Ipê-branco (T. roseoalba) na Universidade de Brasilia. 

Esta semana a Planta da Vez não poderia ser outra senão o Ipê-branco, que encerra a temporada de floração dos ipês em grande estilo. Conhecida também como ipê-branco-do-cerrado, pau-d’arco ou planta-do-mel, pode ser encontrada florida em várias regiões no Brasil no final da época seca, entre os meses de agosto a outubro.

Descrição botânica: O ipê-branco, da família Bignoniaceae, é uma árvore com até 25 m de altura, casca espessa e pouco fendida; folhas palmadas com 3 folíolos de 10-15 cm de comprimento; inflorescência terminal reunindo muitas flores de cor branca com uma listra amarela na parte central; os frutos são tipo cápsula (vagem) medindo entre 20-25 cm com muitas sementes aladas.
Onde ocorre: A espécie é nativa mas não endêmica do Brasil, onde pode ser encontrada naturalmente em quase todas as regiões, especialmente nos biomas Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Pode ocorrer tanto em locais abertos, como em matas mais fechadas.

Usos: Pela beleza de sua florada, coloração azulada da folhagem e o formato piramidal da copa, é amplamente utilizado na ornamentação urbana de parques, jardins, ruas e avenidas. Normalmente, tem porte mediano e sistema radicular não muito agressivo, podendo ser cultivado próximo de áreas calçadas. É uma planta muito bem adaptada a locais secos e pedregosos, sendo uma opção para a recuperação de áreas degradadas ou como componente em sistemas agrossilvipastoris.
Propagação: Por sementes, colhidas em frutos maduros e germinadas em canteiros ou embalagens individuais contendo substrato organo-argiloso. As mudas devem ser mantidas inicialmente em local sombreado. O crescimento das mudas é rápido, em 3 a 4 meses as plantas estarão prontas para o plantio no ambiente definitivo. Podem iniciar a floração aos 3 ou 4 anos de idade.
Curiosidade: O ipê-branco, juntamente com outras espécies de ipê, é considerado Patrimônio Ecológico do Distrito Federal. Os ipês também fazem parte do Bosque dos Constituintes, uma iniciativa da Câmara dos Deputados para celebrar a Constituição de 1988, onde cada constituinte plantou uma árvore, e no caso do ipê-branco, a primeira muda foi plantada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal Luiz Rafael Mayer.
Ipê-branco florido no campus da Universidade de Brasilia. Imagem: Weslainey Diniz. 
Agradecimento: À minha querida aluna Weslainey Diniz pela colaboração no envio de imagens.
Sobradinho - DF.

Ipê branco contrastando com a grama seca e ao fundo, a beleza da Catedral de
Brasilia - DF.

Referências bibliográficas
  1. BRASIL. Câmara dos Deputados. Ipê-branco. Disponível em: Link. 2015.
  2. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Árvores do Brasil Central: espécies da região geoeconômica de Brasília. Vol. 1. Rio de Janeiro, 2002.
  3. IBF – Instituto Brasileiro de Florestas. Ipê-branco. Disponível em: Link. Acesso em 18/09/2015.
  4. LOHMANN, L.G. Bignoniaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 05 Set. 2015.
  5. LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Vol. 1. 5 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.
  6. MACEDO, M.C.; ROSA, Y.B.C.; ROSA JUNIOR, E.J.; SCALON, S.P.Q.; TATARA, M.B. Produção de mudas de ipê-branco em diferentes substratos. Cerne, 17(1), 95-102, 2011.
Imagens: J. Camillo. As imagens poderão ser utilizadas desde que citada a autoria.

