Caiaué {Elaeis oleifera (Kunth) Cortés}

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O caiaué, ou dendê-americano, é uma palmeira nativa da Amazônia cujo óleo contém elevadas quantidades de betacaroteno (precursor da vitamina A) e vitamina E. Além disso, é rico em ácidos graxos insaturados, principalmente, ácido oleico (48-53%). Mas não é apenas pela qualidade do óleo e uso econômico que o caiaué chama a atenção: na verdade, trata-se de uma palmeira que anda!

Descrição botânica: Palmeira da família Arecaceae, possui tronco tipo estipe, cilíndrico, maciço (crescimento anual 5-10cm) e com altura máxima de 5m; os folíolos são dispostos em um mesmo plano sobre a raque, conferindo aspecto crespo às folhas, cujo comprimento pode chegar a 7,4m. É uma planta monoica, e tanto inflorescências masculinas quanto femininas encontram-se envoltas por duas espatas externas que se rompem expondo a raque floral; a raque feminina mede entre 15 a 20cm  e a masculina de 10 a 15 cm de comprimento. O fruto é uma drupa, de formato alongado e coloração, inicialmente, castanho escura, passando para alaranjado (claro) conforme avança a maturação; os frutos pesam entre 1,7 e 13,0g e os cachos podem pesar entre 8 e 12kg. O número de frutos por cacho pode chegar a 5000.

Onde ocorre: Palmeira nativa da Região Amazônica, ocorre naturalmente no Brasil apenas no estado do Amazonas. Entretanto, pode ser encontrada em toda zona tropical da América Latina, desde o Peru até o Sul do México. Em geral, as plantas ocorrem sobre terras férteis nas margens dos rios, conhecidas no Amazônia como “terras pretas de índio”. A ocorrência de maiores ou menores populações de caiaué, parece estar relacionada à ocupação humana da Amazônia ao longo da sua história.


Banco de germoplasma de caiaué mantido pela Embrapa no estado do
Amazonas.
Usos: Palmeira oleaginosa. Da mesma forma que o dendê-africano, o caiaué produz dois tipos de óleo: o óleo da polpa dos frutos (azeite) e o óleo das amêndoas ou óleo de palmiste. A polpa contém entre 28 a 47% de óleo e as amêndoas entre 10 a 24%. O óleo da polpa apresenta coloração alaranjada e é mais fluido à temperatura ambiente, quando comparado ao azeite de dendê. Esta característica é atribuída ao menor percentual de gordura saturada presente no óleo dos frutos do caiaué.
O caiaué é menos produtivo que o dendê-africano, porém, não menos importante, uma vez que representa uma fonte vital de genes para o melhoramento genético daquela cultura. A dendeicultura (cultivo do dendê-africano) esteve comprometida no Continente Americano na década de 1990 pela incidência do Amarelecimento Fatal (AF), uma doença muito severa e para a qual não haviam medidas de controle eficientes. Foi então que começaram as pesquisas com o caiaué, pois os cientistas observaram que as plantas não eram afetadas pelo AF. O cruzamento com o dendê-africano resultou plantas híbridas resistentes ao AF, com porte reduzido (facilita a colheita) e com excelente qualidade de óleo. Atualmente, o caiaué é empregado em programas de melhoramento genético do dendê-africano em diversos países, alguns dos quais, também cultivam caiaué para a produção de suplementos alimentares e cápsulas de vitamina A.
Cultivo de híbridos entre caiaué x dendê-africano (OxG) no estado do Amazonas.
Aspectos agronômicos: O caiaué não é cultivado comercialmente no Brasil. Os pequenos cultivos (coleções) existentes destinam-se unicamente à pesquisa científica. A propagação é feita por sementes e, como a maioria das palmeiras, exige cuidados na colheita e armazenagem dos frutos, bem como tratamentos especiais para superar a dormência. O cultivo deve ser feito em solo rico em matéria orgânica, úmido e com boa drenagem. O plantio pode ser feito a pleno sol ou a meia sombra, com bom espaçamento entre plantas (8 – 10m).

Curiosidade: Por volta dos 15 anos de idade, o estipe (caule) tomba sobre o solo, mantendo a coroa foliar voltada para cima, num fenômeno denominado de procumbência. Abaixo da coroa foliar surgem novas raízes, enquanto o caule antigo vai se decompondo lentamente e cedendo lugar ao novo caule, que cresce normalmente. Este comportamento deu origem ao nome da planta, caiaué, que na língua dos povos indígenas significa “planta que anda”. O detalhe mais interessante é que todas as plantas tombam para o mesmo lado.

Planta tombada (procumbente), fenômeno que deu origem ao nome caiaué ou, na língua indígena, "palmeira que anda".

Caiaué plantado no Jardim do Museu Paraense Emilio Goeldi - em Belém/PA - como homenagem ao pesquisador Samuel Soares de Almeida, falecido em 2011, e que dedicou boa parte da sua vida à pesquisa da Flora Amazônica.

Referência bibliográfica
CAMILLO, J. Diversidade genética, conservação in vitro de germoplasma e analise do conteúdo de DNA nuclear em palma de óleo {Elaeis guineensis Jacq. e Elaeis oleifera (Kunth) Cortés}. Tese de doutorado – Universidade de Brasília/Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2012. 137 p.: il. Link

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