O maracujá é um fruto autenticamente brasileiro e, por isso, o Brasil ostenta uma grande diversidade de espécies. O mais conhecido é o maracujá-azedo comercial (Passiflora edulis), mas existem também muitos tipos de maracujás doces, a exemplo deste maracujá-de-cobra que vou apresentar hoje. 

Já escrevi anteriormente sobre outro maracujá-de-cobra (Passiflora amethystina Link). O nome popular dessas plantas me chamou atenção e fui conversar com um pesquisador, que me explicou o significado. Os maracujás-de-cobra são assim chamados porque seus frutos maduros, são consumidos por diversos roedores, que por sua vez, são o lanchinho preferido das cobras. Então, onde tem esse tipo de maracujá, possivelmente, também tem cobras, algumas peçonhentas, como as cascavéis. 

Descrição botânica: Planta herbácea, semi-perene, trepadeira, com gavinhas de fixação; caule cilíndrico, estriado e flexível. Folhas trilobadas, com 3 a 7,5 cm de comprimento e pecíolo que pode medir entre 1-6 cm de comprimento. Flores solitárias, com 6-7 cm de diâmetro, de coloração branca. Frutos arredondados, levemente alongados em uma extremidade, casca lisa e com uma camada de ar interna que separa a casca da polpa suculenta e doce. Os frutos maduros têm cor amarelada e a polpa possui um retrogosto que lembra o alho. 

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, encontrada no Cerrado e na Mata Atlântica, típica de áreas de mata alterada e matas ciliares, na beira de rios, lagos ou brejos. 

Usos: Os frutos maduros têm polpa doce, ideal para consumo in natura. A espécie não é comercializada, sendo possível encontrar os frutos apenas nas matas ou em pequenas hortas caseiras. A planta é muito ornamental e produz delicadas flores brancas, que atraem polinizadores. 


Aspectos agronômicos: Propagado por sementes, que germinam em baixa quantidade. As sementes são retiradas dos frutos, lavadas e semeadas direto no canteiro, a germinação ocorre entre 15 a 20 dias e o crescimento das plantas é muito rápido. O ideal é cultivar o maracujá próximo de uma cerca ou construir uma pequena espaldeira para permitir um melhor crescimento da planta, maior produtividade e facilidade para colher os frutos. Uma vez estabelecidas, as plantas produzem muitos frutos e, em áreas onde não ocorre geada, a produção pode se estender quase o ano todo.

Cultivo e condução do maracujá-de-cobra sobre o muro da horta
Bibliografia recomendada

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015. 

Flora do Brasil. Passiflora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <Link>
 


Todos os anos, no final de fevereiro, acontece a safra de araticum, ou marolo, no Cerrado. Este fruto apresenta um formato bem característico e inconfundível, com elevações na casca, semelhante aos araticuns encontrados em outras regiões do Brasil, porém, estes frutos podem facilmente ultrapassar 1 kg e o aroma da polpa é bastante pronunciado. 

Durante a safra, que pode se estender de fevereiro a abril, os frutos são facilmente encontrados nas feiras livres e banquinhas de beira de estrada, sobretudo, nos estados de Goiás e Minas Gerais. Este fruto representa uma renda extra para muitas famílias e cooperativas de produtores agroextrativistas do Cerrado, transformando esta polpa aromática e cremosa em diversos produtos com sabores bem regionais. Vale a pena conhecer! 


Descrição botânica: Árvores ou arbustos lenhosos, ramificados e caule com casca estriada grossa; folhas inteiras e alternadas; as flores podem ocorrer isoladas ou reunidas em inflorescências; os frutos, quando verdes, possuem casca bastante ondulada e dura, que se rompe com facilidade quando estão maduros; podem medir mais de 15 cm de diâmetro e pesar entre 1 e 2 kg, de formato oval arredondado, coloração externa marrom clara e polpa creme-amarelada muito aromática. 

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, amplamente distribuída no bioma Cerrado, nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Pará, Bahia, Tocantins, Maranhão, incluindo áreas remanescentes de cerrado no Paraná. 