Tenho um carinho especial pelas palmeiras, elas foram assunto da minha tese de doutorado e também aqui no blog. São lindas, versáteis, de cultivo fácil e muito abundantes nas terras Brasilicas. Esta semana A Planta da Vez é a Pupunha, palmeira Amazônica muito apreciada na culinária regional, com frutos de sabor suave, muito saborosos e substanciosos. Quem visitar a Região Norte não pode deixar de provar, esta que é apenas uma das muitas riquezas que a Amazônia nos oferece.
           Segundo pesquisador Charles R. Clement, um estudioso das palmeiras amazônicas, a pupunha também é conhecida pelas denominações chontaduro, cachipay (Colombia), pejibaye (Costa Rica), chontaruro (Equador), pijuayo (Perú), gachipaes (Venezuela), peach palm, pewa nut (Trinidad).

Pupunheira (Bactris gasipaes). Coleção de
germoplasma da Embrapa Amazônia Oriental,
Bélem/PA.
Descrição botânica: É uma palmeira multicaule com até 20 m de altura; caules com diâmetro entre 15 a 30 cm, com numerosos espinhos finos e alongados; as folhas são reunidas no ápice do caule em número variável entre 15 a 25 e no centro da coroa foliar, as folhas jovens e tenras, formam o palmito; a inflorescência é grande e surge na axila das folhas; os frutos são multicoloridos; cada cacho podem conter entre 50 a 1000 unidades e pesar entre 1 a 25 kg; frutos maduros são recobertos por umas casca fina e fibrosa cuja cor varia entre o verde, vermelho, laranja ou amarelo e um mesocarpo (polpa) rico em amido e óleo. 

Onde ocorre: Planta de ocorrência natural na Floresta Amazônica, geralmente associada a áreas antropizadas (presença humana), tanto em terra firme quanto naquelas mais úmidas de margens de rios (Floresta pluvial). Também pode ser encontrada - em pequena quantidade espontânea ou cultivada - em algumas áreas do Cerrado.

Usos: Os frutos são consumidos, cozidos com água e sal ou na forma de farinha, na alimentação regional do Norte do Brasil. O palmito tem grande interesse comercial, sendo uma das principais fontes desta iguaria no mercado atual. Os frutos também podem ser utilizados para a alimentação animal.
          O uso alimentar das palmeiras deve ser estimulado e ampliado, pois são abundantes, de fácil cultivo e, via de regra, não produzem toxina como outros grupos de plantas. Apenas recomenda-se o cuidado de não ingerir frutos in natura (crus), pois estes contém em seu exterior cristais de oxalato de cálcio que causam irritação na pele e nas mucosas da boca. Os frutos da pupunheira devem ser cozidos em água e sal por 30 a 50 minutos para eliminar estes cristais e melhorar o sabor. Nota-se quando estão cozidos pela macies da polpa e liberação de óleo na água do cozimento. O sabor é suave, com textura que lembra um pouco o milho e a mandioca, e podem ser consumidos como aperitivo ou acompanhamento de pratos principais.
Frutos cozidos em água e sal. Iguaria facilmente encontrada nas feiras
da cidade de Belém/PA.

          A farinha obtida da polpa dos frutos pode ser utilizada na fabricação de pães e bolos, podendo ainda, ser um substituto para a farinha de milho convencional, com um sabor semelhante e vantagens nutricionais. Atualmente existem vários plantios comerciais de pupunha para a extração de palmito, que é considerado de qualidade superior àqueles obtidos da palmeira açaí (Euterpe spp.). A planta também produz perfilhos, característica pouco comum em palmeiras, e que permite a colheita de vários caules em uma mesma touceira.
        Os frutos também podem ser uma opção para a alimentação animal, na formulação de rações ou mesmo in natura como complemento da alimentação.
 
Diversidade de frutos (formas e cores).
Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes, germinadas em sementeiras, em substrato composto por uma mistura de solo e material orgânico. A germinação é lenta e ocorre entre 30-120 dias. As mudas podem ser adquiridas também de viveiristas especializados. Com 6 a 8 meses as mudas estão prontas para o plantio definitivo, que deve ser feito no início da estação chuvosa. A pupunha pode ser cultivada em plantio solteiro, em sistemas agroflorestal ou agrossilvipastoril. Neste último, deve-se adotar alguns cuidados para evitar que os animais comam ou danifiquem as plantas. Para informações mais detalhadas conferir Clement (Link), CEPLAC (Link) e INPA (Link).

