Cagaita [Eugenia dysenterica (Mart.) DC.]

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    Apesar do nome um tanto estranho, este fruto típico do Cerrado é extremamente saboroso, nutritivo e muito versátil para o uso culinário. O nome popular cagaita é atribuído às suas propriedades laxativas, especialmente, nos frutos muito maduros já iniciando a fermentação. No entanto, adotando-se alguns cuidados simples é possível saborear, sem medo, esta fruta da estação, muito nutritiva e saborosíssima.

Cagaiteira iniciando a floração. 

Casca espessa e fendida.

Descrição botânica: Árvore da família Myrtaceae, com altura entre 4 a 11m, tronco tortuoso com casca espessa e fendida. As folhas possuem cor variando entre avermelhada, quando jovens, a verde-escura quando adultas, com formato ovalado a elíptico. As flores são pequenas, de coloração branca e com muitos estames; reunidas em pequenos cachos que formam uma florada vistosa. Os frutos são arredondados, suculentos e de coloração verde, quando jovens, e amarelo-claro quando maduros.

Onde ocorre: A planta é nativa e endêmica do Brasil, especialmente, do bioma Cerrado, onde sua florada anuncia a proximidade da estação chuvosa. Ocorre naturalmente nas áreas de cerrado das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste. 


Flores da cagaiteira e folhas jovens de coloração avermelhada.
Usos: Alimentício, ornamental, melífera e medicinal. O principal uso é como alimento. Seus frutos são suculentos e de sabor levemente ácido, sendo consumidos in natura, na produção de polpa para sucos, geleias, licores ou como ingrediente culinário no preparo de molhos e pratos diversos. É possível saborear a fruta na forma de picolés e sorvetes, em diversas sorveterias especializadas em frutos do Cerrado, espalhadas, sobretudo, pelos estados de Goiás e Minas Gerais. Sob o aspecto nutricional, o fruto é considerado boa fonte de vitaminas C, B12, cálcio, magnésio e ferro. 
    Como ornamental, a planta pode integrar projetos de paisagismo em locais abertos. Apresenta uma floração exuberante, embora curta, e sua copa produz sombra em boa parte do ano. É uma árvore de porte médio e perde as folhas durante a estação seca, não sendo recomendável o seu uso para áreas próximas de piscinas, fontes ou lagos.

Geleia de cagaita.
Cuidado: Quando os frutos forem aproveitados para consumo in natura, estes devem ser colhidos “de vez”. A colheita deverá ser realizada, preferencialmente, antes do nascer do sol ou logo nas primeiras horas da manhã, a fim de evitar que os frutos iniciem a fermentação e causem o famoso efeito laxativo.

Aspectos agronômicos: A propagação é feita facilmente por meio de sementes, que devem ser germinadas logo após a colheita, pois perdem a viabilidade em poucas semanas. O crescimento das mudas é rápido, estando prontas para o plantio em campo entre 6-7 meses após a germinação.
    Embora existam muitos dados de pesquisa mostrando a viabilidade de produção comercial da cagaita, toda a produção de frutos ainda é obtida via extrativismo em populações naturais, não tendo registros do cultivo desta espécie em escala comercial. 

Frutos colhidos "de vez" e comercializados em feira-livre.

Referência

CHAVES, L.J.; TELLES, M.P.C. Cagaita. In: VIEIRA, R.F. et al. Frutas nativas da Região Centro-Oeste do Brasil. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica. 2010.

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