Esta postagem é especial para agradecer todas as pessoas queridas que sempre passam pela nossa vida todos os dias. Imagine um final de semana de muito trabalho e de repente alguém bate à sua porta lhe trazendo um presente. Foi num dia desses que ganhei da minha querida vizinha Bárbara, um prato cheio de umbus madurinhos e suculentos. Para muito além da política de boa vizinhança, gestos como esse tem o poder de mudar a nossa percepção sobre as pessoas e o lugar onde vivemos. 

Então a nossa planta da vez é o umbu, considerado como “o fruto sagrado do sertão”. O umbuzeiro é planta típica e simbólica do nordeste brasileiro, como conta em versos o poeta Marialvo Barreto:

Umbuzeiro. Foto: Fernanda Muniz Bez Birolo (Embrapa Semiárido).


Se você ainda não sabe
Vou lhe dizer o que é
O umbuzeiro é uma planta 
Que na caatinga tem pé
Resistente à toda seca
Sagrado pra quem tem fé

É um símbolo do Nordeste
Onde o sol é de rachar
No tabuleiro e na serra
Em todo lugar está
Só existe no sertão
Porque este é seu lugar (...)


Onde ocorre: O umbu é uma planta nativa do Brasil de ocorrência natural nos biomas Caatinga e Cerrado. O umbuzeiro é planta exclusiva do Brasil, ou seja, é endêmica do País.

Descrição da planta: O umbuzeiro pertence à família Anacardiaceae (a mesma o cajueiro), árvore com 4 a 6m de altura e copa com diâmetro de até 15m; o caule é ramificado, com casca áspera e de cor variando entre cinza-claro a escuro conforme a idade da planta; as folhas são pecioladas, alternadas, imparipinadas e de formato oblongo ou ovalado; as flores são pequenas, numerosas e dispostas em panículas no final dos ramos; os frutos são globosos, com 2 a 5cm de comprimento, coloração inicialmente verde evoluindo para amarelo-esverdeada conforme avança a maturação; a polpa é suculenta.

Frutos colhidos um pouco antes da maturação, ou "de vez", e comercializados em feiras-livres regionais.

Usos: Os frutos são ricos em vitamina C e sais minerais. O umbu é um alimento importante tanto para o homem quanto para os animais nas comunidades rurais do semiárido, sobretudo em anos de seca. Pode ser consumido in natura ou processado na forma de polpa, suco, doce, umbuzada, licor, xarope, pasta concentrada, umbuzeitona ou fruto cristalizado.

Os frutos possuem aroma suave, porém o sabor é um pouco ácido. Algumas plantas produzem frutos muito ácidos, por isso é importante, especialmente para quem vai experimentar umbu pela primeira vez, selecionar frutos bem maduros e de polpa mais doce.

Frutos maduros, doces e suculentos, presente da minha querida vizinha Bárbara França. 

Aspectos agronômicos: O umbuzeiro pode ser propagado por meio de sementes ou, para a obtenção de mudas de qualidade, por enxertia. A espécie tem grande capacidade de resistência à seca e pode ser cultivada em plantios puros, mistos ou como elemento na recuperação e recomposição de áreas degradadas.

São poucos os cultivos comerciais de umbuzeiro, a maior parte do umbu comercializado no Brasil é coletada de forma extrativista, o que não diminui a importância deste fruto, que durante o período de safra é uma importante fonte de renda e alimento aos sertanejos no semiárido nordestino.

Já existem diversas pesquisas realizadas pela Embrapa com a finalidade de selecionar plantas mais produtivas, frutos maiores e mais doces visando o cultivo em escala comercial. Mais informações sobre cultivo e aproveitamento do umbu também podem ser obtidas na cartilha da Embrapa “Umbuzeiro: valorize o é seu” (Link).


Referências

Anacardiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 19 Dez. 2016 .

Embrapa. O umbu e outras fruteiras nativas são boas opções para a agricultura familiar. 2016. Disponível em Link.

Marialvo Barreto. Se o umbuzeiro falasse. Disponível em: Link.


Assim como muitos brasileiros, tenho por hábito ir à feira nos fins de semana. Sobradinho/DF, minha cidade, tem duas feiras muito boas: a Feira da Lua nas sextas-feiras e a Feira do Padre aos domingos pela manhã. Sempre vou à várias feiras em busca de novos sabores e aromas. No último fim de semana tive a grata satisfação de experimentar o bacupari, um fruto de sabor doce, suculento e muito aromático. Então fiquei curiosa pra conhecer um pouco mais sobre este fruto, que será a nossa planta da vez: bacupari.

