Quando lhe disserem que alguém ou alguma coisa é “bonita feito flor de jambo” pode acreditar, por que é bonita mesmo! A flor e os frutos do jambeiro só podem ser vistos quando se observa o interior da planta. Mas a visão é um espetáculo da natureza. No período da floração, as flores caem formando um tapete rosa na base da planta, convidando a todos que passam por perto, para conferir a beleza da florada.
O jambo ou jambo-da-índia, como a planta é conhecida no Brasil, é também chamado em inglês de moutain-apple, malay-apple, malay-rose-apple, malacca-apple ou pomerac. Em espanhol e conhecido pelos nomes de pomagás ou pomalaca. No Brasil, esta espécie também é chamada de jambo-vermelho, pois existem outras espécies do mesmo gênero (Syzygium) que produzem frutos de cores diferentes (amarelo-claro e roxo) e também são conhecidas popularmente como jambo.
 
Bonita feito flor de jambo. 
Descrição botânica: Pertence à família Myrtaceae. Árvore perene, de copa densa e formato piramidal, medindo entre 7 a 13 metros de altura (eventualmente até 20m); as folhas são simples, com pecíolos curtos, de cor verde-escuro brilhante e textura lisa na parte superior, medindo entre 15 a 30cm de comprimento; as flores são compostas por numerosos estames de cor rosa-magenta, reunidas em uma estrutura denominada cimeira, curta, diretamente sobre os ramos, na porção interna da planta; os frutos tem o formato piriforme, textura lisa, coloração vermelho brilhante (quando maduros) e polpa branca com sabor levemente ácido. Em geral, a floração ocorre entre agosto e fevereiro e a frutificação (colheita) nos meses de janeiro a maio. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, pode ocorrer mais de um período de frutificação anual.

Jambeiro ornamental, Sobradinho-DF.
Onde ocorre: O jambo é nativo, provavelmente, da Papua Nova Guiné e Austrália, mas ocorre naturalmente na Malásia e demais países do sudoeste do Pacífico. A espécie foi trazida para o Brasil onde adaptou-se muito bem e, atualmente, pode ser encontrada com facilidade em todas as Regiões do País, sobretudo, em climas mais quentes. O jambeiro não é tolerante ao frio.

Usos: No Brasil a planta é mais utilizada com finalidade ornamental, na arborização urbana, em parques e jardins. A copa piramidal e a beleza da folhagem, por si só, formam um conjunto bastante ornamental e conferem sombra, leveza e beleza ao jardim. Apesar das flores serem belíssimas para decoração, tem durabilidade muito curta.
A espécie também é cultivada para produção de frutos, que são comestíveis e bastante versáteis para uso culinário. Quando bem maduros, podem ser consumidos in natura, quando maduros “de vez” podem ser utilizados para a produção de doces em calda (fruto inteiro ou fatiado) e passa (fruto desidratado). A utilização culinária dos frutos vai até onde alcança a criatividade do cheff: mousses, cremes, flans, coquetéis, saladas salgadas, salada de frutas, bolos, recheios, decoração de pratos diversos, entre outros. As flores também podem ser utilizadas no preparo de saladas, mousses e na decoração de pratos.
Doce de jambo em calda: a cor vermelha é natural, sem adição de
corante.
Frutos e folhas possuem propriedades antioxidantes e são ricos em óleos essenciais que podem ser utilizados como fonte de aromas para alimentos e cosméticos; os frutos podem ser fonte de corante para uso alimentar e possuem, ainda, outras propriedades medicinais: antiespasmódica, antiviral, antimicrobiana, anti-inflamatória e moluscicida.
           
