Rosa-da-montanha (Brownea grandiceps Jacq.)

by 7/31/2019 11:40:00 AM 0 comentários

Em visita a um colecionador de plantas ornamentais no Distrito Federal me deparei com uma das inflorescências mais lindas do mundo vegetal. Minha maior surpresa foi saber que essa belezura é nativa do Brasil, ainda pouco conhecida, mas com grande potencial de uso no paisagismo. Os cachos de flores são de um alaranjado intenso e chamam a atenção de quem passa por perto. Uma planta tão bela e nativa das nossas florestas merece ser mais conhecida. A depender da região, a espécie recebe vários nomes populares: sol-da-mata, sol-da-montanha, rosa-do-mato, chapéu-de-sol-da-bolívia e por aí vai. 

Descrição botânica: Da família Fabaceae, em cultivo a altura das plantas varia entre 5 a 7 m, mas no interior da mata densa podem ultrapassar 20m. Apresentam folhas grandes e, quando jovens, possuem coloração rosa-arroxeada, passando a verdes quando adultas; as folhas são compostas por 4 a 16 folíolos, cada ráquis pode medir mais de 50 cm de comprimento. As inflorescências são vistosas, grandes e compostas por várias flores adensadas em forma de bolas pendentes, que surgem na extremidade dos ramos; a coloração das flores pode variar de alaranjado a vermelho. 


Onde ocorre: A espécie é nativa do Brasil, porém, não endêmica, sendo registrada também na Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Bolívia. A sua ocorrência em terras brasileiras foi registrada oficialmente no Amazonas, Pará, Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Possivelmente também esteja presente em outros estados, fato que só poderá ser confirmado por estudos botânicos mais abrangentes. 

Usos: Árvore muito ornamental devido à beleza de sua floração, que atrai especialmente os colibris. A madeira pode ser usada para confecção de caixotaria. As flores são usadas na medicina tradicional como anti-hemorrágico, propriedade já parcialmente confirmada por estudos científicos. 


Aspectos agronômicos: A produção de mudas é feita por sementes, que podem apresentar germinação baixa e desuniforme, bem como lento crescimentos das plantas. A arvoreta fotografada nas condições do Distrito Federal possui mais de 15 anos e porte aproximado de 5 a 6 m, cultivada em área sombreada e com rega constante. A floração foi observada no mês de junho, com frutos maduros simultaneamente. No Rio de Janeiro os relatos informam que se observa floração e frutificação quase o ano todo. A espécie aprecia clima quente e úmido, apresentando lento desenvolvimento em regiões mais frias. As mudas podem ser plantadas em áreas semi-sombreados, com rega abundante. A falta de água limita a floração e a frutificação. Em alguns locais, a espécie apresenta também problemas com a polinização, resultando em alto índice de frutos vazios, necessitando a colheita de muitos frutos para conseguir boa quantidade de sementes.


Bibliografia recomendada 

Fabaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <Link>. Acesso em: 31 Jul. 2019. 

Pereira, B.; Brazón, J. Aqueous extract from Brownea grandiceps flowers with effect on coagulation and fibrinolytic system. Journal of ethnopharmacology, 160, 6-13, 2015.

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