Esta foi a planta que despertou meu interesse pelo estudo do nosso maravilhoso bioma Cerrado. Foi assunto do meu trabalho de conclusão de curso de graduação, estudando a diversidade genética em diversas populações da espécie no Brasil central. É planta medicinal valiosa para muitas comunidades tradicionais no Cerrado, que usam a casca das árvores para preparar banhos, chás, garrafadas, pomadas e outros produtos.

Esta planta também é conhecida pelos nomes populares de casca-da-mocidade ou casca-da-virgindade, em alusão ao potencial cicatrizante atribuído às suas cascas. Reza a lenda que, banhos ginecológicos com o chá das cascas de barbatimão era capaz de “reparar o malfeito nas moças” e acelerar a cicatrização em parturientes. 


Descrição botânica: É uma arvoreta muito comum no Cerrado, da família Fabaceae, pode medir de 2 a 5m de altura, tortuosa, com muitos ramos curtos e casca grossa, fendida longitudinalmente, expondo a entrecasca de coloração avermelhada. As folhas são pinadas, com folíolos arredondados e coloração verde clara. As inflorescências têm formato de espiguetas, com minúsculas flores de cor amarelo clara. O fruto é um legume indeiscente, inicialmente verde, passando a castanho escuro conforme avança a maturação.

Onde ocorre: Nativo do Brasil, o barbatimão é encontrado no Cerrado e na área de transição entre o Cerrado e a Caatinga. Planta típica de áreas de campo sujo e cerradão, em solos profundos e de composição arenosa.


Usos: As cascas do tronco e ramos são empregadas na medicina popular para curar doenças sexualmente transmissíveis, inflamações e cicatrização de feridas na pele, fabricação de cremes e sabonetes para limpeza de pele. As cascas, maturadas no álcool ou cachaça, compõe garrafadas para as mais diversas finalidades. A casca avermelhada fornece material corante para artesanato, além de ser matéria-prima para a extração de tanino para a indústria química. O tronco fornece madeira para pequenas construções, marcenaria e torno.

Existem inúmeros estudos científicos que demonstram o potencial anti-inflamatório e cicatrizante dos extratos de casca de barbatimão. Um desses estudos menciona que a pomada de barbatimão pode apresentar efeito superior àqueles observados com o uso das pomadas comerciais a venda no Brasil. Em 2009 foi lançada a primeira pomada de barbatimão (Fitoscar) com registro no Ministério da saúde, produto de pesquisas desenvolvidas por universidades brasileiras. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, que devem ser semeadas logo após a colheita, em substrato composto por duas partes de terra de mata, 1 parte de areia e 1 parte de esterco bem curtido. O tempo de viveiro pode variar de 12 a 18 meses.

Cuidados: As flores do barbatimão são toxicas para abelhas, porém, já existem estudos que permitem minimizar os efeitos sobre as colmeias. As favas (frutos) podem causar intoxicação em bovinos e sua ingestão por outros animais domésticos também deve ser evitada.

Outro cuidado importante é observar a forma correta de colheita das cascas, a fim de evitar a morte das plantas. Deve-se escolher plantas adultas, com mais de 10cm de diâmetro de caule; cortar as cascas a altura mínima de 1 m acima do solo e em placas de até 30 cm de comprimento; não efetuar o anelamento do caule (corte total da casca em um único ponto); colher as cascas, preferencialmente, nos meses de julho a novembro, antes do período de floração e frutificação. Uma nova colheita de cascas na mesma planta somente será efetuada após 3 a 4 anos.


Bibliografia recomendada

MARTINS, E.R. et al. In: VIEIRA, R.F.; CAMILLO, J.; CORADIN, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Centro-Oeste. Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Biodiversidade. – Brasília, DF: MMA, 2018. (Link)
Queridos leitores,

Pra quem me acompanha há algum tempo, sabe que sou uma das editoras da série Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro, lançado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

É com grande prazer que disponibilizo a vocês o terceiro livro da nossa série, referente às plantas da Região Nordeste. Para acessar a publicação, basta clicar no link abaixo e fazer o donwload. É gratuito! Boa leitura!





