Maracujá-ametista (Passiflora amethystina J.C.Mikan)

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O Cerrado é muito rico em tipos de maracujás: tem plantas de flores brancas, roxas, vermelhas, algumas com frutos azedos e outros deliciosamente doces. Dia desses, entre uma andança e outra, me deparei com essa planta, que considero uma das flores mais lindas dentre os diversos tipos de maracujás.
A espécie é conhecida por diversos nomes, conforme a região do Brasil: passionária, maracujá-azul, maracujá-verde, maracujá-do-campo, maracujá-da-serra, maracujá-de-cobra ou maracujazinho-do-mato.

Descrição botânica: Plantas trepadeiras herbáceas, glabras ou pubescentes, com caules cilíndricos, estriados, verdes. As folhas são 3-lobadas, com lobos alongados e margem inteira, face adaxial lustrosa, nervação reticulada, pecíolo cilíndrico e gavinhas axilares. As flores são solitárias, de coloração lilás-claro, com os filamentos longos da corona violeta-claro a violeta-escuro e filamentos curtos violeta-escuro. Os frutos têm formato elipsoides, coloração verde-clara e medem até 6cm de comprimento. As sementes são ovaladas, marrons, com arilo mucilaginoso e transparente. É uma das espécies com maior variabilidade genética dentre o gênero Passiflora. É uma planta predominantemente alógama e polinizada por abelhas, principalmente, aquelas dos gêneros Xylocopa, Centris e Eulaema. Floresce intensamente entre os meses de fevereiro a março e, em menor abundancia, de julho a novembro, conforme a região e o clima predominante.


Onde ocorre: A espécie é nativa, mas não endêmica do Brasil. Pode ser encontrada em todos os biomas, entretanto, parece ser mais abundante nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, nas matas ciliares e matas de galeria, desde o Rio Grande do Sul até o Mato Grosso e Bahia. A planta pode ser vista, com facilidade, em matas recentemente atingidas pelo fogo, como uma espécie predominante na vegetação em recomposição.

Usos: A planta, embora pouco conhecida para a maioria da população, pode ser utilizada como ornamental pela beleza da folhagem e floração vistosa. As sépalas e pétalas apresentam coloração lápis-lazúli e corona com filamentos externos de cor roxo-escuro. Os frutos podem ser consumidos in natura, pois possuem polpa muito saborosa. Também podem ser consumidos na forma de sucos e geleias, da mesma forma que o maracujá convencional.

Aspectos agronômicos: Não existe informações acerca do cultivo desta espécie. Sabe-se, por meio de observações, que a planta prefere locais úmidos, nas margens de córregos e lagos. A propagação é feita por meio de sementes e, assim como outros maracujás, necessita estrutura de tutoramento para o seu crescimento.

Referências bibliográficas

      AUKAR, A.P.A. et al. Genetic variations among passion fruit species using rapd markers. Revista Brasileira de Fruticultura, 24(3), 738-740, 2002.
    BRAGA, M.F.; JUNQUEIRA, N.T.V. Uso potencial de outras espécies do gênero Passiflora. Informe Agropecuário, 21 (206), 72-75, 2000.
       FLORA RS. Flora digital do Rio Grande do Sul. Passiflora amethystina J.C. Mikan – maracujá-azul. Disponível em: Link. 2016.
     FLORA SBS. Passiflora amethystina - Maracujá-verde. Disponível em: Link. 2016.
     Passiflora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 25 Fev. 2016.
       KOSCHNITZKE, C.; SAZIMA, M. Biologia floral de cinco espécies de Passiflora L. (Passifloraceae) em mata semidecídua. Brazilian Journal of Botany, 20(2), 119-126, 1997.

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