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E para finalizar a série, esta semana vamos conhecer o mulungu-da-caatinga, mais raro que as outras espécies, mas apresenta uma das flores mais bonitas do gênero Erythrina.

Descrição botânicas: Pertence à família botânica Fabaceae, árvore com até 15 m de altura e tronco com até 80 cm de diâmetro; tronco e galhos com espinhos; copa ampla, aberta e arredondada; folhas compostas por três folíolos ovais ou triangulares, com pelos na superfície e aparência aveludada; as flores tem cor laranja ou vermelho reunidas em fascículos que saem na axilas das folhas; um mesmo galho possui vários fascículos florais (várias flores agregadas em um mesmo ponto); fruto tipo legume com até 3 sementes, de cor laranja ou vermelha.
Tronco e ramos com muitos espinhos, detalhes da casca de cor cinza e raias brancas.
Onde ocorre: No Brasil ocorre de forma espontânea em quase todos os estados do Nordeste e em Minas Gerais, nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e com maior intensidade, na Caatinga. Nos demais estados é cultivado. Não é endêmico do Brasil, também encontrado nas Antilhas, Venezuela, Colômbia, Equador, Ilhas Galápagos e Peru.

Mulungu-da-caatinga na Universidade de Brasilia.
Usos: Ornamental, medicinal e madeira. O mulungu-da-caatinga é uma árvore muito ornamental, tanto pela conformação ampla da copa como pela florada de cor intensa, prestando-se para arborização de ruas, jardins e alamedas, sempre em áreas abertas, pois é árvore de grande porte. Na medicina popular a planta é utilizada como sudorífica, calmante, emoliente e anestésica. Estudos fitoquímicos comprovam que o extrato das folhas tem ação sedativa e antimicrobiana. A madeira pode ser aproveitada para a confecção de palitos de fósforo, tamancos, jangadas, brinquedos e caixotarias. As flores são comestíveis e também podem ser fonte de corante para tecidos. As sementes, pelo seu colorido, são utilizadas na confecção de artesanatos.

Características agronômicas: A época de floração varia de acordo com a região do
Brasil, no Centro-Oeste ocorre nos meses de julho a agosto, quando a arvore está totalmente sem folhas. A produção de mudas é feita por sementes, germinadas em bandejas contendo areia ou vermiculita, em sacos de polietileno (20 x 7 cm) ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. A profundidade de semeadura deve ser entre 1- 2 cm e a emergência das plântulas ocorre entre 7 e 16 dias após a semeadura. A propagação por estaquia de ramos também é possível, embora seja mais trabalhosa e dependa do bom enraizamento dos ramos. A propagação clonal por cultura de tecidos é uma opção, quando existe estrutura disponível.

Cuidados: As sementes são consideradas muito tóxicas, não devem ser ingeridas, pois dependendo da quantidade pode levar à morte.  As cascas do tronco e ramos são ricas em eritrina, um alcaloide que atua sobre o sistema nervoso central causando paralisia, por isso seu uso medicinal não deve ser feito sem o devido acompanhamento de um profissional de saúde.
 
As belas flores que colorem a estação seca na Caatinga e no Cerrado.
Referências bibliográficas
ALVES, E.U. et al. Substratos para testes de emergência de plântulas e vigor de sementes de Erythrina velutina Willd., Fabaceae. Semina: Ciências Agrárias, 29(1), 69-82, 2008.
CARVALHO, P.E.R. Mulungu (Erythrina velutina). 2008. Disponível em  Link.

LIMA, H.C.; MARTINS, M.V. Erythrina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 06 Ago. 2015.

Imagens: J. Camillo.

         Continuando o assunto dos mulungus, esta semana vamos conhecer o mulungu-coral, também conhecido em algumas regiões do Brasil como suinã ou mulungu-suinã. Esta espécie tem porte arbóreo e é igualmente utilizada na medicina popular e como ornamental.

Tronco e cascas de mulungu-coral.
Descrição botânica: Pertence à família botânica Leguminosae, de porte arbóreo medindo entre 10 a 20 metros de altura, com presença de espinhos ao longo dos troncos jovens. As folhas são compostas, trifoliadas, medindo até 12 cm de comprimento. As inflorescências apresentam coloração que pode variar entre o laranja e o vermelho, com as flores reunidas em cachos no final dos galhos. Os frutos são tipo vagem, de coloração marrom e contém entre uma e três sementes, de cor marrom-clara, medindo aproximadamente 1 cm de comprimento. 
      Anteriormente esta espécie era conhecida pelo nome de Erythrina mulungu Mart., hoje reconhecido como sinônimo de E. verna, mas que deve ser considerado na busca de bibliografia especializada.

Onde ocorre: O mulungu-coral só é encontrado no Brasil (endêmica), nos biomas Cerrado, Amazônia e, principalmente, na Mata Atlântica. Ocorre desde áreas abertas antropizadas até florestas mais densas, preferencialmente em solos bem drenados e encostas.
 
Mulungu-coral em flor no mês de julho, no estacionamento da Universidade de Brasilia.
Usos: Na medicina tradicional o chá e a tintura, elaborados a partir das cascas do caule, são utilizados como sedativo natural. A planta pode ser encontrada nas farmácias na forma de extrato seco ou em formulações fitoterápicas associada, principalmente, ao maracujá (Passiflora alata) e à valeriana (Valeriana officinalis). Esta planta é rica em alcaloides - substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central - por isso seu uso medicinal deve ser feito com acompanhamento especializado, para evitar intoxicações.
           A espécie, assim como outras do mesmo gênero, tem alto valor ornamental, é a de maior porte e a menos utilizada no paisagismo.  Justamente o porte é um dos fatores limitantes do seu uso, pois o cultivo deve ser feito em áreas amplas, longe de fiações aéreas e também de tubulações subterrâneas e calçadas, por apresentar um sistema radicular bastante vigoroso.
          Não apenas sua florada é exuberante, como também apresenta um função ecológica muito importante. Por ser uma planta heliófila, pioneira e de crescimento rápido, ajuda no desenvolvimento inicial da vegetação, acelerando o restabelecimento de áreas degradas, sendo indispensável neste tipo de atividade.
As flores de coloração laranja forte, que lembram as cores de alguns corais marinhos.

Informações agronômicas: A florada ocorre nos meses de junho a agosto quando a arvore está totalmente sem folhas. A produção de mudas pode ser feita por sementes ou por estacas. A germinação das sementes, recém colhidas e sem nenhum tratamento, é feita em sacos plásticos individuais contendo substrato organo-arenoso. A germinação se inicia entre 5 a 10 dias após a semeadura e o percentual pode chegar a 70%. As mudas apresentam crescimento rápido, estando prontas para o plantio em local definitivo em até 4 meses.

Curiosidade: O João-de-barro também aproveita a florada do mulungu-coral para enfeitar o quintal de sua casa.
O jardim mais lindo do mundo quem tem é o João-de-barro.
Referências bibliográficas

DEMUNER, V.G. et al. Influência da luz e da temperatura na germinação de sementes de Erythrina verna (Leguminosae, Papilionoideae). Museu de Biologia Professor Mello Leitão, 24, 101-110, 2008.
FEITOSA, L.G.P. Caracterização dos alcaloides de Erythrina verna. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/USP. 2014.
GILBERT, B.; FAVORETO, R. R. Erythrina spp. Fabaceae. Disponível em: http://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/viewFile/152/150. 2015.
LIMA, H.C. DE; MARTINS, M.V. Erythrina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 15 Jul. 2015.
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