O jambeiro em plena época de frutificação, Universidade de Brasilia - DF.
Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes ou por meio de estacas de ramos herbáceos. A planta prefere climas mais quentes, solo leve e bem drenado. Não existem cultivos comerciais em larga escala no Brasil, mas alguns estudos mencionam que a espécie pode ser cultivada em espaçamento de 5x5 metros. A colheita inicia-se aproximadamente aos 5 anos após o plantio.
            Alguns autores citam que o jambo não exige grandes cuidados para seu cultivo. Porém, é bom ressaltar que se o objetivo é a produção de frutos, o jambeiro necessita sim de adubação equilibrada, bem como, solo rico em matéria orgânica, regas frequentes, cuidados fitossanitários (mosca-das-frutas) e todos os tratos culturais aplicados às espécies frutíferas convencionais.
Formação inicial dos frutos: inicialmente tem coloração verde-clara e depois passam ao vermelho-brilhante conforme avança a maturação.

Referências bibliográficas
ALMEIDA, E.J. et al. Propagação de jambeiro Vermelho (Syzygium malaccense L.) por estaquia de ramos herbáceos. Bioscience Journal, 24(1), 39-45, 2008.
MELO, R.R. et al. Características farmacobotânicas, químicas e biológicas de Syzygium malaccense (l.) Merr. & l. M. Perry. Revis Brasileira de Farmacognosia, 90(4), 298-302, 2009.
KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. São Paulo: Ed. Plantarum. 2014.
TUIWAWA, S.H. et al. The genus Syzygium (Myrtaceae) in Vanuatu. Blumea-Biodiversity, Evolution and Biogeography of Plants, 58(1), 53-67, 2013.

O caiaué, ou dendê-americano, é uma palmeira nativa da Amazônia cujo óleo contém elevadas quantidades de betacaroteno (precursor da vitamina A) e vitamina E. Além disso, é rico em ácidos graxos insaturados, principalmente, ácido oleico (48-53%). Mas não é apenas pela qualidade do óleo e uso econômico que o caiaué chama a atenção: na verdade, trata-se de uma palmeira que anda!

Descrição botânica: Palmeira da família Arecaceae, possui tronco tipo estipe, cilíndrico, maciço (crescimento anual 5-10cm) e com altura máxima de 5m; os folíolos são dispostos em um mesmo plano sobre a raque, conferindo aspecto crespo às folhas, cujo comprimento pode chegar a 7,4m. É uma planta monoica, e tanto inflorescências masculinas quanto femininas encontram-se envoltas por duas espatas externas que se rompem expondo a raque floral; a raque feminina mede entre 15 a 20cm  e a masculina de 10 a 15 cm de comprimento. O fruto é uma drupa, de formato alongado e coloração, inicialmente, castanho escura, passando para alaranjado (claro) conforme avança a maturação; os frutos pesam entre 1,7 e 13,0g e os cachos podem pesar entre 8 e 12kg. O número de frutos por cacho pode chegar a 5000.

Onde ocorre: Palmeira nativa da Região Amazônica, ocorre naturalmente no Brasil apenas no estado do Amazonas. Entretanto, pode ser encontrada em toda zona tropical da América Latina, desde o Peru até o Sul do México. Em geral, as plantas ocorrem sobre terras férteis nas margens dos rios, conhecidas no Amazônia como “terras pretas de índio”. A ocorrência de maiores ou menores populações de caiaué, parece estar relacionada à ocupação humana da Amazônia ao longo da sua história.


