Resedá-gigante {Lagerstroemia speciosa (L.) Pers.}

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Os meses de outubro e novembro são dela: sua alteza real o Resedá-gigante! Com uma florada belíssima, deixa o nosso dia mais alegre e colorido, chamando atenção das pessoas em diversas vias públicas, não só no Distrito Federal, mas também em vários estados.
Resedá-gigante (Lagerstroemia speciosa). Foto: J. Camillo
A espécie é nativa do Sudeste asiático e amplamente cultivada como planta ornamental nas regiões tropicais do mundo desde a Índia, China, Filipinas até a Austrália e também nas Américas, incluindo o Brasil.
No Brasil a espécie é conhecida como resedá-gigante, banaba, escumilho, julieta, flor-de-natal, extremosa e flor-da-rainha. Em espanhol é chamado de embrujo-de-la-India e em inglês, como pride-of-India, queens-of-flowers, queens-crapemyrtle ou banaba.

Árvore florida nos meses de out/nov em Sobradinho - DF. Foto: J. Camillo
Descrição botânica: Pertence à família botânica Lythraceae. Espécie arbórea de médio porte, atingindo entre 3 e 6 metros de altura e copa ampla, chegando até 3 metros de diâmetro. Suas folhas podem medir até 30 cm de comprimento por 13 cm de diâmetro. Quando jovens, são resistentes e de textura suave, porém à medida que vão envelhecendo, ficam mais duras e com textura áspera. A coloração varia entre verde-clara quando jovens, verde-escuras quando adultas e arroxeadas/avermelhadas durante a senescência. As flores são produzidas em inflorescências na porção terminal dos galhos, medem em média 7,5 cm de diâmetro e possuem 5 pétalas com aspecto de amassado, conferindo ainda mais beleza ao conjunto floral. Cada flor produz numerosos estames (130 a 200) com
Folhas adultas. Foto: J. Camillo
pólen, formam um miolo de coloração amarelada no centro da flor. O fruto é do tipo cápsula, seco e quando maduro, se abre para liberar as sementes que são aladas e facilmente carregadas pelo vento.

Onde ocorre: A espécie é nativa do Sudeste asiático, que compreende a região entre o leste da India, o sul da China, Cambodja, Laos, Vietnam e Mianmar. Alguns estudos relatam que a planta é nativa da China, outros dizem que é da India, mas os dados de distribuição geográfica obtidos a partir de informações registradas em herbários internacionais, permitem inferir que a espécie é nativa desta região, com presença registrada em todos estes países. Ocorre ainda de forma espontânea na Malásia, Indonésia e Filipinas.
No continente americano, a espécie foi introduzida como planta ornamental e atualmente, é cultivada em toda a parte tropical, desde os sul dos Estados Unidos até ao Brasil.

Resedá-gigante de flor rosa. Foto: J. Camillo.
Usos: Planta ornamental muito apreciada no Brasil e em vários países do mundo. Empregada na arborização urbana de praças, parques, jardins, ruas e avenidas. Nas condições do Brasil, as florada é mais intensa nos meses de outubro e novembro e as flores podem ter cor branca, rosa ou lilás.
Pela seu porte reduzido, pode ser recomendada para plantio em áreas sob fiação elétrica e passeios publicos. O crescimento radicular é moderado, não causando danos ao calçamento, quando o plantio é realizado corretamente.
Além da importância ornamental, em alguns países asiáticos, as folhas são a matéria-prima para produção de chás, atualmente difundido em outros países e conhecido pelo nome em inglês de Banaba tea.
O extrato obtido das folhas desta espécie, apresenta propriedades medicinais bastante importantes. Inúmeros trabalhos científicos descrevem o seu potencial no desenvolvimento de medicamentos contra o diabetes tipo II, forma da doença que afeta maior número de pessoas no mundo. Nas Filipinas, o uso do chá das folhas para o controle do diabetes é pratica comum da medicina tradicional, existindo relatos do seu uso desde a década de 1940, segundo registros na literatura cientifica. Também existem outros relatos científicos, comprovando seu potencial como antiinflamatório, antioxidante e antibacteriano.
Analises fitoquímicas detectaram, nas folhas de L. speciosa, compostos inibidores de alfa-amilases, cuja importância reside no uso potencial dos referidos compostos, no desenvolvimento de produtos para o controle de insetos-praga em cultivos agrícolas.
Na China e na Índia, onde a espécie é nativa, a árvore fornece madeira que é utilizada para a fabricação de dormentes para estrada de ferro, móveis, revestimento
Resedá-gigante de flor roxa. Foto: J. Camillo
interno de carros e até, na construção de casa e edifícios. A madeira é resistente ao encharcamento e, portanto, importante para a construção de embarcações. Restos arqueológicos de madeira foram encontrados e datados de 7.500 anos atrás, ilustrando a resistência da sua madeira ao longo do tempo.  

Limitações: Não tem sido registrado problemas quanto ao potencial invasivo da espécie. Apesar de produzir boa quantidade de sementes e estas serem facilmente dispersas pelo vento, o percentual de germinação é baixo. No Brasil não existem relatos sobre o assunto na bibliografia consultada. Nos Estados Unidos, em especial na Florida, onde a concentração da espécie é maior, a planta é tolerada em ambiente urbano, sendo considerada de baixo potencial invasivo.