O momento saudosista do dia é para lembrar das flores da minha infância, e foram muitas: papoulas, rosas, margaridas, camélias, cravos, flor de laranjeira e muitas outras. Mas meu encanto era mesmo pelas flores silvestres, especialmente as sempre-vivas, até pela sua raridade. Rígidas e ao mesmo tempo tão delicadas, talvez por isso as admirasse tanto.

Esta sempre-viva é mais comum no Sul do Brasil, onde também é chamada de flor-de-palha. Seu nome científico é Xerochrysum bracteatum. Foi descrita pela primeira vez em 1803 pelo botânico francês Étienne Pierre Ventenat, quando recebeu o nome de Helichrysum bracteatum. Em 1990 a espécie foi reclassificada, passando a fazer parte do gênero Xerochrysum, tal como é conhecida atualmente.

Descrição botânica: Arbusto ereto, ramificado e perene, que pode apresentar variação no tamanho e formato das plantas conforme a região de ocorrência. As flores são compostas por brácteas rígidas, de coloração amarela, branca, rosada ou avermelhada. 

Onde ocorre: Espécie nativa da Austrália, com ocorrência em diversos países. No Brasil é encontrada com mais facilidade nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste (sul da Bahia), sendo considerada naturalizada devido à sua boa adaptação ao País. É planta típica de ambientes alterados, bordas de florestas e áreas degradadas. Ocorre em populações densas e, frequentemente, é considerada invasora de áreas agrícolas.

Usos: A sempre-viva é cultivada em alguns jardins no sul do Brasil como planta ornamental ou para a produção de arranjos artesanais frescos ou como flor-seca. Também pode ser coletada nos campos. Muito usada em buquês de flores silvestres e, nos jardins, podem formar maciços de grande beleza e durabilidade.

Propagação: Por meio de sementes ou estaquia dos ramos. Deve ser cultivada a pleno sol, em solo fértil, rico em matéria orgânica e com boa drenagem. Não suporta encharcamento. As folhas e flores são sensíveis à geada, porém, a base da planta se mantém viva e rebrota posteriormente. Prefere regiões com climas amenos.


Curiosidades: A espécie foi cultivada inicialmente na Alemanha, por volta de 1850, onde também foram desenvolvidas as primeiras cultivares anuais, com flores de colorações variadas entre o branco, o dourado e o purpura. Atualmente, é possível adquirir no mercado nacional pacotes com sementes de colorações variadas para cultivo em jardim.


Bibliografia recomendada
Barcelos, L.B.; Heiden, G. Xerochrysum in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <Link>. Acesso em: 05 Mar. 2019

Russell, J. (2015). The story of 'Xerochrysum bracteatum'. Journal (Australian Native Plants Society. Canberra Region), 18(3), 16.

Wikipedia. Link

Nas minhas andanças em busca de novos sabores e aromas sempre encontro plantas maravilhosas e cheias de história. O alecrim-pimenta, apesar de ser uma planta brasileira, é pouco usada comercialmente. No México é vendida em mercados como condimento, usado como substituto do orégano, já que o sabor é semelhante. Quem sabe voce não tem uma planta dessas na sua horta e pode saber um pouco mais sobre ela. Que tal?
 
Descrição botânica: Da família Verbenaceae, planta arbustiva, com caule ramificado, folhas opostas, elípticas ou ovadas, com 2 a 3 cm de comprimento, pecioladas e com margens crenadas (aspecto rendado). As flores são pequenas, de cor branca e reunidas em espigas no final dos ramos. Produz numerosas sementes pequenas. 

Origem: Planta nativa do Brasil, especialmente na Caatinga e no Cerrado. Também ocorre em outros países das Américas Central e do Sul. 