Usos: A polpa dos frutos é doce e muita aromática. A textura da polpa é um pouco granulosa, mas pode ser consumida in natura ou processada para produzir sucos, doces, geleias, licores, tortas, iogurtes ou sorvetes. Rica em carboidratos, lipídeos, fibras, cálcio e fósforo, sendo, portanto, uma importante fonte alimentícia. A polpa ainda pode ser desidratada para a produção de farinha, que serve como ingrediente para o preparo de massas, sucos, doces e sorvetes. O doce em barra, que é uma tradição em Minas Gerais e Goiás e facilmente encontrado nas feiras livres regionais, é feito com a polpa fresca triturada e caramelizada, guardando todo o aroma e sabor característicos desse fruto maravilhoso. 
As sementes são boa fonte de óleo, rico em ácido oleico e com uso potencial nas indústrias de óleos finos e cosméticos. A polpa apresenta agentes antioxidantes; as sementes e folhas são usadas na medicina popular para o tratamento de diarreia, como regulador menstrual e antiparasitário. 

Aspectos agronômicos: Até agora não existem registros de cultivo desta planta, toda produção de frutos é obtida por meio do extrativismo em plantas espontâneas nas matas. A propagação pode ser feita por sementes, que apresentam dormência e requerem o uso e de hormônios sintéticos para germinar. As mudas, quando prontas, devem ser plantadas me local definitivo no início do período chuvoso, em solos profundos e bem drenados. A espécie não é muito exigente em fertilidade, mas a aplicação de adubo orgânico na cova e em cobertura, durante o crescimento da planta, aumenta a produção de frutos. 

Doce de araticum em barra, muito comum em Goiás e Minas Gerais.

Bibliografia recomendada 

MELO, J.T.; AGOSTINHO-COSTA, T.S. Araticum (Annona crassifora). In: VIEIRA, R.F.; CAMILLO, J.; CORADIN, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade. Brasília, DF: MMA, 2016. (Link)


A roseira é a mais antiga planta ornamental que se tem notícia, tornou-se a planta favorita entre jardineiros e amadores, até dar origem ao primeiro grupo de plantas ornamentais de importância comercial no século XIX. 

Além do uso ornamental, algumas espécies, caso da rosa damascena, são matéria-prima para a extração de óleos essenciais, um dos aromas preferidos dos perfumistas e altamente valorizado no comércio mundial de óleos e aromas. Para se conseguir 25ml do óleo essencial de rosas é necessário processar mais de 10.000 inflorescências. 


Aspectos botânicos: É relativamente fácil identificar uma roseira, embora existam várias espécies e híbridos no mercado, existem algumas características comuns entre todas elas. São arbustos eretos ou escandentes (pendentes), com altura que pode variar entre 0,2 a 3 metros de altura. As espécies escandentes são muito ramificadas e possuem espinhos pequenos e numerosos. Já as plantas eretas têm menos ramos e espinhos maiores, geralmente de coloração escura e mais espaçados entre si. As folhas são compostas, pinadas e com número de folíolos entre 3 a 9, variando conforme a espécie. As flores são pedunculadas e podem ser solitárias (grandes) ou formando cachos (menor tamanho e mais numerosas) no final de ramos. As pétalas podem ser simples ou dobradas, em cores variadas, com ou sem aroma. Vamos conhecer um pouco dos tipos de plantas mais comuns: 

Plantas eretas: mais comum na espécie Rosa x grandiflora, que compreende a maioria dos híbridos comerciais de roseira. Produz flores grandes e de cores variadas, ideais para flor de corte. 


Plantas escandentes: ou também chamadas de roseiras trepadeiras, que necessitam de algum sistema de condução. Algumas espécies são bem pendentes e apresentam crescimento vigoroso, necessitando de espaldeira, muro ou cerca para apoio. Outras espécies crescem menos e podem ser cultivadas apenas com o auxílio de pequenos tutores. 


Origem: Existem inúmeras espécies de rosas, mas acredita-se que o ancestral de tudo o que conhecemos hoje seja a espécie Rosa canina L., de origem ainda controversa. Alguns botânicos relatam que as primeiras plantas foram encontradas no mediterrâneo e norte da África. Outros estudiosos incluem também o oeste asiático como região de origem. Atualmente, as rosas são cultivadas em quase todas as regiões do mundo. 


