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Flamboyant
(Delonix regia (Bojer ex Hook.) Raf.)

Flamboyant - Delonix regia. Foto: J. Camillo.
Espécie de uso ornamental, utilizada em muitos países de mundo e conhecida como flamboyant. No Brasil, também pode receber as denominações de flor-do-matrimônio, flor-do-paraíso, pau-rosa, flamboiaiã, flamboaiã e acácia-rubra. Em inglês pode ser encontrada com os nomes de royal-poinciana, flame-tree, flamboyant-tree ou flamboyan. Em francês é chamada de flamboyant, flamboyant-royal, poinciana-royal, fleur-de-paradis. No Havaí é chamada de ohai-ula. Nas ilhas do Caribe, a espécie recebe o nome de woman´s-tongue ou, na tradução livre, “língua-de-mulher”, nome atribuído ao barulho de chocalho que as vagens fazem ao serem tocadas pelo vento.

            Em espanhol a planta é conhecida como Arbol de fuego, pela aparência e coloração viva das flores, que conferem um visual exuberante e peculiar na época de floração. Na América Central a espécie é conhecida pelo nome de Malinche. Segundo a história, La Malinche foi uma mulher de beleza ímpar, amante e conselheira do conquistador espanhol Hernán Cortéz durante a Conquista do México e que, por sua influência e beleza, o teria convencido de poupar seu povo do extermínio.           

Descrição botânica: A espécie pertence à família botânica Fabaceae. É uma planta de porte arbóreo, crescimento inicial rápido, podendo atingir entre 12 a 15 metros de altura. Sua característica principal são os cachos floridos de coloração vermelho-fogo, contendo 4 a 5 flores. As flores apresentam cores que variam entre vermelho-fogo, alaranjado e amarelo, este último, não muito comum no Brasil, é considerada uma variedade natural da espécie, chamada de Flavida. A flor apresenta um design bem característico, com quatro pétalas iguais e uma diferenciada, conforme observa-se na imagem ao lado. A pétala
Detalhe da flor. Foto: J. Camillo.
central é um pouco maior e apresenta coloração predominantemente branca, com pontos e bordas avermelhadas, conferindo um aspecto rendado a flor. Os frutos se destacam na árvore quase totalmente despida de folhas, permanecendo aderidos à planta por longo tempo. São vagens de coloração marrom-escura, lenhosos, com 20-45 cm de comprimento e 2-5 cm de largura, contendo em média 20 sementes. Após a maturação, as vagens se abrem e lançam as sementes a curtas distâncias.
Botanicamente, a sinonímia mais relevante é Poinciana regia Bojer ex Hook., por este motivo é conhecida nos idiomas inglês e francês pelo nome popular de poinciana. Mas também são mencionados em sites especializados, outros sinônimos como Delonix regia var. flavida Stehlé, D. regia var. genuina Stehlé e Poinciana regia Bojer ex Hook.
Flamboyant de flor alaranjada. Foto: J. Camillo.
Onde ocorre: A espécie é nativa da ilha de Madagascar, porém adaptou-se muito bem às condições climáticas do Brasil, onde pode ser encontrada em todos os estados, de Norte a Sul do país. Embora a espécie esteja bastante disseminada pelo mundo, é considerada rara em seu hábitat natural, que tem sido devastado pelo avanço descontrolado da fronteira agrícola e o corte das plantas para produção de lenha e carvão.