Usos: O alecrim-pimenta é usado como condimento e como medicinal. É muito conhecido da população pelo aroma das folhas, que se assemelha ao do orégano, inclusive, sendo utilizado como condimento. O aroma das folhas indica a presença de grande quantidade de óleo essencial, rico em limoneno, carvacrol, timol e outros compostos. O óleo essencial de alecrim-pimenta apresenta variação na sua composição, que são conhecidas como quimiotipos e mudam conforme o local de ocorrência da planta, clima, solo, etc. Também é usado como planta medicinal, na forma de chá, tintura, pomadas ou enxaguante bucal. Possui propriedades antimicrobiana e antisséptica. O óleo essencial pode ser usado como repelente de insetos. 

Aspectos agronômicos: As mudas são feitas por estacas dos ramos, que devem ser mantidas em local sombreado até o enraizamento completo e com regas constantes, mas sem encharcar o solo. As estaquinhas devem ter entre 10 a 20 cm de comprimento e manterem de 2-3 pares de folhas. Quando estiverem bem enraizadas podem ser levadas para um local mais ensolarado e plantadas no local definitivo, de preferência, no início da época chuvosa. Quando o plantio for feito na época seca, as mudas exigem cuidado com as regas, principalmente nos primeiros dias após o plantio.


Bibliografia recomendada

Brasil. Ministério da Saúde. Monografia do alecrim-pimenta (Lippia origanoides). 2014.  Link.
Vieira, R.F. et al. Lippia origanoides - Alecrim-pimenta. In. Vieira, R.F.; Camillo, J.; Coradin, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial - Plantas para o Futuro Região Centro-Oeste. 2016. Link

A cânfora-de-jardim, assim chamada devido à semelhança do aroma da cânfora usadas para evitar infestação de traça nos armários. Embora o aroma até se pareça bastante, a cânfora de armário, na forma de bolinhas brancas cerosas, é produzida a partir de uma outra espécie arbórea aromática da família Lauraceae: a canforeira [Cinnamomum camphora (L.) J. Presl]. É conhecida no Brasil também pelos nomes de alcanfor, canfor, artemísia, artemijo, infalivina, losna ou losna-miúda. 

Descrição botânica: Da família botânica Compositae, planta herbácea com 20-40 cm de altura. As folhas são pecioladas e compostas por folíolos finos e alongados, de textura macia e muito aromáticas; a coloração prateada se deve a uma grande quantidade de pelos na superfície das folhas e que refletem a luz do sol. Eventualmente, as plantas apresentam minúsculas flores amareladas e frutos pequenos e arredondados. 

Origem: Planta de origem mediterrânea, possivelmente, da região da Calábria, na Itália e norte de África. 


Usos: Planta de uso medicinal e aromático. As folhas são ricas em óleo essencial, constituído por mais de 40 compostos já identificados, cujas concentrações e composição no óleo essencial podem variar dependendo do clima e solo da região onde se cultiva a espécie. Alguns dos principais compostos são germacreno D, nerolidol, espatulenol, canfora e 1,8-cineol, que conferem o aroma característico e bastante pronunciado desta planta. Na medicina popular é usada no tratamento de diabetes, bronquite, diarreia, hipertensão, dores musculares, reumatismo, problemas respiratórios, cólicas, antidepressiva, contra febre, gripes e como anti-inflamatória. A beleza da folhagem dessa planta permite o seu cultivo, da mesma forma, no jardim e na horta, tanto pelo aspecto ornamental, quanto pela sua utilidade no controle natural de insetos, devido ao forte aroma exalado pelas folhas. 

Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes ou, mais facilmente, pela divisão da planta a estaca de ramos. Pode ser cultivada em pleno sol ou em meia sombra, em vasos, floreiras ou canteiros no chão. O solo deve ser leve e bem adubado, com regas frequentes, porém em pouca quantidade, sem encharcar o solo. A planta cresce rápido e em 50 a 60 dias já é possível iniciar a colheita de folhas. 