Descrição botânica: Planta da família Clusiaceae, árvore com 5 a 10m de altura, tronco com casca rugosa; folhas simples, pecioladas, opostas, bordos inteiros, com 6 a 15cm de comprimento; flores esbranquiçadas, pequenas, reunidas em conjunto na axila das folhas, flores masculinas e femininas em números semelhantes no mesmo conjunto; frutos com casca macia, amarelo-alaranjada, polpa suculenta e doce; sementes grandes e de cor castanha.

Onde ocorre: Espécie nativa do Brasil, de ocorrência natural em todas as regiões, especialmente na Mata Atlântica. Pode ser encontrada também em outros países tropicais da América latina.

Usos: Como alimento os frutos são consumidos in natura, na forma de sucos ou doces. As folhas possuem propriedades medicinais. Sob o ponto de vista ecológico, é uma espécie nativa importante para uso, em plantios mistos, na recuperação de áreas degradas.

Aspectos agronômicos: A planta se propaga por sementes. Não existem cultivos comerciais de bacupari, mas a espécie é frequentemente cultivada em pomares domésticos, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.


Referências

Clusiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 09 Dez. 2016.

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas do Brasil Nativas e Exóticas (de consumo in natura). São Paulo: Instituto Plantarum. 2015. P. 213.

SANTOS-SOUZA, E. et al. Caracterização anatômica e testes histoquímicos em folhas submetidas a diferentes níveis de sombreamento de Garcinia gardneriana (Planchon et Triana Zappi (Clusiaceae). 60º Congresso Nacional de Botanica. 2009. Link

Esta é uma das minhas plantas ornamentais favoritas, porque, em sua simplicidade, traz um colorido muito especial ao ambiente, além de ser uma planta resistente e versátil. É conhecida popularmente como camará, cambará, camaradinha ou lantana.

O camará é um bom exemplo do aproveitamento econômico da biodiversidade brasileira. Há pouco tempo atrás, esta planta era considerada apenas uma invasora de pastos e lavouras. Atualmente, por meio de estudos de melhoramento e seleção de genótipos silvestres, chegou-se a inúmeras variedades de flores coloridas e diversos tamanhos de plantas, que são cultivados nos jardins de norte a sul do Brasil.


Descrição botânica: Família Verbenaceae, arbusto com 0,5-2m de altura, bastante ramificado e pode conter espinhos ao longo dos galhos; folhas ovaladas, borda serreada, ápice agudo e textura um pouco áspera; inflorescências no final dos ramos, composta por flores pequenas e coloridas (brancas, amarelas, rosadas, vermelhas ou cores mistas); frutos pequenos, arredondados, com coloração inicialmente verde, passando a preto quando maduros.

Onde ocorre: A planta é nativa da flora do Brasil, com ampla ocorrência em todos os estados da Federação. A espécie não é endêmica do Brasil, sendo encontrada em quase todo continente Americano e nas regiões tropicais do mundo.

Usos: Ornamental e medicinal. Como ornamental a espécie pode ser utilizada na composição de cercas-vivas, bordaduras, maciços ou renques, de acordo com a criatividade de quem está planejando o jardim. O cultivo em jardineiras também é uma boa opção, já que a planta tem potencial invasor e necessita contenção para que não se espalhe por áreas indesejadas do jardim.

Na medicina popular, o camará é utilizado como diurético, expectorante, febrífugo, antirreumático e suas raízes como anticonvulsivo. Porém, é necessária cautela no uso desta planta, pois as folhas são ricas em óleos essenciais, compostos fenólicos e triterpenoides, com predominância de flavonoides, o que lhe confere potencial tóxico. As folhas e frutos são tóxicas se ingeridas por animais e pelo homem.

Cultivo do camará em floreira.

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes ou por estaquia de ramos. O cultivo deve ser feito em pleno sol. Para um bom crescimento e floração a planta requer terra bem adubada e irrigação frequente, mas sem encharcar o solo. Tolera podas e temperaturas baixas. Tem potencial invasor e por isso deve ser monitorada constantemente.

