Rosas (Rosa spp.)

by 3/18/2018 07:47:00 AM 0 comentários


A roseira é a mais antiga planta ornamental que se tem notícia, tornou-se a planta favorita entre jardineiros e amadores, até dar origem ao primeiro grupo de plantas ornamentais de importância comercial no século XIX. 

Além do uso ornamental, algumas espécies, caso da rosa damascena, são matéria-prima para a extração de óleos essenciais, um dos aromas preferidos dos perfumistas e altamente valorizado no comércio mundial de óleos e aromas. Para se conseguir 25ml do óleo essencial de rosas é necessário processar mais de 10.000 inflorescências. 


Aspectos botânicos: É relativamente fácil identificar uma roseira, embora existam várias espécies e híbridos no mercado, existem algumas características comuns entre todas elas. São arbustos eretos ou escandentes (pendentes), com altura que pode variar entre 0,2 a 3 metros de altura. As espécies escandentes são muito ramificadas e possuem espinhos pequenos e numerosos. Já as plantas eretas têm menos ramos e espinhos maiores, geralmente de coloração escura e mais espaçados entre si. As folhas são compostas, pinadas e com número de folíolos entre 3 a 9, variando conforme a espécie. As flores são pedunculadas e podem ser solitárias (grandes) ou formando cachos (menor tamanho e mais numerosas) no final de ramos. As pétalas podem ser simples ou dobradas, em cores variadas, com ou sem aroma. Vamos conhecer um pouco dos tipos de plantas mais comuns: 

Plantas eretas: mais comum na espécie Rosa x grandiflora, que compreende a maioria dos híbridos comerciais de roseira. Produz flores grandes e de cores variadas, ideais para flor de corte. 


Plantas escandentes: ou também chamadas de roseiras trepadeiras, que necessitam de algum sistema de condução. Algumas espécies são bem pendentes e apresentam crescimento vigoroso, necessitando de espaldeira, muro ou cerca para apoio. Outras espécies crescem menos e podem ser cultivadas apenas com o auxílio de pequenos tutores. 


Origem: Existem inúmeras espécies de rosas, mas acredita-se que o ancestral de tudo o que conhecemos hoje seja a espécie Rosa canina L., de origem ainda controversa. Alguns botânicos relatam que as primeiras plantas foram encontradas no mediterrâneo e norte da África. Outros estudiosos incluem também o oeste asiático como região de origem. Atualmente, as rosas são cultivadas em quase todas as regiões do mundo. 


Curiosidades: Via de regra, as rosas híbridas comerciais têm um aroma muito discreto e, entre outros fatores, isso está diretamente ligado ao tempo de conservação do produto. A rosa é a unidade reprodutiva das roseiras e o aroma é o meio biológico de atração de polinizadores. Então, um dos efeitos do melhoramento genético para a produção das rosas híbridas tal qual as vemos na floricultura, foi diminuir o aroma e torná-las estéreis. Uma flor sem aroma demora mais a ser polinizada e assim aumenta a sua durabilidade. 


Aspectos agronômicos: As roseiras, em geral, preferem climas frios e com umidade equilibrada. No Brasil existem excelentes áreas para o cultivo de rosas, caso de Barbacena/MG e da Serra da Ibiapaba/CE. Mas a maior parte do País apresenta restrições, principalmente, devido às temperaturas elevadas. Existem diversas variedades de rosas no mercado e é importante conhecer um pouco de cada uma, para escolher aquela mais adaptada para a sua região. 

O cultivo é feito em pleno sol, como plantas isoladas, em renques ou próximo de muros ou cercas, a depender do tipo de planta escolhido (ereto ou escandente). As roseiras requerem solo fértil, leve e bem drenado. Como são plantas delicadas, a maioria não suporta geada forte, tão pouco altas temperaturas: a primeira causa a queima de flores e folhas (até a morte da planta) e a segunda, estimula a produção de folhas e pouca ou nenhuma floração. 


Outro cuidado importante são as podas. Além de manter a planta com formato mais bonito, a poda permite o arejamento e ajuda no controle de pragas e doenças, que se instalam sobre as folhas e ramos velhos. A poda deve ser feita anualmente, logo depois do inverno, para que propicie uma boa brotação na entrada da primavera. As rosas florescem sempre no ramo do ano, então uma boa poda aumenta a produção de flores. 

As roseiras se multiplicam facilmente por estacas de ramos, preparadas no final do inverno. As plantas escandentes são mais resistentes e fáceis de propagar em casa. Mas muitas variedades hibridas só se propagam por enxertia, que é um processo mais complexo, exigindo material de qualidade e alguma perícia no assunto. O meio mais fácil é adquirir as mudas já prontas com seu viveirista de confiança. As mudas são mais caras, mas você poderá escolher entre uma gama de possiblidades e cores que irão deixar seu jardim um luxo. 


Com relação ao local de cultivo, a exceção das mini-rosas, a maioria das roseiras prefere cultivo no chão. São plantas com sistema radicular pivotante (raiz principal profunda), que requerem espaço para crescer e o cultivo em vasos ou floreiras pode limitar a expansão das raízes e comprometer tanto o crescimento quanto a floração. 


O controle de pragas e doenças é sempre um problema e uma das queixas mais frequentes são os pulgões, que podem ser controlados com uma boa poda, limpeza manual dos ramos ou aplicação de inseticidas naturais a exemplo do óleo de nim ou ouros extratos vegetais. Quando for observada alguma doença mais grave, o ideal é remover a planta toda, incluindo folhas e restos vegetais do canteiro. Cultive outras flores no lugar, insira plantas aromáticas e forrações folhosas e só volte com o cultivo de roseiras após dois ou três ciclos de outros cultivos. Isso se chama rotação de culturas e vale tanto para a horta como para o jardim. 


Atenção: Não se recomenda a aplicação de agrotóxicos no jardim, pois pode causar intoxicações sérias, sobretudo, em crianças e nos animais domésticos. Em espaços amplos, quando for estritamente necessária, a aplicação de defensivos deve ser feita com supervisão de um Eng. Agrônomo. 


Bibliografia recomendada 

Laws, B. 50 plantas que mudaram o rumo da história. Rio de Janeiro: Sextante, 2013. (versão traduzida). 

Lorenzi, H.; Souza, H.M. Plantas ornamentais no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 2008.

0 comentários:

Postar um comentário

Este blog foi criado com o objetivo de informar e entreter. Apresentar uma espécie vegetal seus usos, potencialidades e curiosidades, com informações mais detalhadas, para que as pessoas conheçam e contemplem a beleza de cada espécie.O conteúdo é destinado a toda comunidade e serão muito bem vindas, todas as colaborações daqueles que estejam dispostos a dividir seu conhecimento com quem tem sede de aprender sempre.