Bibliografia recomendada 

LOKAR, L.C. et al. Variation in terpene composition of Artemisia alba in relation to environmental conditions. Biochemical systematics and ecology, 15(3), 327-333, 1987. 

RADULOVIĆ, N.; BLAGOJEVIĆ, P. Volatile profiles of Artemisia alba from contrasting serpentine and calcareous habitats. Natural product communications, 5(7), 1117-1122, 2010. 

The Planta List. Artemisia alba Turra. (Link)

O fruto de maracujá-doce tem tamanho bem maior que o maracujá comum, são mais pesados e tem casca grossa. As flores desta espécie são um espetáculo a parte, por isso, o maracujá-doce também é muito usado como planta ornamental, especialmente, no Sul e Sudeste do Brasil. Também é chamado de maracujá-açu, maracujá-melão ou maracujá-amarelo.

Flor de maracujá-doce (Passiflora alata). Foto: Mauricio Mercadante.
Descrição botânica: Família botânica Passifloraceae, planta herbácea, semi-perene, de crescimento robusto e gavinhas bem desenvolvidas; caule angulado e com estipulas linear-lanceoladas de 1-1,5 cm de comprimento. Folhas simples, lisas um pouco resistentes, medindo entre 7 e 15 cm de comprimento, com pecíolo de 2 a 4,5 cm de comprimento. Flores solitárias, axilares, muito perfumadas, com 10 a 12 cm de diâmetro e coloração avermelhada. Frutos ovalados, com casca lisa, espessa, de cor amarelada, polpa suculenta, aromática e muito doce.


Onde ocorre: Planta nativa do brasil, encontrada nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Usos: Os frutos de polpa doce são ideais para o consumo in natura. Durante a safra, que vai de dezembro a maio, com pequenas variações regionais, são comercializados em supermercados e feiras livres. A planta é cultivada também como planta ornamental, devido, especialmente, à beleza de sua folhagem e florada perfumada. É ideal para cultivo em caramanchões e cercas-vivas. As folhas também possuem propriedades medicinais, sendo cultivada para uso medicinal, uma vez que é fonte de passiflorina, um calmante natural. As sementes podem ser usadas para a produção de óleo, rico em ácidos graxos poli-insaturados, especialmente, o ácido linoleico, e com ação antioxidante.


Aspectos agronômicos: A espécie pode ser propagada por sementes ou por estacas de ramos. É cultivada em pleno sol, próxima de cercas, muros ou em sistema de condução (espaldeira). A germinação pode ser feita em bandejas ou em canteiro e o crescimento das plantas é rápido. O solo deve ser leve e bem adubado. Quando utilizada para fins ornamentais, requer cuidados com o tutoramento e podas de manutenção e limpeza.

Bibliografia recomendada


BERNACCI, L.C. et al. Maracujá-doce: o autor, a obra e a data da publicação de Passiflora alata (Passifloraceae). Rev. Bras. Frutic., 25(2), 355-356, 2003.

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015.

Passiflora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12508>. Acesso em: 15 Abr. 2018


O maracujá é um fruto autenticamente brasileiro e, por isso, o Brasil ostenta uma grande diversidade de espécies. O mais conhecido é o maracujá-azedo comercial (Passiflora edulis), mas existem também muitos tipos de maracujás doces, a exemplo deste maracujá-de-cobra que vou apresentar hoje. 

Já escrevi anteriormente sobre outro maracujá-de-cobra (Passiflora amethystina Link). O nome popular dessas plantas me chamou atenção e fui conversar com um pesquisador, que me explicou o significado. Os maracujás-de-cobra são assim chamados porque seus frutos maduros, são consumidos por diversos roedores, que por sua vez, são o lanchinho preferido das cobras. Então, onde tem esse tipo de maracujá, possivelmente, também tem cobras, algumas peçonhentas, como as cascavéis. 