Curiosidades: Via de regra, as rosas híbridas comerciais têm um aroma muito discreto e, entre outros fatores, isso está diretamente ligado ao tempo de conservação do produto. A rosa é a unidade reprodutiva das roseiras e o aroma é o meio biológico de atração de polinizadores. Então, um dos efeitos do melhoramento genético para a produção das rosas híbridas tal qual as vemos na floricultura, foi diminuir o aroma e torná-las estéreis. Uma flor sem aroma demora mais a ser polinizada e assim aumenta a sua durabilidade. 


Aspectos agronômicos: As roseiras, em geral, preferem climas frios e com umidade equilibrada. No Brasil existem excelentes áreas para o cultivo de rosas, caso de Barbacena/MG e da Serra da Ibiapaba/CE. Mas a maior parte do País apresenta restrições, principalmente, devido às temperaturas elevadas. Existem diversas variedades de rosas no mercado e é importante conhecer um pouco de cada uma, para escolher aquela mais adaptada para a sua região. 

O cultivo é feito em pleno sol, como plantas isoladas, em renques ou próximo de muros ou cercas, a depender do tipo de planta escolhido (ereto ou escandente). As roseiras requerem solo fértil, leve e bem drenado. Como são plantas delicadas, a maioria não suporta geada forte, tão pouco altas temperaturas: a primeira causa a queima de flores e folhas (até a morte da planta) e a segunda, estimula a produção de folhas e pouca ou nenhuma floração. 


Outro cuidado importante são as podas. Além de manter a planta com formato mais bonito, a poda permite o arejamento e ajuda no controle de pragas e doenças, que se instalam sobre as folhas e ramos velhos. A poda deve ser feita anualmente, logo depois do inverno, para que propicie uma boa brotação na entrada da primavera. As rosas florescem sempre no ramo do ano, então uma boa poda aumenta a produção de flores. 

As roseiras se multiplicam facilmente por estacas de ramos, preparadas no final do inverno. As plantas escandentes são mais resistentes e fáceis de propagar em casa. Mas muitas variedades hibridas só se propagam por enxertia, que é um processo mais complexo, exigindo material de qualidade e alguma perícia no assunto. O meio mais fácil é adquirir as mudas já prontas com seu viveirista de confiança. As mudas são mais caras, mas você poderá escolher entre uma gama de possiblidades e cores que irão deixar seu jardim um luxo. 


Com relação ao local de cultivo, a exceção das mini-rosas, a maioria das roseiras prefere cultivo no chão. São plantas com sistema radicular pivotante (raiz principal profunda), que requerem espaço para crescer e o cultivo em vasos ou floreiras pode limitar a expansão das raízes e comprometer tanto o crescimento quanto a floração. 


O controle de pragas e doenças é sempre um problema e uma das queixas mais frequentes são os pulgões, que podem ser controlados com uma boa poda, limpeza manual dos ramos ou aplicação de inseticidas naturais a exemplo do óleo de nim ou ouros extratos vegetais. Quando for observada alguma doença mais grave, o ideal é remover a planta toda, incluindo folhas e restos vegetais do canteiro. Cultive outras flores no lugar, insira plantas aromáticas e forrações folhosas e só volte com o cultivo de roseiras após dois ou três ciclos de outros cultivos. Isso se chama rotação de culturas e vale tanto para a horta como para o jardim. 


Atenção: Não se recomenda a aplicação de agrotóxicos no jardim, pois pode causar intoxicações sérias, sobretudo, em crianças e nos animais domésticos. Em espaços amplos, quando for estritamente necessária, a aplicação de defensivos deve ser feita com supervisão de um Eng. Agrônomo. 


Bibliografia recomendada 

Laws, B. 50 plantas que mudaram o rumo da história. Rio de Janeiro: Sextante, 2013. (versão traduzida). 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 2008.


Hoje vamos falar de uma fruta polêmica: a carambola. Uns adoram, outros detestam e outros tem medo. Nas minhas aulas costumo conversar com os alunos sobre as polêmicas e as notícias falsas que são veiculadas em sites na internet. A carambola frequentemente é alvo de campanhas difamatórias sem qualquer fundamento científico. Então vamos aprender um pouco mais sobre os mitos e verdades da carambola. 

