Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis L.)

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          Uma das coisas que mais gosto é escrever sobre temas que lembram minha infância, e o hibisco é uma delas. É uma flor linda e me encanto até hoje cada vez que descubro um hibisco diferente. Tenho coleção de fotos de hibiscos de todas as partes do Brasil e preparei uma pequena amostra para quem, como eu, também admira essa planta maravilhosa.
          A espécie é cultivada no mundo todo e recebe dezenas de nomes diferentes: china-rose, china-rose-plant, dasani, gudhal, gurhal, jaba, joba, mandaar, sadaphool, senicikobia, japaphool, japa, japakusam, jasum, jasunt, jaswand, jia pushpa, kante, mandasa, sambathoo chedi, senitoa yaloyalo. No Brasil é conhecida pelos nomes de mimo-chinês, rosa-da-china, brinco-de-princesa, mimo-de-vênus, papoula-hibisco ou graxa-de-estudante. O hibisco é a flor símbolo do Havaí e é considerada a flor nacional da Malásia desde 1960.

Descrição da planta: Da família botânica Malvaceae, porte variando entre 2 a 4 metros de altura, crescimento ereto e bastante ramificada; as folhas são simples, alternadas, pecioladas, de coloração verde-escuro, formato ovalado, margens dentadas, base acuminada e tamanho variando entre 4 a 9 cm de comprimento. As flores são solitárias, saindo das axilas das folhas na porção terminal dos galhos, com pedúnculo de 1 a 5cm de comprimento; cada flor simples contém cinco pétalas de formato ovalado e margem lisa ou irregular (conferindo um aspecto rendo às flores); em geral, o miolo das flores possui colorações distintas: o fundo é geralmente vermelho ou bordô e contornado, em algumas variedades, por outro alo esbranquiçado; do centro da flor emerge uma longa coluna com numerosos estames concentrados na porção terminal, a maioria estéril, especialmente nas variedades hibridas. É possível encontrar plantas com flores simples ou dobradas.

Onde ocorre: A espécie é nativa do sudoeste asiático onde ocorre de forma espontânea na vegetação da região. É uma das plantas ornamentais mais cultivadas por todo o mundo, especialmente nos países de clima tropical e subtropical, a exemplo do Brasil. Alguns relatos dão conta que a espécie foi trazida para o Brasil por escravos africanos, ainda no século XVII.

Usos: Como planta ornamental pode ser cultivada em jardins na formação de cerca-viva, renques, composições com outras espécies, planta isolada ou como planta de vaso. Também é bastante utilizada para a confecção de bonsai. Produz grande quantidade de flores o ano todo, atraindo diversos polinizadores ao jardim. As folhas podem ser fonte para obtenção de corante, cascas e ramos podem fornecer fibra para a confecção de artesanato.

As flores do hibisco são comestíveis, com sabor levemente ácido, são muito versáteis na cozinha e podem ser utilizadas na composição de saladas e guarnições, além de ser uma excelente opção na decoração de pratos variados. As folhas jovens também podem ser consumidas refogadas ou na forma de salada. As flores podem ser utilizadas na produção de geleia, chutney, patês e cremes doces ou salgados.

Folhas jovens e flores também são a matéria-prima do chá de hibisco, apreciado no mundo todo. O chá é rico em flavonoides de ação antioxidante, além de conter diversos tipos de fitosteróis, que são aliados no controle do colesterol. No entanto, estudos demonstraram que o chá possui ação contraceptiva e abortiva, não devendo, portanto, ser ingerido em grande quantidade por gestantes ou mulheres que desejam engravidar. 
Outras espécies do gênero Hibiscus são cultivadas no Brasil e fazem parte da história e cultura gastronômica do Brasil, a exemplo do Hibiscus sabdariffa e H. acetosella, ambas conhecidas como vinagreira e que já foram assunto aqui neste blog (Link).

Aspectos agronômicos: A propagação do hibisco se dá por via vegetativa, por meio de estaquia de ramos herbáceos, alporquia ou mergulhia. As mudas também podem ser adquiridas em viveiristas especializados. O plantio das mudas é feito em covas, com solo adubado, rico em matéria orgânica, leve e bem drenado. As regas devem ser frequentes até o completo estabelecimento da muda, posteriormente, poderão ser mais espaçadas ou até dispensadas, naquelas regiões onde a chuva é bem distribuída ao longo do ano. A espécie, embora seja cultivada em regiões frias, prefere climas mais quentes e não tolera geadas fortes.

Para o cultivo, estão disponíveis no mercado brasileiro diversos híbridos e variedades com diferentes tamanhos, cores e formato de flores, podendo sem de flores simples ou dobradas. A espécie adapta-se muito bem aos diversos tipos de clima e solo brasileiros e demanda poucos cuidados para sua manutenção como planta ornamental. No entanto, como todo arbusto de jardim, recomenda-se efetuar podas periódicas para estimular a brotação, eliminar ramos mortos ou doentes e, se desejado, manter a planta com um formato específico.
 

 
Referências bibliográficas

ESTEVES, G.L. et al. Sinopse de Hibiscus L. (Malvoideae, Malvaceae) do Estado de São Paulo, Brasil: espécies nativas e cultivadas ornamentais. Hoehnea, 41(4), 529-539, 2014.
KUMAR, A.; SINGH, A. Review on Hibiscus rosa-sinensis. International Journal of Research in Pharmaceutical and Biomedical Sciences, 3(2), 534-538, 2012.
LIM, T.K. Edible medicinal and non-medicinal plants - Flowers. Vol. 8 Springerlink. 2014.
ROSS, I.A. Hibiscus rosa-sinensis. In: Medicinal Plants of the World. Humana Press, 2003. p. 253-266.

Um comentário:

  1. Muito obrigada, estava querendo conhecer mais sobre o hibisco ornamental.

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