Descrição botânica: Planta herbácea, semi-perene, trepadeira, com gavinhas de fixação; caule cilíndrico, estriado e flexível. Folhas trilobadas, com 3 a 7,5 cm de comprimento e pecíolo que pode medir entre 1-6 cm de comprimento. Flores solitárias, com 6-7 cm de diâmetro, de coloração branca. Frutos arredondados, levemente alongados em uma extremidade, casca lisa e com uma camada de ar interna que separa a casca da polpa suculenta e doce. Os frutos maduros têm cor amarelada e a polpa possui um retrogosto que lembra o alho. 

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, encontrada no Cerrado e na Mata Atlântica, típica de áreas de mata alterada e matas ciliares, na beira de rios, lagos ou brejos. 

Usos: Os frutos maduros têm polpa doce, ideal para consumo in natura. A espécie não é comercializada, sendo possível encontrar os frutos apenas nas matas ou em pequenas hortas caseiras. A planta é muito ornamental e produz delicadas flores brancas, que atraem polinizadores. 


Aspectos agronômicos: Propagado por sementes, que germinam em baixa quantidade. As sementes são retiradas dos frutos, lavadas e semeadas direto no canteiro, a germinação ocorre entre 15 a 20 dias e o crescimento das plantas é muito rápido. O ideal é cultivar o maracujá próximo de uma cerca ou construir uma pequena espaldeira para permitir um melhor crescimento da planta, maior produtividade e facilidade para colher os frutos. Uma vez estabelecidas, as plantas produzem muitos frutos e, em áreas onde não ocorre geada, a produção pode se estender quase o ano todo.

Cultivo e condução do maracujá-de-cobra sobre o muro da horta
Bibliografia recomendada

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015. 

Flora do Brasil. Passiflora in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <Link>
 


Todos os anos, no final de fevereiro, acontece a safra de araticum, ou marolo, no Cerrado. Este fruto apresenta um formato bem característico e inconfundível, com elevações na casca, semelhante aos araticuns encontrados em outras regiões do Brasil, porém, estes frutos podem facilmente ultrapassar 1 kg e o aroma da polpa é bastante pronunciado. 

Durante a safra, que pode se estender de fevereiro a abril, os frutos são facilmente encontrados nas feiras livres e banquinhas de beira de estrada, sobretudo, nos estados de Goiás e Minas Gerais. Este fruto representa uma renda extra para muitas famílias e cooperativas de produtores agroextrativistas do Cerrado, transformando esta polpa aromática e cremosa em diversos produtos com sabores bem regionais. Vale a pena conhecer! 


Descrição botânica: Árvores ou arbustos lenhosos, ramificados e caule com casca estriada grossa; folhas inteiras e alternadas; as flores podem ocorrer isoladas ou reunidas em inflorescências; os frutos, quando verdes, possuem casca bastante ondulada e dura, que se rompe com facilidade quando estão maduros; podem medir mais de 15 cm de diâmetro e pesar entre 1 e 2 kg, de formato oval arredondado, coloração externa marrom clara e polpa creme-amarelada muito aromática. 

Onde ocorre: Planta nativa do Brasil, amplamente distribuída no bioma Cerrado, nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Pará, Bahia, Tocantins, Maranhão, incluindo áreas remanescentes de cerrado no Paraná. 


Usos: A polpa dos frutos é doce e muita aromática. A textura da polpa é um pouco granulosa, mas pode ser consumida in natura ou processada para produzir sucos, doces, geleias, licores, tortas, iogurtes ou sorvetes. Rica em carboidratos, lipídeos, fibras, cálcio e fósforo, sendo, portanto, uma importante fonte alimentícia. A polpa ainda pode ser desidratada para a produção de farinha, que serve como ingrediente para o preparo de massas, sucos, doces e sorvetes. O doce em barra, que é uma tradição em Minas Gerais e Goiás e facilmente encontrado nas feiras livres regionais, é feito com a polpa fresca triturada e caramelizada, guardando todo o aroma e sabor característicos desse fruto maravilhoso. 
As sementes são boa fonte de óleo, rico em ácido oleico e com uso potencial nas indústrias de óleos finos e cosméticos. A polpa apresenta agentes antioxidantes; as sementes e folhas são usadas na medicina popular para o tratamento de diarreia, como regulador menstrual e antiparasitário. 