Descrição botânica: Família Oxalidacea, árvore com 5-10 m de altura, folhas compostas com 10-16 cm de comprimento, com 4 a 5 pares de folíolos de coloração verde-clara na parte inferior e 3-7 cm de comprimento. As flores são do tipo cimeira, que saem das axilas das folhas formando pequenos cachos com minúsculas flores rosadas; os frutos são do tipo baga, com 5 arestas agudas, conferindo o formato característico de “estrela”, de coloração verde, passando a amarelados conforme amadurecem. Polpa suculenta e de sabor ácido, em diferentes intensidades, conforme a cultivar e a região produtora. 

Onde ocorre: A carambola é uma fruta nativa da Malásia e Indonésia. Foi trazida para o Brasil no início do século XIX, onde se adaptou muito bem, sendo cultivada em praticamente todos os estados, em pomares caseiros ou comerciais, cuja produção destina-se, principalmente, ao mercado interno para o consumo in natura. 

Usos: A carambola é uma fruta muito versátil, vai bem tanto para o consumo in natura, quando bem madurinha, quanto para a produção de sucos, refrigerantes, geleias, saladas e doces variados. As flores podem ser consumidas em saladas. As folhas são empregadas na medicina popular em algumas regiões do Brasil, sendo referenciadas também na farmacopeia indiana. O sumo das sementes é utilizado para remover manchas diversas e o suco dos frutos é administrado como febrífugo, antiescorbútico e antidisentérico. 


ATENÇÃO: A carambola é um fruto rico em ácido oxálico e pode causar sérios problemas para pacientes renais crônicos, ou seja, não deve ser consumida por pessoas que tenham algum tipo de problema nos rins. Diversos estudos científicos recomendam que pacientes com insuficiência renal crônica não devem consumir carambola, bem como, chás ou remédios caseiros oriundos desta planta. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes ou enxertia. Para melhor e mais rápida produção de frutos, dê preferencia sempre à mudas propagadas por enxertia. Embora seja uma planta adaptável a diversas condições de clima, prefere temperaturas médias de 25°C ou cima e chuvas bem distribuídas ao longo do ano. Em temperaturas baixas o crescimento das plantas é reduzido, bem como, verifica-se alteração na qualidade dos frutos, especialmente, no tamanho, teor de açúcar, sabor e acidez. Prefere solos bem drenados, profundos; ricos em matéria orgânica e de textura argilo-arenosa. 

RECOMENDAÇÃO: Em 1996 foi detectada pela primeira vez no Brasil, no estado do Amapá, a mosca-da-carambola, uma praga que tem obrigado o Brasil a adotar severas medidas de contenção para evitar o seu avanço sobre as áreas de produção de frutas, por conta dos enormes prejuízos potenciais. Possivelmente, a praga chegou até a América do Sul pelo trânsito de pessoas e mudas contaminadas trazidas das suas regiões de origem.          
      Tudo isso para explicar ao leitor, que não se deve, em hipótese alguma, quando viajar ao exterior, trazer mudas de plantas, sementes ou quaisquer partes vegetais na bagagem. Além de ser considerado crime, de acordo com a legislação brasileira, você estará contribuindo para elevar o uso de agrotóxicos nos produtos agrícolas brasileiros. Então, lembre-se: nada de trazer aquela mudinha ou semente escondida na bagagem, é crime e uma grande irresponsabilidade com a produção de alimentos no Brasil. 




Bibliografia recomendada 

BASTOS, D.C. A cultura da carambola. Revista Brasileira de Fruticultura, 26(2), 2004. 

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas no Brasil: nativas e exóticas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015. 

NETO, M. et al. Intoxicação por carambola (Averrhoa carambola) em quatro pacientes renais crônicos pré-dialíticos e revisão da literatura. J. Bras Nefrol, 4, 228-232, 2005. 

Oxalidaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB24134>. Acesso em: 04 Mar. 2018. 

POMMER, C. et al. Carambola. Informações Técnicas. O Agronômico, 58(1/2), 2006. 

ROBERTI, A. et al. Lesão renal aguda por consumo de carambola: relato de caso e revisão da literatura. Rev Soc Bras Clin Med., 12(2),172-7, 2014. 

