Orelha-de-onça {Tibouchina heteromalla (D.Don) Cogn.}

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            Conhecida como orelha-de-onça devido ao aspecto piloso de suas folhas, esta é mais uma planta do gênero Tibouchina, típico da flora do Brasil e bastante utilizado no paisagismo e ornamentação. No sul do país também é conhecida como “orelha-de-urso”. Em inglês, a planta é chamada de silver leafed princess flower, large leaved princess flower ou glory flower.

Pilosidade nas folhas, característica da espécie.
Foto: J. Camillo
Descrição botânica: Pertence à família Melastomataceae, arbusto com porte variando entre 1 a 3 metros de altura. As folhas tem formato ovalado e com grande quantidade de pelos na face superior; contem entre 7 a 9 nervuras. As flores são reunidas em inflorescências terminais tirsóides, contendo entre 15 a 27 flores; as pétalas tem coloração azul-violeta, com base branca quando jovens passando a vermelha conforme avança a maturação; no centro das flores concentram-se os estames em número de 10 e comprimentos desiguais. O fruto é do tipo capsular. Apresenta como sinonímias botânicas: Tibouchina adenostemon (Schrank ex DC.) Cogn.; T. grandifolia Cogn.; T. magdalenensis Brade; T. multiflora (Gardner) Cogn.

Onde ocorre: Esta planta é nativa dos biomas Cerrado e Mata Atlântica, encontrada naturalemente em quase todos os estados da região Nordeste, Sudeste e em Goiás. Pode ser encontrada em diversos tipos de vegetação (campo limpo, campo rupestre, floresta ombrófila, entre outros), crescendo em solo ou mesmo sobre rochas.
 
As flores azul-violeta. Fotos: J. Camillo.
Usos: O principal uso desta espécie é a ornamentação, pela delicadeza da florada e aspecto peculiar da folhagem. A planta mesmo sem flores é bastante ornamental, pois a presença de pilosidade densa na superfície das folhas, confere um aspecto aveludado e coloração prateada conforme o vento balança a folhagem. Pode ser cultivada de forma isolada, em conjunto com outras plantas, maciços ou na formação de cercas vivas. É considerada uma planta pioneira, portanto pode ser utilizada na recuperação de áreas degradadas.
 
Cerca viva na Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasilia. Foto; J. Camillo.
Aspectos agronômicos: As plantas apresentam bom desenvolvimento quando cultivadas em condição de sol pleno. A florada se estende de Janeiro a Junho, com frutificação entre Abril a Setembro. Podendo ocorrer floração também fora deste período, como observado nas condições do Distrito Federal nos meses de Outubro e Novembro.
            A propagação pode ser feita por estaca de ramos ou por sementes. A germinação é feita em substrato contendo terra, areia e composto orgânico (3:2:1). Sementes recém colhidas germinam em torno de 70% em até 25 dias. A produção de sementes na planta é baixa, provavelmente por deficiências na polinização. A propagação por estaca deve ser feita no início da primavera, escolhendo-se ramos sadios.
            O cultivo pode ser feito em meia-sombra ou sol pleno, em solo rico em matéria orgânica e regas constantes até o estabelecimento da planta. Anualmente pode ser feita um poda de limpeza, para retirar partes mortas e manter o formato de planta.
 
Diferentes sugestões de uso para a orelha-de-onça. Fotos: J. Camillo.
Referências bibliográficas
DAVIS GARDEN. Disponível em Link. 2015.
FRANCO, M. Meu cantinho Verde. Disponível em: Link. 2015.
GUIMARÃES, P.J.F. Tibouchina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 02 Jun. 2015.
MEYER, F.S.; GUIMARÃES, P.J.F.; GOLDENBERG, R. Tibouchina (Melastomataceae) do estado do Paraná, Brasil. Rodriguesia, 61(4), 615-638, 2010.
MOTA, E.R.G.D. et al. Influência do substrato no sucesso germinativo de Tibouchina heteromalla Cogn. (Melastomataceae) visando restauração ambiental em canga. 64º Congresso Nacional de Botânica. Belo Horizonte, 10-15 de Novembro de 2013.


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