Banco de germoplasma de caiaué mantido pela Embrapa no estado do
Amazonas.
Usos: Palmeira oleaginosa. Da mesma forma que o dendê-africano, o caiaué produz dois tipos de óleo: o óleo da polpa dos frutos (azeite) e o óleo das amêndoas ou óleo de palmiste. A polpa contém entre 28 a 47% de óleo e as amêndoas entre 10 a 24%. O óleo da polpa apresenta coloração alaranjada e é mais fluido à temperatura ambiente, quando comparado ao azeite de dendê. Esta característica é atribuída ao menor percentual de gordura saturada presente no óleo dos frutos do caiaué.
O caiaué é menos produtivo que o dendê-africano, porém, não menos importante, uma vez que representa uma fonte vital de genes para o melhoramento genético daquela cultura. A dendeicultura (cultivo do dendê-africano) esteve comprometida no Continente Americano na década de 1990 pela incidência do Amarelecimento Fatal (AF), uma doença muito severa e para a qual não haviam medidas de controle eficientes. Foi então que começaram as pesquisas com o caiaué, pois os cientistas observaram que as plantas não eram afetadas pelo AF. O cruzamento com o dendê-africano resultou plantas híbridas resistentes ao AF, com porte reduzido (facilita a colheita) e com excelente qualidade de óleo. Atualmente, o caiaué é empregado em programas de melhoramento genético do dendê-africano em diversos países, alguns dos quais, também cultivam caiaué para a produção de suplementos alimentares e cápsulas de vitamina A.
Cultivo de híbridos entre caiaué x dendê-africano (OxG) no estado do Amazonas.
Aspectos agronômicos: O caiaué não é cultivado comercialmente no Brasil. Os pequenos cultivos (coleções) existentes destinam-se unicamente à pesquisa científica. A propagação é feita por sementes e, como a maioria das palmeiras, exige cuidados na colheita e armazenagem dos frutos, bem como tratamentos especiais para superar a dormência. O cultivo deve ser feito em solo rico em matéria orgânica, úmido e com boa drenagem. O plantio pode ser feito a pleno sol ou a meia sombra, com bom espaçamento entre plantas (8 – 10m).

Curiosidade: Por volta dos 15 anos de idade, o estipe (caule) tomba sobre o solo, mantendo a coroa foliar voltada para cima, num fenômeno denominado de procumbência. Abaixo da coroa foliar surgem novas raízes, enquanto o caule antigo vai se decompondo lentamente e cedendo lugar ao novo caule, que cresce normalmente. Este comportamento deu origem ao nome da planta, caiaué, que na língua dos povos indígenas significa “planta que anda”. O detalhe mais interessante é que todas as plantas tombam para o mesmo lado.

Planta tombada (procumbente), fenômeno que deu origem ao nome caiaué ou, na língua indígena, "palmeira que anda".

Caiaué plantado no Jardim do Museu Paraense Emilio Goeldi - em Belém/PA - como homenagem ao pesquisador Samuel Soares de Almeida, falecido em 2011, e que dedicou boa parte da sua vida à pesquisa da Flora Amazônica.

Referência bibliográfica
CAMILLO, J. Diversidade genética, conservação in vitro de germoplasma e analise do conteúdo de DNA nuclear em palma de óleo {Elaeis guineensis Jacq. e Elaeis oleifera (Kunth) Cortés}. Tese de doutorado – Universidade de Brasília/Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2012. 137 p.: il. Link

       Quem vai passar férias na Bahia não pode deixar de experimentar a moqueca, o acarajé, o vatapá e uma porção de outras iguarias preparadas com azeite-de-dendê. Então vamos conhecer o dendê, palmeira que embora não seja nativa da flora brasileira, está intimamente ligada à história e a cultura do Brasil. A denominação genérica dendê é exclusivamente brasileira, em outros países a planta é mais conhecida como palma de óleo ou, em inglês, oil palm.
           As primeiras plantas de dendê foram trazidas para o Brasil pelos escravos africanos. Os primeiros cultivos (fundo de quintal), segundo relatos históricos, foram realizados nos estados da Bahia e Rio de Janeiro, próximos aos locais onde chegavam as embarcações trazendo os escravos vindos do Continente Africano. Atualmente, na costa sul do estado da Bahia, a planta está por toda parte integrando-se perfeitamente à bela paisagem regional.
Dendezais espontâneos (não cultivado) observados na região Sul da Bahia.

            Apesar de estar ligado a uma das partes mais cruéis da história do Brasil, o dendê é  um dos maiores símbolos da integração entre os povos do Brasil e da África, cuja influência pode ser notada nos diversos aspectos que compõe a sociedade brasileira atual, sobretudo, nas festas populares e na cultura alimentar.
           
