Jenipapo (Genipa americana L.)

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Descrição botânica: Da família Rubiaceae, a planta tem porte arbóreo, medindo entre 6 a 25 m de altura; tronco ereto, cascas finas de cor cinza-claro; copa formada por numerosos ramos curtos, densa quando em folhação e de formato piramidal; as folhas são simples, com nervuras bem marcadas, medindo entre 8 e 30 cm de comprimento, textura lisa e cor verde brilhante; as flores são pequenas, de cor amarelo-claro e cinco pétalas; os frutos são arredondados inicialmente tem casca lisa e cor cinza, passando a enrugada e marrom, conforme avança a maturação; o interior dos frutos contém uma polpa carnosa, bastante aromática e com numerosas sementes.
 
Aspectos gerais do jenipapeiro. A) Botões florais; B) Flor; C) Folhagem densa; D) Ramos com frutos. 
Onde ocorre: A planta é nativa do Brasil, mas não endêmica, sendo encontrada em outros países de América Latina, Ásia e África. No Brasil, ocorre naturalmente em quase todos os Estados da Federação, exceto no Rio Grande do Sul.

Fruto maduro com casca enrugada e cortado ao
meio, mostrando a polpa carnosa e as sementes.
Usos: Alimentício, ornamental, medicinal, aromático, tintorial e madeireiro. Como alimento, o fruto pode ser consumido in natura, na forma de compota, sorvete, cristalizado, suco, licor ou vinho. A polpa verde apresenta coloração azulada e pode ser utilizada como corante. Na medicina tradicional, os frutos são utilizados no preparo de xaropes caseiros contra tosse e resfriado. Na indústria química, os frutos são fonte de aroma para a cosmética e perfumaria.
            O jenipapeiro é bastante ornamental, principalmente pelo formato piramidal da copa e a densa folhagem que produz durante a primavera/verão. Deve ser cultivado em áreas abertas e longe de fontes de água e piscinas, uma vez que perde as folhas durante a época seca. Algumas plantas apresentam altura superior a 20 metros e sistema radicular vigoroso, não sendo recomendado seu plantio em áreas próximas de fiação elétrica ou em áreas calçadas.
            A planta apresenta características ecológicas que a torna um elemento potencial na recomposição de áreas degradadas ou brejosas, na biorremediação de áreas contaminadas por mineração e em sistemas agroflorestais. A madeira é compacta, flexível e fácil de trabalhar, própria para uso em marcenaria ou na construção civil.
            No Distrito Federal existem mercados especializados na venda de frutas nativas onde é possível comprar jenipapo. Mas em geral, não é fácil encontrar jenipapo à venda em supermercados, o mais comum é comprá-los nas feiras, direto do produtor ou, quando possível, colher direto da árvore e sem custo, na avenida mais próxima da sua casa. Os frutos quando maduros, deterioram-se rapidamente, sendo assim, para aumentar o tempo de conservação devem ser mantidos me geladeira (10°C).
 
Jenipapo maduro vendido no Mercado Ver-o-peso em Belém/PA e embalado individualmente vendido em supermercado no Distrito Federal.
Aspectos agronômicos: A propagação é feita através de sementes, em sementeiras ou em tubetes, contendo substrato composto por terra preta (terra de mato) e esterco bovino curtido, na proporção de 1:1. Também pode ser utilizado substrato comercial próprio para a produção de mudas. As sementes tem curta longevidade, podendo ser armazenadas por no máximo 60 dias. A planta suporta clima frio, inclusive geadas leves. Deve ser plantada em locais amplos, preferencialmente à pleno sol. As covas precisam ser profundas (50x50x50 cm), para permitir o bom desenvolvimento do sistema radicular. As regas devem ser constantes até o estabelecimento completo da muda, posteriormente, a planta não exige muitos cuidados para sua manutenção.
 
Jenipapo cultivado na arborização urbana das avenidas de Sobradinho - DF.
Curiosidades: Aqui em casa, gosto de preparar o jenipapo refogado com uma crosta de açúcar e canela. Depois do cozido, coloco as fatias do fruto e a calda que se formou durante o cozimento, em um frasco de vidro limpo e esterilizado e deixo curtir por uns quatro ou cinco dias. Após isso, o sabor fica mais suave e então o doce pode ser consumido puro, com sorvete de creme ou com outras receitas tradicionais.
            O aroma e sabor marcante do jenipapo pode causar estranheza na primeira vez que se experimenta. É o típico sabor que não tem comparação: é sabor de jenipapo e pronto. O importante é deixar de ser conservador e provar novos sabores. Preparado do jeito certo e por alguém que entende do assunto, uma vez provado, com certeza estará aprovado!
 
Jenipapo caramelizado com açúcar e canela. Uma delicia!
Referências Bibliográficas
ANDRADE, S.A.C. et al. Desidratação osmótica do jenipapo (Genipa americana L.). Ciência e Tecnologia de Alimentos, 23(2), 276-281, 2003.
COSTA, M.C. et al. Substratos para produção de mudas de jenipapo (Genipa americana L.). Pesquisa Agropecuária Tropical (Agricultural Research in the Tropics), 35(1), 19-24, 2007.

ZAPPI, D. Genipa in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 04 Out. 2015.

Fotos: J. Camillo.

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