Aspectos agronômicos: Até agora não existem registros de cultivo desta planta, toda produção de frutos é obtida por meio do extrativismo em plantas espontâneas nas matas. A propagação pode ser feita por sementes, que apresentam dormência e requerem o uso e de hormônios sintéticos para germinar. As mudas, quando prontas, devem ser plantadas me local definitivo no início do período chuvoso, em solos profundos e bem drenados. A espécie não é muito exigente em fertilidade, mas a aplicação de adubo orgânico na cova e em cobertura, durante o crescimento da planta, aumenta a produção de frutos. 

Doce de araticum em barra, muito comum em Goiás e Minas Gerais.

Bibliografia recomendada 

MELO, J.T.; AGOSTINHO-COSTA, T.S. Araticum (Annona crassifora). In: VIEIRA, R.F.; CAMILLO, J.; CORADIN, L. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade. Brasília, DF: MMA, 2016. (Link)


A roseira é a mais antiga planta ornamental que se tem notícia, tornou-se a planta favorita entre jardineiros e amadores, até dar origem ao primeiro grupo de plantas ornamentais de importância comercial no século XIX. 

Além do uso ornamental, algumas espécies, caso da rosa damascena, são matéria-prima para a extração de óleos essenciais, um dos aromas preferidos dos perfumistas e altamente valorizado no comércio mundial de óleos e aromas. Para se conseguir 25ml do óleo essencial de rosas é necessário processar mais de 10.000 inflorescências. 


Aspectos botânicos: É relativamente fácil identificar uma roseira, embora existam várias espécies e híbridos no mercado, existem algumas características comuns entre todas elas. São arbustos eretos ou escandentes (pendentes), com altura que pode variar entre 0,2 a 3 metros de altura. As espécies escandentes são muito ramificadas e possuem espinhos pequenos e numerosos. Já as plantas eretas têm menos ramos e espinhos maiores, geralmente de coloração escura e mais espaçados entre si. As folhas são compostas, pinadas e com número de folíolos entre 3 a 9, variando conforme a espécie. As flores são pedunculadas e podem ser solitárias (grandes) ou formando cachos (menor tamanho e mais numerosas) no final de ramos. As pétalas podem ser simples ou dobradas, em cores variadas, com ou sem aroma. Vamos conhecer um pouco dos tipos de plantas mais comuns: 

Plantas eretas: mais comum na espécie Rosa x grandiflora, que compreende a maioria dos híbridos comerciais de roseira. Produz flores grandes e de cores variadas, ideais para flor de corte. 


Plantas escandentes: ou também chamadas de roseiras trepadeiras, que necessitam de algum sistema de condução. Algumas espécies são bem pendentes e apresentam crescimento vigoroso, necessitando de espaldeira, muro ou cerca para apoio. Outras espécies crescem menos e podem ser cultivadas apenas com o auxílio de pequenos tutores. 


Origem: Existem inúmeras espécies de rosas, mas acredita-se que o ancestral de tudo o que conhecemos hoje seja a espécie Rosa canina L., de origem ainda controversa. Alguns botânicos relatam que as primeiras plantas foram encontradas no mediterrâneo e norte da África. Outros estudiosos incluem também o oeste asiático como região de origem. Atualmente, as rosas são cultivadas em quase todas as regiões do mundo. 


Curiosidades: Via de regra, as rosas híbridas comerciais têm um aroma muito discreto e, entre outros fatores, isso está diretamente ligado ao tempo de conservação do produto. A rosa é a unidade reprodutiva das roseiras e o aroma é o meio biológico de atração de polinizadores. Então, um dos efeitos do melhoramento genético para a produção das rosas híbridas tal qual as vemos na floricultura, foi diminuir o aroma e torná-las estéreis. Uma flor sem aroma demora mais a ser polinizada e assim aumenta a sua durabilidade. 


