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Muitas pessoas ainda se referem à erva-de-jabuti como espécie invasora e de pouca serventia. Mas não é bem assim. Esta planta já é bastante usada na medicina tradicional do Norte do Brasil e em países vizinhos. Recentemente foi classificada como PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) e foi descoberta pelos chefes de cozinha, que já criaram iguarias muito interessantes. De risotos a ceviches, a erva-de-jabuti é mais um caso de planta nativa que é mais conhecida fora do País do que em sua própria casa. Imagina o quanto perdemos em sabor e nutrientes por não conhecermos e valorizarmos nossa flora nativa? É isso que move o trabalho da Planta da Vez: fazer conhecer a riqueza de cores, sabores e saberes do Brasil!

Descrição botânica: Da família Piperaceae, planta herbácea, anual, ereta, ramificada, com caules tenros e quase translúcidos, medindo até 40 cm de altura. Seu crescimento pode ser ereto ou mais prostrado, conforme a região e o clima. Possui folhas simples, pecioladas, alternadas, com nervura central saliente, bordas lisas, formato de coração e comprimento entre 1 a 3 cm. As inflorescências são do tipo espigas, eretas, cilíndricas, reunindo numerosas flores diminutas e de cor esverdeada.


Onde ocorre: Planta nativa do Brasil com ocorrência natural em praticamente todo o território nacional. Cresce em áreas abertas e úmidas, sendo considerada invasora em vários locais. Muito presente em pomares e estufas de plantas, onde cresce viçosa e abundante.

Usos: Seus ramos e folhas jovens podem ser consumidos crus ou refogados, usados no preparo de saladas, bolinhos fritos ou assados, pizzas, risotos e o que mais sua imaginação culinária permitir. Cada 100g de folhas secas contém, em média, 258 kcal, 46,5 g de carboidratos e 6.977 mg de potássio. Atualmente, em algumas boas feiras regionais, é possível encontrar a planta sendo vendida como hortaliça folhosa fresca. As inflorescências, muito aromáticas, podem ser usadas como tempero, semelhante ao uso que se faz com as inflorescências de pimenta-longa (Piper aduncum).

A erva-de-jabuti também é usada na medicina popular da região Norte contra tosses, resfriados, como anti-inflamatória e no controle do colesterol e pressão alta. No México e em outros países da América Central, a espécie também é bastante conhecida na medicina tradicional, onde é chamada de corazon de hombre, yerba de la planta ou herbe a la curesse. Na Malásia, é consumida como alimento e chamada de ketumpangan air. Em inglês, a espécie é conhecida pelos nomes de greenhouse tea plant, pepper elder ou rat ear.


Aspectos agronômicos: Pouco se conhece sobre o cultivo desta espécie, uma vez que é mais comum a colheita em áreas onde ela cresce espontaneamente. A propagação é feita unicamente por sementes, que possuem alta germinação e crescimento rápido das mudas. O cultivo pode ser feito com base na observação dos locais de ocorrência natural da espécie: em áreas sombreados ou semi-sombreados, com solo rico em matéria orgânica e água em abundância.

Cuidados: Quando se conhece pouco a respeito de uma planta e alguém lhe diz que é comestível, inicialmente, consulte um agrônomo, um biólogo ou outro profissional que conheça muito sobre identificação botânica. O consumo de plantas e cogumelos sem a correta identificação pode causar intoxicações graves ou até levar à morte do indivíduo. Seja prudente, cuide-se e aproveite os sabores com segurança!

Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12686

Kinupp, V.F.; Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Ed. Plantarum. 2014.
Peperomia circinnata

As peperômias formam um dos grupos de plantas mais amplamente utilizados no paisagismo e na composição de vasos para decoração de interiores. Algumas espécies são minúsculas e pouco conhecidas da maioria das pessoas. Elas crescem sobre pedras e trocos de árvores e são belíssimas. Estas duas que vamos falar hoje podem ser cultivadas em vasos, da mesma forma que as suculentas, ou sobre troncos no jardim. Além disso, são plantas nativas das florestas úmidas do Cerrado, belezas da nossa biodiversidade que precisam ser mais bem conhecidas.

Peperomia circinnata

Descrição botânica: Ervas epífitas (crescem sobre os troncos de outras espécies sem parasitá-las) com caules finos e alongados, que se estendem ao longo do hospedeiro, de crescimento ascendente (P. campinasana) ou não-ascendente (P. circinnata). As folhas são pequenas e suculentas: arredondadas e levemente rosadas em P. circinnata, ou com base aguda e levemente rajadas em P. campinasana. As inflorescências são pequenas, em forma de espigas, eretas, solitárias, contém muitas flores pequenas esbranquiçadas ou acobreadas, a depender da espécie, e minúsculos frutinhos globosos de cor marrom ou quase pretos.

Peperomia circinnata

Onde ocorrem: Espécies nativas, porém, não endêmicas do Brasil. Peperomia circinnata apresenta ampla ocorrência natural no Brasil, com predomínio nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Já P. campinasana tem ocorrência mais restrita, sendo encontrada no Cerrado e na Mata Atlântica.

Usos: Plantas de uso ornamental, tanto na composição de vasos quanto no jardim, cultivadas sobre trocos ou pedras. Elas podem recobrir troncos com sua folhagem minúscula, o que confere um aspecto muito bonito e agradável ao jardim. P. circinnata, devido à característica de ramos não-ascendentes, é a mais adequada para o cultivo em vasos, onde forma uma cortina pendente muito bonita. Já P. campinasana, por seu crescimento ascendente, adapta-se melhor no recobrimento de superfícies como os caules de árvores, palmeiras e samambaiaçus.

Peperomia campinasana

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por meio de pedaços de ramos com folhas, colocados sobre a superfície que se quer recobrir ou sobre placas de fibras naturais (placas de fibra de coco, por exemplo). Também é possível aproveitar as sementes, colhendo-se as espiguetas com os frutos pretos maduros e colocar para germinar sobre esfagno ou outro substrato leve, com umidade constante. A germinação também pode ser feita sobre papel úmido, com posterior transplantio das mudinhas para os vasos. As plantas preferem ambientes úmidos e sombreados, mas é bom lembrar que a rega deve ser moderada. O excesso de umidade apodrece os caules. A rega deve ser feita sempre que o ambiente estiver completamente seco.

Peperomia campinasana

Recomendação: Para quem visitar Pirenópolis e Cidade de Goiás, em Goiás, observe os muros de pedra do casario histórico, são recobertos de peperômias. Em Belém/PA, essas minúsculas plantinhas crescem naturalmente sobre as mangueiras gigantes e centenárias, um deleite para quem aprecia os detalhes.

Cuidado: É sempre bom lembrar que a retirada de plantas de seus ambientes naturais é crime ambiental. Compartilhe mudas já existentes nos jardins ou, sempre que possível, procure comprar mudas de viveiristas idôneos. Entretanto, por se tratar de plantas nativas e pouco conhecidas, é difícil encontrar mudas a venda no comércio. A Planta da Vez trabalha para que, um dia, quem sabe, elas estejam disponíveis facilmente e ao alcance de todos, sem destruir a natureza.

Peperomia campinasana


Bibliografia recomendada

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12633

Carvalho-Silva, M.; Monteiro, D. Peperomia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12627

Guimarães, E.F.; Medeiros, E.V.S. Peperomia circinnata e Peperomia campinasana (Peperomia). In: Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2018.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.