SILVA, R.A. et al. Mosca-da-carambola: uma ameaça à fruticultura brasileira. Embrapa Amapá. Circular Técnica 31. 2004.

E se o assunto é coisa amarga, então vamos falar de jurubeba. Como diria um amigo mineiro: “pensa numa coisa amarga... agora multiplica”. Essa é a jurubeba. Parente próxima do jiló e ambos são da família botânica Solanaceae, possuindo em comum o amargor típico destas hortaliças. 

A jurubeba apresenta um sabor exótico e que combina com diversos pratos e até com bebidas, basta saber preparar. Eu amo jurubeba, mas muitas pessoas, devido a fatores biológicos, não toleram sabor amargo, o que explica, em parte, a repulsa por essas plantas. Então, para quem está começando a provar novos sabores regionais, a dica é: sempre prove estes ingredientes com alguém que saiba preparar da forma correta e assim evitar más experiências gastronômicas e até intoxicações alimentares pela ingestão de uma planta tóxica ou mal preparada. 


Descrição botânica: Família Solanaceae, plantas perenes, de porte arbustivo, ramos pilosos e com acúleos (espinhos); folhas simples, pecioladas, até 15 cm de comprimento, ovaladas ou lanceoladas, com a margem lobada ou inteira; flores esbranquiçadas, agrupadas em panículas no final dos ramos, de cor branca ou levemente arroxeada; os frutos são do tipo bagas, globosos, com cerca de 1,0-1,5 cm de diâmetro e de sabor amargo. 

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil e típica da região central do País, especialmente, nas áreas de Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, com ocorrência desde o Acre até a Bahia e de Goiás até Santa Catarina. Mas pode ser cultivada em diversas regiões do Brasil, além de existirem outras espécies de jurubeba com frutos e usos muito parecidos nos demais Estados. 


Usos: Os frutos da jurubeba são muito apreciados na culinária goiana, mato-grossense e mineira, sendo consumidos na forma de conserva ou na composição de pratos salgados, como omeletes, arroz e carne vermelha. Também podem ser usados para condimentar bebidas. Na medicina tradicional, a jurubeba também é usada como digestivo e na preparação de tinturas e extratos pela indústria farmacêutica. As flores são utilizadas no tratamento de resfriados, problemas renais e diabetes; o extrato das raízes é utilizado na produção de fitoterápicos. Os ramos com frutos são vendidos em lojas especializadas e podem ser usados como elemento de decoração na confecção de arranjos ornamentais.


Dica importante: Para o uso culinário, os frutos devem ser lavados em água corrente e fervidos em água e sal por duas, três vezes ou mais, trocando-se a água após um minuto de fervura. Assim você pode melhorar o sabor e a textura dos frutos, bem como eliminar o excesso de amargor. Depois é só usar ou fazer uma conserva com vinagre, alho e sal, como a minha receita da foto abaixo.


Aspectos agronômicos: Planta de fácil cultivo, sendo muito comum o aproveitamento de frutos de plantas espontâneas. A propagação é feita por sementes. O plantio é efetuado sempre no início do período chuvoso, em espaçamento 1,5 x 1,0 m e com adição de matéria orgânica e 300g de adubo orgânico nas covas de plantio. Embora as plantas tenham boa adaptação a diversos ambientes, a produção de frutos é maior em solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. 

Ramos com frutos para uso em arranjos ornamentais.

Bibliografia recomendada 

Solanum in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <Link>. Acesso em: 04 Mar. 2018. 

FUKUSHI, Y.K.M. et al. Jurubeba (Solanum scuticum). In: VIEIRA, R.F.; CAMILLO, J.; CORADIN, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade. Brasília, DF: MMA, 2016. (Link)
Caro leitor,

Este segundo volume também foi elaborado por mim, pelo Paisagista e professor de floricultura Fábio Padilha e pela Profa. Ana Maria Resende Junqueira, da área de Agroecologia da Universidade de Brasilia. Apresentamos as principais espécies de flores de clima temperado cultivadas no Brasil e com potencial para produção no Distrito Federal e outras regiões.