Usos: A principal utilização dos flamboyants é como ornamental, na arborização urbana em avenidas, ruas, parques, praças e jardins públicos ou privados. As plantas fornecem boa sombra e sua floração exuberante confere um cenário de rara beleza. O porte da planta também é fator que agrega valor ornamental a esta espécie, com seus galhos tortuosos formando uma copa ampla, mesmo quando a planta não está florida, o seu aspecto de escultura confere beleza à paisagem.
            A espécie pela sua florada abundante, pode ser utilizada como melífera, a madeira pode ser utilizada em construções leves e no fabrico de canoas. A planta também é gomífera, produzindo uma mucilagem espessa, solúvel em água de coloração amarela ou vermelha. As sementes também contém goma, que após purificação, pode ser empregada na indústria têxtil e de alimentos. As sementes são utilizadas por artesãos para a confecção de biojóias.
 Estudos fitoquímicos demonstraram que as flores são ricas em carotenoides, apresentando diferentes compostos e quantidades nas sépalas, pétalas, estames e anteras. As sementes são ricas em polissacarídeos (d-galactose e d-manose). As vagens e a madeira, tem potencial para a produção de carvão ativado, devido a boa capacidade de adsorção do material, conferido pela presença de grande número de poros presentes nos tecidos externos destes órgãos.
Em algumas regiões do mundo, a planta é empregada no combate às pragas de produtos cultivados. Um estudo realizado no Brasil demonstrou na prática esse potencial, pois os autores observaram que o extrato obtido das folhas do flamboyant, apresentou atividade moluscicida sobre caramujos adultos (Biomphalaria glabrata).
Estudos farmacológicos indicam que o flamboyant possui potencial medicinal, uma vez que a análise dos extratos obtidos das folhas e das cascas da planta, apresentaram atividades hipoglicemiante, antioxidante, antimicrobiana e citotóxica.
A florada exuberante confere um colorido especial, característico da espécie. Foto: J. Camillo.
Limitações: O seu sistema radicular é superficial e de crescimento bastante agressivo, por esse motivo, não se recomenda o seu cultivo em áreas próximas de calçadas, tubulações de água e esgoto ou de fiação elétrica. Outra limitação da espécie nos espaços urbanos, é o fato de produzir galhos frágeis que quebram com o vento, além das vagens lenhosas que se desprendem da planta, podendo comprometer seu uso locais de estacionamento ou de intensa circulação de pedestres. Além disso, o formato amplo da copa também dificulta o plantio da espécie próximo a muros, casas ou prédios. Estando portanto, limitado seu plantio à espaços abertos.
            Na regiões onde há uma estação seca bem definida, como no caso do Centro-Oeste do Brasil, a espécie perde as folhas durante a estação, portanto, não sendo recomendado o cultivo da planta próximo de piscinas, pelo risco de entupimento dos equipamentos e dificuldade na limpeza das áreas adjacentes.
Por ser uma espécie exótica, ou seja, não nativa da flora brasileira, existe a preocupação com seu potencial invasor sobre a flora nativa. No entanto, um estudo demonstrou que para as condições do norte do Paraná, D. regia não apresentou a capacidade de se reproduzir e dispersar na região, ou seja, a dispersão das sementes é pequena e em curto espaço, sendo portanto, toleradas na arborização de vias públicas. Resultados semelhantes, foram descritos pela Universidade da Flórida ao estudarem o potencial invasivo desta espécie no sul do Estados Unidos.