Uma das grandes vantagens do camará como planta ornamental é sua boa adaptação aos diferentes climas do Brasil e rusticidade, poucas pragas e doenças afetam esta espécie. Em cultivos muito adensados e sem os devidos cuidados, pode-se observar a incidência de um inseto identificado como Teleonemia escrupulosa, que senão for controlado pode levar as plantas à morte em pouco tempo.

Curiosidade: No Sul do Brasil ocorre a espécie Lantana montevidensis (Spreng.) Briq., também nativa do Brasil, muito semelhante à Lantana camara, igualmente utilizada como ornamental, porém, apresenta porte menor e crescimento rasteiro.

Lantana montevidensis, de crescimento rasteiro, cultivada no Sul do Brasil.

Referências

COSTA, J.G.M. et al. Composição química e avaliação das atividades antibacteriana e de toxicidade dos óleos essenciais de Lantana camara L. e Lantana sp. Braz J Pharmacogn, v. 19, p. 721-5, 2009.

FUNEZ, L.A. Flora de Santa Catarina. Disponível em Link. Acesso em nov. 2016.

Lantana in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 15 Nov. 2016.


Descrição botânica: Família Clusiaceae; árvore com até 30m de altura e até 2m de diâmetro de tronco; folhas simples, grandes, de textura lisa e rígidas; botões florais rosados ou brancos; frutos grandes, com 10cm de comprimento ou mais e podem pesar até 1,5kg, casca espessa e bastante dura; a polpa é esbranquiçada de sabor levemente ácido; as sementes são grandes e tem coloração marrom.

Fruto imaturo.
Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, característica do bioma amazônico. A espécie ocorre de forma natural na Região Amazônica brasileira e nos também nos países vizinhos, caso das Guianas, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador. 

Usos: A planta tem uso alimentício, medicinal e madeireiro. A polpa do bacuri é esbranquiçada e de sabor levemente ácido. Pode ser consumida in natura ou processada na forma de polpa para sucos, doces, sorvetes, geleias, licores, recheio de tortas e doces, biscoitos, pudins e uma infinidade de pratos, incluindo até mesmo cerveja. Das sementes é extraído o óleo, que é utilizado na medicina popular como anti-inflamatório e cicatrizante, além do uso na indústria de cosméticos. A madeira é considerada nobre.

Folhas e botões florais rosados de bacurizeiro.

Planta de bacurizeiro sob cultivo e poda para manter
o porte baixo.
Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes, brotações que surgem nas raízes das plantas adultas ou estaquia de raízes. A enxertia é utilizada na produção de mudas de alta qualidade. É possível o uso da alporquia e estaquia de ramos como formas de propagação, mas o pegamento das mudas é inferior a 10%. Mudas clonadas iniciam a produção entre 5 a 7 anos após o plantio, já mudas oriundas de semente podem levar mais de 10 anos para frutificar. Cada planta pode produzir mais 200 frutos ao ano.
     O cultivo é feito em locais com chuvas anuais entre 1100 a 3000mm, umidade relativa acima de 70% e temperatura entre 24 a 27ºC. O solo deve ser profundo e bem drenado. As plantas respondem bem ao manejo e adubação e devem ser podadas periodicamente para manter o porte baixo e facilitar a colheita. Os cultivos ainda são em pequena escala, mas a Embrapa Amazônia Oriental possui um banco de germoplasma da espécie e avançadas pesquisas de melhoramento genético.

Cultivo de bacurizeiro em área experimental da Embrapa Amazônia Oriental, Bélem/PA.

Referências

CARVALHO, J.E.U. et al. Bacurizeiro. Embrapa Amazônia Oriental. Link. 2016.

Clusiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 28 Out. 2016.

HOMMA, A. CARVALHO, J.E.U.; MENEZES, A.J.E.A. Frutos da Amazônia em ascensão: bacuri. Ciência Hoje. 2010. Link

    Apesar do nome um tanto estranho, este fruto típico do Cerrado é extremamente saboroso, nutritivo e muito versátil para o uso culinário. O nome popular cagaita é atribuído às suas propriedades laxativas, especialmente, nos frutos muito maduros já iniciando a fermentação. No entanto, adotando-se alguns cuidados simples é possível saborear, sem medo, esta fruta da estação, muito nutritiva e saborosíssima.

Cagaiteira iniciando a floração. 

Casca espessa e fendida.