Aqui falamos um pouco sobre crisântemo, gérbera, rainha-margarida, gladíolo, hortência e muitas outras espécies. Para baixar a publicação gratuitamente, basta clicar na imagem.

Caro leitor,

Pra quem gosta de flores e quer saber um pouco mais sobre cultivo, propagação e plantio, estou disponibilizando gratuitamente este livrinho que foi produzido por mim, pelo Paisagista e professor de floricultura Fábio Padilha e pela Profa. Ana Maria Resende Junqueira, da área de Agroecologia da Universidade de Brasilia.

Esta publicação foi desenvolvida para auxiliar os produtores de flores e plantas tropicais do Distrito Federal, mas poderá ser utilizado para outras regiões do Brasil, que tenham clima parecido com o da Região Centro-Oeste.

Para baixar a publicação gratuitamente, basta clicar na imagem.

Quando o assunto é boldo, já se sabe que vem remédio amargo. Quando bate aquele mal-estar, indigestão, problemas com fígado ou ressaca brava, um chá de boldo é sempre a primeira recomendação. Mas existem diversos tipos de plantas conhecidas popularmente como boldo. A depender da região do Brasil, ou do mundo, cada pessoa conhece uma planta distinta e faz usos diferentes.

No entanto, é bom ficar atendo e aprender a identificar algumas características básicas de cada planta, a fim de evitar intoxicações. Usar planta medicinal sem conhecer pode ser tão perigoso quanto utilizar qualquer medicamento alopático sem consultar um médico. Por isso, vou apresentar aqui algumas das principais plantas conhecidas como boldo, que também podem ter outros nomes dependendo da região, e que são usadas na medicina popular.

Boldo-bahiano ou alumã [Gymnanthemum amygdalinum (Delile) Sch.Bip. ex Walp.]: Planta nativa da África e trazida para o Brasil pelos escravos, arbusto ou arvoreta de 2-4 m de altura; de ramos finos e quebradiços; folhas simples, 5-12cm de comprimento, verde-escuras, com nervuras bem marcadas e de sabor amargo. Flores pequenas, brancas, aromáticas, reunidas em cachos no final dos ramos. Floresce no verão. Somente as folhas são utilizadas para chás e podem ser colhidas em qualquer época do ano mas, preferencialmente, antes da floração. A planta é bastante rustica e propaga-se facilmente por estacas de ramos.

Boldo-bahiano ou alumã.

Boldo-do-Brasil (Plectranthus barbatus Andr.)
: Apesar do nome, esta planta não é nativa do Brasil, mas da Índia. É, possivelmente, a espécie mais amplamente cultivada e utilizada no País. Planta herbácea ou arbustivas, com até 1,5 m de altura, com folhas opostas, simples de formato ovalado, bordas dentadas, 5-8 cm de comprimento, pilosas (textura macia), muito aromáticas e de sabor amargo. Inflorescências eretas com flores azuis. Apenas as folhas possuem aroma e são utilizadas maceradas com água ou preparadas no vapor. Propaga-se facilmente por estacas herbáceas (de ponteira).

Boldo-do-brasil
Boldo-grande ou falso-boldo (Plectranthus comosus Sims.): Esta planta, também de origem indiana, é muito semelhante ao boldo-do-brasil, sendo utilizada da mesma forma e para os mesmos fins. Apresenta amargor bastante elevado tanto nas folhas quanto nos talos. Mas o que difere mais facilmente as duas espécies é o tamanho, como o nome já diz, o boldo-grande pode chegar a mais de 2 m de altura e as inflorescências são maiores e com mais flores adensadas. As folhas apresentam pequenas pontuações translucidas, quando observadas contra a luz. Propaga-se facilmente por estacas herbáceas (de ponteira).

Boldo-grande
Boldo-verdadeiro ou boldo-do-chile (Peumus boldus Molina): Planta nativa dos Andes chilenos, é uma árvore com 12-15 m de altura, com folhas simples, opostas, 4-6 cm de comprimento e 2-5 cm de largura, pecioladas, de formato oval-elíptico, consistência coriácea (dura) e superfície áspera. Esta espécie quase não é cultivada no Brasil, sendo possível encontrá-la em regiões mais frias. É usada na formulação de diversos fitoterápicos registrados no Brasil. Propaga-se por estacas retiradas de plantas jovens, que requerem uso de hormônio para facilitar a formação de raízes.