Dendê-africano (Elaeis guineensis Jacq.)
Descrição botânica: Pertence à família Arecaceae e pode atingir até 15m de altura. Possui sistema radicular fasciculado, caule tipo estipe, não ramificado, coroado por um tufo de folhas na extremidade; as folhas, em número de 30-45, medem entre 5 a 9m e pesam até 8kg; o pecíolo mede cerca de 1,5m; os folíolos podem variar em número (250 a 350); a coloração da folhagem é verde-escuro e cada folha pode ficar aderida à planta-mãe por até 12 anos. Os frutos são arredondados, reunidos em cachos que podem pesar mais de 20kg; possuem inicialmente coloração preta, passando a alaranjado/avermelhado conforme avança a maturação; os frutos apresentam grande variedade de formas e tamanhos, sendo compostos basicamente pela polpa (alaranjada), endocarpo rígido e amêndoas (entre 1 a 4/fruto). Os diferentes tipos de frutos identificam três variedades (tipos) nesta espécie: dura, pisifera e tenera.
            No Brasil existem duas espécies do gênero Elaeis: o Elaeis guineensis (dendê-africano) e o Elaeis oleifera (dendê-americano), esta última assunto do próximo post deste blog.
 
Cachos e frutos maduros de dendê. Da polpa alaranjada extrai-se o azeite de dendê e das amêndoas, obtêm-se o óleo de palmiste.
Usos: Extração de óleo e ornamentação. No Brasil, o azeite de dendê é uma iguaria da culinária regional, integrando diversos pratos da culinária bahiana (caruru, vatapá, acarajé, bobó-de-camarão, abará, entre outros). Consumido in natura, o óleo é uma boa fonte de vitamina A e ácido oleico. O óleo também tem importância religiosa, utilizado em rituais do candomblé. A conformação arredondada da copa e a bela folhagem, torna a planta propicia também para a ornamentação urbana em áreas amplas.
Azeite de dendê.
  A planta é uma das oleaginosas mais importantes do mundo e fornece dois tipos de óleo muito presentes no nosso dia-a-dia: a polpa dos frutos fornece o óleo de coloração alaranjada - que no Brasil é chamado de azeite de dendê - mas é mais conhecido mundialmente como óleo de palma (palm oil). Das amêndoas se extrai um óleo mais refinado de cor amarelo clara, amplamente empregado na indústria farmacêutica, cosmética e de produtos de higiene e limpeza: o óleo de palmiste (palm kernel oil). O óleo de palma passa pelo mesmo processo de refino aplicado ao óleo de soja e, posteriormente, pode ser utilizado como óleo de mesa. Este uso não é muito comum no Brasil, mas é largamente utilizado na maioria dos países africanos, além da Malásia e Indonésia, maiores produtores mundiais na atualidade.
            No Brasil, a forma de produção do óleo determina produtos e usos diferenciados: o azeite de dendê encontrado nas feiras e mercados (de coloração alaranjada), é extraído de forma totalmente artesanal e é utilizado com fins alimentícios e ritualístico. Já o óleo de palma e o óleo de palmiste são produtos dos cultivos comerciais, passam por diferentes formas de processamento (refino) e são utilizados em escala industrial. Embora as denominações genéricas sugiram coisas diferentes, todos os óleos tem origem na mesma palmeira: o dendezeiro.
           
Diferentes formatos de frutos identificados no
dendê-africano cultivado no Brasil.



Aspectos agronômicos: A propagação é feita por meio de sementes, uma vez que a palmeira não perfilha (não produz brotações). No entanto, é recomendável adquirir sementes pré-germinadas ou comprar as mudas de viveiristas especializados, pois as sementes possuem dormência e o tratamento para facilitar a germinação é um tanto complicado. O cultivo é feito em solo leve, bem drenado e fértil. A palmeira exige chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ano, temperaturas médias acima de 24°C e umidade do ar acima de 70%, condições que limitam o cultivo comercial do dendezeiro, apenas ao Sul da Bahia e Região Norte do Brasil. No entanto, a palmeira vegeta em diferentes climas, sendo cultivada como planta ornamental também em outras regiões do Brasil.
             




