Pupunha (Bactris gasipaes Kunth)

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Tenho um carinho especial pelas palmeiras, elas foram assunto da minha tese de doutorado e também aqui no blog. São lindas, versáteis, de cultivo fácil e muito abundantes nas terras Brasilicas. Esta semana A Planta da Vez é a Pupunha, palmeira Amazônica muito apreciada na culinária regional, com frutos de sabor suave, muito saborosos e substanciosos. Quem visitar a Região Norte não pode deixar de provar, esta que é apenas uma das muitas riquezas que a Amazônia nos oferece.
           Segundo pesquisador Charles R. Clement, um estudioso das palmeiras amazônicas, a pupunha também é conhecida pelas denominações chontaduro, cachipay (Colombia), pejibaye (Costa Rica), chontaruro (Equador), pijuayo (Perú), gachipaes (Venezuela), peach palm, pewa nut (Trinidad).

Pupunheira (Bactris gasipaes). Coleção de
germoplasma da Embrapa Amazônia Oriental,
Bélem/PA.
Descrição botânica: É uma palmeira multicaule com até 20 m de altura; caules com diâmetro entre 15 a 30 cm, com numerosos espinhos finos e alongados; as folhas são reunidas no ápice do caule em número variável entre 15 a 25 e no centro da coroa foliar, as folhas jovens e tenras, formam o palmito; a inflorescência é grande e surge na axila das folhas; os frutos são multicoloridos; cada cacho podem conter entre 50 a 1000 unidades e pesar entre 1 a 25 kg; frutos maduros são recobertos por umas casca fina e fibrosa cuja cor varia entre o verde, vermelho, laranja ou amarelo e um mesocarpo (polpa) rico em amido e óleo. 

Onde ocorre: Planta de ocorrência natural na Floresta Amazônica, geralmente associada a áreas antropizadas (presença humana), tanto em terra firme quanto naquelas mais úmidas de margens de rios (Floresta pluvial). Também pode ser encontrada - em pequena quantidade espontânea ou cultivada - em algumas áreas do Cerrado.

Usos: Os frutos são consumidos, cozidos com água e sal ou na forma de farinha, na alimentação regional do Norte do Brasil. O palmito tem grande interesse comercial, sendo uma das principais fontes desta iguaria no mercado atual. Os frutos também podem ser utilizados para a alimentação animal.
          O uso alimentar das palmeiras deve ser estimulado e ampliado, pois são abundantes, de fácil cultivo e, via de regra, não produzem toxina como outros grupos de plantas. Apenas recomenda-se o cuidado de não ingerir frutos in natura (crus), pois estes contém em seu exterior cristais de oxalato de cálcio que causam irritação na pele e nas mucosas da boca. Os frutos da pupunheira devem ser cozidos em água e sal por 30 a 50 minutos para eliminar estes cristais e melhorar o sabor. Nota-se quando estão cozidos pela macies da polpa e liberação de óleo na água do cozimento. O sabor é suave, com textura que lembra um pouco o milho e a mandioca, e podem ser consumidos como aperitivo ou acompanhamento de pratos principais.
Frutos cozidos em água e sal. Iguaria facilmente encontrada nas feiras
da cidade de Belém/PA.

          A farinha obtida da polpa dos frutos pode ser utilizada na fabricação de pães e bolos, podendo ainda, ser um substituto para a farinha de milho convencional, com um sabor semelhante e vantagens nutricionais. Atualmente existem vários plantios comerciais de pupunha para a extração de palmito, que é considerado de qualidade superior àqueles obtidos da palmeira açaí (Euterpe spp.). A planta também produz perfilhos, característica pouco comum em palmeiras, e que permite a colheita de vários caules em uma mesma touceira.
        Os frutos também podem ser uma opção para a alimentação animal, na formulação de rações ou mesmo in natura como complemento da alimentação.
 
Diversidade de frutos (formas e cores).
Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, germinadas em sementeiras, em substrato composto por uma mistura de solo e material orgânico. A germinação é lenta e ocorre entre 30-120 dias. As mudas podem ser adquiridas também de viveiristas especializados. Com 6 a 8 meses as mudas estão prontas para o plantio definitivo, que deve ser feito no início da estação chuvosa. A pupunha pode ser cultivada em plantio solteiro, em sistemas agroflorestal ou agrossilvipastoril. Neste último, deve-se adotar alguns cuidados para evitar que os animais comam ou danifiquem as plantas. Para informações mais detalhadas conferir Clement (Link), CEPLAC (Link) e INPA (Link).

Curiosidades: A presença de espinhos ao longo do caule, dificulta o manejo da cultura. Porém, nos últimos anos pesquisas na área de melhoramento genético da pupunha, identificaram e selecionaram plantas sem espinho que mais tarde darão origem a cultivares comerciais. Várias Instituições de pesquisa tem trabalhado no melhoramento genético da espécie, entre elas a Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM), que possui um grande banco de germoplasma de Pupunheira disponível para a pesquisa cientifica.
Banco de germoplasma de pupunheira da Embrapa Amazônia Ocidental, Rio Preto da Eva/AM.
Referências bibliográficas
CLEMENT, C.R. Introdução à pupunha. Revista da Pupunha. 2015.  Disponível em: Link
LEITMAN, P.; SOARES, K.; HENDERSON, A.; NOBLICK, L.; MARTINS, R.C. Arecaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 06 Set. 2015.

Fotos: J. Camillo. As fotos podem ser utilizadas desde que respeitada a autoria.


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