Curiosidades: A presença de espinhos ao longo do caule, dificulta o manejo da cultura. Porém, nos últimos anos pesquisas na área de melhoramento genético da pupunha, identificaram e selecionaram plantas sem espinho que mais tarde darão origem a cultivares comerciais. Várias Instituições de pesquisa tem trabalhado no melhoramento genético da espécie, entre elas a Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM), que possui um grande banco de germoplasma de Pupunheira disponível para a pesquisa cientifica.
Banco de germoplasma de pupunheira da Embrapa Amazônia Ocidental, Rio Preto da Eva/AM.
Referências bibliográficas
CLEMENT, C.R. Introdução à pupunha. Revista da Pupunha. 2015.  Disponível em: Link
LEITMAN, P.; SOARES, K.; HENDERSON, A.; NOBLICK, L.; MARTINS, R.C. Arecaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 06 Set. 2015.

Fotos: J. Camillo. As fotos podem ser utilizadas desde que respeitada a autoria.



A florada dos ipês marca a despedida do inverno e indica que a primavera vem com tudo. Nestas semanas podemos observar a cada dia um colorido diferente nas ruas, praças e avenidas de muitas cidades do Brasil: são os ipês e sua beleza ímpar. Esta semana A Planta da Vez é o Ipê-amarelo.
            Pelo nome “Ipê-amarelo” são conhecidas, pelo Brasil a fora, muitas espécies de plantas com flores amarelas. Neste espaço iremos tratar rapidamente de três delas: Handroanthus ochraceus (Cham.) Mattos, Handroanthus serratifolius (A.H.Gentry) S.Grose. e Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook. f.ex S.Moore. Essas espécies também são conhecidas pelos nomes populares de caraíba, paratudo, pau-d’arco, pau-d’arco-amarelo ou ipê-cascudo, em alusão à espessura da casca do tronco de algumas plantas.
 
Flores do Ipê-amarelo (Handroanthus ochraceus).
Descrição botânica: Plantas da família Bignoniaceae, árvores com altura variando entre 5 a mais de 20 metros; copa com formato assimétrico; cascas de coloração cinza; folhas compostas, com 5 a 7 folíolos, com pilosidade superficial (mais ou menos densa conforme a espécie); as flores são grandes, amarelas, campanuladas, concentradas em cachos ao final do ramos, possuem estrias avermelhadas na parte interna, podendo ser bem marcadas ou mais discretas, conforme a espécie; os frutos são bagas alongadas (vagem), cobertas por pelos (mais ou menos densos), contendo numerosas sementes aladas em seu interior. As espécies H. ochraceus e T. aurea apresentam grande número de ramos curtos e tortuosos, a casca do tronco é fendilhada longitudinalmente e bastante espessa.
 
Detalhes da planta e do tronco do Handroanthus ochraceus, também chamado de ipê-cascudo pela espessura das cascas do tronco e ramos.
Onde ocorrem: De forma espontânea em quase todas as regiões do Brasil, com exceção das regiões mais frias do Sul do País. H. ochraceus e T. aurea são os ipês mais comuns que ocorrem no bioma Cerrado. As espécies podem ser encontradas com maior frequência em ambiente seco, mas podem ocorrer também em áreas mais úmidas.
 
Árvore e cacho de flores de Handroanthus serratifolius.
Usos: A beleza e imponência da florada conferem a estas espécies um enorme potencial ornamental, no paisagismo de ruas, avenidas, praças e jardins em geral. T. aurea, pelo seu porte reduzido pode ser cultivada em pequenos espaços e ruas mais estreitas. Não se recomenda o plantio dos ipês próximo a residências ou em áreas calçadas, pois seu sistema radicular pode danificar o calçamento e a rede de esgoto. Por serem árvores caducifólias (perdem as folhas em uma época do ano), seu cultivo próximo à piscinas, fontes ou telhados, pode causar o entupimento de calhas e danificar sistemas de filtragem.
            Na medicina tradicional, as cascas do tronco são utilizadas como anti-inflamatório, cicatrizante, analgésico e no tratamento de gripes e resfriados, principalmente a espécie Tabebuia aurea, cujo nome comum Paratudo, está ligado ao uso medicinal que se faz da planta.