Descrição botânica: Árvore da família Myrtaceae, com altura entre 4 a 11m, tronco tortuoso com casca espessa e fendida. As folhas possuem cor variando entre avermelhada, quando jovens, a verde-escura quando adultas, com formato ovalado a elíptico. As flores são pequenas, de coloração branca e com muitos estames; reunidas em pequenos cachos que formam uma florada vistosa. Os frutos são arredondados, suculentos e de coloração verde, quando jovens, e amarelo-claro quando maduros.

Onde ocorre: A planta é nativa e endêmica do Brasil, especialmente, do bioma Cerrado, onde sua florada anuncia a proximidade da estação chuvosa. Ocorre naturalmente nas áreas de cerrado das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste. 


Flores da cagaiteira e folhas jovens de coloração avermelhada.
Usos: Alimentício, ornamental, melífera e medicinal. O principal uso é como alimento. Seus frutos são suculentos e de sabor levemente ácido, sendo consumidos in natura, na produção de polpa para sucos, geleias, licores ou como ingrediente culinário no preparo de molhos e pratos diversos. É possível saborear a fruta na forma de picolés e sorvetes, em diversas sorveterias especializadas em frutos do Cerrado, espalhadas, sobretudo, pelos estados de Goiás e Minas Gerais. Sob o aspecto nutricional, o fruto é considerado boa fonte de vitaminas C, B12, cálcio, magnésio e ferro. 
    Como ornamental, a planta pode integrar projetos de paisagismo em locais abertos. Apresenta uma floração exuberante, embora curta, e sua copa produz sombra em boa parte do ano. É uma árvore de porte médio e perde as folhas durante a estação seca, não sendo recomendável o seu uso para áreas próximas de piscinas, fontes ou lagos.

Geleia de cagaita.
Cuidado: Quando os frutos forem aproveitados para consumo in natura, estes devem ser colhidos “de vez”. A colheita deverá ser realizada, preferencialmente, antes do nascer do sol ou logo nas primeiras horas da manhã, a fim de evitar que os frutos iniciem a fermentação e causem o famoso efeito laxativo.

Aspectos agronômicos: A propagação é feita facilmente por meio de sementes, que devem ser germinadas logo após a colheita, pois perdem a viabilidade em poucas semanas. O crescimento das mudas é rápido, estando prontas para o plantio em campo entre 6-7 meses após a germinação.
    Embora existam muitos dados de pesquisa mostrando a viabilidade de produção comercial da cagaita, toda a produção de frutos ainda é obtida via extrativismo em populações naturais, não tendo registros do cultivo desta espécie em escala comercial. 

Frutos colhidos "de vez" e comercializados em feira-livre.

Referência

CHAVES, L.J.; TELLES, M.P.C. Cagaita. In: VIEIRA, R.F. et al. Frutas nativas da Região Centro-Oeste do Brasil. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica. 2010.

     Só pode dizer que verdadeiramente conhece o Brasil, quem já esteve no Pará e experimentou o jambu. O sabor não é bem característico e, ao ser mastigada, a planta deixa uma sensação de dormência na boca. O jambu é ingrediente de dois pratos típicos da culinária paraense: o pato no tucupi e o tacacá. 
         A planta também é cultivada em diversos países da América do Sul, Índia, Tailândia e em alguns países europeus. No Brasil, o jambu também é chamado de agrião-do-Pará, agrião-do-Norte, jabuaçu, erva-maluca, jaburama ou botão-de-ouro. Na Índia a espécie é chamada de Akarkara ou “planta-da-dor-de-dente”.

Jambu (Acmella oleracea). Detalhe de inflorescências.
Descrição botânica: Planta da família Asteraceae, herbácea perene, medindo entre 20 a 40 cm de altura, hábito semiereto e ramos decumbentes. As folhas são opostas, pecioladas, ovaladas, sinuosas, com bordas dentadas, nervuras bem visíveis e de coloração verde-escuro; os pecíolos das folhas podem apresentar coloração esverdeada ou arroxeada. As inflorescências são pequenos capítulos de coloração amarela. Os frutos são do tipo aquênio, com numerosas sementes.

Onde ocorre: A espécie não é nativa da flora do Brasil, mas adaptou-se muito bem às condições climáticas do País, sendo encontrada, na condição de cultivada, em boa parte dos domínios fitogeográficos dos biomas Mata Atlântica e Amazônia. Também é encontrada em regiões tropicais próximas à linha do Equador na África, Ásia e América do Sul.