Boldo-do-chile. Foto: John D. Mitchell (Link).
Boldinho ou hortelã-grosso [Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng.]: Planta originária da Oceania (Papua Nova Guiné) cultivada em todo mundo como planta condimentar, medicinal e ornamental. Erva com 0,4-1 m de altura; folhas ovaladas, com margens dentadas, nervuras salientes no dorso e 4-10 cm de comprimento. As folhas são macias e quebradiças e não tem a mesma intensidade de sabor amargo quanto as outras espécies. O aroma das folhas lembra um pouco a hortelã e podem ser usadas como condimento em saladas e massas. Multiplica-se facilmente por estaquia de ramos e necessita replantio anual.

Boldinho
Boldo-de-jardim ou boldo-gambá (Plectranthus neochilus Schltr.): Planta de origem africana, herbácea e muito ramificada; tem folhas pequenas, de coloração verde-claras, quase triangulares, dispostas compactamente. Possuem sabor levemente amargo e odor forte, principalmente quando está florida, daí o nome boldo-gambá. É bastante utilizada como planta ornamental em vasos, floreiras e canteiros pela sua bela ramagem e folhas quase prateadas. Propaga-se facilmente por estacas de ramos e divisão de touceiras.

Boldo-de-jardim

Bibliografia recomendada
FELIX-SILVA, J. et al. Identificação botânica e química de espécies vegetais de uso popular no Rio Grande do Norte, Brasil. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 14(3), 548-555, 2012.
FERREIRA ROSAL, L. et al. Produção vegetal e de óleo essencial de boldo pequeno em função de fontes de adubos orgânicos. Revista Ceres, 58(5), 2011.
JELDRES-SALAS, P.A.; MUÑOZ-VILLAGRA, M. Efecto del acido indolbutirico y epoca de colecta del material vegetal en el enraizamiento de estacas de Peumus boldus Mol. (Doctoral dissertation, Universidad de Talca (Chile). Escuela de Ingenieria Forestal).1998.
LORENZI, H.; MATOS, J.F.A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2002.


Embora meu objetivo seja enfatizar a flora do Brasil, sempre tem um espaço para falar também de plantas exóticas lindas e interessantes como a glicínia, uma espécie ornamental de origem japonesa e que, quando florida, encanta os nossos olhos. Em lugares mais frios, esta planta produz uma florada exuberante e de cor azul-violeta, com grandes cachos pendentes, formando um conjunto de rara beleza ornamental. No Brasil, esta planta é conhecida também como wistéria ou wistéria japonesa. 

Descrição botânica: Pertence à família botânica Fabaceae, de porte arbustivo e hábito trepador. Os ramos podem medir até 8-10m de comprimento, são flexíveis e ao longo do tempo se fundem formando ramagem grossa e tortuosa. As folhas são compostas, de coloração verde-claras e podem chegar as 30cm de comprimento; os folíolos são ovalados e com ápice acuminado. As flores são pequenas, numerosas, de coloração azul-violeta, esbranquiçada ou rosada (a depender da cultivar), dispostas em longos cachos pendentes (até 50 cm de comprimento). Os frutos são do tipo baga (vagem) que medem até 15 cm de comprimento e possuem várias sementes.


Onde ocorre: Planta nativa da Ásia, possivelmente, do Japão, e introduzida no continente americano por volta do ano de 1830 por imigrantes orientais. Planta típica de climas frios, como no sul do Brasil, onde floresce com maior intensidade durante o outono-inverno.

Usos: Planta ornamental indicada para composição de caramanchão, pergolados, cortinas verdes (cercas e grades). Além do uso ornamental, esta planta apresenta potencial medicinal, sendo bastante estudada como auxiliar na identificação e controle de fibrose hepática em humanos. As flores contem antioxidantes.


Aspectos agronômicos: Multiplica-se por sementes, estaquia e alporquia. Para um melhor resultado na propagação por estaquia, recomenda-se a utilização de hormônio enraizador na base das estacas, o que propicia melhor formação de raízes e mais percentual de plantas vivas. Embora menos comum, a propagação por mergulhia também pode ser utilizada. Assim como outras trepadeiras, necessita de um adequado sistema de condução, com reforço para suportar bem o peso da planta. Prefere clima frio, onde floresce e se desenvolve com mais intensidade.

