Baru (Dipteryx alata Vog.)

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O baru é um fruto típico do Cerrado brasileiro, bioma do qual aprendi a gostar e que hoje é o motivo maior do meu trabalho. Estudo o Cerrado a 16 anos e, como Eng. Agrônoma, pretendo mostrar que é possível aliar a conservação da biodiversidade à geração de emprego e renda. Plantas como o baru nos mostram que essa associação não é apenas possível, mas também viável economicamente. Incluir alimentos tradicionais na nossa mesa, significa também diversificar o portfólio de produtos e as oportunidades para a agricultura, sobretudo, aquela de base familiar que corresponde hoje a mais de 80% dos produtores rurais do Brasil.
Frutos do Baru (Dipteryx alata Vog.)
Descrição botânica: Da família Fabaceae, a árvore mede até 15 metros de altura, com tronco ereto e casca de coloração cinza; as folhas são alternas, compostas pinadas com 7 a 12 folíolos; as inflorescências são tipo panícula, formadas nas axilas das folhas na porção terminal dos ramos, possui entre 200 a 1000 flores de cor predominantemente branca e uma bráctea central arroxeada, medem entre 0,8 e 1cm de comprimento; os frutos são do tipo drupa, com formato ovoide, levemente achatado e de cor marrom-claro; o endocarpo é bastante duro e protege o interior do fruto que contém a amêndoa, de cor castanho-escuro e textura lisa brilhante. A espécie também apresente outras denominações regionais, como: cumbaru, cumaru, barujo, coco-feijão, cumarurana, emburena-brava, feijão-coco e pau-cumaru.
Botões florais e flores abertas.
Árvore de baru utilizada em paisagismo.
Onde ocorre: É uma planta nativa mas não endêmica do Brasil. Típica de áreas de Cerrado, ocorrendo nos estados do PA, RO, TO, BA, MA, PI, GO, MT, MS, MG, SP, CE e no DF. Não ocorre naturalmente na região Sul do Brasil.

Usos:  Principalmente como alimentícia. A castanha extraída dos frutos do baru é muito saborosa, de aroma e sabor suaves, lembrando um pouco a castanha de caju. Pode ser consumida in natura, torrada ou como ingrediente na elaboração de pratos doces e salgados, como as paçocas (doces ou salgadas), pés-de-moleque, mousses, farinha, óleo, biscoitos, brigadeiro, sorvetes e tudo o mais que a criatividade do cheff permitir. A polpa dos frutos pode ser aproveitada para a extração de farinha, utilizada em substituição à farinha branca na panificação. A castanha de baru, além de ser um alimento muito versátil, é rica em proteínas, ácidos graxos, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação saudável.
            Um dos produtos mais conhecidos, preparado à base da castanha do baru, é o licor (cujo nome comercial mais famoso é Baruzetto). O sabor da bebida é delicado, adocicado e lembra a Amarula. O licor também podem ser preparado em casa e a receita completa pode ser conferida no site da Pousada Mandala, de Pirenópolis-GO (Link).
            A planta ainda possui potencial para uso como madeireira, ornamental - pela folhagem densa que produz boa sombra -  ou ainda como elemento em projetos para recuperação de áreas degradadas, em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou ainda em sistemas agroflorestais (SAFs).
            A castanha de baru beneficiada, ou mesmo os frutos inteiros, podem ser encontrados com facilidade nas feiras livres da região Centro-Oeste do Brasil. A castanha torrada e o licor são encontrados com facilidade também nos mercados e lojas especializadas em produtos do Cerrado. Em Brasília, pra quem vem a passeio e quer experimentar essa e outras iguarias, pode encontrar no Café ou na Feira da Torre de Televisão, bem no coração da Capital Federal.
 
A versatilidade do uso alimentício da castanha de baru. A) Castanha torrada; B) Brigadeiro de baru; C) Grissini de baru; D) Pão com farinha de jatobá e castanha de baru triturada; E) Biscoitinhos; F) Mousse salgada de baru e manjericão; G) Licor de baru.
Aspectos agronômicos: A frutificação ocorre durante a estação seca do Cerrado, com maior concentração no final desta, nos meses de outubro a novembro. As mudas são obtidas das sementes recém colhidas, quando o índice de germinação é superior a 90%. A germinação ocorre entre cinco a dez dias após a semeadura, mas pode estender-se por até 60 dias dependendo do tempo e das condições em que as sementes foram armazenadas. Preferencialmente, a germinação deve ser feita em embalagens individuais contendo substrato organoargiloso (duas partes de terra e uma de esterco de gado curtido) ou substrato comercial próprio para produção de mudas. A produção de mudas deve ser feita em ambiente sombreado, entre 30 a 50% e com irrigações frequentes. No viveiro e no campo, após o plantio, as mudas mostram um rápido crescimento e aos quatro anos já iniciam a frutificação.
 
Baru sendo comercializado na Feira do Padre (Sobradinho-DF): é possível encontrar tanto o fruto inteiro como a castanha torrada.
Agradecimento: Este post é um agradecimento especial pelo presente que recebi do sr. Alberto Mateus Pires, o Beto do Baru, um estudioso e entusiasta do Baru e do Cerrado. Muito obrigada pelo seu trabalho inspirador.

Referências Bibliográficas
AJALLA, A. et al. Produção de mudas de baru (dipteryx alata Vog.) sob três níveis de sombreamento e quatro classes texturais de solo. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, 34(3), 888-896, 2012.
AVIDOS, M.F.D.; FERREIRA, L.T. Frutos do cerrado: preservação gera muitos frutos. Revista de Biotecnologia. Disponível em Link.
CARRAZZA, L.R.; D’ÁVILA, J.C.C. Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Fruto do Baru. Brasília – DF. Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Brasil, 2010. 56 p.; il. - (Série Manual Tecnológico).
LIMA, H.C.; LIMA, I.B. Dipteryx in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 27 Nov. 2015.

PROJETO BARU. Disponível em Link.

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