Viveiro de mudas de dendezeiro mantido pela Embrapa Amazônia Ocidental, Rio Preto da Eva-AM.

Curiosidades: O cultivo do dendezeiro expandiu-se pelo Brasil na última década, principalmente, como matéria-prima para a produção do biodiesel. Além disso, seu cultivo tem sido difundido como alternativa de desenvolvimento socioeconômico regional e como forma de recuperação e aproveitamento de áreas degradadas da região amazônica. As pesquisas e cultivos comerciais do dendezeiro no Brasil, foram iniciadas pela Embrapa na década de 1970, cujo trabalho, culminou com a formação de um dos maiores bancos de germoplasma da cultura no mundo, estabelecido no município de Rio Preto da Eva-AM. Atualmente, os cultivos comerciais estão concentrados no estado do Pará, que é o maior produtor nacional.
 
Bancos de germoplasma de dendê mantidos pela Embrapa. A) Banco de germoplasma da Embrapa Amazônia Ocidental, Rio Preto da Eva - AM; B) Coleção de trabalho da Embrapa Cerrados, Planaltina - DF. 
            Independente de discussões ideológicas e ambientais (muitas das quais participo e exponho minhas convicções), o fato é que o dendezeiro fez parte da história e da construção da identidade cultural brasileira. É uma planta belíssima e muito versátil, que aos poucos torna-se uma fonte de renda importante para a agricultura nacional.  Então, parafraseando uma matéria da Embrapa Agroenergia: Palmas para o dendê!


Referência bibliográfica
CAMILLO, J. Diversidade genética, conservação in vitro de germoplasma e analise do conteúdo de DNA nuclear em palma de óleo {Elaeis guineensis Jacq. e Elaeis oleifera (Kunth) Cortés}. Tese de doutorado – Universidade de Brasília/Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2012. 137 p.: il. Link

O baru é um fruto típico do Cerrado brasileiro, bioma do qual aprendi a gostar e que hoje é o motivo maior do meu trabalho. Estudo o Cerrado a 16 anos e, como Eng. Agrônoma, pretendo mostrar que é possível aliar a conservação da biodiversidade à geração de emprego e renda. Plantas como o baru nos mostram que essa associação não é apenas possível, mas também viável economicamente. Incluir alimentos tradicionais na nossa mesa, significa também diversificar o portfólio de produtos e as oportunidades para a agricultura, sobretudo, aquela de base familiar que corresponde hoje a mais de 80% dos produtores rurais do Brasil.
Frutos do Baru (Dipteryx alata Vog.)
Descrição botânica: Da família Fabaceae, a árvore mede até 15 metros de altura, com tronco ereto e casca de coloração cinza; as folhas são alternas, compostas pinadas com 7 a 12 folíolos; as inflorescências são tipo panícula, formadas nas axilas das folhas na porção terminal dos ramos, possui entre 200 a 1000 flores de cor predominantemente branca e uma bráctea central arroxeada, medem entre 0,8 e 1cm de comprimento; os frutos são do tipo drupa, com formato ovoide, levemente achatado e de cor marrom-claro; o endocarpo é bastante duro e protege o interior do fruto que contém a amêndoa, de cor castanho-escuro e textura lisa brilhante. A espécie também apresente outras denominações regionais, como: cumbaru, cumaru, barujo, coco-feijão, cumarurana, emburena-brava, feijão-coco e pau-cumaru.
Botões florais e flores abertas.
Árvore de baru utilizada em paisagismo.
Onde ocorre: É uma planta nativa mas não endêmica do Brasil. Típica de áreas de Cerrado, ocorrendo nos estados do PA, RO, TO, BA, MA, PI, GO, MT, MS, MG, SP, CE e no DF. Não ocorre naturalmente na região Sul do Brasil.

