Resedá-gigante {Lagerstroemia speciosa (L.) Pers.}

by 11/01/2014 03:24:00 PM 0 comentários

Os meses de outubro e novembro são dela: sua alteza real o Resedá-gigante! Com uma florada belíssima, deixa o nosso dia mais alegre e colorido, chamando atenção das pessoas em diversas vias públicas, não só no Distrito Federal, mas também em vários estados. É chamada também de banaba, escumilho, julieta, flor-de-natal, extremosa e flor-da-rainha. Em espanhol é chamado de embrujo-de-la-India e em inglês, como pride-of-India, queens-of-flowers, queens-crapemyrtle ou banaba. 


Descrição botânica: Pertence à família botânica Lythraceae. Espécie arbórea de médio porte, atingindo entre 3 e 6 metros de altura e copa ampla, chegando até 3 metros de diâmetro. Suas folhas podem medir até 30 cm de comprimento por 13 cm de diâmetro. Quando jovens, são resistentes e de textura suave, porém à medida que vão envelhecendo, ficam mais duras e com textura áspera. A coloração varia entre verde-clara quando jovens, verde-escuras quando adultas e arroxeadas/avermelhadas durante a senescência. As flores são produzidas em inflorescências na porção terminal dos galhos, medem em média 7,5 cm de diâmetro e possuem 5 pétalas com aspecto de amassado, conferindo ainda mais beleza ao conjunto floral. Cada flor produz numerosos estames (130 a 200) com pólen, formam um miolo de coloração amarelada no centro da flor. O fruto é do tipo cápsula, seco e quando maduro, se abre para liberar as sementes que são aladas e facilmente carregadas pelo vento.


Onde ocorre: A espécie é nativa do Sudeste asiático, que compreende a região entre o leste da India, o sul da China, Cambodja, Laos, Vietnam e Mianmar. Alguns estudos relatam que a planta é nativa da China, outros dizem que é da India, mas os dados de distribuição geográfica obtidos a partir de informações registradas em herbários internacionais, permitem inferir que a espécie é nativa desta região, com presença registrada em todos estes países. Ocorre ainda de forma espontânea na Malásia, Indonésia e Filipinas. No continente americano, a espécie foi introduzida como planta ornamental e atualmente, é cultivada em toda a parte tropical, desde os sul dos Estados Unidos até ao Brasil.


Usos: Planta ornamental, empregada na arborização urbana de praças, parques, jardins, ruas e avenidas. Nas condições do Brasil, as florada é mais intensa nos meses de outubro e novembro e as flores podem ter cor branca, rosa ou lilás. Pela seu porte reduzido, pode ser recomendada para plantio em áreas sob fiação elétrica e passeios publicos. O crescimento radicular é moderado, não causando danos ao calçamento, quando o plantio é realizado corretamente.
     Além da importância ornamental, em alguns países asiáticos, as folhas são usadas para fazer chás, atualmente difundido em outros países e conhecido pelo nome em inglês de Banaba tea. O extrato das folhas desta espécie, apresenta propriedades medicinais bastante importantes, incuindo o controle do diabetes tipo II. Outros relatos científicos, mencionam seu potencial como antiinflamatório, antioxidante e antibacteriano, além do uso no controle bioólogico de pragas agrícolas.


Aspéctos agronômicos: Pode ser feita por sementes ou por estaquia. A espécie perde as folhas durante os meses de inverno e adapta-se melhor no Brasil, em condições de clima mais quentes. Seu crescimento inicial é rápido. O cultivo deve ser feito em condição de sol pleno, em locais abertos que favoreçam e o crescimento da planta. Prefere solos férteis e com boa quantidade de matéria orgânica. As regas devem ser frequentes no primeiro ano, mas sem encharcar demais o solo. As mudas são plantadas em covas de 40x40 cm, adicionando-se esterco bovino curtido e 200 g de adubo químico NPK (04-14-08).
     Quando seu cultivo se dá em calçadas e áreas com presença de fiação elétrica, é necessário efetuar poda de manutenção. A técnica, também pode ser utilizada em outras condições para manter o formato arredondado da copa, conferindo melhor presença estética. Para efetuar corretamente esta técnica, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Uberaba – MG, lançou um folheto onde ensina o passo-a-passo da poda de revitalização de uma série de espécies utilizadas na arborização de calçadas, entre elas o resedá-gigante Link.


Bibliografia recomendada

BARROS, W.C.D. Avaliação do desenvolvimento de quatro espécies utilizadas na arborização urbana no município do Rio de Janeiro. 2012. Link

GARCIA, F. On the hypoglycemic effect of decoction of Lagerstroemia speciosa leaves (banaba) administered orally. Journal of the Philippine Islands Medical Association, 20, 395-402, 1940.

HOSOYAMA, H. et al. Isolation and quantitative analysis of the alpha-amylase inhibitor in Lagerstroemia speciosa (L.) Pers. (Banaba). Journal of the Pharmaceutical Society of Japan, 123(7), 599-605.

JUDY, W.V. et al. Antidiabetic activity of a standardized extract (Glucosol™) from Lagerstroemia speciosa leaves in Type II diabetics: A dose-dependence study. Journal of Ethnopharmacology, 87(1), 115-117, 2003.

LORENZI, H. et a. Árvores exóticas no Brasil: madeiras, ornamentais e aromáticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 2003.

OLIVEIRA, A.F. et al. Produção e doação de mudas realizada pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e a percepção de moradores quanto ao plantio destas em áreas urbanas. link

PRIYA, T.T. et al. Free radical scavenging and anti-inflammatory properties of Lagerstroemia speciosa (L).Inflammopharmacology, 16(4), 182-187, 2008.

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