Nestes
dias que dão início à estação seca, o Cerrado ganha um colorido extra com a
delicada florada da canela-de-ema. Uma planta que só é encontrada neste bioma e
cujo nome está associado às semelhanças com as Emas. Os caules são dispostos de
modo semelhante à distribuição dos dedos do animal e os tufos de folhas da
planta, lembram as penas da ave.
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Canela-de-ema (Vellozia squamata Pohl). Foto: J. Camillo. |
Caules e folhas que lembram as características de uma Ema (ave). Foto: J. Camillo. |
Descrição botânica: Pertence
à família Velloziaceae, apresenta-se na forma de arbusto ou subarbusto. O
tronco é ereto e ramificado; os ramos são
geralmente curtos, cilíndricos e agrupados em nós concêntricos de bainhas
fibrosas. As folhas são simples concentradas na porção terminal
dos ramos (rosulada) e com textura áspera. As flores tem coloração lilás, com
variações na tonalidade. Os frutos são tipo cápsula, cobertos por pequenos
espinhos, sua coloração varia entre verde a marrom-claro conforme avança a
maturação. As sementes são bastante numerosas, pequenas e de coloração
castanha. A floração ocorre entre os meses de abril a junho, com frutificação
em paralelo, podendo estender-se até o mês de outubro. Apresenta como sinônimo botânico Vellozia
flavicans Mart. ex Schult. & Schult.f., que deve ser considerado na
busca de informações sobre a espécie, uma vez que muitos autores utilizam esta sinonímia
em suas publicações.
Onde ocorre: É
uma planta nativa e endêmica da flora do Brasil, ou seja, sendo encontrada
apenas em nosso país e restrita ao bioma Cerrado dos estados de Bahia, Minas
Gerias, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso, nas formações tipo campo
rupestre e cerrado latu sensu. Cresce em solos pobres ou mesmo sobre pedras.
Usos: Apresenta grande potencial ornamental, conferido pela singularidade
de sua arquitetura foliar e beleza das flores. Pode ser utilizada como elemento
na composição de jardins, de forma isolada ou em conjunto, sozinha ou combinada
com outras espécies. Os caules também possuem potencial ornamental e podem ser
empregados na produção de arranjos artesanais ou na extração de fibras para produção
de cordas e sacarias. Na medicina popular, existem relatos do seu uso
como anti-inflamatório no tratamento de contusões e dores em geral. Estudos fitoquímicos
demonstraram que os extratos obtidos das folhas e caules da canela-de-ema, possuem
óleos essenciais e propriedade antioxidante.
Exemplos de uso da canela-de-ema em jardins. Fotos: J. Camillo. |
Curiosidade: A
coloração das flores desta espécie inspirou uma linha de esmaltes denominado “Canela-de-ema”.
Frutos: Foto: J. Camillo. |
Aspectos agronômicos: São
poucos os dados agronômicos disponíveis sobre a Canela-de-ema, principalmente
quanto à produção de mudas, sendo este um dos limitadores para o uso econômico desta
planta. A produção de mudas pode ser feita através de sementes recém colhidas,
nestas condições a germinação é superior a 90%, ocorrendo em até 10 dias. O
substrato deve ser leve, assim como a camada de cobertura das sementes, pois
estas são pequenas e delicadas. O desenvolvimento das plantas é lento.
Estudos demonstram que a germinação
in vitro, pode ser uma alternativa viável para a produção de mudas de alta qualidade
e em menor tempo, comparando-se à germinação convencional. Esta técnica já tem
sido utilizada com sucesso na propagação comercial de orquídeas e bromélias.
Referências bibliográficas
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S.P. et al. Cerrado: espécies úteis.
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em diferentes condições ambientais. Universidade de Brasilia. 2009.
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QUINTÃO,
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essenciais de Microlicia graveolens, Melaleuca leucadendron e de extratos
hidroalcoólicos das folhas e caules de Vellozia
squamata para o desenvolvimento de nanoemulsões para uso farmacêutico.
2013.