Flores de cor amarelo-ouro da Tabebuia aurea (ipê-amarelo do Pantanal).
Informações agronômicas: A floração destas espécies ocorre nos meses de julho a novembro, com maior intensidade entre agosto e setembro. A colheita de sementes para a produção de mudas, pode ser iniciada a partir do mês de setembro. A germinação é feita em canteiros ou embalagens individuais, em substrato organo-arenoso, sob tela de proteção com 50% de sombreamento nos primeiros 20 dias. A propagação por estaquia, embora menos utilizada, também podem ser feita, em especial para H. serratifolius. As mudas estarão prontas para o plantio definitivo por volta de cinco a seis meses.
            O cultivo deve ser feito em pleno sol, em solo fértil e bem drenado para um melhor estabelecimento das mudas. As regas devem ser constantes, porém uma vez estabelecida, as plantas são resistentes à seca - aspecto bastante importante em época de crise hídrica - e não exigem muitos cuidados para sua manutenção.

Curiosidades: A espécie Tabebuia aurea é um dos símbolo do Pantanal, onde forma maciços denominados “paratudais”, caracterizados pela floração amarelo-ouro intensa nos meses de agosto e setembro. A presença dessa espécie é indicativo de solo fértil. Ecologicamente, cumpre um papel importantíssimo na cadeia alimentar de muitas aves do Pantanal, como periquitos e papagaios.
           
O velho ipê parecia mais um guardião que ali permanecia desde os tempos de vovó criança, alegrando as novas gerações com sua imponência e beleza. Toda primavera tingia-se de amarelo, exibindo suas abundantes flores amarelas. O João-de-Barro, ah este parecia ser o dono daquela árvore, edificou sua moradia de alvenaria no mais alto tronco e de lá era o sentinela efetivo. Eu perdia até a noção do tempo ali junto ao Ipê brincando na relva.
                                                    Adaptado da crônica “Tronco do Ipê” de Adauto Neves (Link)
 
O endereço do João-de-Barro.
Referências bibliográficas
BRANDÃO, H.L.M.; SAMPAIO, P.T.B. Propagação por estaquia de pau-darco-amarelo (Tabebuia serratifolia Nichols). Manaus: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 2003.
BRANDÃO, M.; LACA-BUENDÍA, J.P.; MACEDO, J.F. Árvores nativas e exóticas do estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: EPAMIG, 2002.
CARVALHO, P.E.R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Vol. 4. Brasília – DF: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo – PR: Embrapa Floresta, 2010.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. Árvores do Brasil Central: espécies da região geoeconomica de Brasilia. Vol. 1. Rio de Janeiro, 2002.
LOHMANN, L.G. Bignoniaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 22 Ago. 2015
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Vol. 1. 5 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.



E para finalizar a série, esta semana vamos conhecer o mulungu-da-caatinga, mais raro que as outras espécies, mas apresenta uma das flores mais bonitas do gênero Erythrina.

Descrição botânicas: Pertence à família botânica Fabaceae, árvore com até 15 m de altura e tronco com até 80 cm de diâmetro; tronco e galhos com espinhos; copa ampla, aberta e arredondada; folhas compostas por três folíolos ovais ou triangulares, com pelos na superfície e aparência aveludada; as flores tem cor laranja ou vermelho reunidas em fascículos que saem na axilas das folhas; um mesmo galho possui vários fascículos florais (várias flores agregadas em um mesmo ponto); fruto tipo legume com até 3 sementes, de cor laranja ou vermelha.
Tronco e ramos com muitos espinhos, detalhes da casca de cor cinza e raias brancas.
Onde ocorre: No Brasil ocorre de forma espontânea em quase todos os estados do Nordeste e em Minas Gerais, nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e com maior intensidade, na Caatinga. Nos demais estados é cultivado. Não é endêmico do Brasil, também encontrado nas Antilhas, Venezuela, Colômbia, Equador, Ilhas Galápagos e Peru.