Frutos e flores ocorrendo simultaneamente. Foto: J. Camillo.
Propagação: A produção de mudas pode ser feita por sementes ou por estaquia. Em ambas condições, a planta pode levar entre 8 a 10 anos para florescer. As mudas podem ser feitas em viveiros ou em sementeira no quintal de casa mesmo, pela colheita direta de sementes em árvores próximas ou adquirindo-se sementes em lojas especializados. As sementes de flamboyant apresentam dificuldade para germinar em função da dormência física, imposta pela impermeabilidade do tegumento à água. A quebra de dormência pode ser feita pela imersão das sementes em água à 90°C durante 1 minuto. A escarificação mecânica através de corte ou lixa, também é possível, mas pode causar danos ao embrião se não for realizada com cuidado, além de ser mais trabalhosa. O substrato para a germinação e produção de mudas, pode ser um composto formulado por duas partes de solo, para uma de húmus.
Sementes. Foto: J. Camillo.
A propagação por estaquia de ramos também pode ser uma opção. Recomenda-se o uso de estacas semilenhosas, ou seja, aquelas coletadas nos ramos crescidos no ano, com o ápice mais tenro e a base mais firme, favorecendo o desenvolvimento das raízes. Na base das estacas deve-se aplicar uma mistura de talco com o enraizador ácido indolbutirico (AIB), para estimular a produção de raízes e aumentar a taxa de pegamento das mudas.
As mudas também podem ser adquiridas diretamente em viveiros especializados, com altura que varia entre 30 cm a 2,8 metros. Em geral, mudas maiores e bem enraizadas, são mais resistentes ao transplantio. O plantio deve ser feito em condições de sol pleno, isoladamente ou em blocos, porém mantendo-se boa distância entre as plantas, e em locais amplos, onde o sistema radicular e a copa tenham bastante espaço para se desenvolver.
O plantio das mudas é realizado em covas com dimensões aproximadas de 40x40 cm. Antes do plantio, faz-se o preparado da cova e adubação orgânica, adicionando-se ao solo revolvido, esterco de gado curtido (cerca de 1 litro/cova), um pouco de composto orgânico (que pode ser feito no quintal de casa mesmo, utilizando-se restos de folhagens, palha, aparas de grama, entre outros) e também, cerca de 200 g/cova de adubo químico NPK na formulação 10-10-10.
As mudas de flamboyant necessitam tutoramento para evitar o tombamento e quebra. Recomenda-se instalar o tutor na cova antes de colocar o torrão com a muda, em seguida coloca-se a muda e um pouco do substrato para fixá-la e, posteriormente, faz-se o amarrio da muda com um cordão de algodão, a fim de evitar danos à planta. Feito o tutoramento, é colocado o restante do substrato, comprimindo-se um pouco o solo na base da muda para fixação. Regar bastante.
No primeiro ano, as mudas de espécies arbóreas em geral, necessitam acompanhamento periódico e são sensíveis à falta de água. Desta forma, nos primeiros 10 dias as regas devem ser diárias e posteriormente, duas vezes por semana, em épocas secas, sem encharcar demais o solo. Para evitar o desperdício de água, recomenda-se efetuar um camaleão ao redor da muda, assim a água ficará retida e não escorrerá.

Outras formas de propagação: a espécie pode ser propagada via cultura de tecidos, utilizando-se como fonte de explante, gemas laterais ou ápices caulinares, retirados de plantas regeneradas in vitro a partir de embriões imaturos de sementes. A clonagem e propagação da espécie via embriogênese somática também estão sendo estudadas, porém ainda com poucos resultados práticos.

Aspectos ecológicos e agronômicos: Tolera ampla variedade de tipos de solos, desde que bem drenados. Também adapta-se à solos salinos e pode ser cultivada em áreas próximas do litoral, mas não é recomendada para locais de praias abertas ou muito próximos ao mar. Quanto à exigência hídrica, as espécie é bem tolerante à seca na época de dormência, requerendo irrigações regulares no período de crescimento. Não tolera temperaturas abaixo de 7 a 8°C.
Nas condições do cerrado da região Centro-Oeste do Brasil, a espécie perde as folhas durante a estação seca, rebrotando com o início das primeiras chuvas e apresentando então o pico de floração, que corresponde ao final do mês de setembro até outubro. No entanto, é possível observar algumas plantas floridas em outras épocas do ano, porém com pouca intensidade.
A espécie não requer grande número de tratos culturais para sua manutenção. Recomenda-se efetuar poda de formação, eliminando-se os ramos laterais excedentes e malformados. A espécie suporta bem podas drásticas, efetuadas quando se deseja manter a planta com porte menor.
Quanto aos aspectos fitossanitários, a espécie tem se mostrado resistente a pragas e doenças, mas no início do crescimento pode ser atacada por lagartas desfolhadoras que poderão causar danos. Mudas em casa de vegetação, são suscetíveis à mosca branca e ácaros. Plantas adultas também podem ser atacadas por ácaros e cochonilhas, além de fungos de raiz, que também podem causar estrago em plantas já debilitadas. Em casos de infestações/infecções muito severas, pode-se utilizar o controle químico com produtos específicos e registrados para essa finalidade, sempre sob a recomendação e supervisão de um Engenheiro Agrônomo.
Florada do flamboyant no mês de outubro, em Sobradinho - DF. Foto: J. Camillo.
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