Aspectos agronômicos: As roseiras, em geral, preferem climas frios e com umidade equilibrada. No Brasil existem excelentes áreas para o cultivo de rosas, caso de Barbacena/MG e da Serra da Ibiapaba/CE. Mas a maior parte do País apresenta restrições, principalmente, devido às temperaturas elevadas. Existem diversas variedades de rosas no mercado e é importante conhecer um pouco de cada uma, para escolher aquela mais adaptada para a sua região. 

O cultivo é feito em pleno sol, como plantas isoladas, em renques ou próximo de muros ou cercas, a depender do tipo de planta escolhido (ereto ou escandente). As roseiras requerem solo fértil, leve e bem drenado. Como são plantas delicadas, a maioria não suporta geada forte, tão pouco altas temperaturas: a primeira causa a queima de flores e folhas (até a morte da planta) e a segunda, estimula a produção de folhas e pouca ou nenhuma floração. 


Outro cuidado importante são as podas. Além de manter a planta com formato mais bonito, a poda permite o arejamento e ajuda no controle de pragas e doenças, que se instalam sobre as folhas e ramos velhos. A poda deve ser feita anualmente, logo depois do inverno, para que propicie uma boa brotação na entrada da primavera. As rosas florescem sempre no ramo do ano, então uma boa poda aumenta a produção de flores. 

As roseiras se multiplicam facilmente por estacas de ramos, preparadas no final do inverno. As plantas escandentes são mais resistentes e fáceis de propagar em casa. Mas muitas variedades hibridas só se propagam por enxertia, que é um processo mais complexo, exigindo material de qualidade e alguma perícia no assunto. O meio mais fácil é adquirir as mudas já prontas com seu viveirista de confiança. As mudas são mais caras, mas você poderá escolher entre uma gama de possiblidades e cores que irão deixar seu jardim um luxo. 


Com relação ao local de cultivo, a exceção das mini-rosas, a maioria das roseiras prefere cultivo no chão. São plantas com sistema radicular pivotante (raiz principal profunda), que requerem espaço para crescer e o cultivo em vasos ou floreiras pode limitar a expansão das raízes e comprometer tanto o crescimento quanto a floração. 


O controle de pragas e doenças é sempre um problema e uma das queixas mais frequentes são os pulgões, que podem ser controlados com uma boa poda, limpeza manual dos ramos ou aplicação de inseticidas naturais a exemplo do óleo de nim ou ouros extratos vegetais. Quando for observada alguma doença mais grave, o ideal é remover a planta toda, incluindo folhas e restos vegetais do canteiro. Cultive outras flores no lugar, insira plantas aromáticas e forrações folhosas e só volte com o cultivo de roseiras após dois ou três ciclos de outros cultivos. Isso se chama rotação de culturas e vale tanto para a horta como para o jardim. 


Atenção: Não se recomenda a aplicação de agrotóxicos no jardim, pois pode causar intoxicações sérias, sobretudo, em crianças e nos animais domésticos. Em espaços amplos, quando for estritamente necessária, a aplicação de defensivos deve ser feita com supervisão de um Eng. Agrônomo. 


Bibliografia recomendada 

Laws, B. 50 plantas que mudaram o rumo da história. Rio de Janeiro: Sextante, 2013. (versão traduzida). 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 2008.


Hoje vamos falar de uma fruta polêmica: a carambola. Uns adoram, outros detestam e outros tem medo. Nas minhas aulas costumo conversar com os alunos sobre as polêmicas e as notícias falsas que são veiculadas em sites na internet. A carambola frequentemente é alvo de campanhas difamatórias sem qualquer fundamento científico. Então vamos aprender um pouco mais sobre os mitos e verdades da carambola. 

