Pequi (Caryocar brasiliense Cambess)

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O pequi é um fruto típico do Cerrado brasileiro e característico da culinária do Centro-Oeste, especialmente do estado de Goiás. Está presente em uma infinidade de pratos e produtos da gastronomia regional, além de contar um pouco da história cultural e colonial do Brasil central. A poetisa brasiliense Hull de La Fuente, no poema Flor do pequi, resume em versos as belezas da nossa planta da vez:

Uma estrela assim formosa
Que nasce aqui no cerrado
Do pequizeiro é a rosa
E seu fruto é afamado.
Esta flor é bem sensível,
Não se pode apertar não
Sua reação é incrível,
Ela murcha e cai ao chão.
O seu fruto é saboroso
Quem o come não esquece.
Sem espinhos é gostoso,
Vem provar, se não conhece.

Descrição botânica: Família Caryocaraceae, porte arbóreo (até 10m de altura) ou, algumas vezes, reduzido e tronco bastante retorcido, conforme o solo da região; o caule é recoberto por uma casca espessa e fendida (adaptação ao fogo); as folhas são trifolioladas, apostas, pilosas, com bordos ondulados e cor verde-escuro; as flores são reunidas em cachos no final dos ramos e cada cacho pode conter entre 2 a 30 botões florais de coloração avermelhada, as flores abertas tem coloração creme, com numerosos e alongados estames; os frutos são do tipo drupa, com 1 a 4 sementes (caroços) recobertas por uma camada de polpa alaranjada, aromática e rica em óleo; as sementes são envoltas por uma densa camada de espinhos, que funciona como proteção contra os predadores.

Onde ocorre: A espécie é nativa da flora do Brasil e ocorre naturalmente em áreas de Cerrado, desde o norte do Paraná até o Tocantins e o Pará. No Centro-Oeste, é possível encontrar cultivos destinados à produção comercial de frutos, embora raros e em pequena escala.

Usos: A planta pode ser utilizada como alimentícia, oleaginosa e ornamental. Os frutos são consumidos cozidos ou simplesmente refogados em azeite e alho. Da polpa alaranjada pode-se preparar conserva, cremes doces e salgados, geleias doces e salgadas, farinha, óleo, licores, molhos e uma infinidade de outras preparações. O prato mais famoso é o arroz com pequi, presença obrigatória no dia-a-dia da boa cozinha goiana. A casca dos frutos também pode ser utilizada para o preparo de farinha e pode substituir parcialmente a farinha de trigo. O óleo pode ser utilizado com condimento, cosmético e medicinal. A castanha (semente) pode ser utilizada para produção de óleo ou ser consumida torrada, da mesma forma que outras castanhas. A conformação retorcida do tronco e dos galhos formam um belo conjunto ornamental, além de ser uma espécie pouco exigente em água e de fácil manutenção.
Produtos preparados a partir da polpa do pequi: o arroz com pequi é o prato mais famoso, mas ainda tem
geleia (doce), licor, polpa em conserva, óleo e o molho de pequi com pimenta.
Dicas: Receitas deliciosas preparadas com pequi podem ser encontradas no livro Alimentação Saudável na Culinária Regional, de autoria da professora Raquel Santiago, da Universidade Federal de Goiás.
Atualmente é possível, sem muito esforço, comprar produtos à base de pequi em diversos supermercados de quase todo o Brasil, inclusive no Sul. Recentemente estive em Florianópolis e encontrei molho de pequi sendo comercializado em supermercados e nos quiosques do Mercado Municipal, o mesmo observei na cidade de Porto Alegre/RS.
 
Quiche de ricota com pequi, a melhor receita com pequi que já provei. O sabor é muito suave, agrada até quem não é muito fã do fruto.
Aspectos agronômicos: A multiplicação pode ser feita por sementes ou por estaquia. Mudas oriundas de semente demoram até 8 anos para iniciar a frutificação, sendo mais recomendável, portanto, o uso de mudas propagadas por estaquia, adquiridas em viveiros especializados. O plantio deve ser feito no início do período chuvoso e o cultivo, feito à pleno sol, em solo bem drenado, leve e adubado, para uma boa produção de frutos. A frutificação ocorre nos meses de dezembro a fevereiro, havendo alguma variação conforme a região do País, sendo possível encontrar plantas frutificadas também entre os meses de março a maio. A espécie pode ser cultivada tanto na forma de plantios puros, como em consorciação com outras culturas.
 
Uso do pequi como planta ornamental.
Cuidado: A melhor forma de comer pequi é literalmente “roer o caroço” e nunca, já mais, morder para tirar pedaço. Por isso recomenda-se muita cautela a quem for experimentar pequi pela primeira vez. Ao morder o caroço expõe-se os espinhos que recobrem as sementes e que poderão causar extremo desconforto por ficarem aderidos à mucosa bucal, podendo, inclusive, causar lesões mais graves se não forem removidos rapidamente e de forma correta.



Referências bibliográficas complementares
AGEITEC – Agencia Embrapa de Informação Tecnológica. Pequi. 2016. Link
CAMARGO, M.P. et al. A cultura do pequi (Caryocar brasiliense Camb.) na recuperação de áreas degradas e como alternativa para a produção de biodiesel no Brasil. Journal of Agronomic Sciences, v.3, n. especial, p.180-192, 2014.
CARYOCARACEAE in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2016. Disponível em: <Link>.
EMATER-MG. A cultura do pequi. 2016. Link

OLIVEIRA, W.L.; SCARIOT, A. Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável do pequi. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2010. 84 p. Link

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