorrência comum às margens do Rio Nilo, fazendo crer que a espécie fosse originária da África. Entretanto, novos estudos mostraram se tratar de uma espécie com distribuição pantropical (por todas as regiões dos trópicos), e seu centro de origem ainda é considerado incerto.

Usos: Planta de uso ornamental, muito comum em aquários, lagos e espelhos d’água. Na Índia, é usada na medicina popular no controle de tosse, asma, como laxativa, diurética e antimicótica. Suas folhas são ricas em vitaminas A e C, além de fitoesteroides que podem ser usados na produção de medicamentos. Com potencial de uso na fitorremediação de ambientes naturais.


Aspectos agronômicos: Multiplica-se com facilidade pela separação das plantas que surgem no final dos ramos (estolões). É comum ver uma planta adulta com uma dezena, ou mais, de plantas pequenas em volta, cada uma forma uma nova muda. Prefere climas quentes, onde se propaga com maior velocidade. Periodicamente, deve ser feita a retirada do excesso de plantas, a fim de evitar que a espécie cubra toda a superfície do tanque e cause a morte dos demais organismos aquáticos, necessários para o equilíbrio do ambiente.

A espécie possui ampla capacidade reprodutiva tanto por meio de estolões quanto por sementes, produzidas o ano inteiro e em grande quantidade. Prolifera-se descontroladamente em águas poluídas, sendo considerada invasora de canais e margens de rios urbanos.


Curiosidades: Na Índia, Estados Unidos e em alguns países africanos a infestação das águas por P. stratiotes é tão grande que tem sido estudado diferentes formas de erradicação e/ou aproveitamento econômico da espécie. Estudos mostraram que sua biomassa pode ser usada na produção de biogás; na remoção de arsênico, cádmio, cromo e mercúrio em ambientes aquáticos contaminados por vazamentos de produtos químicos; e ainda, pode ser insumo para a produção de biomoléculas e compostos farmacêuticos.

Cuidados: Espécies aquáticas são frequentemente associadas à procriação de mosquitos da dengue. Para evitar infestação, uma ou duas vezes por semana, deve-se efetuar uma boa rega sobre essas plantas. O que parece uma horrível redundância é, na verdade, uma forma natural eficiente de manter as plantas sempre limpas e livres das temidas larvas. A lavagem das plantas interrompe o ciclo das larvas e dificulta sua chegada à fase adulta. No caso dos lagos ornamentais, essa prática facilita que as larvas caiam no interior do tanque e sejam comidas pelos peixes.


Bibliografia recomendada

Mayo, S.J.; Andrade, I.M. 2021. Pistia in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB5070

Tripathi, P. et al. (2010). Pistia stratiotes (Jalkumbhi). Pharmacognosy Reviews, 4(8), 153, 2010.


Muitas pessoas ainda se referem à erva-de-jabuti como espécie invasora e de pouca serventia. Mas não é bem assim. Esta planta já é bastante usada na medicina tradicional do Norte do Brasil e em países vizinhos. Recentemente foi classificada como PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) e foi descoberta pelos chefes de cozinha, que já criaram iguarias muito interessantes. De risotos a ceviches, a erva-de-jabuti é mais um caso de planta nativa que é mais conhecida fora do País do que em sua própria casa. Imagina o quanto perdemos em sabor e nutrientes por não conhecermos e valorizarmos nossa flora nativa? É isso que move o trabalho da Planta da Vez: fazer conhecer a riqueza de cores, sabores e saberes do Brasil!

Descrição botânica: Da família Piperaceae, planta herbácea, anual, ereta, ramificada, com caules tenros e quase translúcidos, medindo até 40 cm de altura. Seu crescimento pode ser ereto ou mais prostrado, conforme a região e o clima. Possui folhas simples, pecioladas, alternadas, com nervura central saliente, bordas lisas, formato de coração e comprimento entre 1 a 3 cm. As inflorescências são do tipo espigas, eretas, cilíndricas, reunindo numerosas flores diminutas e de cor esverdeada.


Onde ocorre: Planta nativa do Brasil com ocorrência natural em praticamente todo o território nacional. Cresce em áreas abertas e úmidas, sendo considerada invasora em vários locais. Muito presente em pomares e estufas de plantas, onde cresce viçosa e abundante.

Usos: Seus ramos e folhas jovens podem ser consumidos crus ou refogados, usados no preparo de saladas, bolinhos fritos ou assados, pizzas, risotos e o que mais sua imaginação culinária permitir. Cada 100g de folhas secas contém, em média, 258 kcal, 46,5 g de carboidratos e 6.977 mg de potássio. Atualmente, em algumas boas feiras regionais, é possível encontrar a planta sendo vendida como hortaliça folhosa fresca. As inflorescências, muito aromáticas, podem ser usadas como tempero, semelhante ao uso que se faz com as inflorescências de pimenta-longa (Piper aduncum).