Descrição botânica: Família Oxalidacea, árvore com 5-10 m de altura, folhas compostas com 10-16 cm de comprimento, com 4 a 5 pares de folíolos de coloração verde-clara na parte inferior e 3-7 cm de comprimento. As flores são do tipo cimeira, que saem das axilas das folhas formando pequenos cachos com minúsculas flores rosadas; os frutos são do tipo baga, com 5 arestas agudas, conferindo o formato característico de “estrela”, de coloração verde, passando a amarelados conforme amadurecem. Polpa suculenta e de sabor ácido, em diferentes intensidades, conforme a cultivar e a região produtora. 

Onde ocorre: A carambola é uma fruta nativa da Malásia e Indonésia. Foi trazida para o Brasil no início do século XIX, onde se adaptou muito bem, sendo cultivada em praticamente todos os estados, em pomares caseiros ou comerciais, cuja produção destina-se, principalmente, ao mercado interno para o consumo in natura. 

Usos: A carambola é uma fruta muito versátil, vai bem tanto para o consumo in natura, quando bem madurinha, quanto para a produção de sucos, refrigerantes, geleias, saladas e doces variados. As flores podem ser consumidas em saladas. As folhas são empregadas na medicina popular em algumas regiões do Brasil, sendo referenciadas também na farmacopeia indiana. O sumo das sementes é utilizado para remover manchas diversas e o suco dos frutos é administrado como febrífugo, antiescorbútico e antidisentérico. 


ATENÇÃO: A carambola é um fruto rico em ácido oxálico e pode causar sérios problemas para pacientes renais crônicos, ou seja, não deve ser consumida por pessoas que tenham algum tipo de problema nos rins. Diversos estudos científicos recomendam que pacientes com insuficiência renal crônica não devem consumir carambola, bem como, chás ou remédios caseiros oriundos desta planta. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes ou enxertia. Para melhor e mais rápida produção de frutos, dê preferencia sempre à mudas propagadas por enxertia. Embora seja uma planta adaptável a diversas condições de clima, prefere temperaturas médias de 25°C ou cima e chuvas bem distribuídas ao longo do ano. Em temperaturas baixas o crescimento das plantas é reduzido, bem como, verifica-se alteração na qualidade dos frutos, especialmente, no tamanho, teor de açúcar, sabor e acidez. Prefere solos bem drenados, profundos; ricos em matéria orgânica e de textura argilo-arenosa. 

RECOMENDAÇÃO: Em 1996 foi detectada pela primeira vez no Brasil, no estado do Amapá, a mosca-da-carambola, uma praga que tem obrigado o Brasil a adotar severas medidas de contenção para evitar o seu avanço sobre as áreas de produção de frutas, por conta dos enormes prejuízos potenciais. Possivelmente, a praga chegou até a América do Sul pelo trânsito de pessoas e mudas contaminadas trazidas das suas regiões de origem.          
      Tudo isso para explicar ao leitor, que não se deve, em hipótese alguma, quando viajar ao exterior, trazer mudas de plantas, sementes ou quaisquer partes vegetais na bagagem. Além de ser considerado crime, de acordo com a legislação brasileira, você estará contribuindo para elevar o uso de agrotóxicos nos produtos agrícolas brasileiros. Então, lembre-se: nada de trazer aquela mudinha ou semente escondida na bagagem, é crime e uma grande irresponsabilidade com a produção de alimentos no Brasil. 




Bibliografia recomendada 

BASTOS, D.C. A cultura da carambola. Revista Brasileira de Fruticultura, 26(2), 2004. 

LORENZI, H.; LACERDA, M.T.C.; BACHER, L.B. Frutas no Brasil: nativas e exóticas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2015. 

NETO, M. et al. Intoxicação por carambola (Averrhoa carambola) em quatro pacientes renais crônicos pré-dialíticos e revisão da literatura. J. Bras Nefrol, 4, 228-232, 2005. 

Oxalidaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB24134>. Acesso em: 04 Mar. 2018. 

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Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.