Usos: O maior uso da planta no Brasil é alimentício, mas também pode ser utilizada como planta ornamental e na composição de jardins sensoriais. O consumo do jambu no Pará é bastante difundido em pratos típicos, a exemplo do pato no tucupi e do tacacá, além de ser consumido na forma de salada, sopas ou refogados. As inflorescências trituradas, por seu sabor marcante, podem ser utilizadas como condimento. Do ponto de vista nutricional, é uma planta de baixa caloria (32cal), rica em cálcio (203mg) e com bom teor de vitamina C (20mg para 100g de folhas).
          A espécie possui ainda propriedades medicinais e cosméticas. Na medicina popular são relatados os usos da planta como antibacteriana, antifúngica, antimalárica, analgésica (dor de dente), anestésica, inseticida e no tratamento de gripes, tosses, além de raiva e tuberculose.

Inflorescências comercializadas no mercado Ver-o-peso, Belém-PA.
Curiosidade: A atividade anestésica desta planta é devida, principalmente, à presença de espilantol, um alcaloide com propriedades antissépticas, encontrado em maior concentração nas inflorescências e, menos concentrado, nas folhas.


Jambu comercializado em feira livre, Belém-PA.
Aspectos agronômicos: A propagação pode ser feita por meio de sementes ou de estacas de ramos. O crescimento das plantas é rápido e a floração se inicia entre 30 e 40 dias após a germinação. A planta prefere climas quentes e úmidos, solos de textura argilo-arenosa e ricos em matéria orgânica. Solos de várzea, quando bem drenados também podem ser utilizados para o cultivo. A planta é bastante exigente em água, sendo recomendado o cultivo sob irrigação em locais e/ou épocas secas. A colheita pode ser iniciada cerca de 60 dias após o plantio.

Aspeto das plantas cultivadas durante o florescimento.
Dica: Para quem não mora ou não pode ir ao Pará mas quer experimentar o jambu, pode visitar as barraquinhas de comidas típicas em feiras-livres nas diversas regiões do País, onde é mais fácil de encontrar a iguaria. Em Brasília, é possível tomar um bom tacacá nas barraquinhas da Feira da Torre de TV e na Feira do Guará. 

Tacacá, famoso caldo da culinária paraense que leva jambu como um de seus ingredientes especiais.

Referências

Acmella in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB15913>. Acesso em: 16 Set. 2016.

GILBERT, B.; FAVORETO, R. Acmella oleracea (L.) RK Jansen (Asteraceae)–Jambu. Revista Fitos Eletrônica, 5(01), 83-91, 2013.

POLTRONIERI, M.C.; POLTRONIERI, L.S.; MULLER, N.R.M. Cultivo do jambu (Spilanthes oleracea L.). Recomendações básicas. Embrapa Amazônia Oriental. 1998.

Estamos na época da florada vistosa do cipó-de-são-joão, assim chamado por coincidir sua floração com os festejos juninos por todo o Brasil. A espécie também é conhecida como cipó-bela-flor, cipó-pé-de-lagartixa, cipó-de-lagarto, flor-de-são-joão e marquesa-de-belas. Floresce entre os meses de julho a setembro, com pequenas variações regionais, sendo a florada intensa e muito ornamental.

Descrição botânica: Planta da família Bignoniaceae, trepadeira vigorosa e com densa ramagem. As folhas são compostas, com dois ou três folíolos, opostas, de coloração verde escuro. No centro das folhas, apresenta gavinhas para fixação. Cada inflorescência é composta por 15 a 20 flores, alongadas, com até 7cm de comprimento e coloração alaranjada. Os frutos são do tipo baga, alongados, com 25 a 30 cm de comprimento. 

Onde ocorre: Planta nativa da flora do Brasil, sendo encontrada facilmente em todo o País e em boa parte da zona tropical da América do Sul. Na Mata Atlântica a planta é facilmente identificada na época de floração, pelo alaranjado vistoso disperso sobre as copas das grandes árvores.