A erva-de-jabuti também é usada na medicina popular da região Norte contra tosses, resfriados, como anti-inflamatória e no controle do colesterol e pressão alta. No México e em outros países da América Central, a espécie também é bastante conhecida na medicina tradicional, onde é chamada de corazon de hombre, yerba de la planta ou herbe a la curesse. Na Malásia, é consumida como alimento e chamada de ketumpangan air. Em inglês, a espécie é conhecida pelos nomes de greenhouse tea plant, pepper elder ou rat ear.


Aspectos agronômicos: Pouco se conhece sobre o cultivo desta espécie, uma vez que é mais comum a colheita em áreas onde ela cresce espontaneamente. A propagação é feita unicamente por sementes, que possuem alta germinação e crescimento rápido das mudas. O cultivo pode ser feito com base na observação dos locais de ocorrência natural da espécie: em áreas sombreados ou semi-sombreados, com solo rico em matéria orgânica e água em abundância.

Cuidados: Quando se conhece pouco a respeito de uma planta e alguém lhe diz que é comestível, inicialmente, consulte um agrônomo, um biólogo ou outro profissional que conheça muito sobre identificação botânica. O consumo de plantas e cogumelos sem a correta identificação pode causar intoxicações graves ou até levar à morte do indivíduo. Seja prudente, cuide-se e aproveite os sabores com segurança!

Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12686

Kinupp, V.F.; Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Ed. Plantarum. 2014.
Peperomia circinnata

As peperômias formam um dos grupos de plantas mais amplamente utilizados no paisagismo e na composição de vasos para decoração de interiores. Algumas espécies são minúsculas e pouco conhecidas da maioria das pessoas. Elas crescem sobre pedras e trocos de árvores e são belíssimas. Estas duas que vamos falar hoje podem ser cultivadas em vasos, da mesma forma que as suculentas, ou sobre troncos no jardim. Além disso, são plantas nativas das florestas úmidas do Cerrado, belezas da nossa biodiversidade que precisam ser mais bem conhecidas.

Peperomia circinnata

Descrição botânica: Ervas epífitas (crescem sobre os troncos de outras espécies sem parasitá-las) com caules finos e alongados, que se estendem ao longo do hospedeiro, de crescimento ascendente (P. campinasana) ou não-ascendente (P. circinnata). As folhas são pequenas e suculentas: arredondadas e levemente rosadas em P. circinnata, ou com base aguda e levemente rajadas em P. campinasana. As inflorescências são pequenas, em forma de espigas, eretas, solitárias, contém muitas flores pequenas esbranquiçadas ou acobreadas, a depender da espécie, e minúsculos frutinhos globosos de cor marrom ou quase pretos.

Peperomia circinnata

Onde ocorrem: Espécies nativas, porém, não endêmicas do Brasil. Peperomia circinnata apresenta ampla ocorrência natural no Brasil, com predomínio nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Já P. campinasana tem ocorrência mais restrita, sendo encontrada no Cerrado e na Mata Atlântica.

Usos: Plantas de uso ornamental, tanto na composição de vasos quanto no jardim, cultivadas sobre trocos ou pedras. Elas podem recobrir troncos com sua folhagem minúscula, o que confere um aspecto muito bonito e agradável ao jardim. P. circinnata, devido à característica de ramos não-ascendentes, é a mais adequada para o cultivo em vasos, onde forma uma cortina pendente muito bonita. Já P. campinasana, por seu crescimento ascendente, adapta-se melhor no recobrimento de superfícies como os caules de árvores, palmeiras e samambaiaçus.

Peperomia campinasana

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por meio de pedaços de ramos com folhas, colocados sobre a superfície que se quer recobrir ou sobre placas de fibras naturais (placas de fibra de coco, por exemplo). Também é possível aproveitar as sementes, colhendo-se as espiguetas com os frutos pretos maduros e colocar para germinar sobre esfagno ou outro substrato leve, com umidade constante. A germinação também pode ser feita sobre papel úmido, com posterior transplantio das mudinhas para os vasos. As plantas preferem ambientes úmidos e sombreados, mas é bom lembrar que a rega deve ser moderada. O excesso de umidade apodrece os caules. A rega deve ser feita sempre que o ambiente estiver completamente seco.

Peperomia campinasana

Recomendação: Para quem visitar Pirenópolis e Cidade de Goiás, em Goiás, observe os muros de pedra do casario histórico, são recobertos de peperômias. Em Belém/PA, essas minúsculas plantinhas crescem naturalmente sobre as mangueiras gigantes e centenárias, um deleite para quem aprecia os detalhes.

Cuidado: É sempre bom lembrar que a retirada de plantas de seus ambientes naturais é crime ambiental. Compartilhe mudas já existentes nos jardins ou, sempre que possível, procure comprar mudas de viveiristas idôneos. Entretanto, por se tratar de plantas nativas e pouco conhecidas, é difícil encontrar mudas a venda no comércio. A Planta da Vez trabalha para que, um dia, quem sabe, elas estejam disponíveis facilmente e ao alcance de todos, sem destruir a natureza.

Peperomia campinasana


Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12633

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12627

Guimarães, E.F.; Medeiros, E.V.S. Peperomia circinnata e Peperomia campinasana (Peperomia). In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.