Capuchinha (Tropaeolum majus L.)

by 2/25/2021 05:27:00 PM 0 comentários


A capuchinha é uma planta nativa do Peru e regiões andinas, muito bem adaptada no Brasil. É uma das flores mais consumidas na culinária nacional. O nome “capuchinha” se deve ao fato de que as folhas, quando vistas pelo dorso, lembram um capuz. Já o epíteto científico Tropaeolum deriva da palavra grega “tropaion” ou tropa, em português. Alguns dizem que as folhas agrupadas lembram os escudos de tropas de guerreiros, outros dizem que se parece com capacetes. Escudo ou capacete, não importa, bom mesmo é aproveitar esse sabor e incorporar a capuchinha na alimentação, pois é uma planta fácil de cultivar, decorativa, tem poucas calorias e, como diria minha avó, faz bem para os olhos!


Descrição botânica: Da família Tropaeolaceae, planta de caule liso e prostrado. Folhas simples, com até 12 cm de comprimento, arredondadas (orbiculares) e com presença de pilosidade na parte inferior, possui nervuras bem-marcadas e um ponto central esbranquiçado. As flores são bem características da espécie; na parte posterior da flor existe uma estrutura comprida denominada cálcar, que pode ser reto ou recurvado, medindo entre 2 a 2,5 cm de comprimento. As pétalas são obovadas, com ápice arredondado e as cores podem variar entre diversa tonalidades de laranja, amarelo ou vermelho.


Onde ocorre: Espécie nativa do Peru e considerada naturalizada no Brasil, onde pode ser encontrada em quase todo o país, com predomínio na áreas de Mata Atlântica e regiões mais úmidas, entre o Rio Grande do Sul e o Ceará. Planta bastante cultivada em hortas caseiras ou encontrada vegetando de forma espontânea ou até como invasora em alguns locais.


Usos: As flores e folhas são comestíveis, com sabor levemente picante e azedinho, usadas em saladas cruas e na decoração de pratos. O sabor das folhas lembra um misto entre rúcula e agrião e ficam deliciosas quando mescladas em salada de folhas. As sementes são usadas em conservas e seu sabor lembra a alcaparra, razão pela qual também são conhecidas popularmente como falsa-alcaparra. As flores podem ser consumidas cruas, desidratadas, embebidas em álcool ou xarope de açúcar para uso na decoração de doces ou coquetéis. Quanto à composição nutricional, é um alimento de baixo valor calórico, rico em carotenoides, especialmente luteína, composto ligado à prevenção de catarata e glaucoma.

A folhagem e floração da capuchinha, que dura o ano todo em regiões mais quentes, propicia seu uso como planta ornamental em canteiros, vasos ou floreiras. Além disso, possui importante função ecológica por fornecer alimento à diversos tipos de abelhas e outros polinizadores importantes.


Aspectos agronômicos: A produção de mudas pode ser feita por sementes, que geram plantas mais vigorosas, e deve ser priorizada quando o objetivo é renovar o canteiro. A divisão dos caules e replantio também funciona e pode ser usada para ampliar o plantio já existente. O cultivo pode ser feito o ano todo, em ambiente sombreado ou meia-sombra, desde que não falte água. O solo deve ser rico em matéria orgânica, leve e bem drenado, pois essas plantas não toleram encharcamento. A colheita pode começar cerca de 50 dias após o plantio e, em cultivo bem cuidado, pode se estender ao longo do ano todo. A colheita do dia, que não for aproveitada de imediato, pode ser higienizada e guardada em sacos plásticos na geladeira por até 7 dias.



Bibliografia recomendada

Botrel, N. et al. Hortaliças Não Convencionais – Hortaliças tradicionais: Capuchinha. Folder. Embrapa Hortaliças. 2017. https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1071363/hortalicas-nao-convencionais-hortalicas-tradicionais-capuchinha

Souza, V.C.; Lima, A.G.; Paula-Souza, J. Tropaeolaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB599289

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