Usos: A planta é muito ornamental com florada exuberante. É cultivada em jardins sobre caramanchões, pergolados ou em cercas-vivas sobre muros e telados. Os ramos flexíveis podem ser utilizados na confecção de cestaria e artesanato regional. A planta também possui propriedades medicinais.
Cipó-de-são-joão utilizado como cerca viva. Viveiro Pau Brasilia, Brasilia-DF.
Aspectos agronômicos: Apresenta adaptação aos diferentes climas e solos do Brasil, sendo considerada, inclusive como invasoras em algumas áreas agrícolas. A propagação pode ser feita com facilidade por meio de estacas de ramos ou por sementes. O cultivo deve ser feito em condições de pleno sol, em solo fértil e com regas regulares. Necessita tutoramento e condução.

Dica: É uma opção para o cultivo e florescimento durante o inverno, ou seca no caso do Cerrado, quando outras plantas quase não florescem. Sua florada abundante e vistosa, é atrativa para insetos polinizadores e beija-flores. 


Referências

BERETA, M.E.; RITTER, M.R.; BRACK, P. Pyrostegia venusta (Cipó-de-São-João). In: CORADIN, L.; SIMINSKI, A.; REIS, A. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro - Região Sul. Brasília: MMA, 2011. (Link).

Pyrostegia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 24 Ago. 2016.


Quem já acordou cedo para colher marcela na sexta-feira santa? Eu já. Esta é uma prática comum nas comunidades de descendentes alemães e italianos do Sul do Brasil. Acredita-se que a marcela colhida nesta data específica e, antes do nascer do sol, tenha poderes de cura superiores àquelas colhidas em outras épocas do ano. A planta também é muito popular no Cerrado, onde é chamada de macela e é colhida nos meses de junho a agosto, no auge da estação seca. A planta também é chamada de macela-do-campo, macela-de-travesseiro, macelinha, carrapichinho-de-agulha e camomila nacional.

Descrição botânica: Planta da família Asteraceae, herbácea com até 1m de altura; caule, ramos e folhas cobertos por pelos esbranquiçados; folhas estreitas e alongadas, medindo 1,5cm de largura e até 15cm de comprimento; flores pequenas, amarelo-claras, em número de 5 a 10, reunidas em inflorescência terminal tipo capítulo; fruto tipo aquênio medindo até 0,5cm de comprimento.

Onde ocorre: É uma planta nativa, mas não endêmica do Brasil, onde ocorre naturalmente nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e no Nordeste (apenas no estado da Bahia). A planta pode ser encontrada na forma cultiva em quase todos os estados do País.

Usos: A marcela é planta medicinal de grande utilidade na medicina tradicional e na fitoterapia. As inflorescências colhidas e secas são utilizadas na forma de chá como sedativa, anti-inflamatória, antiespasmódica, no tratamento de desordens intestinais e dores estomacais. Estudos farmacológicos demonstraram que esta planta possui atividades antiespasmódica, anti-inflamatória, antimicrobiana, analgésica, sedativa, antisséptica e antioxidante. Também é utilizada em formulações cosméticas, a exemplo de xampus e cremes para os cabelos e hidratantes corporais. As inflorescências secas, pelo seu aroma suave e propriedades calmantes, são muito utilizadas como enchimento para travesseiros, almofadas e colchões para bebês. Os travesseirinhos de marcela são encontrados com facilidade em lojas e sites de produtos naturais.

Planta de marcela destacando-se na paisagem seca do Cerrado.
Aspectos agronômicos: A propagação da marcela pode ser feita por estaquia ou por meio de sementes. Pela facilidade de obtenção e manejo, recomenda-se optar pela propagação via sementes. A semeadura pode ser feita em bandejas contendo substrato composto de turfa, casca de arroz carbonizada e composto orgânico na proporção de 1:1:1 (v/v). Na ausência deste tipo de substrato, podem ser utilizadas outras misturas preparadas em casa, desde que sejam bem leves e proporcionem boa drenagem. A germinação ocorre em 4 a 5 dias e pode durar até 30 dias. Se necessário, efetuar o desbaste das plantas excedentes alguns dias após a germinação. As mudas estarão prontas para o cultivo em aproximadamente 70 dias. Embora a espécie adapte-se a uma variedade grande de climas e cresça naturalmente em solos degradados, quando o objetivo é comercial, o cultivo deve ser feito em solos pouco ácidos, ricos em matéria orgânica e nutrientes. Atualmente é possível efetuar o cultivo comercial, no entanto a maior parte da marcela consumida no Brasil ainda é obtida por meio do extrativismo em populações naturais.


