Paineira (Ceiba speciosa A.St.Hil.- Ravenna)

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Entre os meses de março a maio, nos encantamos com a beleza da florada das paineiras. Estas plantas são conhecidas popularmente como paina, paineira-rosa, paineira-de-espinho ou paina-de-lã, devido à presença de longos pelo brancos que recobrem as sementes, parecendo mesmo com uma bola de lã, mas que na verdade, são estruturas que facilitam a dispersão das sementes.
            A espécie também é conhecida como barriguda, devido ao espessamento da base do tronco, que serve como uma forma de armazenar água para sobreviver aos meses de estiagem.
            Botanicamente é também conhecida pela sinonímia Chorisia speciosa A.St.Hil., a qual deve ser considera na busca de bibliografias referentes à espécie, uma vez que boa parte das publicações utilizam-se deste sinônimo.

Presença se espinhos nos caules mais jovens.
Foto: J. Camillo.
Características botânicas: Planta da família botânica Malvaceae, com tronco arredondado, coloração verde-acinzentada, cuja característica principal é a presença de espinhos nas partes mais jovens. Quando adultas, estas árvores podem medir até 30 metros de altura e o tronco, até 120 cm de diâmetro. As folhas são digitadas, compostas por folíolos de comprimento variado entre 4 a 17 cm, com bordas serrilhadas. As flores possuem o interior branco com pontuações vermelhas e mais externamente, as pétalas apresentam coloração rosa (podendo apresentar diversas tonalidades), reunidas em uma inflorescência tipo capitulo na porção terminal dos ramos. Os frutos são grandes, secos, de coloração parda e medindo entre 17 a 20 cm de comprimento, com cinco lóculos internos que armazenam até 200 sementes pequenas, de coloração marrom e cobertas por longos pelos (paina) que facilitam sua dispersão.
           Quando maduros, os frutos se abrem para liberar a paina, que é uma fibra de textura sedosa e facilmente carregada pelo vento, onde ficam aderidas as sementes. O chão sob as árvores fica parecendo um “cobertor fofinho” com quantidade de paina que é liberada pela planta, sendo esta característica que lhe confere o nome popular de paineira.  
Frutos abrem-se e liberam a paina com as sementes. Foto: Calile (Link)
Paineira na Quadra 05 em Sobradinho - DF.
Foto: J. Camillo.
Onde ocorre: A espécie é nativa da flora do Brasil, ocorre naturalmente nos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. No Centro-Oeste a florada mais intensa ocorre durante o outono (entre março a maio), mas ocorrem também floradas durante o verão. É planta características das Florestas Mesófilas Semidecíduas, entre as latitudes 12ºS a 30ºS, ocorrendo também na Argentina e Paraguai. É cultivada em regiões tropicais e subtropicais, no hemisfério norte, até as Antilhas e o sul dos Estados Unidos.

Usos: O uso mais comum é no paisagismo e arborização urbana, devido ao porte imponente, exuberância de sua florada e boa sombra. A paina é utilizada como enchimento para travesseiros, almofadas e pequenos cobertores. Testes fitoquímicos demonstraram que o extrato obtido das folhas apresentou efeito antioxidante, porém os resultados ainda são insipientes sobre o seu uso medicinal.
Detalhe da flor. Foto: J. Camillo.
Recentes estudos tem sido desenvolvidos para viabilizar o uso da paina na biorremediação, a qual mostrou-se eficiente na absorção de óleo cru, com potencial para utilização na recuperação de cursos hídricos afetados por derramamento de óleo.


Aspectos agronômicos: A propagação pode ser feita por sementes ou por estaquia. As sementes apresentam dormência, exigindo tratamento pré-germinativo, como a imersão em água fria por 24 a 48 horas. Para se obter sementes de boa qualidade, os frutos devem ser colhidos assim que iniciarem a abertura espontânea e levados para secar ao sol, até a liberação completadas das sementes, que devem ser separadas manualmente da paina. Se não forem utilizadas de imediato, as sementes podem ser conservadas em baixa temperatura por longos períodos, sendo consideradas, para fins de conservação, como ortodoxas.
Foto: J. Camillo.
            A germinação é feita em canteiros ou tubetes, mantidos semisombreados, em substrato organo-arenoso, com duas irrigações diárias. A germinação ocorre entre 20 a 30 dias após o plantio, com percentual aproximado de 80%. O crescimento inicial das mudas é relativamente rápido.
            O plantio definitivo das mudas deve ser feito em áreas amplas - por tratar-se de uma espécie de grande porte - em condição de sol pleno e espaçamento mínimo de 4 metros entre plantas. A espécie apresenta boa tolerância ao frio, desenvolvendo-se em todos os estados do Sul do Brasil.



Paineiras floridas em Sobradinho - DF. Fotos: J. Camillo.

Referências Bibliográficas
ANNUNCIADO, T. et al. Utilização da fibra de paina (Chorisia speciosa) como sorvente de óleo cru. parte II: caracterização da fibra x capacidade de sorção. In: 3 Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás. 2005.
CARVALHO, L.R. et al. Classificação de sementes florestais quanto ao comportamento no armazenamento. Revista Brasileira de Sementes, v. 28, n. 2, p. 15-25, 2006.
DUARTE, M.C. Ceiba in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 28 Fev. 2015.
IBF. Instituto Brasileiro de Florestas.  Paineira Rosa - Chorisia speciosa – Semente. Disponível em: Link.
IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Paineira - Ceiba speciosa.  Disponível em: Link. 2015.
JARDINEIRO.NET. Paineira-rosa (Ceiba speciosa). Disponível em: Link. 2015.

SOUZA, L.M.F.I. et al. Sistema de reprodução em população natural de Chorisia speciosa A. St.-Hil. (Bombacaceae). Revista brasileira de botânica, v. 26, n. 1, p. 113-21, 2003.

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