Mulungu-da-caatinga na Universidade de Brasilia.
Usos: Ornamental, medicinal e madeira. O mulungu-da-caatinga é uma árvore muito ornamental, tanto pela conformação ampla da copa como pela florada de cor intensa, prestando-se para arborização de ruas, jardins e alamedas, sempre em áreas abertas, pois é árvore de grande porte. Na medicina popular a planta é utilizada como sudorífica, calmante, emoliente e anestésica. Estudos fitoquímicos comprovam que o extrato das folhas tem ação sedativa e antimicrobiana. A madeira pode ser aproveitada para a confecção de palitos de fósforo, tamancos, jangadas, brinquedos e caixotarias. As flores são comestíveis e também podem ser fonte de corante para tecidos. As sementes, pelo seu colorido, são utilizadas na confecção de artesanatos.

Características agronômicas: A época de floração varia de acordo com a região do
Brasil, no Centro-Oeste ocorre nos meses de julho a agosto, quando a arvore está totalmente sem folhas. A produção de mudas é feita por sementes, germinadas em bandejas contendo areia ou vermiculita, em sacos de polietileno (20 x 7 cm) ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. A profundidade de semeadura deve ser entre 1- 2 cm e a emergência das plântulas ocorre entre 7 e 16 dias após a semeadura. A propagação por estaquia de ramos também é possível, embora seja mais trabalhosa e dependa do bom enraizamento dos ramos. A propagação clonal por cultura de tecidos é uma opção, quando existe estrutura disponível.

Cuidados: As sementes são consideradas muito tóxicas, não devem ser ingeridas, pois dependendo da quantidade pode levar à morte.  As cascas do tronco e ramos são ricas em eritrina, um alcaloide que atua sobre o sistema nervoso central causando paralisia, por isso seu uso medicinal não deve ser feito sem o devido acompanhamento de um profissional de saúde.
 
As belas flores que colorem a estação seca na Caatinga e no Cerrado.
Referências bibliográficas
ALVES, E.U. et al. Substratos para testes de emergência de plântulas e vigor de sementes de Erythrina velutina Willd., Fabaceae. Semina: Ciências Agrárias29(1), 69-82, 2008.
CARVALHO, P.E.R. Mulungu (Erythrina velutina). 2008. Disponível em  Link.

LIMA, H.C.; MARTINS, M.V. Erythrina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 06 Ago. 2015.

Imagens: J. Camillo.

         Continuando o assunto dos mulungus, esta semana vamos conhecer o mulungu-coral, também conhecido em algumas regiões do Brasil como suinã ou mulungu-suinã. Esta espécie tem porte arbóreo e é igualmente utilizada na medicina popular e como ornamental.

Tronco e cascas de mulungu-coral.
Descrição botânica: Pertence à família botânica Leguminosae, de porte arbóreo medindo entre 10 a 20 metros de altura, com presença de espinhos ao longo dos troncos jovens. As folhas são compostas, trifoliadas, medindo até 12 cm de comprimento. As inflorescências apresentam coloração que pode variar entre o laranja e o vermelho, com as flores reunidas em cachos no final dos galhos. Os frutos são tipo vagem, de coloração marrom e contém entre uma e três sementes, de cor marrom-clara, medindo aproximadamente 1 cm de comprimento. 
      Anteriormente esta espécie era conhecida pelo nome de Erythrina mulungu Mart., hoje reconhecido como sinônimo de E. verna, mas que deve ser considerado na busca de bibliografia especializada.

