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Um dos objetivos deste blog, é apresentar espécies da flora brasileira desconhecidas da maioria da população. Para assim mostrar, que a riqueza de possibilidades que a nossa flora oferece, vai muito além do que imaginamos. 
Esta é a minha forma de integrar o Brasil!
           
A planta da vez, é uma espécie nativa do Cerrado conhecida pelo nome popular de pau-santo ou boizinho e muito utilizada na medicina tradicional. Curiosamente, é uma planta bastante comum nos cemitérios do Distrito Federal e sua florada coincide com a data de Finados, como se também fizesse reverencia àqueles que ali descansam.

Planta adulta utilizada na arborização de espaços amplos
ou como elemento na composição de jardins. Foto: J. Camillo.
Descrição botânica: Pertence à família botânica Calophyllaceae. É uma planta de porte arbóreo, que perde as folhas durante um período do ano. Tronco tortuoso e casca suberosa (grossa), com ramos espessos. Ao ser ferida, libera látex de coloração amarelada. Típica de áreas mais abertas de cerrado e quando adulta, pode medir entre 3 e 6 metros de altura. As folhas são simples e ficam concentradas no ápice dos ramos, conferem forma e beleza a árvore. As flores possuem pétalas alvas a levemente rosadas e estames amarelos em grande número, formando um tufo no centro da flor. Seu fruto é seco, de cor castanho-claro e abrem-se, quando maduros, para dispersar suas sementes, que são numerosas, amareladas, planas, com duas alas laterais.
Botanicamente também é conhecida pelas sinonímias Kielmeyera falcata Cambess.; K. oblonga Pohl e Matinieria arbórea Vell.
 
Planta florida no Dia de Finados, Cemitério de Sobradinho - DF. Foto: J. Camillo.
Onde ocorre: A espécie é nativa da flora do Brasil, ocorrendo na maioria dos Estados da Federação, nas formações florestais dos biomas Cerrado e Amazônia.

Flor branca com listra rosa-claro e tufo de estames no centro.
Foto: J. Camillo.
Usos: Ornamental, medicinal, fonte de cortiça e madeira. A espécie é bastante ornamental, o formato da planta com galhos retorcidos, floração abundante e delicada, conferem um aspectos muito bonito ao conjunto. Os ramos, flores e frutos são utilizados na confecção de arranjos florais.
Sua casca, bastante suberificada pode ser fonte de cortiça, que pode ser utilizada na indústria, como isolamento acústico, decoração, fabricação de rolhas e até calçados. A retirada da cortiça pode ser feita em ciclos de 5 a 6 anos e o rendimento é alto, considerado o maior entre espécies da flora brasileira. A madeira também pode ser aproveitada em pequenas construções.
Alguns historiadores relatam que durante a II Guerra Mundial, esta espécie foi altamente explorada como fonte de cortiça para produção de materiais isolantes e de linóleo (tipo de tecido impermeável), levando a espécie ao declínio ou mesmo, extinguindo populações em determinadas áreas.
Casca espessa, fonte de cortiça nativa. Foto: J. Camillo.
Suas cascas são utilizadas no preparo de garrafadas, que resulta em uma resina amarela, considerada na medicina popular como tônica e emoliente. Também é utilizada para tratar dores de dente e como analgésico em geral. As folhas também são consideradas como emoliente, sendo usadas em banhos. As folhas e as cascas, após cozimento, fornecem material corante de cor verde-claro e vermelho, respectivamente.
Estudos científicos comprovaram que as cascas de planta tem potencial de combater a cercária de Schistosoma mansoni, agente causador da barriga-d’água, doença que atinge milhões de crianças nas regiões mais pobres do mundo. Ainda demonstrou efeito antifúngico sobre Candida albicans, o que indica que poderá ser utilizado no tratamento da candidíase e efeito protetor da mucosa gástrica. As cascas do caule e o extrato das folhas, demonstraram efeito ansiolítico e antidepressivo, quando testados em cobaias.

Folhas com nervuras rosadas e concentradas na porção terminal dos galhos,
característica marcante destas plantas. Foto: J. Camillo.
Aspectos ecológicos e agronômicos: O cultivo deve ser feito a pleno sol. A espécie não tolera bem competição e sombreamento de gramíneas ou outras espécies de crescimento mais rápido, principalmente durante o primeiro ano de estabelecimento. É uma planta bastante resistente à seca, mesmo as mudas após o transplantio.
Um fato importante relatado por Ricardo Cardim, no site Arvores de São Paulo (Link), informa que, nas condições daquela cidade, a espécie frutificou no mês de setembro e a germinação ocorreu em outubro. Por alguns meses as mudas cresciam vigorosas, mas em março/abril elas começaram a ficar com as folhas amareladas e definharam até desaparecerem. Escavando o vaso, observou-se que abaixo da terra o caule a raiz permaneciam vivos e a brotação reiniciou na primavera seguinte. Esta é uma estratégia comum em plantas do Cerrado para suportarem a época da seca, sendo assim, é preciso prestar atenção antes de descartar o vaso e perder as novas mudas.

Flores em pequenos cachos, na ponta dos galhos. Foto: J. Camillo.
Propagação: A espécie propaga-se por sementes com germinação acima de 80%, quando recém colhidas. Produz anualmente grande quantidade de sementes viáveis. O período de maturação dos frutos pode durar até 12 meses e a liberação das sementes ocorre na estação seca. A melhor forma de conservar as sementes para plantios posteriores, é sob baixa temperatura (4ºC).
O substrato para a germinação pode feito à base de vermiculita e substrato comercial (1:1) ou outro substrato comercial já formulado, próprio para produção de mudas. A profundidade de semeadura é de aproximadamente 1 cm.
A micropropagação também pode ser um método interessante para propagar esta espécie. Para tanto, utiliza-se como fonte de explantes, segmentos nodais de plântulas germinas in vitro. A germinação de sementes in vitro, pode ser feita em meio de cultura ½MS com adição de ácido giberélico.

Limitações: Um dos grandes limitadores do uso comercial de plantas nativas, além dos aspectos legais, é a ausência de dados agronômicos. No caso do Pau-santo não é diferente, muito pouco se sabe sobre esta espécie, produção de mudas, plantio, tratos culturais ou aspectos fitossanitários. No entanto, aos poucos o seu uso vai se difundindo e o cultivo torna-se uma imprescindível para evitar a extinção de espécies, muitas vezes causada pela pressão extrativista.
 
O pau-santo está presente como elemento decorativo no jardim do Santuário da Mãe Peregrina de Schoenstatt, em Sobradinho  - DF.
Foto: J. Camillo.
Referências Bibliográficas
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Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.