Erva-baleeira (Varronia curassavica Jacq.)

by 2/03/2021 04:28:00 PM 0 comentários

A erva-baleeira é uma ótima fonte de óleos essenciais para uso medicinal, cosmética e perfumaria. O programa Farmácia Viva do governo do Distrito Federal produz e disponibiliza à população um gel à base de erva-baleeira, para uso como anti-inflamatório. 
Laboratórios farmacêuticos já usam a planta na produção de medicamentos e produtos para a higiene de bebês. O óleo essencial é rico em α-humuleno e o β-cariofileno, com propriedades terapêuticas já comprovadas e amplamente utilizadas na medicina contemporânea. 
Esta planta é um exemplo de sucesso do aproveitamento econômico e curativo da biodiversidade brasileira.


Descrição botânica: Da família Boraginaceae, planta arbustiva, com até 1-1,5 m de altura e muito ramificada. As folhas são pecioladas, com formato alongado (lanceoladas) e ápice agudo (com ponta); as bordas podem ser crenadas (rendadas) ou denteadas. A inflorescência é tipo espiga, com até 15 cm de comprimento, composta por numerosas flores pequenas de cor branca. O fruto é bem pequeno, tipo drupa, vermelho quando maduro e contém uma semente.


Onde ocorre: A erva-baleeira é nativa, porém, não exclusiva do Brasil, com ocorrência em outros países da América do Sul, América Central e México. É encontrada com facilidade em quase todo o território nacional na condição de cultivada e em populações naturais por toda a costa brasileira. No litoral, habita com maior frequência as áreas de restinga. Nos demais locais, é frequente em pastagens, terrenos baldios, beira de estradas e de matas alteradas. Em algumas regiões é considerada invasora, pois rapidamente forma densos agrupamentos.

Usos: O maior uso comercial da erva-baleeira é a extração de óleo essencial de suas folhas por meio uma técnica chamada arraste de vapor, que preserva as qualidades medicinais e propicia seu uso em diversas aplicações farmacêuticas e cosméticas. Na medicina popular, entre outras aplicações, as folhas são usadas como anti-inflamatório, analgésico, no tratamento de artrite, contusões e ferimentos da pele. A erva-baleeira é uma das poucas plantas medicinais nativas que consta oficialmente na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) e tem sido amplamente utilizada pela indústria farmacêutica na produção de um dos anti-inflamatórios mais conhecidos no Brasil, a linha Achéflan.


Aspectos agronômicos: Planta de crescimento vigoroso, cultivada em pleno sol ou meia sombra, em locais com clima quente e úmido. Prefere solos com textura arenosa, menor acidez e constantemente úmidos. 
A floração ocorre mais intensamente nos meses de verão, entre dezembro e março. 
Propaga-se facilmente por sementes ou por estacas de ramos jovens. 
O plantio deve ser feito com espaçamento de 1,2 m entre plantas e linhas e, em regiões onde há estação seca, o plantio das mudas deve ser feito no início da estação chuvosa. 
A colheita se inicia cerca de um ano após o plantio e as folhas podem ser colhidas o ano todo. Recomenda-se cautela na aquisição de mudas e a certificação da correta identificação da planta, além do conhecimento sobre a “variedade” mais adaptado para cada região. 
O rendimento de óleo essencial varia de planta para planta, conforme o clima e o horário de colheita. 
A escolha da área para o plantio deve priorizar locais livres de contaminações por metais pesados, com água de boa qualidade e em quantidade e onde seja possível implementar práticas de cultivo consorciado, rotação de culturas e/ou cultivo mínimo. 
De modo geral, a produção de plantas medicinais prima pelo cultivo orgânico e requer uso intensivo de mão de obra. Os produtos resultantes possuem elevado valor agregado, porém, as exigências quanto à qualidade e constância da matéria prima são bastante elevadas.


Curiosidades: A fama de medicinal da erva-baleeira já é bem antiga e seu nome deriva do uso feito pelas comunidades de pescadores que, durante a época de caça às baleias, usavam suas folhas na cura de feridas causadas por espetadas de peixes. Existem relatos mais antigos de que os índios Caiçaras também usavam a planta de forma semelhante. As folhas eram usadas em banhos ou maceradas e combinadas com outros ingredientes, na forma de creme ou emplastro, aplicado em ferimentos para acalmar a dor e facilitar a cicatrização.

Observação importante: Os usos medicinais aqui citados são fruto de pesquisa acadêmica e conhecimento científico validado. Mas sempre é bom salientar que não se deve fazer uso de plantas medicinais ou qualquer tipo de medicamento sem o acompanhamento de um bom profissional de saúde. Cuide-se e cuide de sua família da forma correta!

Bibliografia recomendada

Lorenzi, H.; Matos, F.J.A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum. 2002.

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