Onde ocorre: O mulungu-coral só é encontrado no Brasil (endêmica), nos biomas Cerrado, Amazônia e, principalmente, na Mata Atlântica. Ocorre desde áreas abertas antropizadas até florestas mais densas, preferencialmente em solos bem drenados e encostas.
 
Mulungu-coral em flor no mês de julho, no estacionamento da Universidade de Brasilia.
Usos: Na medicina tradicional o chá e a tintura, elaborados a partir das cascas do caule, são utilizados como sedativo natural. A planta pode ser encontrada nas farmácias na forma de extrato seco ou em formulações fitoterápicas associada, principalmente, ao maracujá (Passiflora alata) e à valeriana (Valeriana officinalis). Esta planta é rica em alcaloides - substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central - por isso seu uso medicinal deve ser feito com acompanhamento especializado, para evitar intoxicações.
           A espécie, assim como outras do mesmo gênero, tem alto valor ornamental, é a de maior porte e a menos utilizada no paisagismo.  Justamente o porte é um dos fatores limitantes do seu uso, pois o cultivo deve ser feito em áreas amplas, longe de fiações aéreas e também de tubulações subterrâneas e calçadas, por apresentar um sistema radicular bastante vigoroso.
          Não apenas sua florada é exuberante, como também apresenta um função ecológica muito importante. Por ser uma planta heliófila, pioneira e de crescimento rápido, ajuda no desenvolvimento inicial da vegetação, acelerando o restabelecimento de áreas degradas, sendo indispensável neste tipo de atividade.
As flores de coloração laranja forte, que lembram as cores de alguns corais marinhos.

Informações agronômicas: A florada ocorre nos meses de junho a agosto quando a arvore está totalmente sem folhas. A produção de mudas pode ser feita por sementes ou por estacas. A germinação das sementes, recém colhidas e sem nenhum tratamento, é feita em sacos plásticos individuais contendo substrato organo-arenoso. A germinação se inicia entre 5 a 10 dias após a semeadura e o percentual pode chegar a 70%. As mudas apresentam crescimento rápido, estando prontas para o plantio em local definitivo em até 4 meses.

Curiosidade: O João-de-barro também aproveita a florada do mulungu-coral para enfeitar o quintal de sua casa.
O jardim mais lindo do mundo quem tem é o João-de-barro.
Referências bibliográficas

DEMUNER, V.G. et al. Influência da luz e da temperatura na germinação de sementes de Erythrina verna (Leguminosae, Papilionoideae). Museu de Biologia Professor Mello Leitão24, 101-110, 2008.
FEITOSA, L.G.P. Caracterização dos alcaloides de Erythrina verna. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/USP. 2014.
GILBERT, B.; FAVORETO, R. R. Erythrina spp. Fabaceae. Disponível em: http://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/viewFile/152/150. 2015.
LIMA, H.C. DE; MARTINS, M.V. Erythrina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 15 Jul. 2015.

Os mulungus são plantas da flora brasileira muito utilizados na medicina popular, e durante as próximas semanas falaremos sobre algumas delas. Estamos na época de florada dos mulungus, que além do uso medicinal, são também extremamente ornamentais. Esta semana vamos falar do mulungu mais conhecido de todos, o mulungu-vermelho ou também chamado de corticeira, maçaranduba, sananduva ou eritrina-candelabro pela disposição de suas flores que lembram as velas de um candelabro. O nome Erythrina, vem do grego erythros que significa vermelho, pela coloração das flores de várias espécies deste gênero.

Descrição botânica: É uma árvore pequena, medindo entre 2 a 3 metros de altura, muito ramificada e que perde as folhas durante a floração; o caule possui espinhos em toda sua extensão e é recoberto por uma camada de casca que vai se desprendendo lentamente, conferindo uma coloração amarronzada;  as folhas são trifolioladas e as inflorescências se formam na porção terminal dos ramos, após a quedas das folhas, dispostas em cachos; as flores tem coloração vermelha, são alongadas com até 5 cm de comprimento e em seu interior abrigam numerosos estames.
 