Aspectos ecológicos e agronômicos: Nas condições ambientais do Brasil, existem relatos do florescimento da espécie entre os meses de outubro a abril, dependendo da região. No Distrito Federal, a floração tem sido observada com maior intensidade nos meses de outubro e novembro, coincidindo com o início das primeiras chuvas e encerrando-se em dezembro.
A espécie perde as folhas durante os meses de inverno e adapta-se melhor no Brasil, em condições de clima mais quentes. Seu crescimento inicial é rápido e apresenta dois ciclos distintos durante o ano: entre os meses de maio a julho, quando a temperatura e a disponibilidade hídrica são menores, há maior crescimento em diâmetro e no período compreendido entre setembro e outubro, observa-se maior incremento em altura, até atingir o ponto de estabilidade.
       Quando seu cultivo se dá em calçadas e áreas com presença de fiação elétrica, é necessário efetuar poda de manutenção. A técnica, também pode ser utilizada em outras condições para manter o formato arredondado da copa, conferindo melhor presença estética. Para efetuar corretamente esta técnica, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Uberaba – MG, lançou um folheto onde ensina o passo-a-passo da poda de revitalização de uma série de espécies utilizadas na arborização de calçadas, entre elas o resedá-gigante Link.
Plantas de resedá-gigante ornamentando os canteiros centrais da Avenida Contorno,
próximo ao Parque dos Jequitibás em Sobradinho - DF. Foto: J. Camillo
O cultivo deve ser feito em condição de sol pleno, em locais abertos que favoreçam e o crescimento da planta, que é bem rápido.  A espécie, durante o seu estabelecimento, prefere solos mais férteis com boa quantidade de matéria orgânica. As regas devem ser frequentes no primeiro ano, mas sem encharcar demais o solo. Depois de estabelecida, as regas são necessárias apenas nos casos de seca muito prolongada
O plantio das mudas, requer uma cova ampla, com dimensões de 40 x 40 cm, adicionando-se entre 20 a 30 litros de esterco curtido e cerca de 200 g de adubo químico NPK na formulação 04-14-08. Recomenda-se o cuidado de incorporar os adubos ao solo, antes de fixar a planta, de modo que eles não entrem em contato direto com as raízes, a fim de evitar queimas e morte da muda. Durante o primeiro ano a adubação poderá ser repetida, tomando-se o cuidado para não depositar o adubo muito próximo da base do caule. Manter sempre limpa a base da planta, efetuando-se um pequeno aceiro, onde serão efetuadas as adubações e as regas diminuindo assim, também o desperdício de água.
Um trabalho realizado nas condições do estado do Rio de Janeiro, indica que para obter melhor crescimento inicial da planta, no momento do plantio deve-se adicionar a cova, um composto à base de terra argilosa, esterco curtido e húmus, na proporção de 1:1:1, adicionando-se ainda, 110 g de fosfato natural e 40 g de cloreto de potássio.
A espécie é bastante rustica e adaptada a diversas condições climáticas, não sendo relatados, até o momento, problemas fitossanitários graves.
Antes de escolher uma espécie para o plantio em áreas urbanas ou mesmo no quintal de casa, é necessário conhecer bem a planta, para evitar problemas futuros. Uma boa leitura sobre assunto, pode ser feita no site Paisagismo Brasil, do autor Gilberto Matter Link.

Propagação: Pode ser feita por sementes ou por estaquia. A produção comercial de mudas da espécie no Brasil, segundo informação de alguns viveiristas, é realizada predominantemente pela estaquia de ramos.
Frutos verdes. Foto: J. Camillo.
A produção de mudas por estaca, pode ser feita em canteiros ou tubetes individuais (volume 250 cm³). A estacas devem ser retiradas de plantas sadias, com 20 a 30 cm de comprimento e aproximadamente 1,5 cm de diâmetro, plantadas a uma profundidade média de 10 cm no substrato. As brotações que surgem na base da planta, podem ser usadas como fonte de explantes para a retirada das estaquinhas. A imersão das estacas em solução de AIB (1g/L) melhora consideravelmente o enraizamento e o percentual de sobrevivência das plantas.
Como substrato para a produção de mudas, podem ser adquiridas formulações comerciais prontas. Mas também pode ser utilizado um composto preparado à base de vermiculita, hidrogel, casca de pinus e fibra de coco, desenvolvido e testado para as condições dos viveiros da CEMIG, em Minas Gerais  Link.
A grande vantagem da propagação por estaquia é que a muda produzida manterá as mesmas características da planta mãe, já que é um clone. Enquanto que a propagação por sementes não garante as mesmas qualidades, devido a variação genética natural, já que trata-se de uma espécie alógama, ou seja, de polinização cruzada.
A propagação por sementes é dificultada pela existência de algum nível de dormência, que pode ser quebrada pela imersão em água a 80°C por 10 minutos, com germinação acima de 90%. Sementes não tratadas, germinam menos de 20%. O tempo de germinação é variável, ocorrendo desde 10 até 60 dias após o plantio.
Frutos maduros dispersando sementes.
Foto: J. Camillo
      Inicialmente as mudas são mantidas em local sombreado, mas ao completarem 120 dias devem ser colocadas em condição de sol pleno para aclimatação. O tempo total de viveiro varia entre 1 a 1,5 anos, para se obter uma muda com tamanho ideal para plantio em local definitivo.

Referências Bibliográficas
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