Usos:  Principalmente como alimentícia. A castanha extraída dos frutos do baru é muito saborosa, de aroma e sabor suaves, lembrando um pouco a castanha de caju. Pode ser consumida in natura, torrada ou como ingrediente na elaboração de pratos doces e salgados, como as paçocas (doces ou salgadas), pés-de-moleque, mousses, farinha, óleo, biscoitos, brigadeiro, sorvetes e tudo o mais que a criatividade do cheff permitir. A polpa dos frutos pode ser aproveitada para a extração de farinha, utilizada em substituição à farinha branca na panificação. A castanha de baru, além de ser um alimento muito versátil, é rica em proteínas, ácidos graxos, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação saudável.
            Um dos produtos mais conhecidos, preparado à base da castanha do baru, é o licor (cujo nome comercial mais famoso é Baruzetto). O sabor da bebida é delicado, adocicado e lembra a Amarula. O licor também podem ser preparado em casa e a receita completa pode ser conferida no site da Pousada Mandala, de Pirenópolis-GO (Link).
            A planta ainda possui potencial para uso como madeireira, ornamental - pela folhagem densa que produz boa sombra -  ou ainda como elemento em projetos para recuperação de áreas degradadas, em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou ainda em sistemas agroflorestais (SAFs).
            A castanha de baru beneficiada, ou mesmo os frutos inteiros, podem ser encontrados com facilidade nas feiras livres da região Centro-Oeste do Brasil. A castanha torrada e o licor são encontrados com facilidade também nos mercados e lojas especializadas em produtos do Cerrado. Em Brasília, pra quem vem a passeio e quer experimentar essa e outras iguarias, pode encontrar no Café ou na Feira da Torre de Televisão, bem no coração da Capital Federal.
 
A versatilidade do uso alimentício da castanha de baru. A) Castanha torrada; B) Brigadeiro de baru; C) Grissini de baru; D) Pão com farinha de jatobá e castanha de baru triturada; E) Biscoitinhos; F) Mousse salgada de baru e manjericão; G) Licor de baru.
Aspectos agronômicos: A frutificação ocorre durante a estação seca do Cerrado, com maior concentração no final desta, nos meses de outubro a novembro. As mudas são obtidas das sementes recém colhidas, quando o índice de germinação é superior a 90%. A germinação ocorre entre cinco a dez dias após a semeadura, mas pode estender-se por até 60 dias dependendo do tempo e das condições em que as sementes foram armazenadas. Preferencialmente, a germinação deve ser feita em embalagens individuais contendo substrato organoargiloso (duas partes de terra e uma de esterco de gado curtido) ou substrato comercial próprio para produção de mudas. A produção de mudas deve ser feita em ambiente sombreado, entre 30 a 50% e com irrigações frequentes. No viveiro e no campo, após o plantio, as mudas mostram um rápido crescimento e aos quatro anos já iniciam a frutificação.
 
Baru sendo comercializado na Feira do Padre (Sobradinho-DF): é possível encontrar tanto o fruto inteiro como a castanha torrada.
Agradecimento: Este post é um agradecimento especial pelo presente que recebi do sr. Alberto Mateus Pires, o Beto do Baru, um estudioso e entusiasta do Baru e do Cerrado. Muito obrigada pelo seu trabalho inspirador.

Referências Bibliográficas
AJALLA, A. et al. Produção de mudas de baru (dipteryx alata Vog.) sob três níveis de sombreamento e quatro classes texturais de solo. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, 34(3), 888-896, 2012.
AVIDOS, M.F.D.; FERREIRA, L.T. Frutos do cerrado: preservação gera muitos frutos. Revista de Biotecnologia. Disponível em Link.
CARRAZZA, L.R.; D’ÁVILA, J.C.C. Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Fruto do Baru. Brasília – DF. Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Brasil, 2010. 56 p.; il. - (Série Manual Tecnológico).
LIMA, H.C.; LIMA, I.B. Dipteryx in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 27 Nov. 2015.

PROJETO BARU. Disponível em Link.

Esta planta é um recurso medicinal importante em algumas comunidades rurais brasileiras, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Ela foi assunto da minha dissertação de mestrado e agora, finalmente, consegui boas imagens pra podermos mostrar essa planta maravilhosa. O nome comum, algodão-do-campo ou algodãozinho-do-campo, se dá em função da semelhança com o algodão comercial.
 