Bibliografia recomendada


ABE, M. et al. Association between Wisteria floribunda agglutinin-positive Mac-2 binding protein and the fibrosis stage of non-alcoholic fatty liver disease. Journal of gastroenterology, 50(7), 776-784, 2015.

AZEREDO, F.G. et al. Uso de regulador vegetal no enraizamento de estacas de glicínea japonesa. Scientia Agraria Paranaensis, 14(4), 252-256, 2015.

LORENZI, H.; SOUZA, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. 4ª ed. Instituto Plantarum. 2008.

OH, W.G. et al. Antioxidative activity of extracts from Wisteria floribunda flowers. Journal of the Korean Society of Food Science and Nutrition, 37(6), 677-683, 2008.
 Entre minhas viagens, recentemente tive a oportunidade de conhecer a propriedade do seu Cícero Moreira dos Santos, em Morretes-PR, que cultiva açafrão e gengibre orgânicos. O município de Morretes, situado em uma paisagem deslumbrante aos pés do Pico do Marumbi, no litoral do Paraná, é o maior produtor nacional de Zigiberaceas, incluindo o açafrão-da terra. Então vamos conhecer um pouco desta planta da vez e das andanças pelo litoral do meu amado Paraná. 


O Pico do Marumbi e a bela Morretes, no litoral do Paraná.
Descrição botânica: Pertence à família botânica Zingiberaceae, planta herbácea, anual, aromática, de folhas grandes, largas e lanceoladas. Flores amareladas, pequenas e dispostas em pequenas espigas alongadas. Os rizomas (raízes) são elípticos e formados por dezenas de pequenas raízes agrupadas, cada raiz mede, em média, 10 cm de comprimento, tem coloração amarelo forte ou alaranjada. De aroma acentuado, sabor forte e levemente picante.
Cultivo orgânico de açafrão-da-terra.
Onde ocorre: O açafrão-da-terra é nativo da Índia e acredita-se, tenha sido trazido para o Brasil por imigrantes orientais. Além de Morretes, o município de Mara Rosa/GO é outro grande produtor da planta aqui no Brasil e o primeiro a obter a indicação geográfica (IG), concedida à produtos característicos de seu local de origem.

Usos: O uso principal é como condimento e corante alimentício. Os rizomas secos são moídos e transformados em pó para o uso culinário, mas também podem ser utilizados para a extração de óleos essenciais, empregados como corantes naturais ricos em curcumina. Aliás, estudos apontam que a curcumina também possui ação medicinal, como antibacteriana, anti-inflamatória, estomáquica, estimulante, carminativa, expectorante e anti-helmíntica. Na agricultura o açafrão tem sido utilizado no controle biológico de pragas. O açafrão-da-terra é marca registrada das culinárias goiana e mineira e se você ainda não experimentou a galinha caipira com açafrão-da-terra, não sabe o que está perdendo!
Essa é a minha versão de arroz carreteiro com açafrão-da-terra. Servidos?
Aspéctos agronômicos: O açafrão é relativamente fácil de cultivar. Para produzir mudas é possível utilizar uma raiz daquelas que se compra na feira ou nos mercados, pode ser cultivado em vasos, de bom tamanho, mas é mais produtivo em canteiro, no chão. Escolha sempre rizomas grandes e sadios e plante-os “deitados”, a mais ou menos 4 cm de profundidade. Rizomas plantados com pequenos brotos aparentes, crescem mais rapidamente. A planta pode ser cultivada a pleno sol ou meia sombra, em solo leve e bem drenado, com regas regulares, mas sem encharcar demais o solo.

Atravessando a ponte pênsil sobre o Rio Nhundiaquara, em Morretes: tudo por uma boa matéria!

Bibliografia recomendada

CECILIO-FILHO, A.B. et al. Cúrcuma: planta medicinal, condimentar e de outros usos potenciais. Ciência Rural, 171-177, 2000.
LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Editora Plantarum. 2002.
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