Mulungu (Erythrina speciosa Andrews). A) Planta inteira; B) Caule e galhos cobertos de espinhos; C) Detalhe das folhas.
Onde ocorre: É uma planta típica de áreas de brejo e margens de rios, mas também se desenvolve em terra firme. Pode ser encontrada em quase todo Brasil, sendo mais escassa na região Norte, uma vez que é planta mais comum nos biomas Cerrado e Mata Atlântica. No Cerrado floresce durante a época da seca, destacando-se na paisagem cinza própria da estação.

Flores e vagens com sementes.
Usos: Os mulungus são plantas medicinais, além de bastante ornamentais. Preparados à base de folhas, cascas, raízes, flores e frutos são utilizados na medicina popular como sedativo, tranquilizante, antitussígeno e no tratamento de doenças do sistema respiratório. Estudos farmacológicos comprovam sua eficácia medicinal, além de demonstrarem que esta espécie tem potencial medicinal também como analgésica, anti-inflamatória e antimicrobiana. Porém, deve-se alertar que o uso de qualquer planta medicinal deve ser feito sob prescrição e acompanhamento de profissionais da saúde especializados no assunto. O mulungu também possui propriedades tóxicas e poderá causar sérios danos à saúde, se for utilizado de maneira incorreta.
            O mulungu, pela conformação da planta e beleza de suas flores também é ornamental, podendo ser utilizado na ornamentação de praças, parques, jardins e avenidas. Esta espécie não possui um sistema radicular muito agressivo e por isso pode ser cultivado próximo de áreas calçadas. A planta pode ser cultivada isolada, em maciços ou compondo o jardim em conjunto com outras espécies.
 
Flores abertas e estames.
Aspectos agronômicos:  A produção de mudas é feita por sementes. Embora se utilize a propagação por estaquia para muitas espécies de mulungu, para esta não tem sido um método muito utilizado. As sementes apresentam dormência e por isso, recomenda-se efetuar imersão em água durante 24 horas antes do plantio. A germinação pode ser feita em saco plásticos contendo substrato preparado com uma mistura de solo, areia e esterco, na proporção de 3:2:1. O tempo de viveiro pode variar entre cinco e sete meses, quando as mudas podem ser transplantadas para locar definitivo. As mudas também podem ser adquiridas com facilidade em viveiros comerciais. Uma vez estabelecida, a planta não é exigente em tratos culturais, podendo-se eventualmente realizar podas de manutenção.
 
Mulungu-vermelho dos jardins da Universidade de Brasilia.
Referências bibliográficas

FARIA, T.J.; CAFÊU, M.C.; AKIYOSHI, G.; FERREITA, D.T.; GALÃO, O.F.; ANDREI, C.C.; PINGE-FILHO, P.; PAIVA, M.R.C.; BARBOSA, A.M.; BRAZ-FILHO, R. Alcaloides de flores e folhas de Erythrina speciosa Andrews. Química Nova, 30(3), 525-527, 2007.
LAINETTI, R.; BRITO, N.R.S. A saúde pelas plantas e ervas do mundo inteiro. Ediouro. Rio de Janeiro, 1980.
LIMA, H.C. DE; MARTINS, M.V. Erythrina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em <Link>. 2015.
MELLO, F.B.; LANGELOH, A.; MELLO, J.R.B. Toxicidade pré-clínica de fitoterápico contendo Passiflora alata, Erythrina mulungu, Leptolobium elegans e Adonis vernalis. Latin American Journal of Pharmacy, 26(2), 191-200, 2007.
MENDONÇA, L.B.; ANJOS, L. Feeding behavior of hummingbirds and perching birds on Erythrina speciosa Andrews (Fabaceae) flowers in an urban area, Londrina, Paraná, Brazil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1), 42-49, 2006.
PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. 19ª edição. São Paulo: Ibrasa. Biblioteca de Saúde; p. 41, 1997.

Imagens: J. Camillo.
Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.