Butiazinho {Butia archeri (Glassman) Glassman}

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Esta semana, a planta da vez é o butiazinho. Para uma Agrônoma meio Bióloga, apaixonada pelo Cerrado, esta espécie é uma das mais bonitas. E a beleza desta planta está justamente na sua simplicidade, afinal, como se diz por ai “menos, é sempre mais”.

Butiazinho (Butia archeri). Foto: J.Camillo.

            A espécie é conhecida popularmente como butiazinho, coqueirinho-do-campo, butiá-do-campo, butiá-do-cerrado ou palmeira-butiá. Em alguns locais do Cerrado, as folhas desta palmeirinha são utilizadas para a confecção de vassouras, daí atribui-se também o nome popular de palmeira-de-vassoura.
            Embora seja ainda raro, é possível encontrar mudas desta espécie à venda em alguns viveiros especializados, principalmente, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. No entanto, deve-se tomar muito cuidado na hora da compra, pois diversos viveiros e sites, oferecem mudas de Butiá comum (Butia capitata) como sendo butiazinho (B. archeri), por isso é importante procurar um viveirista idôneo na hora de comprar qualquer tipo de planta.

Detalhe das folhas e pecíolos lisos, sem espinhos.
Foto. J.Camillo.
Características botânicas: A planta apresenta caule subterrâneo ou aéreo, de até 1,3 metros de altura e 10-20 cm de diâmetro. As folhas possuem coloração verde-clara acinzentada e podem chegar a 70 cm de comprimento. A inflorescência é do tipo espata, contendo flores masculinas e femininas distribuídas em ráquilas ao longo da raque floral. Os frutos (coquinhos) são pequenos com 1 a 1,4 cm de diâmetro, globosos e contém entre 1 a 3 sementes.


Onde ocorre: O butiazinho (B. archeri) só
Emissão da inflorescência (espata).
 Foto: J.Camillo.
é encontrado no Brasil e em apenas alguns locais específicos no bioma Cerrado, nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. Pode ser encontrado nas fitofisionomias tipo campos rupestres, cerradão, campo sujo e campo úmido.
            Diversos trabalhos mencionam que a espécie está quase extinta ou corre grande perigo de extinção. De fato, a destruição rápida do cerrado é um dos fatores que mais pesam para o desaparecimento da flora nativa e certamente, torna a espécie bastante vulnerável. No entanto, segundo o site da Flora do Brasil (Link) a espécie é classificada como Pouco Preocupante e segundo Lima et al. (2003), a B. archeri embora seja pouco frequente (ocorra em poucos locais no bioma), ocorre em alta densidade, ou seja, muitos indivíduos próximos uns dos outros.

Usos: A planta é bastante ornamental. Seu formato arredondado, conferido pela disposição das folhas de cor verde-clara, por vezes até meio azulada, torna a planta uma excelente opção para pequenos jardins. O plantio pode ser feito de forma isolada ou em grupo de 3 ou 4 plantas. Seu porte reduzido, poderia viabilizar sua utilização também em vasos e floreiras.

Exemplo de uso do Butiazinho no jardim, em plantio isolado. Sobradinho - DF. Foto: J.Camillo.

Aspectos ecológicos e agronômicos: É uma planta bastante rustica, de crescimento lento. Floresce de maio a dezembro e frutifica de julho a fevereiro. Seu cultivo deve ser feito, preferencialmente, em condição de pleno sol, mas tolera curtos períodos de sombreamento. No seu hábitat natural, prefere solos arenosos e rochosos, bem drenados e em geral, ácidos.
            As plantas adultas toleram bem o transplante. No entanto, deve-se alertar para o risco do extrativismo de plantas no Cerrado, pois esta pratica contribui para a extinção da espécie localmente. Também é bom lembrar que a retirada de plantas de áreas protegidas é proibida por lei, sendo o praticante enquadrado em crime ambiental.
            Como a maioria das palmeiras, é uma planta rustica e resistente a períodos de seca. O baixo consumo de água tem sido um requisito bastante valorizado em plantas para paisagismo, principalmente em época de escassez hídrica, além de demandarem poucos cuidados para sua manutenção.


Inflorescência desenvolvida e próxima da época de abertura. Foto: J.Camillo.


Limitações: Ausência quase total de informações botânico/agronômicas. Pouco se sabe sobre a melhor forma de propagação, clima, solo, regas, pragas e doenças, etc. Alguns trabalhos informam que as sementes germinam com dificuldade, provavelmente devido a algum tipo de dormência, muito comum em semente de palmeiras. Além disso, a espécie apresenta problemas de fertilização, constatada pela elevada taxa de abortamento de floral.

Referências Bibliográficas

LEITMAN, P. et al. Arecaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 29 Nov. 2014.
LIMA, E.S. et al. Diversidade, estrutura e distribuição espacial de palmeiras em um cerrado sensu stricto no Brasil Central - DF. Revista Brasileira de Botânica, 26(3), 361-370, 2003. 
PALMPEDIA. Butia archeri. Disponível em: Link. 2014.
PRIETO, P.V. et al. Butia archeri. Disponível em: Link. 2014.

2 comentários:

  1. muito bom essa reportagem mas gostaria muito de fazer mudas desse coqueiro para fazer uma grande plantaçao e tirar eles do risco da extinçao por isso gostaria muito de conhecer essa biologa que esta fazendo o estudo sobre ele meu nome e elielma rosa da cruz moro em santa tereza goias

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  2. Boa noite gostaria de saber se essa Palmeira é a mesma que é feito vassouras?

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