Referências

Achyrocline in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 04 Ago. 2016.

BARATA, L.E.S. et al. Plantas Medicinais Brasileiras. I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC.(Macela). Revista Fitos Eletrônica, v. 4, n. 01, p. 120-125, 2013.

MARQUES, F.C.; BARROS, I.B.I. Crescimento inicial de marcela (Achyrocline satureioides) em ambiente protegido. Ciência Rural, Santa Maria, v.31, n.3, p.517-518, 2001.

O urucum, também conhecido como colorau, é um dos corantes naturais mais antigos utilizados pelas comunidades indígenas da América Tropical. É também um dos condimentos mais utilizados na culinária brasileira. Aliás, a palavra “urucu” é bem brasileira, originária da língua indígena tupi uru-ku, que significa “vermelho”. O urucum é conhecido internacionalmente como annatto ou anato e, atualmente, é cultivo em várias partes do mundo, devido à coloração atraente que confere a uma extensa gama de produtos manufaturados.

Descrição botânica: Da família Bixaceae, é uma planta rústica, perene, de origem pré-colombiana e que pode alcançar até 6 metros de altura; as folhas são grandes e de cor verde-claro; as flores são hermafroditas, de cor rosa-claro e com estames abundantes; os frutos são cápsulas globosas reunidas em panículas ao final dos galhos, revestidos por pequenos espinhos flexíveis, suas cores podem variar entre diferentes tonalidades de vermelho (mais comum), verde e laranja; as sementes são numerosas (30 a 50 por fruto), pequenas e revestidas por uma película de corante vermelho (bixina). A florada e produção de frutos ocorre o ano todo, com algumas variações regionais conforme o clima e a distribuição de chuvas. A planta pode florar em seis a sete meses após o plantio definitivo, mas a produção de frutos estabiliza-se aos três anos e pode estender-se por até os 30 anos.

 Onde ocorre: O urucum é planta nativa da flora do Brasil e, embora seja característico da floresta amazônica, atualmente pode ser encontrado em todo o País tanto cultivado como espontâneo. 

Usos: O urucum é um dos corantes mais antigos utilizados pelos índios nas pinturas corporais, como recurso medicinal e repelente. O corante, obtido das sementes, é utilizado na culinária para realçar a cor dos alimentos (embora não possua aroma nem sabor), na indústria de bebidas, panificação, laticínios (como queijos), embutidos, tintas, corantes para tecidos e na cosmética (protetor solar). A planta também possui diversas propriedades medicinais, com destaque especial para a atividade antioxidante, atribuída à elevada quantidade de flavonoides nas estruturas das sementes.
Frutos secos em ponto de colheita.
A extração do corante é feita, manualmente ou por via industrial, por meio do aquecimento das sementes do urucum a 70°C em óleo vegetal, seguido de abrasão com fubá ou farinha de mandioca ou pela mistura destas com urucum em pó, obtido por extração com solventes.
Exemplo de uso ornamental em jardim.
A planta do urucuzeiro pode ser utilizada como ornamental, pois apresenta uma florada muito bonita e, posteriormente, o colorido dos frutos chama atenção no jardim. Pode ser empregado tanto na forma de planta isolada como em composição, combinado com outras espécies tropicais, a exemplo das helicônias. Outro uso ornamental importante desta espécie é como flor de corte, embora o produto principal seja os frutos coloridos e não as flores. Os frutos, em diversas colorações e tonalidades, são utilizados frescos ou secos, na composição de arranjos florais, ikebanas e outros tipos de arranjos decorativos. As variedades de frutos vermelhos são as mais procuradas para fins ornamentais.





Arranjo decorativo.
Aspectos agronômicos: O urucuzeiro pode deve ser cultivado em condições de sol pleno e cresce numa ampla faixa de temperatura (15 a 38˚C). O solo, preferencialmente, deve ser de textura argilosa, profundo e bem drenado. A planta não tolera solo encharcado, nem a ocorrência de geadas, que danifica ramos e compromete a produção. A produção de mudas pode ser feita por meio de sementes ou, preferencialmente, por estaquia ou enxertia, para manter as características da planta matriz. As mudas apresentam crescimento rápido e são plantadas em locais definitivos em covas com dimensões de 40x40x40cm, bem adubadas. A planta requer podas para que se mantenha bonita e produtiva. Estão disponíveis no mercado nacional diversas variedades de urucum, e uma mesma variedade pode ser utilizada tanto para produção de grãos para corante quanto para fins ornamentais.