Folhas e capulhos do algodão-do-campo mostram a semelhança com o algodão comercial.
Descrição botânica: Subarbusto com até 2 metros de altura; raiz pivotante e muito espessa quando adulta (até 20 cm de diâmetro);  ramificado, com folhas alternadas simples e palmadas; as flores são amarelas e bem vistosas, no formato de uma concha com 6 a 8 cm de diâmetro, dispostas em cachos no final dos ramos e com até 10 flores/cacho; cada flor é composta por cinco pétalas de cor amarelo-vivo e com discretas pontuações marrom-avermelhado; as flores contém numerosos estames curvados; os frutos são alongados, de coloração variando entre verde e castanho-escuro conforme avança a maturação; as sementes são pequenas, de coloração preta e são envoltas por pequenas plumas, muito semelhante ao algodão comercial.
 
Capulho com sementes envoltas em plumas, mecanismo que facilita a dispersão. Este também é o ponto ideal de colheita de sementes para propagação.
Onde ocorre: É uma planta nativa da flora do Brasil e que ocorre naturalmente em quase
Área de ocorrência natural do algodão-do-campo no Cerrado.
todos os estados da Nação, preferencialmente, em áreas de Cerrado. A planta é característica de áreas degradadas, como beiras de estradas e clareiras abertas pelo desmatamento e revolvimento do terrenos. Já no ambiente natural é encontrada, preferencialmente, em pequenas encostas de solo bastante pedregoso.


Usos: É uma planta de uso medicinal com inúmeras aplicações na medicina tradicional, principalmente, na confecção de chás e garrafadas para “problemas de mulher”. A parte usada é a casca da raiz. Estudos fitoquímicos e farmacológicos comprovam que a planta é rica em caempferol, uma molécula que confere à planta propriedades antiinflamatória, analgésica, gastroprotetora e até antioxidante. Muitas plantas do gênero Cochlospermum (C. tinctorium; C. planchonii e C. angolense) possuem ação antimalárica, fato que ainda necessita ser investigado em C. regium.
Observação importante: o uso de plantas medicinais, assim como qualquer outro medicamento, requer sempre o acompanhamento de profissionais de saúde especializados no assunto.
            Mas além do uso medicinal, esta semana encontrei um planta de algodão-do-campo sendo cultivado em um jardim. Desta forma, está aberta a possibilidade para o uso da espécie também como planta ornamental, considerando-se a beleza de suas flores.
 
Algodão-do-campo cultivado em jardim.

Aspectos agronômicos: A propagação é feita por sementes que devem ser semeadas logo que colhidas (germinam 90%) ou entrarão em dormência e a germinação cairá drasticamente (menos de 10%). O substrato para germinação pode ser areia, vermiculita ou uma mistura de ambos, para que fique leve e bem aerado. A germinação pode ser feita em tubetes ou bandejas, preferencialmente, em ambiente protegido e com irrigação constante. As plantas não suportam encharcamento, tão pouco falta de água. O germinação é rápida, mas o desenvolvimento das plantas é lento, levando até 18 meses para estarem prontas para o plantio definitivo. No entanto, seu cultivo é simples e não demanda muitos cuidados de manutenção. O cultivo é recomendando para regiões de temperaturas mais elevadas, preferencialmente, onde não ocorram geadas frequentes.
 
Produção de mudas. A) Maturação das sementes - da esquerda para a direita - a de coloração preta e brilhante indica a fase ideal para colheita; B) germinação e desenvolvimento da plântula; C) germinação em vermiculite; D) muda pronta para plantio definitivo (18 meses).
Curiosidades: Esta planta logo após germinar e emitir raiz, inicia a formação de uma estrutura de reserva denominada xilopódio, que nada mais é do que o engrossamento rápido da raiz principal. Esta características lhe confere resistência à seca e, principalmente, ao fogo, pois quando o Cerrado é queimado e com ele toda a parte aérea da planta, as raízes permanecem intacta e com grande volume de reservas para brotar e continuar seu ciclo de vida. É um dos primeiros arbustos a brotar após os incêndios no Cerrado.



