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A secura produz paisagens lindas no Cerrado! O pôr do sol é de tirar o folego, florescem os ipês, os pau-rosas, os jacarandás e as sapucaias, com suas folhas e flores roxas que se destacam em meio à paisagem cinza das cidades do Centro-Oeste do Brasil. Por vezes confundidas com “algum tipo de ipê”, as sapucaias são árvores de médio a grande porte, com potencial ornamental para uso em áreas amplas e podem ser cultivadas em várias regiões do Brasil. 

Descrição botânica: Da família Lecythidaceae, a sapucaia é uma árvore que pode medir entre 15 a 30 m de altura e o tronco pode chegar a 90 cm de diâmetro. Obviamente que nas condições de restrição hídrica do Cerrado as plantas crescem menos, porém apresentam um colorido muito mais vibrante. As folhas jovens possuem cor arroxeada, passando a verde escuro à medida que maturam. As flores, também arroxeadas, desabrocham simultaneamente ao surgimento das folhas jovens e ambas se confundem na monocromia. Os frutos são grandes cápsulas lenhosas, que podem pesar mais de 1 kg, e abrigam em seu interior de 10 a 40 sementes (castanhas). A floração e frutificação ocorrem de junho a outubro, com variação conforme o clima e a região. 

Folhas novas e flores que se confundem na monocromia
Onde ocorre: Planta nativa, de ocorrência exclusiva no Brasil, nos biomas Amazônia e Mata Atlântica, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. É possível encontrar a espécie de forma natural em área antropizada e em florestas úmidas. Nas áreas urbanas, geralmente é encontrada na condição de cultivada. 
Detalhe de flores de sapucaia em planta com as folhas verdes

Usos: A espécie é mais conhecida pelos seus usos ornamental e madeireiro. Para fins ornamentais é preciso levar em consideração que a espécie cresce bastante e, por isso, deve ser cultivada em áreas amplas e ensolaradas, tais como praças, parques ou avenidas largas, onde não haja muita circulação de pessoas. A presença de frutos grandes e pesados, ainda que em pequeno número, inviabilizam o uso da sapucaia em estacionamentos e passeios públicos de grande circulação, bem como em áreas próximas a fontes ou piscinas, pois a espécie perde as folhas durante a estação seca. A madeira é moderadamente dura, empregada na fabricação de estacas, mourões e construções rurais em geral. Os frutos lenhosos podem ser usados como adorno e na fabricação de peças decorativas para interiores. 

Exemplo do uso da sapucaia na arborização de avenidas
As castanhas são comestíveis e muito saborosas. Cada 100g de castanha contém, aproximadamente, 55% de lipídios, 27% de proteínas, 5% de carboidratos, 3% de cinzas e 10% de umidade. O perfil lipídico é composto de 43% de ácidos graxos poli-insaturados, 42% ácidos graxos monoinsaturados e 15,2% ácidos graxos saturados. São fontes riquíssimas em fósforo, magnésio e manganês, além de fornecer energia, proteínas e outros minerais importantes para a saúde humana. As sementes são levemente aromáticas e oleaginosas e podem ser consumidas cruas, cozidas ou assadas, porém, sempre com moderação, pois cada 100g de castanha de sapucaia fornece, em média, 620 kcal. 

Aspectos agronômicos: A propagação pode ser feita por sementes ou por estaquia. As sementes devem ser colhidas e semeadas logo em seguida, pois perdem a viabilidade rapidamente. Antes do plantio em canteiros ou em saquinhos, recomenda-se escarificar com lixa as sementes, a fim de aumentar a germinação. As sementes devem ser regadas diariamente e a germinação pode levar entre 15 a 45 dias. Quando a propagação for por estacas, deve-se dar preferência às estacas herbáceas, que são menos lignificadas e enraízam com mais facilidade. Já existem estudos que demonstram a viabilidade da propagação in vitro da sapucaia, via cultivo em embriões e por microestaquia. A espécie prefere regiões com clima quente e, pelo menos, 1000 mm
anuais de chuvas. Desta forma, deixe para transplantar as mudas para o local definitivo no início da estação chuvosa, assim aumentarão as chances de pegamento das mudas. 

Frutos imaturos, porém, já bem grandes

Bibliografia recomendada 

Carvalho, I.M.M. et al. Caracterização química da castanha de sapucaia (Lecythis pisonis Cambess.) da região da zona da mata mineira. Bioscience Journal, 28(6), 2012. 

Flora do Brasil. Lecythidaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 21 Set. 2019

Em visita a um colecionador de plantas ornamentais no Distrito Federal me deparei com uma das inflorescências mais lindas do mundo vegetal. Minha maior surpresa foi saber que essa belezura é nativa do Brasil, ainda pouco conhecida, mas com grande potencial de uso no paisagismo. Os cachos de flores são de um alaranjado intenso e chamam a atenção de quem passa por perto. Uma planta tão bela e nativa das nossas florestas merece ser mais conhecida. A depender da região, a espécie recebe vários nomes populares: sol-da-mata, sol-da-montanha, rosa-do-mato, chapéu-de-sol-da-bolívia e por aí vai. 

Descrição botânica: Da família Fabaceae, em cultivo a altura das plantas varia entre 5 a 7 m, mas no interior da mata densa podem ultrapassar 20m. Apresentam folhas grandes e, quando jovens, possuem coloração rosa-arroxeada, passando a verdes quando adultas; as folhas são compostas por 4 a 16 folíolos, cada ráquis pode medir mais de 50 cm de comprimento. As inflorescências são vistosas, grandes e compostas por várias flores adensadas em forma de bolas pendentes, que surgem na extremidade dos ramos; a coloração das flores pode variar de alaranjado a vermelho. 


Onde ocorre: A espécie é nativa do Brasil, porém, não endêmica, sendo registrada também na Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Bolívia. A sua ocorrência em terras brasileiras foi registrada oficialmente no Amazonas, Pará, Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Possivelmente também esteja presente em outros estados, fato que só poderá ser confirmado por estudos botânicos mais abrangentes. 

Usos: Árvore muito ornamental devido à beleza de sua floração, que atrai especialmente os colibris. A madeira pode ser usada para confecção de caixotaria. As flores são usadas na medicina tradicional como anti-hemorrágico, propriedade já parcialmente confirmada por estudos científicos. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, que podem apresentar germinação baixa e desuniforme, bem como lento crescimentos das plantas. A arvoreta fotografada nas condições do Distrito Federal possui mais de 15 anos e porte aproximado de 5 a 6 m, cultivada em área sombreada e com rega constante. A floração foi observada no mês de junho, com frutos maduros simultaneamente. No Rio de Janeiro os relatos informam que se observa floração e frutificação quase o ano todo. A espécie aprecia clima quente e úmido, apresentando lento desenvolvimento em regiões mais frias. As mudas podem ser plantadas em áreas semi-sombreados, com rega abundante. A falta de água limita a floração e a frutificação. Em alguns locais, a espécie apresenta também problemas com a polinização, resultando em alto índice de frutos vazios, necessitando a colheita de muitos frutos para conseguir boa quantidade de sementes.


Bibliografia recomendada 

Fabaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <Link>. Acesso em: 31 Jul. 2019. 

Pereira, B.; Brazón, J. Aqueous extract from Brownea grandiceps flowers with effect on coagulation and fibrinolytic system. Journal of ethnopharmacology, 160, 6-13, 2015.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.