Curiosidades: O pó de urucum é utilizado como complemento na alimentação de aves: em galinhas poedeiras melhora a coloração da gema do ovo e em frangos de corte melhora a coloração da carne.

Variedade de urucum de frutos verdes.


Referências
COSTA, C.L.; CHAVES, M.H. Extração de pigmentos das sementes de Bixa orellana L.: uma alternativa para disciplinas experimentais de química orgânica. Química Nova, 28(1), 149-152, 2005.
EMBRAPA. A cultura do urucum. Coleção Plantar. Embrapa Amazônia Oriental. - 2. ed. rev. ampl. - Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2009.

LLERAS, E. Bixaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponivel em: <Link>. 2016.

Esta semana vamos conhecer a pimenta-rosa, condimento muito apreciado na culinária regional brasileira e que a maioria das pessoas acredita ser importado. Mas a pimenta-rosa é brasileiríssima e precisa ser melhor conhecida. Seu sabor é adocicado, levemente picante e o aroma é suave, porém, bem marcante. A espécie também é conhecida pelos nomes de aroeira, aroeira-da-praia, aroeira-de-remédio, aroeira-mansa, aroeira-pimenteira e aroeira-vermelha.

Descrição botânica: Árvore da família Anacardiaceae, porte mediano, entre 5 a 10m de altura e tronco com 30 a 60cm de diâmetro, com casca espessa; as folhas são compostas, com 3 a 10 pares de folíolos, medindo entre 3 a 5cm de comprimento e suavemente aromáticas; as flores são pequenas, reunidas em panículas de formato piramidal, concentradas na porção terminal dos ramos; os frutos são do tipo drupa, de coloração avermelhada, com 4 a 5mm diâmetro e muito aromáticos.


Onde ocorre: A espécie é nativa, mas não endêmica do Brasil, típica da Mata Atlântica, ocorrendo de forma natural neste Bioma desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte.

Usos: A planta é utilizada como medicinal, aromática, condimentar e ornamental. Suas propriedades medicinais são bastante conhecidas da população. Estudos farmacológicos comprovam que a pimenta-rosa apresenta propriedades anti-inflamatória, cicatrizante, antioxidante, antialérgica, antibacteriana, além de potencial para controle de alguns tipos de células cancerígenas. As folhas e frutos possuem óleos essenciais, que podem ser utilizados na formulação de cosméticos e medicamentos. O uso medicinal da pimenta-rosa deve ser feito com cautela e, preferencialmente, acompanhado por profissional de saúde a fim de evitar intoxicações. A planta também pode ser utilizada em paisagismo e ornamentação, devido ao belo conjunto formado pelas folhas e frutos coloridos. Apresenta porte reduzido e aceita bem a poda, o que permite seu uso tanto na arborização urbana quanto na formação de jardins ou cercas-vivas.


A pimenta-rosa também é muito utilizada como condimento, de forma pura ou misturada com a pimenta-do-reino, conferindo aroma e sabor sofisticado a diferentes tipos de carnes, pastas, molhos e cremes. O condimento pode ser encontrado, sem muito esforço, em bons supermercados e ervanários. Particularmente, aqui na minha casa a pimenta-rosa vai muito bem para temperar frango e batata, conferindo sabor especial e exclusivo aos pratos. 


Aspectos agronômicos: Por ser uma espécie nativa e muito bem adaptada, propaga-se com relativa facilidade por meio de sementes ou estacas. A germinação ou enraizamento das estacas podem ser feitos em canteiros ou em sacos plásticos individuais contendo substrato rico em matéria orgânica e bem drenado, preferencialmente, solo de textura argilosa. As plantas devem ser mantidas à pleno sol e com regas constantes. O crescimento das mudas é rápido, atingindo 4 a 5 metros de altura aos 2 anos de idade.


Bibliografia recomendada

Anacardiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: Link. Acesso em: 04 Jun. 2016

GILBERT, B.; FAVORETO, R. Schinus terebinthifolius Raddi. Revista Fitos, 6(1), 43-56, 2011.

GOMES, L.J. et al. Pensando a biodiversidade: aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi.). 2013. Link
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