Referências Bibliográficas

CAMILLO, J. Germinação e conservação de germoplasma de algodão-do-campo [Cochlospermum regium (Mart. ex Schrank) Pilger]-Cochlospermaceae. Dissertação (mestrado) Universidade de Brasília, 2008. Link


CAMILLO, J., et al. Conservação in vitro de Cochlospermum regium (Schrank) Pilg.-Cochlospermaceae sob regime de crescimento mínimo. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 1-2, 184-189, 2009.  Link

Ontem, fazendo minha caminhada ao final da tarde, tive a grata satisfação de encontrar uma planta que me lembrou muita coisa da minha infância: a uvaia. O nome deriva da denominação indígena iwa’ya, que significa fruto ácido.

Uvaieira. A planta possui poucos frutos, pois estamos na época de seca no Cerrado e
a falta de água implica pouca floração e baixa produção de frutos.
Descrição botânica: A uvaieira é uma planta da família Myrtaceae, com porte variando entre pequenos arbustos a árvores de 12 a 13 metros de altura. As folhas são simples, opostas, estreitas e alongadas; os frutos são arredondados, com uma casca fina e textura aveludada, a cor varia entre verde e o amarelo, conforme avança a maturação. A floração ocorre entre os meses de agosto a novembro e a maturação dos frutos inicia-se em outubro.


Onde ocorre: A uvaia é planta nativa e típica do sul do Brasil, mas também ocorre naturalmente nos estados da região Sudeste, além do Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe e Ceará, nos biomas Mata Atlântica e Cerrado.
 
Fruto no inicio da maturação. Quando maduros tem coloração amarelo-forte.
Usos: Os frutos são comestíveis, tem um sabor levemente ácido e aroma suave, quando bem maduros. A polpa dos frutos pode ser utilizada no preparo de geleias, sucos, licores, vinhos, vinagres, sorvetes e iogurtes. Os frutos contém grande quantidade de vitamina C sendo, por isso, considerada uma ótima fonte de antioxidantes.
            Os frutos, folhas e ramos, por serem bastante aromáticos, podem ser utilizados como fonte de óleos essenciais para a cosmética e perfumaria. A planta pode ser recomendada para plantios na recuperação de áreas degradadas, como componente em sistemas agroflorestais ou agrossilvipastoris, na arborização urbana e na ornamentação.
 
Suco de uvaia vendido em Feiras livres no Rio Grande do Sul.
Aspectos agronômicos: A planta é multiplicada por sementes, que podem ser germinadas em bandejas ou sementeiras, contendo areia como substrato. O substrato tem que ser mantido sempre úmido para permitir boa germinação. É possível se obter mais de uma muda através do fracionamento da sementes. Estudos tem demonstrado que é possível também, fazer a propagação in vitro, através de microestacas caulinares.
            O cultivo deve ser feito à pleno sol, em solo fértil e bem drenado. As regas devem ser frequentes até o estabelecimento das mudas, e são fundamentais para que haja floração e boa produção de frutos. O plantio comercial pode ser efetuado em espaçamento 5 x 2 metros. As plantas crescem rápido e não necessitam muitos cuidados para sua manutenção.

Referências bibliográficas
DE MEDEIROS, L.F. et al. Diferentes substratos na produção de mudas de uvaieira (Eugenia pyriformis Cambess.). Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, 5(2), 2010.
NASCIMENTO, A.C. et al. Micropropagação de uvaieira (Eugenia pyriformis Cambess): efeitos do BAP e AIB. Revista Verde, Mossoró, 3(2), 20-26, 2008.
SILVA, C.V. et al. Fracionamento e germinação de sementes de uvaia (Eugenia pyriformis Cambess.) Myrtaceae. Revista Brasileira de Sementes, 27(1), 86-92, 2005.
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Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.