Conta-de-lágrima (Coix lacryma-jobi L.)

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Nas minhas andanças por ai sempre encontro plantas curiosas, esta semana foi a vez da conta-de-lágrima. Também conhecida como conta-milagrosa, cordão-de-nossa-senhora, lágrima-de-nossa-senhora, milho-de-conta, são-josé, entre outros. Algumas comunidades indígenas conhecem como tsiku e na língua Guarani é chamada de ka’api’i’ia. Em inglês é conhecida como Job’s tears. O nome da planta está ligado a tradição de usar suas sementes na confecção de rosários ou terços religiosos. Esta planta é um primo distante do milho comercial (Zea mays L.) e embora pertençam à mesma família botânica (Poaceae, subfamília Panicoideae), são gêneros bastante distintos.

Conta-de-lágrima. Foto: J. Camillo.
Descrição botânica: Planta herbácea, perene, com folhas de formato alongado e margens onduladas. A inflorescência é do tipo panícula, com espiguetas axilares. Possui numerosas flores masculinas na extremidade apical da espiga e solitárias flores femininas na base. Os frutos são do tipo cariopse, de formato ovalado, coloração branco-acizentado-azulado, perolado e brilhantes.

Onde ocorre: A espécie é nativa do sudeste asiático, mas encontra-se dispersa pelas várias regiões do mundo. Cresce tanto em solo seco, como em áreas alagadas. No Brasil adaptou-se muito bem às condições climáticas e pode ser encontrada em todas as regiões do País, sempre associada à presença humana (áreas antropizadas). Em muitas regiões é considera como infestante.

Usos: Suas sementes são utilizadas na confecção de artesanatos como terços, pulseiras,
Sementes maduras utilizadas no artesanato. Foto: J. Camillo.
braceletes, cortinas, molduras, colares, esteiras e até instrumentos musicais
. P
odem também ser consumidas como alimento, na forma de farinha no preparo de pães, biscoitos e mingaus ou ainda aproveitando-se a fécula na indústria cervejeira. A farinha possui alto valor nutritivo (proteína e lipídeos), sendo própria para a alimentação de convalescentes. O chá das folhas é empregado na medicina popular como diurético e no combate a infecções urinárias. No entanto, é bom salientar que seu potencial na cura de doenças ainda não foi completamente elucidado. A planta pode ser cultivada como ornamental, possuindo ainda potencial para uso na biorremediação e como forrageira na alimentação animal.
 
Flores masculinas e femininas. Foto: J. Camillo.
Aspectos agronômicos: Não é cultivada em escala no Brasil, sendo restrita a quintais e áreas de ocorrência espontânea. A propagação pode ser feita por sementes, preferencialmente nos meses de Setembro e Outubro. No Sul do Brasil a frutificação ocorre em Outubro, mas em regiões mais quentes pode ocorrer quase o ano todo. É uma espécie resistente a altitude, por isso é cultivada na Ásia em regiões altas, onde o milho e o arroz não se desenvolvem bem. Naquele continente, apresenta grande variedade de tipos cultivados, com diferentes formatos, cores e tamanhos de grãos.
 
Nesta condição no Distrito Federal, a planta apresenta brotações novas e floração
quase o ano todo. Pode-se observar flores e sementes com diferentes graus
de maturação na mesma planta. Foto: J. Camillo.
Referências bibliográficas
ARORA, R.K. Job’s-tears (coix lacryma-jobi)—a minor food and fodder crop of northeastern India. Economic Botany, 31(3), 358-366, 1977.
CARNIELLO, M.A. et al. Quintais urbanos de Mirassol D’Oeste-MT, Brasil: uma abordagem etnobotânica. Acta Amazônica40(3), 451-470, 2010.
COUTO, M.E. Coleção de plantas medicinais aromáticas e condimentares. --Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2006. 91p. Documentos, 157.
FILGUEIRAS, T.S. Coix in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 21 Jun. 2015.
FLORA SBS. Coix lacryma-jobi – capim rosário. Disponível em: Link. 2015.
MOUTAIN ROUSE HERBS. Job’s tears. Disponível em: Link. 2015.
RODRIGUES, L.A. et al. Espécies vegetais nativas usadas pela população local em Luminárias, MG. Boletim Agropecuário52, 1-34, 2002.


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